{"id":42,"date":"2005-01-20T00:00:00","date_gmt":"2005-01-20T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=42"},"modified":"2005-01-20T00:00:00","modified_gmt":"2005-01-20T00:00:00","slug":"o-segredo-do-modelo-nrdico-mercado-de-carbono-avana","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/01\/mundo\/o-segredo-do-modelo-nrdico-mercado-de-carbono-avana\/","title":{"rendered":"O segredo do modelo n&oacute;rdico: Mercado de carbono avan&ccedil;a"},"content":{"rendered":"<p>NOVA YORK, 20\/01\/2005 &ndash; Com 127 pa&iacute;ses prontos para adotar medidas contra o aquecimento do planeta, muitas empresas dos Estados Unidos buscam reduzir suas emiss&otilde;es de gases causadores do efeito estufa, embora o pa&iacute;s care&ccedil;a de regulamenta&ccedil;&otilde;es federais na mat&eacute;ria. No dia 16 de fevereiro entrar&aacute; em vigor o Protocolo de Kyoto, assinado em 1997 para reduzir no mundo industrializado a emiss&atilde;o de di&oacute;xido de carbono (gerado pela queima de combust&iacute;veis f&oacute;sseis) e outros gases que levam &agrave; altera&ccedil;&atilde;o do clima ao reter calor na atmosfera, e considerados respons&aacute;veis pelo aumento da temperatura global. Os Estados Unidos, maior respons&aacute;vel mundial por essas emiss&otilde;es, assinaram o protocolo, mas n&atilde;o o ratificaram.<br \/> <!--more--> <br \/> O presidente George W. Bush retirou a assinatura do pa&iacute;s em 2001, alegando que o Protocolo &eacute; injusto ao exigir redu&ccedil;&otilde;es apenas dos pa&iacute;ses industrializados e que sua aplica&ccedil;&atilde;o nos Estados Unidos causaria perda de mais de cinco milh&otilde;es de postos de trabalho. Por&eacute;m, muitas multinacionais, com sede nesse pa&iacute;s e que fazem neg&oacute;cios em na&ccedil;&otilde;es onde logo ser&aacute; aplicado o tratado global, viram h&aacute; algum tempo a possibilidade de se beneficiarem se forem as primeiras a agir. <\/p>\n<p> Uma delas &eacute; a gigante do setor qu&iacute;mico Dupont, que ganha um ter&ccedil;o de seus US$ 26,9 bilh&otilde;es anuais em pa&iacute;ses que ratificaram o Protocolo. Na &uacute;ltima d&eacute;cada, a empresa reduziu em 65% suas emiss&otilde;es de gases prejudiciais ao meio ambiente, em grande parte atrav&eacute;s de um dr&aacute;stico corte nas que n&atilde;o cont&ecirc;m carbono, como &oacute;xido nitroso. &quot;Creio que &eacute; apenas quest&atilde;o de tempo, antes de enfrentarmos (nos Estados Unidos) mandatos federais de regulamenta&ccedil;&atilde;o que nos obriguem a reduzir as emiss&otilde;es. O problema requer uma resposta prudente da ind&uacute;stria, e h&aacute; evid&ecirc;ncia de que cada vez mais empresas levam este assunto a s&eacute;rio&quot;, comentou Tom Jacob, principal assessor da Dupont para quest&otilde;es globais. <\/p>\n<p> A Dupont &eacute; uma das dezenas de corpora&ccedil;&otilde;es que participam de um programa-piloto de com&eacute;rcio de &quot;cr&eacute;dito de emiss&atilde;o&quot; de gases causadores do efeito estufa, chamado Interc&acirc;mbio Clim&aacute;tico de Chicago (Chicago Climate Exchange). O Protocolo de Kyoto prev&ecirc; a compra e venda desses cr&eacute;ditos. Quem reduzir sua produ&ccedil;&atilde;o de gases abaixo do exigido, poder&aacute; compensar essa falta pagando a outros que reduzirem mais do que o exigido.<\/p>\n<p> V&aacute;rias regulamenta&ccedil;&otilde;es sobre esse tipo de mecanismo previsto no tratado ser&atilde;o discutidas na d&eacute;cima confer&ecirc;ncia das partes da Conven&ccedil;&atilde;o sobre Mudan&ccedil;a Clim&aacute;tica, em Buenos Aires, nos dias 6 e 17 de dezembro. Os membros do mercado de carbono de Chicago compram e vendem cr&eacute;ditos de emiss&atilde;o de seis gases que causam o efeito estufa, ganham cr&eacute;ditos por projetos de seq&uuml;estro de carbono e se comprometem em reduzir suas pr&oacute;prias emiss&otilde;es em apenas 4%, no prazo de dois anos. Desde o in&iacute;cio deste mercado, em dezembro de 2003, foi comercializada uma m&eacute;dia di&aacute;ria de cr&eacute;ditos de emiss&atilde;o equivalente a 7.396 toneladas de di&oacute;xido de carbono, um volume reduzido, segundo especialistas, se comparado com a emiss&atilde;o total norte-americana, cerca de 6,8 bilh&otilde;es de toneladas em 2002.