{"id":4049,"date":"2008-07-08T13:44:04","date_gmt":"2008-07-08T13:44:04","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=4049"},"modified":"2008-07-08T13:44:04","modified_gmt":"2008-07-08T13:44:04","slug":"grandes-nomes-a-luta-africana-de-arvores-contra-desertos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2008\/07\/africa\/grandes-nomes-a-luta-africana-de-arvores-contra-desertos\/","title":{"rendered":"GRANDES NOMES: A luta africana de \u00e1rvores contra desertos"},"content":{"rendered":"<p>NAIR\u00d3BI, 08\/07\/2008 &ndash; (Tierram\u00e9rica) A destrui\u00e7\u00e3o das florestas da Bacia do Congo, segundo maior ecossistema de selva do planeta, ser\u00e1 sentida dentro e fora da \u00c1frica, alerta neste artigo Wangari Maatha, pr\u00eamio Nobel da Paz 2004.  <!--more--><br \/>\n <div id=\"attachment_4049\" style=\"width: 210px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/377_Wangari-maathai-web.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-4049\" class=\"size-medium wp-image-4049\" title=\" - Fabr\u00edcio Vanden Broeck\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/377_Wangari-maathai-web.jpg\" alt=\" - Fabr\u00edcio Vanden Broeck\" width=\"200\" height=\"196\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-4049\" class=\"wp-caption-text\"> - Fabr\u00edcio Vanden Broeck<\/p><\/div>  Conservar a selva congolesa e todas as florestas africanas, bem como acelerar o reflorestamento, \u00e9 vital para a sobreviv\u00eancia em um continente onde o Deserto do Saara se expande de norte a sul e o de Kalahari para sudoeste. Por isso, foi criado o Fundo Florestal para a Bacia do Congo (CBFF), no dia 17 de junho, em Londres. Seu financiamento inicial \u00e9 de US$ 200 milh\u00f5es, fornecidos por Gr\u00e3-Bretanha e Noruega. Dez pa\u00edses da \u00c1frica central tomaram a iniciativa de administrar a selva de maneira mais sustent\u00e1vel e conservar as riqueza e a biodiversidade.<\/p>\n<p>As selvas da Bacia do Congo fornecem alimento, abrigo e sustento a mais de 50 milh\u00f5es de pessoas. Trata-se do segundo maior sistema de selva do planeta, depois da Amaz\u00f4nia. Com 200 milh\u00f5es de hectares, a bacia inclui um quinto dos remanescentes mundiais de selvas tropicais de dossel cerrado (onde as copas das \u00e1rvores se tocam, formando uma cobertura homog\u00eanea) e \u00e9 um importante dep\u00f3sito de carbono, com um papel vital para regular o clima regional. Sua diversidade biol\u00f3gica \u00e9 de import\u00e2ncia mundial. Em um espa\u00e7o que duplica a superf\u00edcie da Fran\u00e7a, as selvas tropicais congolesas s\u00e3o lar de mais de dez mil esp\u00e9cies vegetais, mil esp\u00e9cies de aves e 400 de mam\u00edferos.<\/p>\n<p>Contudo, a Bacia do Congo sofre m\u00faltiplas press\u00f5es: desmatamento crescente, modelos agr\u00edcolas inconsistentes, aumento da popula\u00e7\u00e3o e explora\u00e7\u00e3o petrol\u00edfera e industrial, cujo resultado conjunto \u00e9 maior desmatamento. Esta situa\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 sustent\u00e1vel para as pessoas que ali vivem, para incalcul\u00e1veis esp\u00e9cies que podem ser levadas \u00e0 extin\u00e7\u00e3o e nem para o clima. Reverter o desmatamento \u00e9 essencial, tanto para garantir o sustento da popula\u00e7\u00e3o regional quanto para manter a biodiversidade da floresta e sua capacidade de armazenar carbono. As florestas s\u00e3o insubstitu\u00edveis e podem morrer, embora pare\u00e7am inesgot\u00e1veis.<\/p>\n<p>As duas na\u00e7\u00f5es que compartilham a ilha caribenha de La Espa\u00f1ola (Haiti e Rep\u00fablica Dominicana) s\u00e3o um exemplo vivo do que ocorre quando destru\u00edmos o meio ambiente, sobretudo as florestas. O desmatamento do Haiti, e a conseq\u00fcente perda de seus solos, o tornaram muito vulner\u00e1veis aos furac\u00f5es e \u00e0s inunda\u00e7\u00f5es, aprofundando a mis\u00e9ria. Do outro lado da ilha, as condi\u00e7\u00f5es da Rep\u00fablica Dominicana s\u00e3o muito melhores, pois em grande parte conservou suas florestas. Talvez a \u00c1frica deva estabelecer um dia, ou uma temporada, para plantar \u00e1rvores. A educa\u00e7\u00e3o ambiental deve come\u00e7ar na escola prim\u00e1ria para que nossos cidad\u00e3os cres\u00e7am com um profundo apre\u00e7o pelo meio ambiente. Sem educa\u00e7\u00e3o, \u00e9 muito poss\u00edvel que haja ministros promovendo pol\u00edticas destrutivas pela simples raz\u00e3o de n\u00e3o saberem o que \u00e9 certo. Lamentavelmente, as gera\u00e7\u00f5es que destr\u00f3em o meio ambiente n\u00e3o s\u00e3o as que sentem as conseq\u00fc\u00eancias.