{"id":4238,"date":"2008-08-26T17:07:45","date_gmt":"2008-08-26T17:07:45","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=4238"},"modified":"2008-08-26T17:07:45","modified_gmt":"2008-08-26T17:07:45","slug":"ambiente-nao-morda-o-anzol","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2008\/08\/mundo\/ambiente-nao-morda-o-anzol\/","title":{"rendered":"AMBIENTE: N\u00e3o morda o anzol"},"content":{"rendered":"<p>Lisboa, 26\/08\/2008 &ndash; \u00c9 necess\u00e1rio realizar mudan\u00e7as profundas na gest\u00e3o dos oceanos para garantir que as atividades humanas sejam sustent\u00e1veis tanto para as gera\u00e7\u00f5es atuais quanto para as futuras, sem causar danos ao meio ambiente.  <!--more--><br \/>\n <div id=\"attachment_4238\" style=\"width: 210px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/ArticSunrise_Miguel_Manso_Greenpeace_achicada.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-4238\" class=\"size-medium wp-image-4238\" title=\"Navio Artic Sunrise - Miguel Manso\/Greenpeace-Portugal\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/ArticSunrise_Miguel_Manso_Greenpeace_achicada.jpg\" alt=\"Navio Artic Sunrise - Miguel Manso\/Greenpeace-Portugal\" width=\"200\" height=\"133\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-4238\" class=\"wp-caption-text\">Navio Artic Sunrise - Miguel Manso\/Greenpeace-Portugal<\/p><\/div>  Esta \u00e9 a mensagem central dos 24 ativistas a bordo de um dos tr\u00eas navios da organiza\u00e7\u00e3o Greenpeace que esteve atracado na semana passada no porto de Lisboa, no contexto de uma a\u00e7\u00e3o que come\u00e7ou em 2005 na Gr\u00e3-Bretanha e incluiu Alemanha, Canad\u00e1, Dinamarca, Estados Unidos, Holanda, Noruega, Nova Zel\u00e2ndia, Pol\u00f4nia e Su\u00e9cia. Portugal foi o \u00faltimo cap\u00edtulo da campanha, nesta etapa final destinada a \u201cdefender o Mediterr\u00e2neo\u201d em uma viagem de tr\u00eas meses iniciada na It\u00e1lia e que contemplou Espanha, Fran\u00e7a, Gr\u00e9cia, L\u00edbano, L\u00edbia e Turquia.<\/p>\n<p>A a\u00e7\u00e3o se desenvolve a partir do \u201cArtic Sunrice\u201d, um navio batizado em 1975 como \u201cPolar Bjorn\u201d, um quebra-gelo noruegu\u00eas constru\u00eddo especialmente para a ca\u00e7a de focas e combatido na \u00e9poca pelo Greenpeace que, \u201cpor ironia do destino\u201d, segundo os ativistas, acabou por compr\u00e1-lo em 1995. Esta ONG ecologista, que explica sua exist\u00eancia porque \u201ceste fr\u00e1gil planeta merece uma voz, precisa de solu\u00e7\u00f5es, requer mudan\u00e7as e a\u00e7\u00f5es\u201d, dessa forma encerrou em Lisboa um longo trabalho. As coordenadas de navega\u00e7\u00e3o do Artic Sunrice se centraram na detec\u00e7\u00e3o de barcos de pesca ilegais, na elabora\u00e7\u00e3o de um detalhado estudo cient\u00edfico das profundezas marinhas e a proposta conclusiva de criar vastas \u00e1reas protegidas.<\/p>\n<p>Os ativistas afirmaram \u00e0 imprensa, a bordo do navio, que os governos \u201cdevem reservar 40% de nossos oceanos\u201d, ao mesmo tempo em que lan\u00e7aram um apelo aos consumidores com a campanha \u201cEscolha seu pescado, n\u00e3o morda o anzol\u201d. Estas reservas marinhas \u201cpodem ser definidas como regi\u00f5es do oceano onde deve ser proibida a captura de qualquer recurso vivo e a explora\u00e7\u00e3o de recursos n\u00e3o vivos, como areia, cascalho e minerais\u201d, afirmou Evandro de Oliveira, respons\u00e1vel de informa\u00e7\u00e3o do Greenpeace-Portugal.