{"id":4128,"date":"2008-07-30T17:41:01","date_gmt":"2008-07-30T17:41:01","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=4128"},"modified":"2008-07-30T17:41:01","modified_gmt":"2008-07-30T17:41:01","slug":"aids-america-latina-a-ameaca-persiste","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2008\/07\/america-latina\/aids-america-latina-a-ameaca-persiste\/","title":{"rendered":"AIDS-AM\u00c9RICA LATINA: A amea\u00e7a persiste"},"content":{"rendered":"<p>M\u00e9xico, 30\/07\/2008 &ndash; A pandemia de Aids se mant\u00e9m est\u00e1vel na Am\u00e9rica Latina e afeta com for\u00e7a os grupos vulner\u00e1veis, como homossexuais, homens que fazem sexo com homens e prostitutas, segundo o informe mundial divulgado ontem pela Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas. <!--more--> Os dados coletados durante 2007 indicam que na regi\u00e3o houve 140 mil novas infec\u00e7\u00f5es, fazendo com que a quantidade de pessoas portadoras do v\u00edrus da defici\u00eancia imunol\u00f3gica humana (HIV), causador da Aids, totalizasse 1,7 milh\u00e3o.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, o documento elaborado pelo Programa Conjunto das Na\u00e7\u00f5es Unidas sobre HIV\/Aids (Onusida), informa que 63 mil pessoas morreram no ano passado devido a padecimentos relacionados com a pandemia. O diretor para a Am\u00e9rica Latina do Onusida, C\u00e9sar Nu\u00f1ez, disse na apresenta\u00e7\u00e3o do informe que \u201cn\u00e3o se trata de uma epidemia pequena e controlada\u201d, por isso recomendou uma forte \u00eanfase nas medidas de preven\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O Brasil, com 800 mil casos, e o M\u00e9xico, com 200 mil, aparecem com os maiores \u00edndices de preval\u00eancia da regi\u00e3o, enquanto se alerta que a Am\u00e9rica Central e o Caribe tamb\u00e9m \u00e9 uma zona com forte impacto da doen\u00e7a. No Caribe h\u00e1 230 mil pessoas portadoras do v\u00edrus, 20 mil pessoas o contra\u00edram no ano passado e outras 14 mil faleceram nesse mesmo per\u00edodo. No mundo existem 33 milh\u00f5es de pessoas com HIV, a maioria em pa\u00edses da \u00c1frica subsaariana, segundo a pesquisa que a ag\u00eancia da ONU divulgou simultaneamente no M\u00e9xico, Nova York, Genebra, Johannesburgo e Bancoc.<\/p>\n<p>A apresenta\u00e7\u00e3o antecede \u00e0 XVII Confer\u00eancia Internacional sobre a Aids, que acontecer\u00e1 entre 3 e 8 de agosto na capital mexicana, prevendo-se a participa\u00e7\u00e3o de 25 mil especialistas, ativistas e delegados de organismos nacionais e internacionais procedentes de 150 na\u00e7\u00f5es. O estudo da Onusida, no cap\u00edtulo latino-americano, afirma que o sexo sem prote\u00e7\u00e3o no coletivo de homens que mant\u00eam sexo com homens est\u00e1 muito presente no M\u00e9xico, Equador, Peru, Bol\u00edvia e Col\u00f4mbia.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m alerta que em pa\u00edses como Bol\u00edvia e Peru o cont\u00e1gio tem muito a ver com a pr\u00e1tica de sexo sem prote\u00e7\u00e3o e pelo uso de drogas injet\u00e1veis sem as precau\u00e7\u00f5es recomendadas pela entidade. Tamb\u00e9m se enfatiza o fato de se perceber uma feminiza\u00e7\u00e3o da epidemia. \u201cVimos que a quantidade de mulheres infectadas aumentou nos \u00faltimos anos e veremos isso com maior \u00eanfase no futuro\u201d, alertou N\u00fa\u00f1ez.