{"id":4047,"date":"2008-07-08T13:37:43","date_gmt":"2008-07-08T13:37:43","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=4047"},"modified":"2008-07-08T13:37:43","modified_gmt":"2008-07-08T13:37:43","slug":"destaques-comunidades-negras-recuperam-o-palmito-jucara","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2008\/07\/america-latina\/destaques-comunidades-negras-recuperam-o-palmito-jucara\/","title":{"rendered":"DESTAQUES: Comunidades negras recuperam o palmito ju\u00e7ara"},"content":{"rendered":"<p>ELDORADO, 08\/07\/2008 &ndash; (Tierram\u00e9rica) Moradores dos antigos quilombos do Brasil deixam de cortar a palmeira ju\u00e7ara para extrair seu saboroso caule, e buscam outras formas de sustento a partir dessa esp\u00e9cie.  <!--more--><br \/>\n <div id=\"attachment_4047\" style=\"width: 210px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/377_Palmeiras.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-4047\" class=\"size-medium wp-image-4047\" title=\"Palmeiras em uma colina do quilombo Ivaporunduva. - Mario Osava\/IPS\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/377_Palmeiras.jpg\" alt=\"Palmeiras em uma colina do quilombo Ivaporunduva. - Mario Osava\/IPS\" width=\"200\" height=\"150\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-4047\" class=\"wp-caption-text\">Palmeiras em uma colina do quilombo Ivaporunduva. - Mario Osava\/IPS<\/p><\/div>  A palmeira ju\u00e7ara, amea\u00e7ada de extin\u00e7\u00e3o pela explora\u00e7\u00e3o de seu palmito, come\u00e7a a se recuperar gra\u00e7as ao plantio e ao manejo sustent\u00e1vel por parte de comunidades negras da Mata Atl\u00e2ntica, o bioma mais desmatado do Brasil. \u201cComecei a cortar palmito aos sete anos de idade, acompanhado de meu pai, o primeiro palmiteiro de Eldorado\u201d, conta Antonio Jorge, hoje com 63 anos e estudante de Ci\u00eancias Sociais em um curso universit\u00e1rio a dist\u00e2ncia. \u201cFaz\u00edamos isso por necessidade e falta de conhecimento\u201d, admite. Por\u00e9m, \u201cdesde 1990\u201d, ele planta ju\u00e7ara em lugar de cortar para aproveitar apenas seu caule comest\u00edvel, o palmito, com forte demanda no mercado.<\/p>\n<p>Essa mudan\u00e7a aconteceu nos \u00faltimos anos entre as comunidades brasileiras afrodescendentes do Vale do Rio Ribeira, uma bacia de 28.306 quil\u00f4metros quadrados entre duas metr\u00f3poles industriais, S\u00e3o Paulo e Curitiba, que constitui a maior \u00e1rea preservada de Mata Atl\u00e2ntica, ecossistema costeiro que j\u00e1 perdeu 93% de sua superf\u00edcie. Essas comunidades se chamam quilombolas, por serem herdeiras dos antigos quilombos, aldeias de negros que fugiam da escravid\u00e3o e lutavam pela sua liberdade. Um projeto do n\u00e3o-governamental Instituto Socioambiental (ISA) compra sementes de ju\u00e7ara coletada pelos quilombolas, ao pre\u00e7o de US$ 1,87 o quilo, para plantar em suas pr\u00f3prias terras. O ISA promove pol\u00edticas de desenvolvimento sustent\u00e1vel, atuando junto a comunidades tradicionais, e a defesa de recursos naturais do Vale do Ribeira.<\/p>\n<p>Em Ivaporunduva, o quilombo mais antigo da bacia, 13 jovens e adultos subiram, no dia 26 de junho, duas colinas carregando nas costas sacos cheios de sementes, para espalh\u00e1-las na floresta. \u00c9 o mutir\u00e3o, palavra de origem ind\u00edgena que hoje indica qualquer esfor\u00e7o comum, excepcional e volunt\u00e1rio. O plantio tem de ser feito em \u00e1reas florestais porque a ju\u00e7ara, cujo nome cientifico \u00e9 Euterpe edulis Martius, precisa de sombra em seus primeiros tempos, e paci\u00eancia, porque leva cerca de oito anos para produzir frutos e um bom palmito.<\/p>\n<p>Silvestre Rodrigues da Silva, de 63 anos e cinco filhos, deu 250 quilos de sementes colhidas por sua fam\u00edlia para o mutir\u00e3o, pelos quais conseguiu US$ 468. Ele tem a sorte de ter preservado centenas de palmeiras perto de sua casa. \u201cN\u00e3o imaginava que suas sementes poderiam render esse dinheiro. Para mim, a ju\u00e7ara era apenas beleza e comida de p\u00e1ssaros\u201d, contou. Algumas comunidades est\u00e3o cultivando pl\u00e2ntulas em viveiros, como outra fonte de renda. Al\u00e9m disso, est\u00e3o descobrindo o fruto, cuja polpa tem um valor nutricional semelhante ao do a\u00e7a\u00ed, uma palmeira amaz\u00f4nica do mesmo g\u00eanero que j\u00e1 conquistou um grande mercado por suas qualidades energ\u00e9ticas.