<\/p>\n<p> &quot;Realmente, vejo atualmente um mercado importante para o carbono nos Estados Unidos. &Eacute; dif&iacute;cil haver mercado sem demanda, e quem vai comprar se n&atilde;o h&aacute; incentivos?&quot;, disse ao Terram&eacute;rica o economista William Pizer, do grupo de especialistas em pol&iacute;ticas ambientais Resources for the Future (Recursos para o Futuro), com sede em Washington. &quot;Vejo, sim, companhias com crescente consci&ecirc;ncia de suas responsabilidades e do que provavelmente ocorrer&aacute; se for aplicado um esquema de regulamenta&ccedil;&atilde;o. O uso de combust&iacute;vel f&oacute;ssil est&aacute; t&atilde;o difundido que todos somos culpados, e a longo prazo o com&eacute;rcio de emiss&otilde;es dever&aacute; ser parte da solu&ccedil;&atilde;o&quot;, acrescentou. <\/p>\n<p> Diante da falta de a&ccedil;&atilde;o por parte de Washington, pol&iacute;ticos locais tomaram a dianteira no terreno da regulamenta&ccedil;&atilde;o e nove Estados do nordeste e centro-oeste se prop&otilde;em iniciar em abril procedimentos para desenvolver um ativo mercado de carbono. &quot;O Estado e as atividades privadas andam juntas. H&aacute; uma tend&ecirc;ncia &agrave;s iniciativas regionais para regulamentar a emiss&atilde;o de gases causadores do efeito estufa, e muitas empresas v&ecirc;em vantagem em serem as primeiras&quot;, afirmou Barry Rabe, professor de pol&iacute;tica ambiental da Universidade de Michigan e autor do livro &quot;Efeito Estufa e Parlamentos Locais: o Papel no Desenvolvimento dos Governos Estatais na Mudan&ccedil;a Clim&aacute;tica&quot;. <\/p>\n<p> Alguns analistas prev&ecirc;em que o com&eacute;rcio de produtos b&aacute;sicos crescer&aacute; at&eacute; movimentar, em 2010, mais de US$ 9 bilh&otilde;es, impulsionado pelos mercados de petr&oacute;leo, g&aacute;s natural e di&oacute;xido de carbono. A atitude de Washington frente ao Protocolo de Kyoto pode custar fortunas &agrave;s empresas norte-americanas, se as deixar fora de lucrativos mercados de emiss&otilde;es. <\/p>\n<p> &quot;Trata-se de pagar agora, ou pagar mais tarde. Os empres&aacute;rios norte-americanos n&atilde;o s&atilde;o bobos, e est&atilde;o obrigados a serem competitivos&quot;, afirmou Peter Fusaro, presidente da Global Change Associates, um consultoria internacional sobre energia e meio ambiente. &quot;N&atilde;o &eacute; improv&aacute;vel que o governo federal mude de opini&atilde;o nos pr&oacute;ximos quatro anos e comece a regulamentar as emiss&otilde;es. Bush gosta das solu&ccedil;&otilde;es com base no mercado, e o mercado est&aacute; a&iacute;, com compradores e vendedores. A quest&atilde;o &eacute; quanto vai custar&quot;, afirmou.<\/p>\n<p> * A autora &eacute; colaboradora do Terram&eacute;rica. <\/p>\n<p> Artigo produzido para o Terram&eacute;rica, projeto de comunica&ccedil;&atilde;o dos Programas das Na&ccedil;&otilde;es Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) e para o Desenvolvimento (Pnud), realizado pela Inter Press Service (IPS) e distribu&iacute;do pela Ag&ecirc;ncia Envolverde.<\/p>\n<p>Artigo produzido para o Terram&eacute;rica, projeto de comunica&ccedil;&atilde;o dos Programas das Na&ccedil;&otilde;es Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) e para o Desenvolvimento (Pnud), realizado pela Inter Press Service (IPS) e distribu&iacute;do pela Ag&ecirc;ncia Envolverde.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>NOVA YORK, 20\/01\/2005 &ndash; Com 127 pa&iacute;ses prontos para adotar medidas contra o aquecimento do planeta, muitas empresas dos Estados Unidos buscam reduzir suas emiss&otilde;es de gases causadores do efeito estufa, embora o pa&iacute;s care&ccedil;a de regulamenta&ccedil;&otilde;es federais na mat&eacute;ria. No dia 16 de fevereiro entrar&aacute; em vigor o Protocolo de Kyoto, assinado em 1997 para reduzir no mundo industrializado a emiss&atilde;o de di&oacute;xido de carbono (gerado pela queima de combust&iacute;veis f&oacute;sseis) e outros gases que levam &agrave; altera&ccedil;&atilde;o do clima ao reter calor na atmosfera, e considerados respons&aacute;veis pelo aumento da temperatura global. 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