<\/p>\n<p>Mais de 30% dos doentes na regi\u00e3o s\u00e3o mulheres. No M\u00e9xico, cerca de 40 mil mulheres s\u00e3o portadoras do v\u00edrus. \u201c\u00c9 preciso aumentar a visibilidade da epidemia nas mulheres para promover pr\u00e1ticas sexuais seguras e protegidas\u201d, disse Linda Adechar, diretora-geral da n\u00e3o-governamental Funda\u00e7\u00e3o Vihdha. Al\u00e9m disso, a tuberculose derivada das baixas defesas provocadas pelo v\u00edrus surge como a raz\u00e3o principal de morte entre os afetados pelo HIV.<\/p>\n<p>\u201cA doen\u00e7a continua sendo a principal causa de mortalidade nos grupos vulner\u00e1veis\u201d, destacou Phillipe Lamy, representante residente no M\u00e9xico da Organiza\u00e7\u00e3o Pan-americana de Sa\u00fade. N\u00fa\u00f1ez destacou que h\u00e1 um aumento importante na preven\u00e7\u00e3o e no tratamento na Am\u00e9rica Latina, onde 390 mil pessoas recebem terapia anti-retroviral. Mas, outras 630 mil carecem desses medicamentos, ressaltou.<\/p>\n<p>\u201cO n\u00famero de pessoas com tratamento anti-retroviral aumentou\u201d, destacou N\u00fa\u00f1ez, insistindo na import\u00e2ncia da preven\u00e7\u00e3o. \u201cMedidas como controle do sangue e aumento no uso de preservativo deram uma resposta animadora\u201d, explicou, por sua vez, Mauricio Hern\u00e1ndez, vice-ministro de Preven\u00e7\u00e3o da Secretaria da Sa\u00fade do M\u00e9xico.<\/p>\n<p>A luta contra o v\u00edrus encontra obst\u00e1culos desde seu aparecimento por fatores como estigma, discrimina\u00e7\u00e3o, homofobia e falta de informa\u00e7\u00e3o sobre a doen\u00e7a. Nesse sentido, um estudo de sete pa\u00edses latino-americanos, patrocinado pelo Centro Internacional de Coopera\u00e7\u00e3o T\u00e9cnica em HIV e Aids do Brasil e pela ag\u00eancia de coopera\u00e7\u00e3o alem\u00e3 (GTZ), destaca que, apesar de haver mais pol\u00edticas governamentais e mais leis, a discrimina\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o aos infectados e a grupos vulner\u00e1veis permanece como um desafio transcendental.<\/p>\n<p>O documento intitulado \u201cA resposta ao HIV\/Aids na Am\u00e9rica Latina do ponto de vista social\u201d, que ser\u00e1 apresentado na Confer\u00eancia do M\u00e9xico, sugere que um dos maiores esfor\u00e7os exigidos dos pa\u00edses para lutar contra a epidemia \u00e9 levar as pessoas das popula\u00e7\u00f5es vulner\u00e1veis a um ponto de igualdade nas diferentes facetas da vida social. O informe, ao qual a IPS teve acesso e que foi coordenado pela Secretaria Geral da Faculdade Latino-americana de Ci\u00eancias Sociais (Flacso), indica que na regi\u00e3o praticamente todas as constitui\u00e7\u00f5es mencionam o direito \u00e0 n\u00e3o-discrimina\u00e7\u00e3o, mas n\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o aos portadores de HIV nem aos membros dos coletivos gay, l\u00e9sbico ou transg\u00eanico.<\/p>\n<p>\u201cA mat\u00e9ria trabalhista \u00e9 das mais problem\u00e1ticas j\u00e1 que \u00e9 onde ocorre de forma sistem\u00e1tica a viola\u00e7\u00e3o das normas que garantem o direito a n\u00e3o-discrimina\u00e7\u00e3o que se oculta gra\u00e7as \u00e0s reformas de flexibilidade trabalhista e \u00e0s dificuldades de provar as demiss\u00f5es discriminat\u00f3rias\u201d, diz o texto que inclui Argentina, Col\u00f4mbia, Chile, El Salvador, M\u00e9xico, Peru e Rep\u00fablica Dominicana. \u201cNo caso do HIV, a discrimina\u00e7\u00e3o continua muito forte devido ao preconceito e \u00e0 m\u00e1 informa\u00e7\u00e3o sobre a infec\u00e7\u00e3o\u201d, disse \u00e0 IPS Jos\u00e9 Aguilar, coordenador nacional da rede Democracia e Sexualidade.