{"id":4148,"date":"2008-08-05T14:02:14","date_gmt":"2008-08-05T14:02:14","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=4148"},"modified":"2008-08-05T14:02:14","modified_gmt":"2008-08-05T14:02:14","slug":"dialogues-ha-sete-milhoes-de-pessoas-sem-tratamento-contra-a-aids","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2008\/08\/mundo\/dialogues-ha-sete-milhoes-de-pessoas-sem-tratamento-contra-a-aids\/","title":{"rendered":"DIALOGUES: \u201cH\u00e1 sete milh\u00f5es de pessoas sem tratamento contra a aids\u201d"},"content":{"rendered":"<p>BUENOS AIRES, 05\/08\/2008 &ndash; (Tierram\u00e9rica) Tr\u00eas milh\u00f5es de pessoas contam hoje com tratamento contra a aids. Era o que propunha a OMS para 2005 e que estamos conseguindo penosamente em 2008, enquanto h\u00e1 sete milh\u00f5es que n\u00e3o o recebem, afirma o argentino Pedro Cahn, co-presidente da XVII Confer\u00eancia Internacional sobre Aids.  <!--more--><br \/>\n <div id=\"attachment_4148\" style=\"width: 142px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/382_Pedro_Cahn_IAS.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-4148\" class=\"size-medium wp-image-4148\" title=\"O m\u00e9dico Pedro Cahn deixa a presid\u00eancia da IAS em m\u00e3os de outro argentino. - Gentileza IAS\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/382_Pedro_Cahn_IAS.jpg\" alt=\"O m\u00e9dico Pedro Cahn deixa a presid\u00eancia da IAS em m\u00e3os de outro argentino. - Gentileza IAS\" width=\"132\" height=\"200\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-4148\" class=\"wp-caption-text\">O m\u00e9dico Pedro Cahn deixa a presid\u00eancia da IAS em m\u00e3os de outro argentino. - Gentileza IAS<\/p><\/div>  Mais compromisso com o acesso universal a terapias contra o HIV e com a defesa dos trabalhadores da sa\u00fade do mundo pobre s\u00e3o dois \u00eaxitos marcados pelo m\u00e9dico argentino Pedro Cahn como presidente da sociedade cient\u00edfica que organiza a XVII Confer\u00eancia Internacional sobre Aids. \u201cEntretanto, n\u00e3o \u00e9 uma gest\u00e3o pessoal, mas coletiva\u201d, se apressa a esclarecer Cahn, primeiro cidad\u00e3o de um pa\u00eds em desenvolvimento a presidir a Sociedade Internacional de Aids (IAS).<\/p>\n<p>Quando for publicada esta entrevista concedida ao Terram\u00e9rica enquanto arrumava as malas em Buenos Aires, Cahn j\u00e1 estar\u00e1 no M\u00e9xico conduzindo a XVII Confer\u00eancia desde domingo, dia 3, e entregando a presid\u00eancia da IAS a outro argentino, Julio Montaner, que dirige o Centro de Excel\u00eancia em HIV\/Aids da prov\u00edncia canadense de Columbia Brit\u00e2nica. Em 2010, ser\u00e1 investido presidente da IAS o m\u00e9dico africano Elly Katabira, da Universidade Makerere, de Uganda, \u201cum \u00eaxito para o qual posso dizer que contribui fortemente\u201d, diz Cahn.<\/p>\n<p>Na linha de fogo desde o surgimento da epidemia, o nome de Cahn ficou definitivamente associado \u00e0 luta contra essa doen\u00e7a em seu pa\u00eds e no mundo ap\u00f3s conduzir, em 2006, a IAS, uma associa\u00e7\u00e3o independente com mais de 12 mil profissionais de 183 na\u00e7\u00f5es, criada h\u00e1 20 anos para prevenir, controlar e tratar a aids (s\u00edndrome da defici\u00eancia imunol\u00f3gica adquirida). O m\u00e9dico continua como chefe de infectologia do Hospital Fern\u00e1ndez, de Buenos Aires, e presidente da Funda\u00e7\u00e3o Hu\u00e9ped, que trabalha para melhorar os servi\u00e7os de aten\u00e7\u00e3o e conseguir um contexto comunit\u00e1rio adequado \u00e0s pessoas com HIV (v\u00edrus da defici\u00eancia imunol\u00f3gica humana), causador da aids.<\/p>\n<p>Terram\u00e9rica &#8211; Por que \u00e9 importante a XVII Confer\u00eancia que acontece no M\u00e9xico?<\/p>\n<p>Pedro Cahn &#8211; \u00c9 a primeira vez que este acontecimento tem lugar em um pa\u00eds latino-americano, e ocorre num momento em que o acesso universal a tratamentos est\u00e1 um pouco esquecido.