{"id":4085,"date":"2008-07-17T16:02:18","date_gmt":"2008-07-17T16:02:18","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=4085"},"modified":"2008-07-17T16:02:18","modified_gmt":"2008-07-17T16:02:18","slug":"economia-petroleo-barato","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2008\/07\/america-latina\/economia-petroleo-barato\/","title":{"rendered":"ECONOM\u00cdA: Petr\u00f3leo barato"},"content":{"rendered":"<p>Rio de Janeiro, 17\/07\/2008 &ndash; Todos se queixam dos altos pre\u00e7os do petr\u00f3leo, mas na realidade n\u00e3o reflete os custos ambientais e ainda \u00e9 insuficiente para promover as mudan\u00e7as necess\u00e1rias para um futuro menos catastr\u00f3fico da humanidade, alertam especialistas.  <!--more--><br \/>\n <div id=\"attachment_4085\" style=\"width: 210px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/Petr_F3leo_Pdvsa.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-4085\" class=\"size-medium wp-image-4085\" title=\" - Pdvsa\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/Petr_F3leo_Pdvsa.jpg\" alt=\" - Pdvsa\" width=\"200\" height=\"124\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-4085\" class=\"wp-caption-text\"> - Pdvsa<\/p><\/div>  A alta \u201cbrutal e r\u00e1pida\u201d do pre\u00e7o do petr\u00f3leo nos \u00faltimos anos n\u00e3o gerou mudan\u00e7as que apontem para uma indispens\u00e1vel \u201cregulamenta\u00e7\u00e3o\u201d do sistema econ\u00f4mico global, mas para uma \u201cadapta\u00e7\u00e3o\u201d no sentido de manter o status quo, segundo Gilberto Dupas, coordenador do Grupo de An\u00e1lise da Conjuntura Internacional da Universidade de S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p>A demanda por petr\u00f3leo continuar\u00e1 crescendo pela \u201cdissemina\u00e7\u00e3o do padr\u00e3o de consumo ocidental, especialmente na China e \u00cdndia\u201d, e pelo barateamento dos autom\u00f3veis, cuja ind\u00fastria prev\u00ea que \u201csomente sobreviver\u00e3o as ind\u00fastrias globais que os produzirem a US$ 2.500, acentuando a op\u00e7\u00e3o pelo transporte individual\u201d, disse Dupas \u00e0 IPS. Al\u00e9m do novo n\u00edvel da demanda por alimentos e energia no mundo, a l\u00f3gica do capital sempre promove \u201cmais destrui\u00e7\u00e3o criativa\u201d, com equipamentos e produtos se convertendo descart\u00e1veis em \u201cciclos tecnol\u00f3gicos cada dia mais curtos\u201d e em uma cont\u00ednua renova\u00e7\u00e3o, que exige mais energia e mat\u00e9ria-prima, acrescentou.<\/p>\n<p>O \u201c\u00fanico sintoma\u201d do impacto petrol\u00edfero \u00e9 a infla\u00e7\u00e3o generalizada, mais evidente no caso dos alimentos, refletindo a \u201cdepend\u00eancia sist\u00eamica do petr\u00f3leo\u201d, sem que a crise seja suficientemente profunda para promover uma revis\u00e3o da l\u00f3gica, disse Dupas, tamb\u00e9m presidente do Instituto de Estudos Econ\u00f4micos e Internacionais (IEEI). \u201cA resist\u00eancia do sistema \u00e9 muito forte\u201d, conclui o autor do livro \u201cO mito do progresso\u201d, no qual analisa os que determinam os rumos do avan\u00e7o no setor e seus custos ambientais e sociais. Em sua opini\u00e3o, est\u00e1 em jogo a capacidade do sistema econ\u00f4mico global de reconhecer sua crise e se auto-regulamentar diante de um aprofundamento da crise, complicada pelo aquecimento da Terra.<\/p>\n<p>Os aumentos dos pre\u00e7os do petr\u00f3leo, cobre e a\u00e7o fazem parte de um fen\u00f4meno novo que deve perdurar, segundo Fernando Cardim de Carvalho, professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Antes, os pa\u00edses em r\u00e1pido crescimento econ\u00f4mico, como os chamados quatro tigres asi\u00e1ticos (Hong Kong, Cingapura, Cor\u00e9ia do Sul e Taiwan), se industrializavam com base na m\u00e3o-de-obra barata \u201cque acabava\u201d quando se chegava a um certo n\u00edvel de desenvolvimento importante. Com isso seus cidad\u00e3os conseguiam acesso social e dessa forma o processo se estabilizava. Mas isso j\u00e1 n\u00e3o acontece dessa maneira.<\/p>\n<p>A China, com 1,3 bilh\u00e3o de habitantes, representa uma \u201cfor\u00e7a estrutural, uma demanda em crescimento sem freio \u00e0 vista\u201d. \u00c9 que sempre h\u00e1 \u201cnovas chinas\u201d para repetir ou manter o processo, \u201cmodernas e subdesenvolvidas ao mesmo tempo\u201d. \u00c9 algo \u201csem precedentes, que torna in\u00fatil a hist\u00f3ria\u201d para fazer compara\u00e7\u00f5es, destacou Cardim \u00e0 IPS. Assim, a China continuar\u00e1 competitiva na ind\u00fastria t\u00eaxtil, enquanto antes este era um setor que emigrava para pa\u00edses mais pobres e de sal\u00e1rios menores, acrescentou o economista.