{"id":411,"date":"2005-03-16T00:00:00","date_gmt":"2005-03-16T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=411"},"modified":"2005-03-16T00:00:00","modified_gmt":"2005-03-16T00:00:00","slug":"chile-grande-rejeio-e-pouca-informao-sobre-transgnicos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/03\/mundo\/chile-grande-rejeio-e-pouca-informao-sobre-transgnicos\/","title":{"rendered":"Chile: Grande rejei&ccedil;&atilde;o e pouca informa&ccedil;&atilde;o sobre transg&ecirc;nicos"},"content":{"rendered":"<p>Santiago, 16\/03\/2005 &ndash; O governo do Chile n&atilde;o informa os consumidores sobre os transg&ecirc;nicos nem estabelece a coloca&ccedil;&atilde;o de r&oacute;tulos em alimentos que os contenham, enquanto a maioria dos consultados em uma pesquisa rejeita estes produtos e exige informa&ccedil;&atilde;o nas embalagens. O r&oacute;tulo obrigat&oacute;ria para transg&ecirc;nicos foi a demanda central apresentada pela n&atilde;o-governamental Consumers International (CI) com a qual foi comemorado nesta ter&ccedil;a-feira, em todo o mundo, o Dia Mundial dos Direitos do Consumidor. H&aacute; apenas dois meses Lilia Lizama, dona de casa de 90 anos, ficou sabendo da exist&ecirc;ncia dos alimentos transg&ecirc;nicos. &quot;Estava na casa da minha irm&atilde; e de repente surgiu o tema. Me disseram que s&atilde;o produtos modificados e podem causar c&acirc;ncer&quot;, disse.<br \/> <!--more--> <br \/> &quot;Fiquei surpresa e assustada, porque na hora de comprar algo n&atilde;o tenho como saber se &eacute; natural ou transg&ecirc;nico&quot;, contou Lizama &agrave; IPS, ela que pode ter sido uma das 500 entrevistadas pela consultoria Ipsos em dezembro de 2004, a pedido do cap&iacute;tulo chileno do Greenpeace. Segundo a pesquisa divulgada no &uacute;ltimo dia 11, em Santiago, 53,5% dos entrevistados conhecem ou ouviram falar dos alimentos transg&ecirc;nicos, 58,5% preferem consumir produtos que n&atilde;o contenham organismos geneticamente modificados (OMG) e 95,9% estimam que estes produtos deveriam ser obrigatoriamente etiquetados.<\/p>\n<p> Para tornar p&uacute;blico estes resultados, os ativistas realizaram uma a&ccedil;&atilde;o a poucos metros do pal&aacute;cio de governo de La Moneda, onde instalaram duas marionetes mostrando o presidente Ricardo Lagos e o ministro da Economia, Jorge Rodr&iacute;guez Grossi, tapando os ouvidos. Tanto o Greenpeace quanto outros grupos ecologistas acusam o Minist&eacute;rio da Economia, respons&aacute;vel pela pol&iacute;tica de biotecnologia de 2002 e de um projeto de lei que tenta regulamentar a mat&eacute;ria, de n&atilde;o incluir a cidadania nesta discuss&atilde;o. No Chile, a &uacute;nica norma que regula os OGM &eacute; uma resolu&ccedil;&atilde;o do governamental Servi&ccedil;o Agr&iacute;cola e Pecu&aacute;rio, que data de 1993. Segundo este decreto, somente se autoriza a entrada no territ&oacute;rio de sementes transg&ecirc;nicos para sua multiplica&ccedil;&atilde;o e posterior exporta&ccedil;&atilde;o em cultivos que atualmente n&atilde;o superam os oito mil hectares.<\/p>\n<p> N&atilde;o h&aacute; restri&ccedil;&atilde;o para a importa&ccedil;&atilde;o de ingredientes ou alimentos transg&ecirc;nicos para o consumo interno, para os quais n&atilde;o s&atilde;o exigidos r&oacute;tulos. Isto se pretendia regulamentar com uma legisla&ccedil;&atilde;o que o governo estudava enviar ao Congresso no ano passado, mas que acabou arquivando por causa da oposi&ccedil;&atilde;o de parlamentares da governante coaliz&atilde;o de centro-esquerda. &quot;O governo desqualificou todas nossas opini&otilde;es, por isso viemos entregar-lhe a informa&ccedil;&atilde;o extra&iacute;da da pesquisa, para que seja incorporada &agrave; lei que &eacute; manejada a portas fechadas&quot;, disse &agrave; IPS o coordenador de engenharia gen&eacute;tica do Greenpeace, Juan Carlos Cuchacovich.<\/p>\n<p> &quot;Quando o governo come&ccedil;ou a estudar o tema dos transg&ecirc;nicos, se mostrou muito interessado em considerar a opini&atilde;o das organiza&ccedil;&otilde;es da sociedade civil, mas, conforme foi avan&ccedil;ando na elabora&ccedil;&atilde;o do projeto, fomos exclu&iacute;dos&quot;, disse &aacute; IPS Jos&eacute; Vargas, diretor do escrit&oacute;rio para a Am&eacute;rica Latina e o Caribe do CI. Esta federa&ccedil;&atilde;o de 250 organiza&ccedil;&otilde;es espalhadas em 115 pa&iacute;ses escolheu o Dia Mundial dos Direitos do Consumidor para aprofundar a campanha global contra os OGM que come&ccedil;ou em Bangcoc em outubro do ano passado, na v&eacute;spera do Segundo F&oacute;rum Mundial de Autoridades Reguladoras sobre Inocuidade dos Alimentos.