{"id":4234,"date":"2008-08-26T15:17:21","date_gmt":"2008-08-26T15:17:21","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=4234"},"modified":"2008-08-26T15:17:21","modified_gmt":"2008-08-26T15:17:21","slug":"reportagem-amazonia-cada-dia-mais-petroleira","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2008\/08\/america-latina\/reportagem-amazonia-cada-dia-mais-petroleira\/","title":{"rendered":"REPORTAGEM: Amaz\u00f4nia cada dia mais petroleira"},"content":{"rendered":"<p>LIMA, 26\/08\/2008 &ndash; (Tierram\u00e9rica).- Multiplicam-se as autoriza\u00e7\u00f5es para procurar petr\u00f3leo e g\u00e1s na Amaz\u00f4nia, sobretudo em suas \u00e1reas mais remotas e de maior biodiversidade, afirmam pesquisadores  <!--more--><br \/>\n <div id=\"attachment_4234\" style=\"width: 206px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/selva.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-4234\" class=\"size-medium wp-image-4234\" title=\"Trabalhador explorando a selva equatoriana - Photo Stock\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/selva.jpg\" alt=\"Trabalhador explorando a selva equatoriana - Photo Stock\" width=\"196\" height=\"200\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-4234\" class=\"wp-caption-text\">Trabalhador explorando a selva equatoriana - Photo Stock<\/p><\/div>  Mais de 180 campos de petr\u00f3leo e de g\u00e1s se estendem pela Amaz\u00f4nia ocidental, que abrange cinco pa\u00edses sul-americanos, amea\u00e7ando a biodiversidade e territ\u00f3rios ind\u00edgenas, afirma um estudo de organiza\u00e7\u00f5es norte-americanas. O caso do Peru \u00e9 o que mais preocupa: 72% de seu territ\u00f3rio de selva coincidem com planos de explora\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo, diz a pesquisa \u201cOs projetos de petr\u00f3leo e g\u00e1s na Amaz\u00f4nia ocidental: uma amea\u00e7a \u00e0 vida silvestre, \u00e0 biodiversidade e aos povos ind\u00edgenas\u201d, publicada no dia 13 deste m\u00eas, pela revista cient\u00edfica PLoS ONE.<\/p>\n<p>Estas atividades extrativistas cobrem uma \u00e1rea de mais de 688 quil\u00f4metros quadrados da Amaz\u00f4nia da Bol\u00edvia, Col\u00f4mbia, Equador, Peru e parte do Brasil, onde operam cerca de 35 empresas multinacionais, afirmam os pesquisadores da Universidade Duke da Carolina do Norte e das ongs Save America\u2019s Forests (Salve as Florestas Americanas) e Land is Life (Terra \u00e9 Vida). As concess\u00f5es se localizam nas \u201c\u00e1reas mais ricas em esp\u00e9cies da Amaz\u00f4nia\u201d, segundo o estudo. \u201cA Amaz\u00f4nia ocidental \u00e9 a regi\u00e3o com maior biodiversidade do mundo, especialmente de anf\u00edbios\u201d, disse ao Terram\u00e9rica um dos co-autores da pesquisa, Clinton Jenkins, ecologista da Universidade Duke.<\/p>\n<p>Em apenas um hectare pode-se encontrar mais de 600 esp\u00e9cies de \u00e1rvores, enquanto em todo o territ\u00f3rio dos Estados Unidos talvez existam cerca de 800, disse Jenkins. Qualquer bi\u00f3logo que a visitar encontrar\u00e1 esp\u00e9cies nunca antes descritas pela ci\u00eancia, mas bem conhecidas por seus habitantes ind\u00edgenas. \u201c\u00c9 muito dif\u00edcil ter acesso a ela e existem dezenas de grupos ind\u00edgenas n\u00e3o contatados\u201d, completamente isolados da civiliza\u00e7\u00e3o moderna, acrescentou. O Peru \u201c\u00e9 o caso mais alarmante\u201d, disse ao Terram\u00e9rica o autor principal do estudo, Matt Finer, ecologista-chefe da Save America\u2019s Forests. Um dos maiores desafios foi registrar os projetos que se multiplicaram neste pa\u00eds desde que a pesquisa come\u00e7ou em 2005.