<\/p>\n<p>&#8211; Ent\u00e3o, o que sua gest\u00e3o \u00e0 frente da IAS conseguiu?<\/p>\n<p>&#8211; Antes de tudo, devo dizer que esta n\u00e3o \u00e9 uma gest\u00e3o pessoal, mas o resultado de um trabalho coletivo. Conseguimos principalmente mostrar uma IAS mais comprometida com dois temas importantes: acesso universal aos tratamentos e direitos dos trabalhadores da sa\u00fade na \u00c1frica, \u00c1sia e Am\u00e9rica Latina.<\/p>\n<p>&#8211; Quais problemas esses trabalhadores enfrentam?<\/p>\n<p>&#8211; Enfrentam m\u00e1s condi\u00e7\u00f5es de trabalho e baixos sal\u00e1rios. Ent\u00e3o, paradoxalmente, os pa\u00edses que fornecem ajuda financeira para combater a doen\u00e7a nas na\u00e7\u00f5es mais pobres, os captam em seguida para trabalhar. H\u00e1 uma verdadeira fuga de c\u00e9rebros do Sul para o Norte. Este \u00e9 um tema que expusemos publicamente em todos os f\u00f3runs. \u00c9 preciso melhorar as condi\u00e7\u00f5es para n\u00e3o perd\u00ea-los, porque precisamos deles.<\/p>\n<p>&#8211; E como ficou a inten\u00e7\u00e3o de avan\u00e7ar no que ser refere a um acesso maior a tratamentos anti-retrovirais?<\/p>\n<p>&#8211; A IAS participou ativamente \u00e0 Onusida (Programa Conjunto das Na\u00e7\u00f5es Unidas sobre HIV\/Aids) e com a OMS (Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade) analisando como melhorar mais rapidamente o acesso \u00e0 medica\u00e7\u00e3o. Em 2004, 10% das pessoas que deveriam estar em tratamento o receberam, e em 2006 esse \u00edndice subiu para 25%. Agora estamos com 31%.<\/p>\n<p>&#8211; Isso \u00e9 um avan\u00e7o?<\/p>\n<p>&#8211; Poderia ser considerada uma boa nota, mas n\u00e3o \u00e9. H\u00e1 cerca de dez milh\u00f5es de pessoas que precisam de tratamento no mundo, a enorme maioria em pa\u00edses pobres. Chegamos a tr\u00eas milh\u00f5es. Era o que propunha a OMS para 2005 e estamos conseguindo isso penosamente em 2008. Por\u00e9m, a m\u00e1 not\u00edcia \u00e9 que nos faltam outros sete milh\u00f5es. Apenas no Brasil, para dar um exemplo latino-americano, 190 mil pessoas dependem de tratamentos muito caros que n\u00e3o podem ser cobertos sem o compromisso do Estado.<\/p>\n<p>&#8211; O que falta para avan\u00e7ar r\u00e1pido?<\/p>\n<p>&#8211; Mais recursos, vontade pol\u00edtica, mais a\u00e7\u00e3o. Maior consci\u00eancia de que n\u00e3o se trata de n\u00fameros, mas de pessoas que morrem por causa de uma doen\u00e7a da qual ningu\u00e9m mais deveria morrer. Ainda temos cerca de sete mil pessoas que contraem aids a cada dia Isto significa que corremos cada vez mais r\u00e1pido e, entretanto, nos afastamos da meta.<\/p>\n<p>&#8211; Houve neste per\u00edodo progressos m\u00e9dicos?<\/p>\n<p>&#8211; Ainda n\u00e3o h\u00e1 vacinas nem deram resultados as pesquisas em mat\u00e9ria de microbicidas. Por isso, n\u00e3o podemos contar ainda com uma ferramenta de preven\u00e7\u00e3o segura de manejo para as mulheres que n\u00e3o seja o preservativo. Por outro lado, confirmou-se o valor da circuncis\u00e3o masculina e a efetividade de toda estrat\u00e9gia que combine preven\u00e7\u00e3o com tratamento. Porque quanto maior o acesso \u00e0 terapia, mais gente consegue diminuir sua carga viral, e ent\u00e3o a possibilidade de transmiss\u00e3o do v\u00edrus a terceiros se reduz mais.<\/p>\n<p>&#8211; E em mat\u00e9ria de aids infantil?<\/p>\n<p>&#8211; Houve avan\u00e7os nos medicamentos desenvolvidos para crian\u00e7as, mas o \u00fanico \u00eaxito aceit\u00e1vel neste ponto seria eliminar o cont\u00e1gio de m\u00e3e para filho. Para isso \u00e9 preciso melhorar os cuidados prim\u00e1rios com as gr\u00e1vidas. Do contr\u00e1rio, haver\u00e1 fracasso nessa \u00e1rea.<\/p>\n<p>* A autora \u00e9 correspondente da IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>BUENOS AIRES, 05\/08\/2008 &ndash; (Tierram\u00e9rica) Tr\u00eas milh\u00f5es de pessoas contam hoje com tratamento contra a aids. 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