<\/p>\n<p>Brasil, Argentina e Chile vivem de suas exporta\u00e7\u00f5es para a China, cuja demanda por cobre e outras mat\u00e9rias-primas tende a continuar crescendo por tempo indefinido, com persist\u00eancia dos pre\u00e7os elevados. Com uma demanda crescente assegurada, a alta do valor do petr\u00f3leo n\u00e3o pode ser confundida com as chamadas \u201cbolhas\u201d especulativas, que seriam desfeitas com a alta dos juros, disse Cardim. Mas os altos pre\u00e7os podem produzir uma recess\u00e3o no curto prazo, alentando a substitui\u00e7\u00e3o por outras fontes energ\u00e9ticas no longo prazo, previu.<\/p>\n<p>De fato, os pre\u00e7os do petr\u00f3leo sobem de maneira sustentada desde 2003, ao contr\u00e1rio dos \u201cchoques\u201d anteriores de 1973 e 1979, de altas fortes, mas concentradas em pouco tempo, seguidas da estabiliza\u00e7\u00e3o ou mesmo do retrocesso menos de um ano depois. Com o transporte caro, assim como a energia em geral e os alimentos, a economia mundial tende a sofrer mudan\u00e7as pelo menos setoriais, favorecendo a industrializa\u00e7\u00e3o local de mat\u00e9rias-primas, avaliou Giuseppe Bac\u00f3ccoli, especialista em petr\u00f3leo do programa de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o em Engenharia da Universidade Federal do Rio de Janeiro.<\/p>\n<p>O Brasil \u00e9 um dos pa\u00edses que se beneficiar\u00e1 com esta situa\u00e7\u00e3o por dispor de muitas mat\u00e9rias-primas e fontes de energia, incluindo as novas jazidas de petr\u00f3leo descobertas a grande profundidade em sua zona mar\u00edtima de exclus\u00e3o, que logo o converter\u00e1 em exortador desse combust\u00edvel, afirmou. Em 1973 e 1979, o Brasil foi o mais atingido pelo s\u00fabito aumento dos pre\u00e7os nos mercados internacionais do petr\u00f3leo, devido \u00e0 sua grande depend\u00eancia externa, fato que levou \u00e0 iniciativa pioneira de um amplo programa de produ\u00e7\u00e3o de etanol a partir da cana-de-a\u00e7\u00facar, para substituir a gasolina cara.mas, aproveitar essa oportunidade exige \u201cfor\u00e7a de trabalho formada\u201d, preparada para o trabalho coletivo e o uso de tecnologias, al\u00e9m de mat\u00e9rias-primas e energia barata, fatores que favorecem o Brasil, mas n\u00e3o a \u00c1frica, lembrou Cardim. A \u00c1frica tamb\u00e9m sofre outro obst\u00e1culo que \u00e9 a escassez de min\u00e9rio de ferro, acrescentou Dupas.<\/p>\n<p>No curto prazo os altos pre\u00e7os do petr\u00f3leo n\u00e3o ir\u00e3o alterar o sistema, mas conduzem a uma recess\u00e3o econ\u00f4mica mundial, afirmou Cardim. No longo prazo, perdurando a alta e se confirmando que a produ\u00e7\u00e3o mundial de petr\u00f3leo chegou ao seu limite, a substitui\u00e7\u00e3o por outras fontes energ\u00e9ticas produziriam uma \u201cnova revolu\u00e7\u00e3o industrial\u201d, acrescentou. A grande esperan\u00e7a de energia abundante e n\u00e3o contaminante, o hidrog\u00eanio, somente ser\u00e1 vi\u00e1vel economicamente por volta de 2020, previu Bac\u00f3ccoli. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Rio de Janeiro, 17\/07\/2008 &ndash; Todos se queixam dos altos pre\u00e7os do petr\u00f3leo, mas na realidade n\u00e3o reflete os custos ambientais e ainda \u00e9 insuficiente para promover as mudan\u00e7as necess\u00e1rias para um futuro menos catastr\u00f3fico da humanidade, alertam especialistas. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2008\/07\/america-latina\/economia-petroleo-barato\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":131,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[8,2,12,5,10,4,11],"tags":[],"class_list":["post-4085","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-ambiente","category-america-latina","category-desenvolvimento","category-economia","category-energia","category-mundo","category-politica"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4085","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/131"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4085"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4085\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4085"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4085"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4085"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}