{"id":4152,"date":"2008-08-05T14:07:32","date_gmt":"2008-08-05T14:07:32","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=4152"},"modified":"2008-08-05T14:07:32","modified_gmt":"2008-08-05T14:07:32","slug":"reportagem-enxurrada-de-pequenas-centrais-hidreletricas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2008\/08\/america-latina\/reportagem-enxurrada-de-pequenas-centrais-hidreletricas\/","title":{"rendered":"REPORTAGEM: Enxurrada de pequenas centrais hidrel\u00e9tricas"},"content":{"rendered":"<p>RIO DE JANEIRO, 05\/08\/2008 &ndash; (Tierram\u00e9rica) Neg\u00f3cio atraente e com fama de amig\u00e1vel com a natureza, as pequenas centrais hidrel\u00e9tricas representam perigo, sobretudo se s\u00e3o muitas em uma mesma bacia h\u00eddrica.  <!--more--><br \/>\n <div id=\"attachment_4152\" style=\"width: 210px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/382_Jericoa-Rapids.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-4152\" class=\"size-medium wp-image-4152\" title=\"Correntezas de Jerico\u00e1 na regi\u00e3o de Volta Grande, Rio Xingu - Gentileza International Rivers\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/382_Jericoa-Rapids.jpg\" alt=\"Correntezas de Jerico\u00e1 na regi\u00e3o de Volta Grande, Rio Xingu - Gentileza International Rivers\" width=\"200\" height=\"132\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-4152\" class=\"wp-caption-text\">Correntezas de Jerico\u00e1 na regi\u00e3o de Volta Grande, Rio Xingu - Gentileza International Rivers<\/p><\/div>  A soma de v\u00e1rias pequenas centrais hidrel\u00e9tricas em uma \u00fanica bacia pode ser t\u00e3o ou mais prejudicial do que uma grande represa, afirmam ao Terram\u00e9rica estudiosos, ativistas e ind\u00edgenas que enfrentam uma avalanche de projetos sobre os rios do Mato Grosso. A energia hidr\u00e1ulica de pequenas represas \u201c\u00e9 muito interessante por seu baixo custo ambiental, mas tudo tem um limite\u201d, protesta Andr\u00e9 Villas-Boas, referindo-se \u00e0 prolifera\u00e7\u00e3o dessas centrais na nascente do Rio Xingu, grande afluente do Amazonas.<\/p>\n<p>Pelo menos seis pequenas hidrel\u00e9tricas se concentram nos rios que ocupam o nordeste do Mato Grosso, afirma Villas-Boas, coordenador do Programa Xingu do n\u00e3o-governamental Instituto Socioambiental (IAS). J\u00e1 h\u00e1 duas constru\u00eddas e uma terceira autorizada por \u00f3rg\u00e3os do setor energ\u00e9tico e ambientais apenas no Rio Coluene, principal afluente do Xingu. N\u00e3o deveriam ser autorizados tais projetos sem uma avalia\u00e7\u00e3o integrada da bacia em seus aspectos ambientais e sociais, para um aproveitamento planejado do recurso h\u00eddrico em seu conjunto, com limita\u00e7\u00e3o da quantidade de hidrel\u00e9tricas, reclama Villas-Boas, afirmando que mais da metade da \u00e1rea do Xingu \u00e9 composta de \u00e1reas ind\u00edgenas. As hidrel\u00e9tricas ficam em torno do Parque Ind\u00edgena do Xingu, um s\u00edmbolo da pol\u00edtica ind\u00edgena brasileira, onde vivem cinco mil pessoas de 14 etnias.