<\/p>\n<p>Nos primeiros meses daquele ano, pelo menos 15% da Amaz\u00f4nia peruana estava afetada por explora\u00e7\u00f5es de petr\u00f3leo, no transcurso de 2005 chegou a 25% e em 2006 subiu para 50%. Em 2008, as atividades chegaram a afetar 72% dessa selva peruana, com 64 campos em aproximadamente 49 milh\u00f5es de hectares. Cinq\u00fcenta e seis deles apareceram nos \u00faltimos cinco anos, 20 est\u00e3o em \u00e1reas protegidas e 17 em reservas territoriais propostas ou criadas para proteger povos em isolamento volunt\u00e1rio.<\/p>\n<p>O vice-ministro de Energia do Peru, Pedro Gamio, ressalta que menos de 5% dos territ\u00f3rios dados em concess\u00e3o s\u00e3o explorados, e normalmente s\u00e3o outorgadas grandes extens\u00f5es porque as empresas fazem grandes investimentos de alto risco com uma possibilidade de \u00eaxito que varia entre 10% e 15%. \u201cO Peru \u00e9 o menos explorado da regi\u00e3o, pelo p\u00eandulo pol\u00edtico que nos causou tanto mal. Ao contr\u00e1rio de Brasil e Col\u00f4mbia, nosso pa\u00eds perdeu a oportunidade de captar investimentos\u201d, disse Gamio ao Terram\u00e9rica. Segundo o Minist\u00e9rio de Energia e Minas, foram outorgadas concess\u00f5es a 84 projetos de explora\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo e g\u00e1s at\u00e9 o final de 2007, 19 deles em processo de implanta\u00e7\u00e3o e 65 j\u00e1 em execu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Finer disse que, de modo simult\u00e2neo \u00e0s concess\u00f5es, cresceram os conflitos entre empresas e comunidades nativas. O Peru vive atualmente uma intensa onda de protesto na Amaz\u00f4nia, contra dois decretos que promovem o investimento privado em territ\u00f3rios ind\u00edgenas. Apesar de serem poucos os que j\u00e1 est\u00e3o em explora\u00e7\u00e3o \u2013 afirmou \u2013, esta gera impactos, como o desmatamento para instala\u00e7\u00e3o de heliportos e acampamentos, ou constru\u00e7\u00e3o de vias de acesso. De fato, a maior preocupa\u00e7\u00e3o s\u00e3o as estradas, segundo Jenkins. Uma vez que existam, por elas chegam os colonos, o mesmo padr\u00e3o que afetou as selvas do Brasil, disse o ecologista que d\u00e1 parte de suas aulas anuais no Instituto de Pesquisas Ecol\u00f3gicas Nazar\u00e9 Paulista, no Estado de S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p>O Minist\u00e9rio de Minas do Peru garante que h\u00e1 normas que exigem das empresas prioridade ao tr\u00e1fego fluvial e a\u00e9reo e a utiliza\u00e7\u00e3o de estradas j\u00e1 existentes. Inclusive para explorar, os planos deveriam contar com a consulta e aprova\u00e7\u00e3o pr\u00e9via dos povos ind\u00edgenas, segundo o Conv\u00eanio 169 da Organiza\u00e7\u00e3o Internacional do Trabalho (OIT), que foi ratificado pelo Peru. \u201cDe acordo com o Conv\u00eanio 169, os povos ind\u00edgenas antecedem \u00e0 forma\u00e7\u00e3o do Estado e, portanto, devem ser consultados. Mas aqui se faz o contr\u00e1rio, ferindo nossos direitos consagrados\u201d, disse ao Terram\u00e9rica o presidente da Associa\u00e7\u00e3o Inter-\u00c9tnica de Desenvolvimento da Selva Peruana, Alberto Pizango.