{"id":4165,"date":"2008-08-07T16:59:03","date_gmt":"2008-08-07T16:59:03","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=4165"},"modified":"2008-08-07T16:59:03","modified_gmt":"2008-08-07T16:59:03","slug":"oriente-medio-se-esvai-a-influencia-dos-eua","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2008\/08\/politica\/oriente-medio-se-esvai-a-influencia-dos-eua\/","title":{"rendered":"ORIENTE M\u00c9DIO: Se esvai a influ\u00eancia dos EUA"},"content":{"rendered":"<p>Washington, 07\/08\/2008 &ndash; H\u00e1 mais de cinco anos, o governo dos Estados Unidos invadiu o Iraque como primeiro passo para a \u201ctransforma\u00e7\u00e3o\u201d do Oriente M\u00e9dio. Mas, foi em v\u00e3o: contrariamente ao que previa, perdeu o dom\u00ednio inquestion\u00e1vel que no passado exerceu sobre a regi\u00e3o. <!--more--> As refer\u00eancias a \u201cdemocratizar\u201d os pa\u00edses da \u00e1reas desapareceram, praticamente, da ret\u00f3rica do governo do presidente George W. Bush. Washington teve de abandonar qualquer press\u00e3o que estivesse disposta a fazer sobre os regimes autorit\u00e1rios \u201camig\u00e1veis\u201d para mant\u00ea-los diante da rejei\u00e7\u00e3o de seus povos, hoje muito mais hostis \u00e0 pot\u00eancia norte-americana do que antes da invas\u00e3o de 2003. Do mesmo modo, tamb\u00e9m fracassou em sua tentativa de forjar uma coaliz\u00e3o de fato com Israel e esses \u201cautorit\u00e1rios moderados\u201d contra Ir\u00e3, S\u00edria e seus aliados.<\/p>\n<p>O governo Bush se recusou repetidamente a pagar o pre\u00e7o exigido por alguns pa\u00edses \u00e1rabes para aderirem a essa estrat\u00e9gia: que Washington pressionasse Israel para que chegasse a um acordo de paz com os palestinos e retornasse suas fronteiras para os limites de antes da Guerra dos Seis Dias (1967). Al\u00e9m disso, a id\u00e9ia de que os Estados do Golfo P\u00e9rsico (ou Ar\u00e1bico) apoiariam um confronto militar entre Washington e Teer\u00e3 tamb\u00e9m demonstrou ser ilus\u00f3ria. Os \u00fanicos avan\u00e7os obtidos no Iraque, onde a viol\u00eancia pol\u00edtica de influ\u00eancia religiosa se reduziu acentuadamente nos \u00faltimos 18 meses, em boa parte \u00e9 conseq\u00fc\u00eancia das t\u00e1ticas contra-insurgentes mais eficazes utilizadas pelo general David Petraeus, comandante das for\u00e7as de ocupa\u00e7\u00e3o, ap\u00f3s o envio de 30 mil solados adicionais.<\/p>\n<p>Mas o objetivo estrat\u00e9gico buscado era a reconcilia\u00e7\u00e3o nacional entre as principais comunidades religiosas e \u00e9tnicas do Iraque. Isto n\u00e3o se conseguiu at\u00e9 agora e as prometidas elei\u00e7\u00f5es foram adiadas para o pr\u00f3ximo ano. Inclusive, Petraeus continua alertando que os avan\u00e7os em mat\u00e9ria de seguran\u00e7a s\u00e3o fr\u00e1geis e podem ficar sem efeito, sem avan\u00e7os pol\u00edticos significativos. As preocupa\u00e7\u00f5es dos Estados Unidos a respeito do Iraque, somadas \u00e0s que desperta a situa\u00e7\u00e3o no Afeganist\u00e3o e Paquist\u00e3o, afetam suas ambi\u00e7\u00f5es de transformar o mundo \u00e1rabe. Assim, os poderes regionais estabeleceram seus pr\u00f3prios acordos entre si, inclusive em formas que chegaram a intranq\u00fcilizar e at\u00e9 mesmo irrigar o governo Bush.<\/p>\n<p>\u201cA pol\u00edtica dura e de choque adotada pelo governo demonstrou os limites do poder dos Estados Unidos\u201d, afirmou o Fundo Carnegie para a Paz Internacional. A rejei\u00e7\u00e3o da diplomacia colocou Washington \u201cem uma condi\u00e7\u00e3o de impot\u00eancia auto-infligida a respeito de muitos problemas\u201d, acrescentou. O informe, elaborado por Marina Ottaway e Mohammed Herzallah, indica que \u201co vazio \u00e9 preenchido, em parte, por advers\u00e1rios\u201d de Washington, com Ir\u00e3 e S\u00edria, o palestino Movimento de Resist\u00eancia Isl\u00e2mica (Hamas) e a mil\u00edcia isl\u00e2mica libanesa Hezbol\u00e1, \u201ce em parte por regimes \u00e1rabes amig\u00e1veis, que buscam uma sa\u00edda para situa\u00e7\u00f5es que os Estados Unidos levaram a um ponto morto\u201d. Isto \u00e9 evidente na gradual distens\u00e3o entre Ir\u00e3 e Ar\u00e1bia Saudita, tradicionalmente um aliado mais importante de Washington no Golfo.