{"id":417,"date":"2005-03-18T00:00:00","date_gmt":"2005-03-18T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=417"},"modified":"2005-03-18T00:00:00","modified_gmt":"2005-03-18T00:00:00","slug":"estados-unidos-paul-wolfowitz-um-americano-para-o-banco-mundial","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/03\/mundo\/estados-unidos-paul-wolfowitz-um-americano-para-o-banco-mundial\/","title":{"rendered":"Estados Unidos: Paul Wolfowitz, um americano para o Banco Mundial"},"content":{"rendered":"<p>Washington, 18\/03\/2005 &ndash; Nomear para embaixador na Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas um unilateralista como John Bolton foi uma clara mensagem contra o multilateralismo desse f&oacute;rum, mas qual &eacute; a mensagem do presidente norte-americano, George W. Bush, ao propor o nome de Paul Wolfowitz para a presid&ecirc;ncia do Banco Mundial? A escolha por parte de Bush de seu subsecret&aacute;rio da Defesa, um dos arquitetos da guerra no Iraque, causou consterna&ccedil;&atilde;o tanto em c&iacute;rculos da seguran&ccedil;a nacional dos Estados Unidos quanto no hemisf&eacute;rio Sul. Wolfowitz tem 35 anos de carreira acad&ecirc;mica e p&uacute;blica, mas nenhuma experi&ecirc;ncia direta em finan&ccedil;as ou planos de desenvolvimento, menos ainda em miss&otilde;es para reduzir a pobreza, como a que supostamente lideraria. Interessou-se pelo isl&atilde; quando por dois anos esteve o cargo de embaixador na Indon&eacute;sia, na d&eacute;cada de 80.<br \/> <!--more--> <br \/> Quando sua designa&ccedil;&atilde;o come&ccedil;ou a se articulada, h&aacute; duas semanas, a maioria dos observadores foi c&eacute;tica, e o Departamento da Defesa quase nega a vers&atilde;o. Sebastian Mallaby, colunista do jornal The Washington Post, escreveu no dia 7 deste m&ecirc;s que, mesmo com Wolfowitz reunindo algumas condi&ccedil;&otilde;es para o posto, &quot;sua vincula&ccedil;&atilde;o com a guerra no Iraque o converte em um an&aacute;tema para a maioria dos acionistas do Banco&quot;. Wolfowitz &eacute; considerado um dos mais apaixonados neoconservadores do partido Republicano, mas seu temperamento e id&eacute;ias com freq&uuml;&ecirc;ncia desafia os estere&oacute;tipos sobre esse setor da pol&iacute;tica norte-americana.<\/p>\n<p> Os neoconservadores, que dominam a pol&iacute;tica externa no governo Bush, em geral se relacionam apenas com um grupo restrito de pessoas e apreciam o dogmatismo, mas Wolfowitz mostra uma grande curiosidade intelectual e tem uma ampla variedade de contatos sociais. O subsecret&aacute;rio da Defesa mant&eacute;m estreita rela&ccedil;&atilde;o com Saha Ali Riza, uma funcion&aacute;ria do Banco nascida em T&uacute;nis e educada na Ar&aacute;bia Saudita, que parece ter inspirado seu desejo de promover uma democratiza&ccedil;&atilde;o no mundo &aacute;rabe. Como todos os neoconservadores, Wolfowitz v&ecirc; o surgimento de Adolf Hitler e da Alemanha nazista como um dos acontecimentos mais importantes do s&eacute;culo XX e do qual devem ser tiradas li&ccedil;&otilde;es pol&iacute;ticas. Toda a fam&iacute;lia de seu pai, um matem&aacute;tico polon&ecirc;s judeu que emigrou para os Estados Unidos nos anos 20, morreu no Holocausto.<\/p>\n<p> Wolfowitz &eacute; um defensor da &quot;Pax Americana&quot;, do predom&iacute;nio e controle unilateral dos Estados Unidos no mundo. Foi duramente criticado em 1992 quando fragmentos de seu &quot;Guia sobre Pol&iacute;tica de Defesa&quot; foram publicados pelo jornal The Nova York Times. N &eacute;poca o presidente era George Bush, pais do atual mandat&aacute;rio, e o secret&aacute;rio de Defesa era Dick Cheney, hoje vice-presidente. Esse documento propunha a&ccedil;&otilde;es preventivas contra &quot;Estados hostis&quot; que procuram desenvolver armas de destrui&ccedil;&atilde;o em massa; medidas para impedir o surgimento de pot&ecirc;ncias regionais ou mundiais que pudessem competir com os Estados Unidos, e constantes interven&ccedil;&otilde;es militares para preservar a paz e a seguran&ccedil;a internacionais. Estas id&eacute;ias foram repudiadas pela administra&ccedil;&atilde;o de Bush pai, a de Bush filho as adotou e incluiu em parte na Estrat&eacute;gia de Seguran&ccedil;a Nacional, aprovada em setembro de 2002.