<\/p>\n<p> &quot;Neste dia, organiza&ccedil;&otilde;es de todo o mundo pedem que seja implementada a coloca&ccedil;&atilde;o obrigat&oacute;ria de alimentos transg&ecirc;nicos, conforme o direito &agrave; informa&ccedil;&atilde;o e &agrave; livre escolha dos cidad&atilde;os&quot;, disse Vargas, que destacou a realiza&ccedil;&atilde;o de atividades em mais de cem pa&iacute;ses, incluindo o Chile, que constam de marchas, confer&ecirc;ncias de imprensa, entrevistas e divulga&ccedil;&atilde;o de informa&ccedil;&atilde;o. Um alimento transg&ecirc;nico &eacute; aquele obtido a partir de um organismo modificado por engenharia gen&eacute;tica. A t&eacute;cnica consiste em transferir genes de uma esp&eacute;cie biol&oacute;gica para outra n&atilde;o relacionada, como, por exemplo, de um pescado para um tomate. O agente transmissor, ou vetor, costuma ser um v&iacute;rus ou uma bact&eacute;ria.<\/p>\n<p> Os efeitos para o meio ambiente e a sa&uacute;de humana ainda n&atilde;o foram estabelecidos com exatid&atilde;o pela ci&ecirc;ncia, mas at&eacute; o momento se menciona a poss&iacute;vel resist&ecirc;ncia de bact&eacute;rias a alguns antibi&oacute;ticos &uacute;teis para o ser humano. No ano passado, cerca de 8,25 milh&otilde;es de agricultores de 17 pa&iacute;ses semearam cultivos transg&ecirc;nicos, de acordo com o Servi&ccedil;o Internacional para a Aquisi&ccedil;&atilde;o de Aplica&ccedil;&otilde;es Agrobiotecnol&oacute;gicas (ISAAA, sigla em ingl&ecirc;s), uma organiza&ccedil;&atilde;o financiada pela ind&uacute;stria. Estados Unidos, Canad&aacute;, Argentina, Brasil e China concentram 96,5% dos cultivos de OGM no mundo, o qual se divide, basicamente, em soja, milho, algod&atilde;o e canola. Nos tr&ecirc;s primeiros pa&iacute;ses n&atilde;o se identifica obrigatoriamente estes alimentos.<\/p>\n<p> A CI pretende pressionar o Codex Alimentarius &#8211; criado em 1963 pela Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas para a Agricultura e a Alimenta&ccedil;&atilde;o e pela Organiza&ccedil;&atilde;o Mundial da Sa&uacute;de &#8211; para que adote uma norma internacional ampla sobre etiquetagem dos produtos transg&ecirc;nicos. Paralelamente, a federa&ccedil;&atilde;o mundial de consumidores exigir&aacute; dos governos nacionais a implanta&ccedil;&atilde;o da etiquetagem para os OGM, o que espera sejam &quot;positivos&quot; (indicam a exist&ecirc;ncia de conte&uacute;do transg&ecirc;nico) e n&atilde;o negativos (indicam sua aus&ecirc;ncia). As regulamenta&ccedil;&otilde;es devem incluir produtos derivados da carne e do leite provenientes de animais criados com alimentos transg&ecirc;nicos, segundo pretende a CI.<\/p>\n<p> Vargas destaca o regulamento da Uni&atilde;o Europ&eacute;ia que entrou em vigor em outubro de 2003, o qual exige etiqueta para todos os produtos que contenham, consistem ou s&atilde;o derivados de componentes transg&ecirc;nicos, independente destes poderem ser detectados no produto final. &quot;Acreditamos que n&atilde;o dar oportunidade &aacute;s pessoas de saberem o que est&atilde;o consumindo &eacute; uma falta de democracia, j&aacute; que esta se constr&oacute;i com transpar&ecirc;ncia e informa&ccedil;&atilde;o&quot;, disse Cuchacovich. &quot;O governo tem que dizer porque n&atilde;o quer ouvir a cidadania. Obviamente, temos nossas suposi&ccedil;&otilde;es, que nos dizem haver grandes interesses econ&ocirc;micos por tr&aacute;s disso&quot;, advertiu o especialista do Greenpeace.<\/p>\n<p> O diretor regional da Consumers International acredita que no Chile a consci&ecirc;ncia dos cidad&atilde;os em torno desse assunto &eacute; baixa, &quot;em grande parte por culpa do governo, por n&atilde;o implementar programas informativos nem educativos&quot;. Os consumidores &quot;t&ecirc;m de ser mais exigentes no momento da compra, e as organiza&ccedil;&otilde;es sociais t&ecirc;m de continuar difundindo os dados que manejam e as autoridades t&ecirc;m de projetar pol&iacute;ticas sociais que atendam as necessidades das pessoas&quot;, ressaltou Vargas. A desinforma&ccedil;&atilde;o da maioria dos chilenos tamb&eacute;m alcan&ccedil;a outros temas de interesse para a sa&uacute;de humana, como &quot;o manejo de pesticidas nos trabalhos agr&iacute;colas, o uso indiscriminado de horm&ocirc;nios em aves e o abuso de antibi&oacute;ticos na produ&ccedil;&atilde;o de leite&quot;, lamentou Vargas. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Santiago, 16\/03\/2005 &ndash; O governo do Chile n&atilde;o informa os consumidores sobre os transg&ecirc;nicos nem estabelece a coloca&ccedil;&atilde;o de r&oacute;tulos em alimentos que os contenham, enquanto a maioria dos consultados em uma pesquisa rejeita estes produtos e exige informa&ccedil;&atilde;o nas embalagens. 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