{"id":4092,"date":"2008-07-21T16:01:47","date_gmt":"2008-07-21T16:01:47","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=4092"},"modified":"2008-07-21T16:01:47","modified_gmt":"2008-07-21T16:01:47","slug":"desenvolvimento-auge-exportador-nao-reduz-a-pobreza","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2008\/07\/mundo\/desenvolvimento-auge-exportador-nao-reduz-a-pobreza\/","title":{"rendered":"DESENVOLVIMENTO: Auge exportador n\u00e3o reduz a pobreza"},"content":{"rendered":"<p>Genebra, 21\/07\/2008 &ndash; As na\u00e7\u00f5es mais pobres do mundo registraram nesta d\u00e9cada altas porcentagens de crescimento econ\u00f4mico, mas sem conseguir que esse desempenho excepcional tivesse impacto sobre a pobreza, que ainda se mant\u00e9m em um n\u00edvel alarmante, afirma um estudo da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas. <!--more--> Diante desse quadro, o rem\u00e9dio aconselhado pelos especialistas da ONU consiste em fazer com que os 50 pa\u00edses menos adiantados (PMA) tomem a as r\u00e9deas de suas estrat\u00e9gias nacionais de desenvolvimento.<\/p>\n<p>O \u201cInforme sobre os pa\u00edses menos adiantados de 2008\u201d, preparado pela Confer\u00eancia das Na\u00e7\u00f5es Unidas sobre Com\u00e9rcio e Desenvolvimento (Unctad), alerta que a ajuda externa n\u00e3o \u00e9 um motor do desenvolvimento no longo prazo, embora reconhe\u00e7a que pode mobilizar os recursos internos e dessa forma estimular o progresso econ\u00f4mico. Para que a ajuda do exterior ative os processos e os harmonize com as condi\u00e7\u00f5es locais \u00e9 preciso que os governos dos PMA, os melhores conhecedores dessas realidades, assumam o papel de lideran\u00e7a, indicam os especialistas no documento divulgado ontem pela Unctad.<\/p>\n<p>Nesse aspecto, comprovamos que ainda persistem numerosas pr\u00e1ticas que seguem prejudicando a capacidade e a lideran\u00e7a no desenho e na aplica\u00e7\u00e3o das estrat\u00e9gias nacionais de desenvolvimento, disse o secret\u00e1rio-geral da Unctad, Supachai Panitchpakdi. Charles Gores, chefe da equipe da ONU que se ocupa dos PMA, descreveu como os mecanismos de concess\u00e3o da ajuda oficial ao desenvolvimento (AOD) minam a capacidade efetiva dos pa\u00edses.<\/p>\n<p>Por exemplo, em 2003 e 2007, os fluxos de AOD destinados a Z\u00e2mbia, Malawi e Serra Leoa pelo Banco Mundial e Fundo Monet\u00e1rio Internacional foram interrompidos com o argumento de que esses pa\u00edses fracassaram no cumprimento das metas macroecon\u00f4micas, que habitualmente compreendem privatiza\u00e7\u00f5es e liberaliza\u00e7\u00e3o dos setores banc\u00e1rio e financeiro, entre outros requisitos. Por esse motivo, Supachai ressaltou que se deve permitir aos PMA manejarem suas pol\u00edticas de ajuda, o ponto de partida para que possam assumir a lideran\u00e7a das estrat\u00e9gias nacionais de desenvolvimento, afirmou.<\/p>\n<p>Sobre o crescimento dos \u00faltimos anos nos PMA, o secret\u00e1rio-geral da Unctad disse que houve varia\u00e7\u00f5es consider\u00e1veis no comportamento das 50 na\u00e7\u00f5es. No per\u00edodo 2005-2006, a taxa de aumento do produto interno bruto em 11 delas foi inferior 3%, enquanto em outros 20 oscilou entre 3% e 6%. Nos restantes 19 essa taxa superou os 6%. Supachai disse que 76% do total de aumento das exporta\u00e7\u00f5es de mercadorias dos PMA, no per\u00edodo 2004-2006, corresponderam a pa\u00edses do grupo exportador de petr\u00f3leo e minerais.<\/p>\n<p>De fato, o melhor desempenho nesse aspecto do com\u00e9rcio internacional foi atingido pelos exportadores de petr\u00f3leo, Angola, Guin\u00e9 Equatorial, Chade, Sud\u00e3o, Timor Leste e I\u00eamen, e pelos exportadores de minerais, Z\u00e2mbia, Rep\u00fablica Democr\u00e1tica do Congo, Mo\u00e7ambique, Guin\u00e9, Mali e Maurit\u00e2nia. Mas, o chefe da Unctad mostrou preocupa\u00e7\u00e3o porque, apesar do n\u00edvel \u00f3timo das exporta\u00e7\u00f5es, os PMA ficaram mais dependentes dos produtos b\u00e1sicos prim\u00e1rios. A exporta\u00e7\u00e3o desses bens ficava em 55% entre 2000 e 2002, mas subiu para 77% entre 2005 e 2006. Assim, se nota um forte aumento do grau de depend\u00eancia das exporta\u00e7\u00f5es de produtos b\u00e1sicos prim\u00e1rios, insistiu Supachai.