{"id":408,"date":"2005-03-16T00:00:00","date_gmt":"2005-03-16T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=408"},"modified":"2005-03-16T00:00:00","modified_gmt":"2005-03-16T00:00:00","slug":"nepal-polticos-e-guerrilheiros-unidos-contra-o-rei","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/03\/mundo\/nepal-polticos-e-guerrilheiros-unidos-contra-o-rei\/","title":{"rendered":"Nepal: Pol&iacute;ticos e guerrilheiros unidos contra o rei"},"content":{"rendered":"<p>Bangcoc, 16\/03\/2005 &ndash; Os partidos pol&iacute;ticos do Nepal acertaram com a guerrilha mao&iacute;sta iniciar um processo de reforma constitucional que contemple o fim da monarquia, em uma in&eacute;dita alian&ccedil;a para acabar com a ditadura do rei Gyanendra. Em uma reunia a portas fechadas em Bangcoc, representantes dos principais partidos nepaleses se coprometerama lutar sem tr&eacute;gua contra o rei, que em 1&ordm; de fevereiro liderou um golpe de Estado. &quot;Esta ser&aacute; nossa batalha definitiva contra o rei. N&atilde;o haver&aacute; mais concess&otilde;es. Isso &eacute; o que decidimos: basta de concess&otilde;es&quot;, disse &agrave; IPS Sujata Koirala, delegada do centrista Partido do Congresso Nepal&ecirc;s, que comandou o governo at&eacute; o golpe do ri Gyanendra Bir Bikram Shah. &quot;Continuaremos nas ruas. No come&ccedil;o (do regime autorit&aacute;rio), os nepaleses tinham medo de se manifestarem, mas, agora, n&atilde;o. Devemos lutar contra este sistema autocr&aacute;tico&quot;, destacou Koirala.<br \/> <!--more--> <br \/> No &uacute;ltimo final de semana, os partidos do Congresso Nepal&ecirc;s, do Congresso Nepal&ecirc;s Democr&aacute;tico, Comunista (Marxistas-Leninistas Unidos), Frente Popular e Sadbhavana acertaram exigir a convoca&ccedil;&atilde;o de uma assembl&eacute;ia constituinte. Tamb&eacute;m se coprometeram a lutar para derrubar Gyanendra. &quot;A assembl&eacute;ia constitucional decidir&aacute; se teremos um rei, ou n&atilde;o&quot;, disse Ramesh Rizal, dirigente do Congresso Nepal&ecirc;s Democr&aacute;tico. O rei do &uacute;nico reino hindu do mundo questionou a capacidade do governo encabe&ccedil;ado, at&eacute; 1&deg; de fevereiro, por Sher Bahadur Deuba para restaurar a paz no pa&iacute;s, assolado por uma guerra civil entre for&ccedil;as governamentais e a guerrilha mao&iacute;sta.<\/p>\n<p> Gyanendra declarou, na oportunidade, o estado de emerg&ecirc;ncia e suspendeu as liberdades civis, incluindo a de express&atilde;o. Dias depois, colocou grande quantidade de l&iacute;deres pol&iacute;ticos sob pris&atilde;o domiciliar, inclusive o deposto primeiro-ministro, libertado no final de semana. O Partido Comunista Mao&iacute;sta, inspirado na guerrilha peruana do Sendero Luminoso, atua desde 1996 em distritos rurais, com a finalidade de abolir a monarquia. Por causa dos combates entre rebeldes e for&ccedil;as do governo, morreram 11 mil pessoas. Para a instaura&ccedil;&atilde;o de uma rep&uacute;blica, a guerrilha reclamou a convoca&ccedil;&atilde;o de uma assembl&eacute;ia nacional constituinte.<\/p>\n<p> Manifesta&ccedil;&otilde;es contra o golpe de Estado acontecem no Nepal desde segunda-feira. De acordo com a Alian&ccedil;a Democr&aacute;tica Nepalesa, pelo menos 700 manifestantes foram presos por participarem das concentra&ccedil;&otilde;es em Katmandu e outras 22 cidades. A maior quantidade de detidos foi em Janakpur, na fronteira oriental com a &Iacute;ndia. Marxistas-Leninistas unidos garantiu que cerca de 500 integrantes do partido foram presos nessa ocasi&atilde;o. &quot;Convocamos a comunidade internacional a suspender a ajuda ao Nepal at&eacute; que o rei devolva o poder ao povo&quot;, disse Koirala. Desde o golpe de Estado o monarca &eacute; alvo de crescente press&atilde;o internacional por causa da pris&atilde;o de centenas de dirigentes pol&iacute;ticos, sindicais e estudantis e, tamb&eacute;m, de jornalistas.<\/p>\n<p> Observadores internacionais temem que o giro autorit&aacute;rio da monarquia jogue a favor dos mao&iacute;stas, apesar de suas inten&ccedil;&otilde;es declaradas. &quot;Sem democracia, n&atilde;o creio que possa haver negocia&ccedil;&otilde;es com os mao&iacute;stas&quot;, disse Rajan Battarai, dirigente da Marxistas-Leninistas Unidos. &quot;Os mao&iacute;stas deixaram muito claro que n&atilde;o manter&atilde;o nenhum di&aacute;logo com a monarquia&quot;. O independente Grupo Internacional de Crise, com sede em Bruxelas, advertiu que o golpe de Gyanendra provocar&aacute; os mao&iacute;stas e agravar&aacute; a guerra civil. &quot;O rei justificou seu golpe assinalando a necessidade de derrotar os mao&iacute;stas, mas, isso ter&aacute; um efeito contr&aacute;rio. Uma monarquia absoluta que sufoque a democracia s&oacute; ajudar&aacute; os mao&iacute;stas a se aproximarem do poder&quot;, alertou o presidente do Grupo, Gareth Evans.