<\/p>\n<p>O fruto \u201cd\u00e1 mais dinheiro do que o palmito\u201d, afirma Silva, baseado em uma visita que fez a uma f\u00e1brica de polpa em Sete Barras, um munic\u00edpio vizinho. \u201cJuntando todos os frutos dispon\u00edveis poderemos tamb\u00e9m ter uma ind\u00fastria\u201d, afirmou. Em Ubatuba, no litoral norte de S\u00e3o Paulo, a cerca de 400 quil\u00f4metros do Vale do Ribeira, um projeto do Instituto de Permacultura e Vilas Ecol\u00f3gicas da Mata Atl\u00e2ntica (Ipema) com quilombolas, ind\u00edgenas e camponeses, j\u00e1 est\u00e1 produzindo uma tonelada de polpa de ju\u00e7ara com a colheita iniciada em fevereiro e que termina este m\u00eas.<\/p>\n<p>Esta primeira produ\u00e7\u00e3o abastecer\u00e1 as creches de Ubatuba, informa Cristina Reis, coordenadora de Educa\u00e7\u00e3o Agroflorestal do Ipema, que tamb\u00e9m orienta planos de manejo e plantio de ju\u00e7ara. A polpa tem quatro vezes mais antocianina &#8211; pigmento antioxidante &#8211; que o a\u00e7a\u00ed, e, portanto, um \u201cforte poder medicinal\u201d, al\u00e9m de aliment\u00edcio, afirma. Em Ivaporunduva tamb\u00e9m se pode colher frutos suficientes para processar a polpa, diz Renata Barroso, que coordena o Projeto Ju\u00e7ara do ISA. Por\u00e9m, \u201cfalta a cultura do aproveitamento do fruto\u201d, reconhece.<\/p>\n<p>\u201cAntes, cort\u00e1vamos o palmito a meia hora de casa, hoje temos de caminhar 14 horas para chegar \u00e0s palmeiras\u201d, disse Jorge. Para n\u00e3o desperdi\u00e7ar a viagem, o palmiteiro corta palmeiras jovens, retirando palmitos pequenos com os quais ganha muito menos, diz Pedro Cubas, membro da comunidade quilombola. Apesar das adversidades, ainda h\u00e1 os que persistem nessa atividade ilegal que pode lev\u00e1-los \u00e0 pris\u00e3o. Os quilombolas e outros habitantes rurais do Vale do Ribeira praticam uma agricultura de subsist\u00eancia e obt\u00eam renda com a venda de banana, o maior cultivo local, de artesanato e com trabalhos fora da comunidade, mas dependem muito da ajuda do governo.<\/p>\n<p>A ju\u00e7ara pode ser uma fonte adicional de renda, e o aproveitamento de seus frutos promove a conserva\u00e7\u00e3o florestal, destaca Barroso. O fruto \u201calimenta uma grande diversidade de animais, mam\u00edferos, roedores e principalmente aves\u201d, o que faz da ju\u00e7ara uma esp\u00e9cie-chave \u201cpara a biodiversidade da Mata Atl\u00e2ntica\u201d, explica Barroso, engenheira florestal que escolheu esta palmeira como tema de seu trabalho final de gradua\u00e7\u00e3o e mestrado. Se a ju\u00e7ara for recuperada em abund\u00e2ncia ser\u00e1 \u201cmuito f\u00e1cil seu manejo\u201d, de maneira que se poder\u00e1 voltar \u00e0 extra\u00e7\u00e3o sustent\u00e1vel de palmito para \u201catender o mercado\u201d, acredita Reis. Em v\u00e1rios pontos do Brasil, inclusive no Vale do Ribeira, se planta pupunha (Bactris gasipaes) para obter palmitos. \u201cMas palmito saboroso como o da ju\u00e7ara n\u00e3o h\u00e1 em parte alguma do mundo\u201d, afirma Jorge. Esta \u00e9 uma opini\u00e3o generalizada que conspira contra o resgate desta palmeira.<\/p>\n<p>* O autor \u00e9 correspondente da IPS.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>ELDORADO, 08\/07\/2008 &ndash; (Tierram\u00e9rica) Moradores dos antigos quilombos do Brasil deixam de cortar a palmeira ju\u00e7ara para extrair seu saboroso caule, e buscam outras formas de sustento a partir dessa esp\u00e9cie. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2008\/07\/america-latina\/destaques-comunidades-negras-recuperam-o-palmito-jucara\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":131,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[8,2,12,5],"tags":[21],"class_list":["post-4047","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-ambiente","category-america-latina","category-desenvolvimento","category-economia","tag-metas-do-milenio"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4047","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/131"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4047"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4047\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4047"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4047"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4047"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}