{"id":416,"date":"2005-03-17T00:00:00","date_gmt":"2005-03-17T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=416"},"modified":"2005-03-17T00:00:00","modified_gmt":"2005-03-17T00:00:00","slug":"mulher-o-apartheid-de-gnero","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/03\/mundo\/mulher-o-apartheid-de-gnero\/","title":{"rendered":"Mulher: O apartheid de g&ecirc;nero"},"content":{"rendered":"<p>Na&ccedil;&otilde;es Unidas, 17\/03\/2005 &ndash; Na S&iacute;ria e no Haiti, um homem pode matar sua mulher impunemente, em caso de adult&eacute;rio; na Nig&eacute;ria, pode bater nela, desde que n&atilde;o a fira gravemente. Em Israel, uma mulher n&atilde;o pode se divorciar sem o consentimento do marido. Na Guatemala e no L&iacute;bano, um homem pode raptar uma mulher, desde que depois se case com ela. Estas s&atilde;o apenas algumas das leis discriminat&oacute;rias de 45 pa&iacute;ses compiladas pela organiza&ccedil;&atilde;o n&atilde;o-governamental internacional Igualdade J&aacute;. Muitas dessa leis violam a Conven&ccedil;&atilde;o sobre a Elimina&ccedil;&atilde;o de Todas as Formas de Discrimina&ccedil;&atilde;o contra a Mulher (Cedaw), aprovada em 1979, e a Conven&ccedil;&atilde;o sobre Direitos Civis e Pol&iacute;ticos. Mas, as reformas para adaptar as legisla&ccedil;&otilde;es nacionais a esses tratados t&ecirc;m sido extremamente lentas.<br \/> <!--more--> <br \/> L&iacute;deres mundiais reunidos h&aacute; 10 anos em Pequim concordaram em &quot;revogar qualquer lei que discrimine com base no sexo&quot;, bem como &quot;remover o perfil de g&ecirc;nero na administra&ccedil;&atilde;o de justi&ccedil;a&quot;. Em 2000, esses mesmos governos decidiram completar as reformas at&eacute; 2005. Mas, somente 14 dos 45 pa&iacute;ses analisados pela Igualdade J&aacute; &#8211; entre eles Cor&eacute;ia do Sul, M&eacute;xico e Marrocos &#8211; reformaram suas leis. Uma coaliz&atilde;o de ONGs encabe&ccedil;adas pela Igualdade J&aacute; pressionou pela aprova&ccedil;&atilde;o de uma resolu&ccedil;&atilde;o nesse sentido durante a 49&ordf; sess&atilde;o da Comiss&atilde;o sobre a Condi&ccedil;&atilde;o das Mulheres, realizada em Nova York. No &uacute;ltimo dia 11, na jornada final da confer&ecirc;ncia de duas semanas, foi aprovada uma resolu&ccedil;&atilde;o que exorta os governos a &quot;considerarem&quot; a cria&ccedil;&atilde;o de um relator especial da Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas pra as leis discriminat&oacute;rias.<\/p>\n<p> A proposta inclu&iacute;a a cria&ccedil;&atilde;o do cargo na 50&ordf; Confer&ecirc;ncia, que acontecer&aacute; no pr&oacute;ximo ano. Os Estados Unidos rejeitaram a iniciativa. A presidente da Igualdade J&aacute;, Jessica Neuwirth, disse que a cria&ccedil;&atilde;o do cargo de relator &#8211; que na ONU funciona como assessor do secret&aacute;rio-geral &#8211; daria visibilidade pol&iacute;tica &agrave; quest&atilde;o e apressaria o desmantelamento das leis discriminat&oacute;rias. &quot;O mecanismo daria &agrave; Confer&ecirc;ncia um ve&iacute;culo para interagir com os Estados da ONU e desempenharia um papel ativo na promo&ccedil;&atilde;o da igualdade&quot;, explicou Newirth. A ativista atribuiu a lentid&atilde;o do processo de adapta&ccedil;&atilde;o das leis &agrave; Cedaw ao car&aacute;ter extremamente geral da revis&atilde;o dos acordos de Pequim, bem como a falta de refer&ecirc;ncia neles &aacute; situa&ccedil;&atilde;o de pa&iacute;ses espec&iacute;ficos. A Confer&ecirc;ncia sobre a Condi&ccedil;&atilde;o da Mulher n&atilde;o pode provocar reuni&otilde;es entre governos, o que tamb&eacute;m limita seu espa&ccedil;o de a&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p> Relat&oacute;rios divulgados pela Igualdade J&aacute; contemplam o relator especial como a figura respons&aacute;vel por convocar reuni&otilde;es, compilar informa&ccedil;&atilde;o sobre leis discriminat&oacute;rias, aplaudir os avan&ccedil;os dos pa&iacute;ses e fazer recomenda&ccedil;&otilde;es anuais &agrave; Confer&ecirc;ncia. Ruanda, que h&aacute; pouco superou a Su&eacute;cia como o pa&iacute;s com maior porcentagem de funcion&aacute;rias eleitas, patrocinou a resolu&ccedil;&atilde;o, junto com Filipinas. A porta-voz dos Estados Unidos na Confer&ecirc;ncia, embaixadora Ellen Sauerbrey, aderiu &agrave;s metas da resolu&ccedil;&atilde;o, mas n&atilde;o &agrave; proposta de que a Confer&ecirc;ncia e o escrit&oacute;rio do Alto Comissariado da ONU para os Direitos Humanos participem como consultores do relator. Por outro lado, o porta-voz da delega&ccedil;&atilde;o ruandesa, embaixador Stanislas Kamanzi, afirmou que ambos s&atilde;o as &quot;autoridades reconhecidas&quot; na mat&eacute;ria.