<\/p>\n<p>Inclu\u00eddas entre as fontes limpas de energia, as pequenas centrais hidrel\u00e9tricas passaram a ser um neg\u00f3cio atraente pelas facilidades de uma \u201clegisla\u00e7\u00e3o branda\u201d, baixo controle e incentivos fiscais e financeiros, sem considerar devidamente que \u201calteram din\u00e2micas biol\u00f3gicas\u201d de forma grave caso se acumulem em uma mesma bacia, acrescenta Villa-Boas. Em conseq\u00fc\u00eancia, h\u00e1 240 pequenas centrais hidrel\u00e9tricas previstas no Brasil, segundo a Ag\u00eancia Nacional de Energia El\u00e9trica (Aneel). As 81 que j\u00e1 est\u00e3o em constru\u00e7\u00e3o fornecer\u00e3o 1.342 megawatts, que correspondem a 17,29% do total de energia, somando as diferentes fontes.<\/p>\n<p>Um exemplo mais insustent\u00e1vel \u00e9 o Rio Juruena, destaca Raul do Valle, advogado que coordena a\u00e7\u00f5es de pol\u00edtica e direito socioambiental do ISA. Na bacia desse rio, no noroeste do Mato Grosso, foram registrados estudos para 83 projetos hidrel\u00e9tricos. A Aneel suspendeu 30 no come\u00e7o de julho e decidiu realizar uma avalia\u00e7\u00e3o ambiental integrada. V\u00e1rias vezes, grupos ind\u00edgenas fizerem autoridades governamentais e funcion\u00e1rios de empresas construtoras de ref\u00e9ns, buscando paralisar as obras das represas no Juruena e Coluene. Alguns promotores tamb\u00e9m tentaram fazer o mesmo por via judicial, conseguindo suspens\u00f5es tempor\u00e1rias. Em v\u00e1rios casos, h\u00e1 processos esperando uma senten\u00e7a final.<\/p>\n<p>\u201cPrevemos que faltar\u00e3o peixes\u201d por causa dos projetos energ\u00e9ticos nos rios locais, iniciados h\u00e1 dez anos, porque as represas \u201cbloqueiam a subida dos peixes para sua reprodu\u00e7\u00e3o\u201d, disse Paulo Kamaiur\u00e1, que adotou como sobrenome o nome de sua etnia, uma das que vivem no Parque Ind\u00edgena do Xingu. Os rios afetados, que j\u00e1 sofrem contamina\u00e7\u00e3o por agrot\u00f3xicos, confluem para o Parque, onde formam o Rio Xingu, por isso \u201cos problemas se agravar\u00e3o\u201d, diz Kamaiur\u00e1. \u00c9 preciso mobilizar as comunidades ind\u00edgenas para que conhe\u00e7am as amea\u00e7as, acrescenta.<\/p>\n<p>Por seu suposto baixo impacto ecol\u00f3gico, as licen\u00e7as ambientais para pequenas centrais hidrel\u00e9tricas s\u00e3o concedidas por \u00f3rg\u00e3os estaduais, mais vulner\u00e1veis \u00e0s press\u00f5es econ\u00f4micas locais. Por\u00e9m, dizem respeito ao Instituto Brasileiro de Meio Ambiente quando afetam os ind\u00edgenas, explica Valle. Nos casos do norte do Mato Grosso, trata-se da sobreviv\u00eancia dos nativos, cuja alimenta\u00e7\u00e3o depende do pescado, acrescenta. Esse \u00e9 o principal argumento nas a\u00e7\u00f5es judiciais ainda pendentes. As companhias e autoridades estaduais respondem que os ind\u00edgenas n\u00e3o sofrem impacto direto, j\u00e1 que suas terras est\u00e3o a dezenas de quil\u00f4metros das represas.<\/p>\n<p>\u201cTampouco h\u00e1 necessidade de gera\u00e7\u00e3o local de energia\u201d, j\u00e1 que as cidades pr\u00f3ximas est\u00e3o ligadas \u00e0 rede el\u00e9trica, o que n\u00e3o justifica a \u201catividade predadora\u201d a favor de ganhos privados, ressalta Valle. Mas a lentid\u00e3o da justi\u00e7a favorece \u201co fato consumado\u201d. \u00c9 quase imposs\u00edvel deter uma hidrel\u00e9trica depois de constru\u00edda, admite. As represas reduzem a quantidade de peixes nos rios, porque alteram as condi\u00e7\u00f5es hidrol\u00f3gicas e de nutri\u00e7\u00e3o, al\u00e9m de extinguir as esp\u00e9cies migrat\u00f3rias. As tentativas de restabelecer a reprodu\u00e7\u00e3o n\u00e3o deram resultado, disse Juarez Pezzuti, bi\u00f3logo que fez um estudo sobre os efeitos de Paranatinga II, uma pequena hidrel\u00e9trica que j\u00e1 funciona no Rio Coluene.