<\/p>\n<p>Este processo incluiu duas visitas \u00e0 Ar\u00e1bia Saudita do presidente iraniano, Mahmou Ahmadinejad, e sua participa\u00e7\u00e3o, sem precedentes, em uma c\u00fapula do Conselho de Coopera\u00e7\u00e3o do Golfo. Boa parte do cr\u00e9dito por esta aproxima\u00e7\u00e3o \u00e9 atribu\u00edda ao rei saudita Abdullah, que n\u00e3o escondeu sua inten\u00e7\u00e3o de reduzir a tens\u00e3o entre xiitas e sunitas, os dois ramos principais da f\u00e9 mu\u00e7ulmana, que passou a primeiro plano depois da guerra de 2006 entre Israel e o Hezbol\u00e1. Abdullah irritou Washington no come\u00e7o de 2007, quando negociou um governo de unidade entre o Hamas e o secular e moderado partido Fatah, liderado pelo presidente da Autoridade Nacional Palestina, Abu Mazen. O monarca, nesse mesmo ano, tamb\u00e9m trabalhou junto com o Ir\u00e3 para aliviar as tens\u00f5es sect\u00e1rias no L\u00edbano, apesar de seu apoio \u00e0 pol\u00edtica de Washington de isolar o presidente S\u00edrio, Bashar Al-Assad.<\/p>\n<p>De forma similar, o Qatar \u2013 onde h\u00e1 uma grande base a\u00e9rea dos EUA \u2013 teve um papel preponderante para reduzir as tens\u00f5es regionais, fundamentalmente negociando um acordo pol\u00edtico no L\u00edbano, que teve com resultado a forma\u00e7\u00e3o de um governo liderado pelo primeiro-ministro, Fouad Siniora, que conta com apoio de Washington. Embora a secret\u00e1ria de Estado norte-americana, Condoleezza Rice, tenha aprovado o acordo durante visita a Beirute em junho, a maioria dos analistas o descrevem como um duro golpe \u00e0 posi\u00e7\u00e3o dos Estados Unidos na regi\u00e3o. \u201cMuitas na\u00e7\u00f5es essencialmente amigas adotam pol\u00edticas que Washington desaprova, apresentando-as como fato consumado e deixando aos Estados Unidos a op\u00e7\u00e3o de criticar o fato por seus chamados aliados ou aceit\u00e1-lo\u201d, destacou o estudo do Fundo Carnegie. \u201cOs Estados Unidos t\u00eam pouca influ\u00eancia sobre as pol\u00edticas dos pa\u00edses amigos\u201d, alertou.<\/p>\n<p>Inclusive, o aliado mais pr\u00f3ximo de Washington, Israel, declarou uma parcial independ\u00eancia do governo Bush, utilizando terceiros para contatar advers\u00e1rios que os Estados Unidos tentam manter em situa\u00e7\u00e3o de isolamento. Atrav\u00e9s do Egito negociou o que parece ser um crescente efetivo cessar-fogo com o Hamas, que poderia incluir no curto prazo uma troca de prisioneiros, como a que ocorreu no m\u00eas passado com o Hezbol\u00e1, apesar da clara desaprova\u00e7\u00e3o de Washington. Al\u00e9m disso, com a media\u00e7\u00e3o da Turquia, Israel negocia com a S\u00edria. Segundo a imprensa israelense, os dois pa\u00edses est\u00e3o prestes a chegarem a um acordo definitivo de paz, que poderia acontecer na pr\u00f3xima rodada de contatos, em setembro.<\/p>\n<p>Damasco insiste para que Washington ap\u00f3ie esse entendimento. Mas, devido \u00e0 influ\u00eancia que exerce Elliot Abrams, m\u00e1ximo respons\u00e1vel pelas pol\u00edticas para o Oriente M\u00e9dio no Conselho de Seguran\u00e7a, e f\u00e9rreo defensor de uma pol\u00edtica de linha dura em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 S\u00edria, a maioria dos analistas acredita que esse passo dever\u00e1 esperar a posse do pr\u00f3ximo presidente, no dia 20 de janeiro de 2009. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Washington, 07\/08\/2008 &ndash; H\u00e1 mais de cinco anos, o governo dos Estados Unidos invadiu o Iraque como primeiro passo para a \u201ctransforma\u00e7\u00e3o\u201d do Oriente M\u00e9dio. 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