{"id":4132,"date":"2008-08-01T14:11:02","date_gmt":"2008-08-01T14:11:02","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=4132"},"modified":"2008-08-01T14:11:02","modified_gmt":"2008-08-01T14:11:02","slug":"comercio-o-brasil-perde-com-a-vitoria-do-protecionismo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2008\/08\/america-latina\/comercio-o-brasil-perde-com-a-vitoria-do-protecionismo\/","title":{"rendered":"COM\u00c9RCIO: O Brasil perde com a vit\u00f3ria do protecionismo"},"content":{"rendered":"<p>Rio de Janeiro, 01\/08\/2008 &ndash; \u201cVenceu o protecionismo\u201d, sintetizou o vice-presidente da Associa\u00e7\u00e3o de Com\u00e9rcio Exterior do Brasil, Jos\u00e9 Augusto de Castro, ao avaliar o fracasso da Rodada de Doha de negocia\u00e7\u00f5es comerciais, reconhecido na ter\u00e7a-feira em Genebra. <!--more--> O Brasil perdeu porque lhe interessava uma abertura comercial e agora fica sem os acordos multilaterais, que eram sua prioridade, e sem os bilaterais, que havia deixado de negociar. A conseq\u00fc\u00eancia \u00e9 o \u201cisolamento\u201d, disse Castro \u00e0 IPS.<\/p>\n<p>Mas, \u201cn\u00e3o \u00e9 o caos, a vida continua, e conv\u00e9m haver um tempo de reflex\u00e3o para todos\u201d, disse Pedro de Camargo Neto, que preside a Associa\u00e7\u00e3o Brasileira da Ind\u00fastria Produtora e Exportadora de Carne Su\u00edna. J\u00e1 \u201chouve fracassos semelhantes\u201d e o avan\u00e7o brasileiro no mercado agr\u00edcola mundial n\u00e3o dependeu do acordo anterior, a Rodada do Uruguai, conclu\u00edda em 1994 com a cria\u00e7\u00e3o da Organiza\u00e7\u00e3o Mundial do Com\u00e9rcio, recordou Camargo.<\/p>\n<p>Melhorar o sistema de saneamento agropecu\u00e1rio e a infra-estrutura e superar travas legais e burocr\u00e1ticas \u00e9 o caminho para que o Pa\u00eds continue conquistando novos mercados, afirmou Camargo, que iniciou em 2002, quando era funcion\u00e1rio do Minist\u00e9rio da Agricultura, os processos que conclu\u00edram com condena\u00e7\u00f5es na OMC dos subs\u00eddios praticados pelos Estados Unidos e pela Uni\u00e3o Europ\u00e9ia. O Brasil obteve o direito de impor aos norte-americanos um castigo de US$ 4 bilh\u00f5es em conseq\u00fc\u00eancia de seus subs\u00eddios ao algod\u00e3o, enquanto a UE deve de mudar sua pol\u00edtica em mat\u00e9ria de a\u00e7\u00facar.<\/p>\n<p>O colapso da Rodada de Doha, iniciada pela OMC em novembro de 2001 na capital do Qatar, tamb\u00e9m representa perdas pol\u00edticas para o Brasil, ao dividir o Grupo dos 20 pa\u00edses em desenvolvimento do qual era um dos l\u00edderes, e tamb\u00e9m o Mercado Comum do Sul (Mercosul), por ter adotado uma posi\u00e7\u00e3o discrepante da Argentina. \u201cAs alian\u00e7as mudam\u201d, o G-29 vinha mostrando suas inconsist\u00eancias desde antes, pelos interesses divergentes entre Brasil, China e \u00cdndia, disse Camargo. Enquanto aos brasileiros interessa abrir os mercados agr\u00edcolas, seus dois s\u00f3cios insistiram em proteger seus pequenos agricultores.<\/p>\n<p>O G-20 foi relevante quando emergiu na Quinta Confer\u00eancia Ministerial de Cancun, promovida pela OMC nesse balne\u00e1rio mexicano em 2003, diante da tentativa dos Estados Unidos e da Uni\u00e3o Europ\u00e9ia de impor condi\u00e7\u00f5es desfavor\u00e1veis ao mundo em desenvolvimento. Mas, agora a divis\u00e3o era \u201cinevit\u00e1vel\u201d, concluiu. Ao adotar, em Genebra, uma posi\u00e7\u00e3o conciliadora com as propostas do mundo industrializado para salvar o acordo, o Brasil aceitou reduzir a prote\u00e7\u00e3o de sua ind\u00fastria, em contradi\u00e7\u00e3o com a Argentina.<\/p>\n<p>O Mercosul (tamb\u00e9m integrado por Paraguai e Uruguai, enquanto a Venezuela est\u00e1 em processo de ades\u00e3o) \u201csaiu arranhado\u201d, sem benef\u00edcios de contrapartida, j\u00e1 que \u201cos subs\u00eddios e o protecionismo foram mantidos\u201d, criticou Castro, reconhecendo que curar as feridas do bloco sul-americano exigir\u00e1 grande esfor\u00e7o. Andr\u00e9 Nassar, diretor-geral do Instituto de Estudos de Com\u00e9rcio e Negocia\u00e7\u00f5es Internacionais, que assessora o governo e o agroneg\u00f3cio, admitiu que o mecanismo especial de salvaguardas, a possibilidade de elevar a prote\u00e7\u00e3o diante de s\u00fabitos aumentos das importa\u00e7\u00f5es, distanciou os membros \u201cdefensivos e ofensivos\u201d do G-20.