<\/p>\n<p> &quot;A principal demanda dos rebeldes foi a convoca&ccedil;&atilde;o de elei&ccedil;&otilde;es para escolha de uma assembl&eacute;ia constituinte. E todos os partidos reunidos em Bangcoc aderiram a essa demanda&quot;, disse Bhattarai. &quot;Como conduzir essas elei&ccedil;&otilde;es &eacute; algo que devemos negociar com os mao&iacute;stas&quot;, acrescentou. O secret&aacute;rio-geral do Partido Frente Popular, Nava Raj Subedi, recordou que a convoca&ccedil;&atilde;o de uma assembl&eacute;ia nacional constituinte &quot;&eacute; um assunto pendente h&aacute; 54 anos. Em 1951, o rei Tribhuvan, av&oacute; de Gyanendra, prometeu a assembl&eacute;ia, mas nunca a concretizou. Em 1990, novo acordo, mas nessa ocasi&atilde;o pessoas designadas pelo ent&atilde;o rei Birendra foram os encarregados de redigir a constitui&ccedil;&atilde;o. N&atilde;o havia no grupo ningu&eacute;m eleito pelo povo para ajudar a fazer a constitui&ccedil;&atilde;o&quot;, disse Subedi.<\/p>\n<p> Os cinco partidos pol&iacute;ticos que participaram da reuni&atilde;o em Bangcoc decidiram formar um governo interino depois da queda do rei. Esse governo estar&aacute; encarregado de organizar a convoca&ccedil;&atilde;o de elei&ccedil;&otilde;es para uma assembl&eacute;ia constituinte. O atraso econ&ocirc;mico e social, a injusti&ccedil;a e os governos ineficientes foram prop&iacute;cios para que os nepaleses pobres se incorporassem &agrave; guerrilha mao&iacute;sta. A renda m&eacute;dia por habitante no Nepal &eacute; de US$ 240 anuais, e 42% da popula&ccedil;&atilde;o vivem abaixo da linha da pobreza. A guerrilha come&ccedil;ou em fevereiro de 1996 nos remotos distritos montanhosos do meio-oeste do pa&iacute;s, na forma de protestos contra o aprofundamento da dist&acirc;ncia entre ricos e pobres e a marginaliza&ccedil;&atilde;o das castas inferiores determinadas pela religi&atilde;o hindu.<\/p>\n<p> As manifesta&ccedil;&otilde;es se transformaram pouco a pouco em uma &quot;guerra popular&quot; que j&aacute; est&aacute; em seu d&eacute;cimo ano. Hoje, os rebeldes t&ecirc;m importante presen&ccedil;a em todos os distritos do Nepal. Este reino foi fundado no s&eacute;culo XVIII pelo rei Prithvi Narayan Shah, fundador da dinastia Shah, que ainda ocupa o trono do pa&iacute;s. Este monarca uniu as tribos Gorkha por meio da espada. Em 1990, o centrista Partido do Congresso aliou-se com radicais e moderados comunistas para acabar com a monarquia absoluta. Nesse mesmo ano, perante gigantescas manifesta&ccedil;&otilde;es populares, o ent&atilde;o rei Birendra se despojou de seus poderes absolutos sem opor luta e decidiu se converter em monarca constitucional.<\/p>\n<p> Em junho de 2001, o rei e toda sua fam&iacute;lia foram assassinados a tiros pelo pr&iacute;ncipe-herdeiro Dipendra, na mais sangrenta matan&ccedil;a na hist&oacute;ria das fam&iacute;lias reais de o mundo. Mas, esse acontecimento n&atilde;o colocou a monarquia em perigo, como foi capaz de fazer o golpe de Estado de fevereiro, segundo observadores. Esta foi a segunda vez em dois anos que Gyanendra, que depois do massacre herdou a coroa emplumada do Nepal, despojou do governo o primeiro-ministro Sher Bahadur Deuba. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Bangcoc, 16\/03\/2005 &ndash; Os partidos pol&iacute;ticos do Nepal acertaram com a guerrilha mao&iacute;sta iniciar um processo de reforma constitucional que contemple o fim da monarquia, em uma in&eacute;dita alian&ccedil;a para acabar com a ditadura do rei Gyanendra. Em uma reunia a portas fechadas em Bangcoc, representantes dos principais partidos nepaleses se coprometerama lutar sem tr&eacute;gua contra o rei, que em 1&ordm; de fevereiro liderou um golpe de Estado. &quot;Esta ser&aacute; nossa batalha definitiva contra o rei. N&atilde;o haver&aacute; mais concess&otilde;es. Isso &eacute; o que decidimos: basta de concess&otilde;es&quot;, disse &agrave; IPS Sujata Koirala, delegada do centrista Partido do Congresso Nepal&ecirc;s, que comandou o governo at&eacute; o golpe do ri Gyanendra Bir Bikram Shah. &quot;Continuaremos nas ruas. No come&ccedil;o (do regime autorit&aacute;rio), os nepaleses tinham medo de se manifestarem, mas, agora, n&atilde;o. 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