<\/p>\n<p>Embora seja importante proteger a selva em cada pa\u00eds, tamb\u00e9m se deve reconhecer seu valor para al\u00e9m das fronteiras nacionais, como no ecossistema da Bacia do Congo. O impacto negativo de sua destrui\u00e7\u00e3o ser\u00e1 sentido tanto dentro quanto fora da \u00c1frica. Este continente dever proteger suas florestas nativas, bem como se comprometer em um amplo esfor\u00e7o de reflorestamento. Nossa popula\u00e7\u00e3o pode cultivar planta\u00e7\u00f5es comerciais para a ind\u00fastria madeireira e da constru\u00e7\u00e3o. Mas \u00e9 um erro sacrificar as florestas pelos r\u00e1pidos benef\u00edcios econ\u00f4micos que d\u00e3o os cultivos em expans\u00e3o de monoculturas florestais.<\/p>\n<p>Se o fizermos, estaremos minando as possibilidades de nossos filhos e netos de obter \u00e1gua e chuva para a agricultura, de obter energia hidrel\u00e9trica e desfrutar dos variados benef\u00edcios dos recursos h\u00eddricos, pois os rios secar\u00e3o. A \u00c1frica j\u00e1 \u00e9 um continente escasso em \u00e1gua. N\u00e3o se pode arriscar que suas bacias fluviais sejam sacrificadas. Neste contexto, merecem reconhecimento as iniciativas do presidente do Senegal, Abdoulaye Wade, que est\u00e1 construindo uma Grande Muralha Verde a partir de Dakar, no extremo ocidental da \u00c1frica, no Oceano Atl\u00e2ntico, at\u00e9 Djibuti, no Mar Vermelho, para conter o avan\u00e7o do Saara.<\/p>\n<p>\u201cO projeto consiste em plantar \u00e1rvores ao longo de sete mil quil\u00f4metros, de Dakar a Djibuti, para criar uma faixa verde de cinco quil\u00f4metros de largura junto ao deserto, com a finalidade de deter qualquer avan\u00e7o da desertifica\u00e7\u00e3o\u201d, disse o pr\u00f3prio Wade. \u201cCom a regenera\u00e7\u00e3o da biodiversidade queremos dar ao nosso planeta um novo pulm\u00e3o verde e contribuir, portanto, para combater a mudan\u00e7a clim\u00e1tica. J\u00e1 definimos a localiza\u00e7\u00e3o da Grande Muralha e selecionamos as esp\u00e9cies de \u00e1rvores, segundo as zonas clim\u00e1ticas. Cada pa\u00eds por onde passar estar\u00e1 respons\u00e1vel por ergu\u00ea-la dentro de suas fronteiras\u201d.<\/p>\n<p>* A autora, Pr\u00eamio Nobel da Paz em 2004, \u00e9 embaixadora da Boa Vontade para a Selva do Congo e fundadora do Movimento do Cintur\u00e3o Verde (www.greenbeltmovement.org). Direitos exclusivos IPS.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>NAIR\u00d3BI, 08\/07\/2008 &ndash; (Tierram\u00e9rica) A destrui\u00e7\u00e3o das florestas da Bacia do Congo, segundo maior ecossistema de selva do planeta, ser\u00e1 sentida dentro e fora da \u00c1frica, alerta neste artigo Wangari Maatha, pr\u00eamio Nobel da Paz 2004. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2008\/07\/africa\/grandes-nomes-a-luta-africana-de-arvores-contra-desertos\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":321,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[3,8,12],"tags":[],"class_list":["post-4049","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-africa","category-ambiente","category-desenvolvimento"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4049","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/321"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4049"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4049\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4049"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4049"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4049"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}