<\/p>\n<p>Muitos previam que essas diferen\u00e7as surgiriam no momento decisivo. A \u00cdndia defendeu seu direito de aumentar as tarifas agr\u00edcolas diante de um repentino crescimento de 10% nas importa\u00e7\u00f5es, enquanto a proposta aprovada pelo mundo rico e pelo Brasil reconhece esse direito apenas em caso de uma alta de 40%. O governo brasileiro busca abrir os mercados ricos, mas, tamb\u00e9m os da China e \u00cdndia, com suas imensas popula\u00e7\u00f5es e seu forte crescimento econ\u00f4mico.<\/p>\n<p>Seria importante agora \u201csalvar os muitos pontos acordados\u201d, com as regras para a redu\u00e7\u00e3o de subs\u00eddios e tarifas e a amplia\u00e7\u00e3o de cotas de importa\u00e7\u00e3o, disse Nassar \u00e0 IPS, mas, reconheceu que \u00e9 muito dif\u00edcil, diante da ruptura das negocia\u00e7\u00f5es. Para que a OMC consiga um acordo deve haver consenso em todos os pontos. O fracasso se deveu a uma \u201cquest\u00e3o agr\u00edcola menor\u201d, a das salvaguardas, depois de sete anos de esfor\u00e7os para aproximar e conciliar interesses, lamentou na ter\u00e7a-feira o chanceler Celso Amorim.<\/p>\n<p>Sua condu\u00e7\u00e3o das negocia\u00e7\u00f5es, como representante do Brasil e porta-voz permanente do G-20, agora enfrentar\u00e1 uma nova onda de cr\u00edticas, em especial por ter insistido na Rodada de Doha como prioridade quase exclusiva, bem como na alian\u00e7a com pa\u00edses \u201cemergentes\u201d como China e \u00cdndia, apesar das evidentes diverg\u00eancias. Dar prioridade a Doha era natural, como \u00fanico ambiente em que se poderia reduzir os subs\u00eddios agr\u00edcolas, justificou Amorim. Agora, haver\u00e1 novas prioridades, como as negocia\u00e7\u00f5es comerciais entre Mercosul e Uni\u00e3o Europ\u00e9ia, anunciou o ministro. O colapso da Rodada de Doha deixa muitas incertezas, mas seu desenlace aponta para um reordenamento do mundo ap\u00f3s a \u201cpolariza\u00e7\u00e3o entre Estados Unidos, de um lado, e China com \u00cdndia de outro\u201d, previu Nassar.<\/p>\n<p>Tantas lamenta\u00e7\u00f5es n\u00e3o s\u00e3o compartilhadas pela Via Camponesa, rede mundial de movimentos rurais. \u201cFelizmente, parece que Doha fracassou\u201d, disse \u00e0 IPS Pedro St\u00e9dile, dirigente do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST), que integra essa alian\u00e7a no Brasil. \u201cA OMC e seus ministros n\u00e3o t\u00eam nenhum mandato, nem das Na\u00e7\u00f5es Unidas, nem de seus povos, para negociar nada em rela\u00e7\u00e3o aos alimentos\u201d, que s\u00e3o um direito de todos, n\u00e3o uma mercadoria, afirmou.<\/p>\n<p>A posi\u00e7\u00e3o brasileira foi \u201crid\u00edcula, servil aos interesses do agroneg\u00f3cio e das multinacionais\u201d, ao trocar seu mercado industrial e de servi\u00e7os por uma exporta\u00e7\u00e3o maior de produtos agr\u00edcolas e mat\u00e9rias-primas, de menor valor agregado, criticou St\u00e9dile. O Mercosul est\u00e1 \u201csem futuro\u201d, acrescentou o dirigente do MST,que defende uma uni\u00e3o econ\u00f4mica e pol\u00edtica da Am\u00e9rica do Sul \u201cal\u00e9m das tarifas comerciais\u201d. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Rio de Janeiro, 01\/08\/2008 &ndash; \u201cVenceu o protecionismo\u201d, sintetizou o vice-presidente da Associa\u00e7\u00e3o de Com\u00e9rcio Exterior do Brasil, Jos\u00e9 Augusto de Castro, ao avaliar o fracasso da Rodada de Doha de negocia\u00e7\u00f5es comerciais, reconhecido na ter\u00e7a-feira em Genebra. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2008\/08\/america-latina\/comercio-o-brasil-perde-com-a-vitoria-do-protecionismo\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":131,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2,12,5,4,11],"tags":[],"class_list":["post-4132","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-america-latina","category-desenvolvimento","category-economia","category-mundo","category-politica"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4132","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/131"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4132"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4132\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4132"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4132"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4132"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}