<\/p>\n<p> Wolfowitz, como todos seus companheiros neoconservadores, t&ecirc;m especial preocupa&ccedil;&atilde;o pelo destino de Israel, onde viveu parte de sua adolesc&ecirc;ncia e onde reside sua irm&atilde;. Entretanto, se distancia um pouco de algumas posi&ccedil;&otilde;es do governante partido israelense Likud, muito ligado &agrave; direita norte-americana, e demonstra sensibilidade em rela&ccedil;&atilde;o aos palestinos, apoiando suas aspira&ccedil;&otilde;es nacionais e se opondo aos movimentos de colonos judeus. Tamb&eacute;m se diferencia de seus correligion&aacute;rios evitando polemizar com a imprensa. Durante o governo do presidente Ronald Reagan (1981-1989) trabalhou para o secret&aacute;rio de Estado George Shultz com assistente para Assuntos da &Aacute;sia Oriental e foi um dos que convenceu o presidente a n&atilde;o apoiar o ditador filipino, Ferdinand Marcos, durante o levante popular nesse pa&iacute;s, em 1986.<\/p>\n<p> Em seguida, incentivou reformas pol&iacute;ticas na Cor&eacute;ia do Sul que terminaram com a sa&iacute;da dos militares do poder, e foi o primeiro embaixador norte-americano na Indon&eacute;sia a se reunir com l&iacute;deres de oposi&ccedil;&atilde;o apesar das cr&iacute;ticas do ent&atilde;o presidente indon&eacute;sio Ali Suharto. Durante o governo de Bill Clinton (1993-2001), do Partido Democrata, Wolfowitz foi o presidente da Escola Johns Hopkins de Estudos Internacionais Avan&ccedil;ados, onde contratou, entre outros, o historiador Francis Fukuyama. Wolfowitz &eacute; considerado o mais idealista dos neoconservadores e o incentivador, entre eles, da necessidade de promover a democracia e o respeito pelos direitos humanos no mundo &aacute;rabe.<\/p>\n<p> &quot;Trata-se de uma pessoa s&eacute;ria e considerada, genuinamente interessada na promo&ccedil;&atilde;o da democracia e dos direitos humanos no mundo; &eacute; algu&eacute;m que entende que n&atilde;o se pode fazer nada ignorando as pessoas&quot;, afirmou o diretor do escrit&oacute;rio em Washington da organiza&ccedil;&atilde;o Human Rights Watch, Tom Malinowski. Alguns neoconservadores temem que seu afastamento do Departamento de Defesa dilua o suposto compromisso do governo no sentido de promover a democracia no Oriente M&eacute;dio. &quot;O presidente enviou mensagens muito claras sobre isso, mas o n&uacute;mero de funcion&aacute;rios que verdadeiramente acreditam nos princ&iacute;pios democr&aacute;ticos da doutrina de Bush &eacute; pequeno&quot;, disse &agrave; IPS o analista pol&iacute;tica tom Donnelly, do neoconservador American Enterprise Institute.<\/p>\n<p> &quot;Por isso, estou muito nervoso sobre como mudar&aacute; a pol&iacute;tica externa&quot;, afirmou Donnelly. &quot;Poderia ser secret&aacute;rio de Estado, mas este posto j&aacute; est&aacute; ocupado. Esta &eacute; uma administra&ccedil;&atilde;o endog&acirc;mica e h&aacute; poucas pessoas que podem ocupar os cargos&quot;, acrescentou. A Casa Branca foi alvo de forte press&atilde;o para designar um candidato &agrave; presid&ecirc;ncia do Banco Mundial antes das reuni&otilde;es da institui&ccedil;&atilde;o previstas para abril, dois meses antes que o atual presidente do Banco, James wolfensohn, deixe o cargo. Para Donnelly, Wolfowitz levar&aacute; seus ideais democr&aacute;ticos para o Banco Mundial. <\/p>\n<p> &quot;N&atilde;o &eacute; o mesmo com John Bolton na ONU. No Banco Mundial vai haver algu&eacute;m realmente comprometido com a agenda&quot; de Bush, acrescentou o especialista. Um ex-funcion&aacute;rio do governo disse &agrave; IPS que Wolfowitz nunca poderia ocupar o posto de secret&aacute;rio de Estado, j&aacute; que sua confirma&ccedil;&atilde;o no Senado se chocaria com seus exageros sobre as supostas armas de destrui&ccedil;&atilde;o em massa que o Iraque possuiria e que jamais foram encontradas. &quot;Ia para o Banco Mundial, onde ter&aacute; um per&iacute;odo de cinco anos garantido, lhe permitir&aacute; continuar fazendo as coisas pelas quais tem paix&atilde;o&quot;, ressaltou. (IPS\/Envolverde) <\/p>\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Washington, 18\/03\/2005 &ndash; Nomear para embaixador na Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas um unilateralista como John Bolton foi uma clara mensagem contra o multilateralismo desse f&oacute;rum, mas qual &eacute; a mensagem do presidente norte-americano, George W. Bush, ao propor o nome de Paul Wolfowitz para a presid&ecirc;ncia do Banco Mundial? A escolha por parte de Bush de seu subsecret&aacute;rio da Defesa, um dos arquitetos da guerra no Iraque, causou consterna&ccedil;&atilde;o tanto em c&iacute;rculos da seguran&ccedil;a nacional dos Estados Unidos quanto no hemisf&eacute;rio Sul. Wolfowitz tem 35 anos de carreira acad&ecirc;mica e p&uacute;blica, mas nenhuma experi&ecirc;ncia direta em finan&ccedil;as ou planos de desenvolvimento, menos ainda em miss&otilde;es para reduzir a pobreza, como a que supostamente lideraria. 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