<\/p>\n<p> Neuwirth recordou que a Confer&ecirc;ncia sobre a Condi&ccedil;&atilde;o da Mulher n&atilde;o tem apenas a faculdade de recomendar a cria&ccedil;&atilde;o de um relator especial, mas que j&aacute; o fez. A Confer&ecirc;ncia solicitou, em 1968, a designa&ccedil;&atilde;o de um relator especial sobre Condi&ccedil;&atilde;o da Mulher e Planejamento Familiar, que apresentou um relat&oacute;rio cinco anos depois. Neuwirth atribuiu a oposi&ccedil;&atilde;o norte-americana &agrave; inclus&atilde;o do Cedaw na resolu&ccedil;&atilde;o ao fato de se tratar do &uacute;nico pa&iacute;s industrializado que ainda n&atilde;o ratificou a conven&ccedil;&atilde;o. O ex-presidente Jimmy Carter assinou o tratado h&aacute; 25 anos. Mas, somente em 1994 um comit&ecirc; do Senado recomendou a ratifica&ccedil;&atilde;o, por 13 votos contra cinco. Desde ent&atilde;o, os grupos de press&atilde;o conservadores impedem que seja votada no plen&aacute;rio do Senado.<\/p>\n<p> O Comit&ecirc; de Rela&ccedil;&otilde;es Exteriores do Senado novamente votou a favor da ratifica&ccedil;&atilde;o da Cedaw, em julho de 2002, mas, o per&iacute;odo legislativo concluiu antes que fosse proposta a mo&ccedil;&atilde;o no plen&aacute;rio dessa Casa. Agora, o Comit&ecirc; deveria aprovar a proposta novamente. O Departamento de Estado declarou que a conven&ccedil;&atilde;o &eacute; &quot;neutra&quot; em mat&eacute;ria de despenaliza&ccedil;&atilde;o do aborto, mas as resist&ecirc;ncias se mant&ecirc;m. Os Estados Unidos constam da lista de pa&iacute;ses que, segundo a Igualdade J&aacute;, possuem leis que discriminam as mulheres. Por exemplo, as normas migrat&oacute;rias exigem requisitos mais rigorosos das m&atilde;es imigrantes dos que dos pais na hora de solicitar a cidadania para os filhos nascidos no pa&iacute;s.<\/p>\n<p> A organiza&ccedil;&atilde;o n&atilde;o-governamental indicou que a adequa&ccedil;&atilde;o das leis nacionais &agrave; Cedaw implicaria uma mudan&ccedil;a significativa nas condi&ccedil;&otilde;es de vida das mulheres, especialmente no Oriente M&eacute;dio. No I&ecirc;men, as mulheres s&atilde;o obrigadas por lei a obedecer seus maridos quando se trata de sair de suas casas ou atender seus desejos sexuais. As mulheres da Ar&aacute;bia Saudita s&atilde;o proibidas de dirigir e as do Kuwait n&atilde;o t&ecirc;m reconhecido o direito ao voto em elei&ccedil;&otilde;es parlamentares. No Paquist&atilde;o, somente a confiss&atilde;o ou o testemunho de quatro homens adultos podem provar uma viola&ccedil;&atilde;o perante um tribunal. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Na&ccedil;&otilde;es Unidas, 17\/03\/2005 &ndash; Na S&iacute;ria e no Haiti, um homem pode matar sua mulher impunemente, em caso de adult&eacute;rio; na Nig&eacute;ria, pode bater nela, desde que n&atilde;o a fira gravemente. Em Israel, uma mulher n&atilde;o pode se divorciar sem o consentimento do marido. Na Guatemala e no L&iacute;bano, um homem pode raptar uma mulher, desde que depois se case com ela. Estas s&atilde;o apenas algumas das leis discriminat&oacute;rias de 45 pa&iacute;ses compiladas pela organiza&ccedil;&atilde;o n&atilde;o-governamental internacional Igualdade J&aacute;. Muitas dessa leis violam a Conven&ccedil;&atilde;o sobre a Elimina&ccedil;&atilde;o de Todas as Formas de Discrimina&ccedil;&atilde;o contra a Mulher (Cedaw), aprovada em 1979, e a Conven&ccedil;&atilde;o sobre Direitos Civis e Pol&iacute;ticos. Mas, as reformas para adaptar as legisla&ccedil;&otilde;es nacionais a esses tratados t&ecirc;m sido extremamente lentas.<br \/> <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/03\/mundo\/mulher-o-apartheid-de-gnero\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":421,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[4],"tags":[],"class_list":["post-416","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-mundo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/416","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/421"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=416"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/416\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=416"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=416"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=416"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}