<\/p>\n<p>Os impactos poderiam ser minimizados com estudos pr\u00e9vios e planejamento, sempre que participem as comunidades locais, que, em geral, \u201cficam com os riscos\u201d e sem os ben\u00e9ficos da energia gerada em sua vizinhan\u00e7a, acrescenta o professor do N\u00facleo de Altos Estudos Ambientais da Universidade Federal do Par\u00e1. Longe dali, em Santo Amaro da Imperatriz, munic\u00edpio de Santa Catarina, um projeto de seis pequenas centrais provocou rea\u00e7\u00f5es que levaram seu Conselho a proibir as hidrel\u00e9tricas no distrito, com apenas um voto contra.<\/p>\n<p>Essa decis\u00e3o \u00e9 inconstitucional, admite o secret\u00e1rio de Meio Ambiente, Jo\u00e3o Renato Duarte. \u201cMas 99% da popula\u00e7\u00e3o \u00e9 contra\u201d e o projeto ser\u00e1 aprovado apenas se ficar comprovado que n\u00e3o afeta as termas, cascatas e correntezas que atraem o turismo e proporcionam lazer e atividades culturais aos cidad\u00e3os da regi\u00e3o, acrescenta. As hidrel\u00e9tricas ser\u00e3o constru\u00eddas com avan\u00e7adas t\u00e9cnicas europ\u00e9ias, desviando apenas parte das \u00e1guas por t\u00faneis, sem afetar a paisagem nem a pr\u00e1tica de rafting, que alimenta o turismo, garante o engenheiro Helio Machado, autor do projeto. A oposi\u00e7\u00e3o divulga absurdos, como riscos de inunda\u00e7\u00f5es ou que o Rio Cubat\u00e3o vai secar, por desconhecer os detalhes, ressalta Machado.<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o tem sentido destruir o patrim\u00f4nio natural\u201d da cidade para gerar apenas 14 megawatts, diz Eliazar Garbelotto, empres\u00e1rio que explora o rafting no Rio Cubat\u00e3o. Seu setor se op\u00f5e radicalmente \u00e0s pequenas centrais hidrel\u00e9tricas. S\u00e3o cinco empresas que atraem aproximadamente dez mil turistas por ano e empregam apenas 50 pessoas, mas dinamizam outras atividades tur\u00edsticas, al\u00e9m da educa\u00e7\u00e3o ambiental, ressalta Garbelotto.<\/p>\n<p>* O autor \u00e9 correspondente da IPS.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>RIO DE JANEIRO, 05\/08\/2008 &ndash; (Tierram\u00e9rica) Neg\u00f3cio atraente e com fama de amig\u00e1vel com a natureza, as pequenas centrais hidrel\u00e9tricas representam perigo, sobretudo se s\u00e3o muitas em uma mesma bacia h\u00eddrica. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2008\/08\/america-latina\/reportagem-enxurrada-de-pequenas-centrais-hidreletricas\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":131,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[8,2,12,10],"tags":[21],"class_list":["post-4152","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-ambiente","category-america-latina","category-desenvolvimento","category-energia","tag-metas-do-milenio"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4152","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/131"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4152"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4152\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4152"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4152"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4152"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}