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m houve diferen\u00e7as consider\u00e1veis nos padr\u00f5es que predominam nos PMA de na\u00e7\u00f5es insulares, africanas e asi\u00e1ticas, com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 diversifica\u00e7\u00e3o das exporta\u00e7\u00f5es e de seu deslocamento dos produtos b\u00e1sicos prim\u00e1rios para as manufaturas. Os PMA asi\u00e1ticos aumentam o com\u00e9rcio de manufatura, ao contr\u00e1rio dos africanos que se mant\u00eam apegados \u00e0s mat\u00e9rias-primas. Por outro lado, os PMA insulares seguem dependendo das exporta\u00e7\u00f5es de servi\u00e7os, setor que tamb\u00e9m mostrou alto grau de volatilidade, disse Supachai na apresenta\u00e7\u00e3o do informe.<\/p>\n<p>A Unctad mostrou que os \u00edndices de pobreza absoluta nos PMA diminu\u00edram dos picos de 44% da popula\u00e7\u00e3o, em 1994, para 36% em 2005. Mas, \u00e9 alarmante que em n\u00fameros constantes a pobreza absoluta tenha continuado crescendo at\u00e9 2003, quando houve uma flex\u00e3o, disse Supachai. O modelo de desenvolvimento dos PMA asi\u00e1ticos parece ter produzido resultados mais satisfat\u00f3rio na redu\u00e7\u00e3o da pobreza e, um ritmo maior do que nos da \u00c1frica, acrescentou. Neste momento h\u00e1 200 milh\u00f5es de pessoas vivendo na pobreza absoluta os PMA da \u00c1frica, outros 70 milh\u00f5es nos da \u00c1sia e um milh\u00e3o nos PMA insulares.<\/p>\n<p>Ao que parece, os efeitos da pobreza ainda s\u00e3o maiores nos pa\u00edses exportadores de produtos b\u00e1sicos prim\u00e1rios, dependentes de seus embarques de petr\u00f3leo, minerais ou produtos agr\u00edcolas, disse o secret\u00e1rio-geral. Com rela\u00e7\u00e3o aos progressos alcan\u00e7ados pelos PMA no esfor\u00e7o para cumprir os Objetivos de Desenvolvimento do Mil\u00eanio, Supachai observou que aparentemente houve maiores avan\u00e7os naquelas metas que dependem basicamente do fornecimento de servi\u00e7os p\u00fablicos.<\/p>\n<p>Nessas \u00e1reas, tanto os governos como os doadores aplicam programas bem orientados, explicou. Um exemplo \u00e9 o setor da educa\u00e7\u00e3o prim\u00e1ria universal, uma meta que foi alcan\u00e7ada em termos quantitativos, explicou. Mas, nos objetivos que dependem da renda das fam\u00edlias mais do que do fornecimento de servi\u00e7os p\u00fablicos o progresso foi mais lento, reconheceu. A crise dos pre\u00e7os dos alimentos somou-se este ano \u00e0 marginaliza\u00e7\u00e3o dos PMA. A Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas para a Agricultura e a alimenta\u00e7\u00e3o colocou 21 PMA na lista de na\u00e7\u00f5es que enfrentam situa\u00e7\u00f5es de inseguran\u00e7a alimentar.<\/p>\n<p>S\u00e3o muitas as raz\u00f5es desta crise, disse Supachai. Mas uma das principais \u00e9 a maneira vacilante com que se aplicou a estrat\u00e9gia de promover o desenvolvimento agr\u00edcola e a pesquisa e o desenvolvimento nesse setor dos PMA, ressaltou. O gasto p\u00fablico nessas atividades chegou em 2004 a apenas 4% do PIB dos pa\u00edses menos adiantados. Nas demais na\u00e7\u00f5es em desenvolvimento a m\u00e9dia desse investimento chegou a 11%. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Genebra, 21\/07\/2008 &ndash; As na\u00e7\u00f5es mais pobres do mundo registraram nesta d\u00e9cada altas porcentagens de crescimento econ\u00f4mico, mas sem conseguir que esse desempenho excepcional tivesse impacto sobre a pobreza, que ainda se mant\u00e9m em um n\u00edvel alarmante, afirma um estudo da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2008\/07\/mundo\/desenvolvimento-auge-exportador-nao-reduz-a-pobreza\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":86,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[12,5,4,11],"tags":[],"class_list":["post-4092","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-desenvolvimento","category-economia","category-mundo","category-politica"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4092","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/86"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4092"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4092\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4092"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4092"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4092"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}