<\/p>\n<p>A Pesquisa Nacional de Discrimina\u00e7\u00e3o de 2005 mostrou que os dois grupos mais discriminados no M\u00e9xico s\u00e3o os deficientes e os homossexuais. Em m\u00e9dia, nove em cada 10 mulheres, deficientes, ind\u00edgenas, homossexuais, idosos e pertencentes a minorias religiosas responderam ser alvo de discrimina\u00e7\u00e3o por sua condi\u00e7\u00e3o. Al\u00e9m disso, uma em cada tr\u00eas pessoas pertencentes a estes grupos afirmou sofrer discrimina\u00e7\u00e3o o trabalho.<\/p>\n<p>Alejandra Gil, presidente da n\u00e3o-governamental Associa\u00e7\u00e3o em Apoio a Servidores, que ap\u00f3ia trabalhadoras sexuais de um bairro da capital mexicana, disse \u00e0 IPS que a visibilidade dos grupos vulner\u00e1veis pode ajudar a combater o estigma e a discrimina\u00e7\u00e3o. M\u00e9xico, Peru, Col\u00f4mbia, El Salvador, Rep\u00fablica Dominicana contam com \u00f3rg\u00e3os multisetorias para abordar a quest\u00e3o do HIV, enquanto isso n\u00e3o ocorre na Argentina nem no Chile. E, ainda, todos os pa\u00edses estudados possuem planos nacionais contra a doen\u00e7a.<\/p>\n<p>Os pesquisadores descobriram que o direito \u00e0 n\u00e3o-discrimina\u00e7\u00e3o apresenta lacunas e contradi\u00e7\u00f5es nas normas existentes nos pa\u00edses estudados. \u201cEnquanto por um lado o Estado tenta combater o estigma das pessoas que vivem com HIV, por outro mant\u00e9m leis e institui\u00e7\u00f5es que s\u00e3o discriminat\u00f3rias dos coletivos em situa\u00e7\u00e3o de vulnerabilidade a respeito do HIV\u201d, diz o documento. \u201cO estigma e a discrimina\u00e7\u00e3o seguem sendo fatores muito fortes\u201d, destacou N\u00fa\u00f1ez.<\/p>\n<p>A an\u00e1lise da Flacso revela, em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 proibi\u00e7\u00e3o em geral da discrimina\u00e7\u00e3o no trabalho, que alguns marcos legais latino-americanos estabelecem este tipo de contraven\u00e7\u00f5es mas o que reina \u00e9 a omiss\u00e3o. \u201cPrecisamos de espa\u00e7os de trabalho livres de estigma e discrimina\u00e7\u00e3o\u201d, disse Adechar. Outro estudo, patrocinado pela Alian\u00e7a Internacional contra o HIV-Aids e que tamb\u00e9m ser\u00e1 apresentado na Confer\u00eancia, concluiu que as organiza\u00e7\u00f5es de luta contra a doen\u00e7a ganharam mais presen\u00e7a e influ\u00eancia pol\u00edticas, mas contam com menos recursos financeiros para execu\u00e7\u00e3o de seus projetos, em 10 na\u00e7\u00f5es latino-americanas. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>M\u00e9xico, 30\/07\/2008 &ndash; A pandemia de Aids se mant\u00e9m est\u00e1vel na Am\u00e9rica Latina e afeta com for\u00e7a os grupos vulner\u00e1veis, como homossexuais, homens que fazem sexo com homens e prostitutas, segundo o informe mundial divulgado ontem pela Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2008\/07\/america-latina\/aids-america-latina-a-ameaca-persiste\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":66,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2,6,4,11,7],"tags":[],"class_list":["post-4128","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-america-latina","category-direitos-humanos","category-mundo","category-politica","category-saude"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4128","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/66"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4128"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4128\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4128"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4128"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4128"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}