<\/p>\n<p>Para o vice-ministro Gamio, \u201cse n\u00e3o fizermos um esfor\u00e7o para conhecer at\u00e9 onde chega o potencial de hidrocarbonos do Peru, as gera\u00e7\u00f5es futuras poder\u00e3o nos julgar e nos acusar de n\u00e3o aproveitarmos esta oportunidade, quando o petr\u00f3leo \u00e9 protagonista na economia mundial\u201d. A crescente demanda energ\u00e9tica no mundo \u00e9 um grande incentivo para a busca de recursos por parte de empresas radicadas nos Estados Unidos, Canad\u00e1, Europa e China, afirma a pesquisa. Os estudos de impacto ambiental n\u00e3o s\u00e3o independentes o suficiente para gerar confian\u00e7a nas popula\u00e7\u00f5es, pois s\u00e3o contratados e pagos pelas empresas concession\u00e1rias, e n\u00e3o s\u00e3o considerados os impactos sin\u00e9rgicos. \u201cN\u00e3o h\u00e1 uma an\u00e1lise de maior escala sobre o impacto de dois, cinco, dez ou 20 lotes por vez\u201d, disse Finer.<\/p>\n<p>No Equador e na Bol\u00edvia, as \u00e1reas protegidas tampouco est\u00e3o livres da explora\u00e7\u00e3o e prospec\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo, como provam o equatoriano Parque Nacional Yasun\u00ed e o boliviano Parque Nacional Madidi, afirmam os pesquisadores. O governo equatoriano dividiu em lotes quase 65% de sua Amaz\u00f4nia, onde habitam dez grupos ind\u00edgenas. Em 2007, as autoridades delimitaram uma zona intang\u00edvel de 7.580 quil\u00f4metros quadrados no Yasun\u00ed, para manter seu petr\u00f3leo debaixo da terra em troca de uma compensa\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica por parte da comunidade internacional. No Brasil, o governo concedeu 25 lotes em 2005, que circundam as jazidas de g\u00e1s Urucu e Juru\u00e1 no Estado do Amazonas. A Ag\u00eancia Nacional do Petr\u00f3leo anunciou sua inten\u00e7\u00e3o de tamb\u00e9m explorar no Acre.<\/p>\n<p>Na Col\u00f4mbia, 25 campos de explora\u00e7\u00e3o e produ\u00e7\u00e3o ficam dentro ou em torno do departamento de Putumayo, na fronteira com o Equador. As autoridades abriram uma nova rodada de licita\u00e7\u00f5es na mesma \u00e1rea. Apesar disso, mais de 90% da selva colombiana est\u00e1 livre de atividades petrol\u00edferas, afirma a pesquisa. \u201cDirijo um carro, por isso n\u00e3o posso dizer pro\u00edbam o petr\u00f3leo e o g\u00e1s\u201d, reconheceu Jenkins. Mas o uso de recursos naturais nessa regi\u00e3o deveria ser social e ambientalmente sustent\u00e1vel, acrescentou.<\/p>\n<p>* A autora \u00e9 correspondente da IPS. Com colabora\u00e7\u00e3o de Stephen Leahy (Canad\u00e1).<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>LIMA, 26\/08\/2008 &ndash; (Tierram\u00e9rica).- Multiplicam-se as autoriza\u00e7\u00f5es para procurar petr\u00f3leo e g\u00e1s na Amaz\u00f4nia, sobretudo em suas \u00e1reas mais remotas e de maior biodiversidade, afirmam pesquisadores <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2008\/08\/america-latina\/reportagem-amazonia-cada-dia-mais-petroleira\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":141,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[8,2,12,5],"tags":[21],"class_list":["post-4234","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-ambiente","category-america-latina","category-desenvolvimento","category-economia","tag-metas-do-milenio"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4234","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/141"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4234"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4234\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4234"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4234"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4234"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}