<\/p>\n<p>O mar Mediterr\u00e2neo \u201cest\u00e1 amea\u00e7ado pelo excesso de pesca, por pesca destrutiva, pela polui\u00e7\u00e3o e pelo crescente desenvolvimento das zonas costeiras\u201d, acrescentou o ativista, para, em seguida, propor solu\u00e7\u00f5es para a preserva\u00e7\u00e3o dos recursos marinhos. Considerando o alto consumo de pescado pelos europeus comprado nos grandes espa\u00e7os comerciais, o Greenpeace centrou sua campanha em denunciar a falta de uma pol\u00edtica de compra sustent\u00e1vel de produtos pesqueiros nos supermercados, explicou Oliveira. \u201cPedimos aos supermercados que adotem uma pol\u00edtica que leve a deixar de vender as esp\u00e9cies da lista vermelha do Greenpeace e que comecem a oferecer produtos pesqueiros de forma sustent\u00e1vel\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>Essa lista \u00e9 formada por esp\u00e9cies em vias de extin\u00e7\u00e3o, tais como merluza negra, lagostim, salm\u00e3o atl\u00e2ntico, merlins, atuns, bacalhau do atl\u00e2ntico, tubar\u00f5es, peixe-espada negro e do Atl\u00e2ntico, peixe-carta, linguado, peixe-espada e arraias. Os supermercados em v\u00e1rios pa\u00edses s\u00e3o c\u00famplices da destrui\u00e7\u00e3o dos oceanos por n\u00e3o se comprometerem com a sustentabilidade dos produtos pesqueiros, afirma a engenheira agr\u00edcola espanhola Paloma Colmenarejo, respons\u00e1vel pela campanha referente aos oceanos. Colmanarejo afirma que \u201cos grandes distribuidores e a ind\u00fastria pesqueira podem e devem seguir pol\u00edticas de compra sustent\u00e1veis e deixar de fornecer esp\u00e9cies desta lista vermelha\u201d.<\/p>\n<p>As esp\u00e9cies sustent\u00e1veis s\u00e3o as provenientes de uma ind\u00fastria pesqueira cujas pr\u00e1ticas podem ser mantidas indefinidamente sem reduzir a capacidade das esp\u00e9cies de se reproduzir. Aos comerciantes \u201cpedimos que adotem uma pol\u00edtica para retirarem o pior (da lista vermelha), que ap\u00f3iem o melhor oferecendo produtos sustent\u00e1veis e, ainda, que melhorem a informa\u00e7\u00e3o sobre as esp\u00e9cies que vendem\u201d, acrescentou Colmanarejo. \u201cOs consumidores t\u00eam o direito da garantia pelos supermercados de que todos os produtos sejam sustent\u00e1veis, j\u00e1 que eles n\u00e3o t\u00eam acesso a toda a informa\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria\u201d, acrescentou a ativista, que criticou o \u201capetite insaci\u00e1vel\u201d dos grandes espa\u00e7os comerciais.<\/p>\n<p>A campanha ganha um destaque especial em Portugal, terceiro consumidor mundial de pescado por habitante com 59,3 quilos cada um, em m\u00e9dia, atr\u00e1s da Isl\u00e2ndia com 91 quilos e do Jap\u00e3o com 67,4, cifras que superam em muito a m\u00e9dia mundial de 16 quilos. Femke Nagel, respons\u00e1vel pela campanha na Holanda, garante o sucesso da a\u00e7\u00e3o. \u201cQuando come\u00e7amos em meu pa\u00eds t\u00ednhamos tr\u00eas supermercados designados como \u2018laranja\u2019, uma categoria entre \u00f3timo, que \u00e9 o verde, e pior, que \u00e9 o vermelho, e hoje j\u00e1 temos nove\u201d. A ativista, que faz parte da tripula\u00e7\u00e3o do Artic Sunrice, disse que os consumidores devem ter um papel importante para evitar consumir pescado da lista vermelha, \u201cmas os supermercados t\u00eam uma grande responsabilidade\u201d.<\/p>\n<p>Apesar de muitas vezes \u201cdizerem que \u00e9 imposs\u00edvel saber de onde vem o produto, isso n\u00e3o \u00e9 verdade, eles tem toda a informa\u00e7\u00e3o, que simplesmente decidem n\u00e3o repass\u00e1-la aos consumidores\u201d, concluiu Nagel. \u201cA listagem \u00e9 uma ferramenta f\u00e1cil e eficiente tanto para consumidores quanto para a ind\u00fastria e todos os setores interessados em garantir o futuro da pesca\u201d, explicou Colmenarejo em conversa com a IPS. A situa\u00e7\u00e3o \u00e9 grav\u00edssima, \u201cporque em uma revis\u00e3o planet\u00e1ria comprovamos que tr\u00eas quartos dos oceanos est\u00e3o esgotados\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>Mas, pode-se acabar com as tradi\u00e7\u00f5es de um povo, no caso o portugu\u00eas, com o consumo de bacalhau, que faz parte da pr\u00f3pria identidade nacional?, perguntou \u00e0 IPS. \u201cN\u00e3o se trata disso, mas de entender que o bacalhau do Atl\u00e2ntico simplesmente poder\u00e1 desaparecer e que os portugueses e outros povos amantes deste pescado podem comprar o bacalhau do Chile, porque essas esp\u00e9cies do sul do oceano Pac\u00edfico n\u00e3o est\u00e3o em perigo\u201d. O que o Greenpeace recomenda \u201c\u00e9 comer esp\u00e9cies que se recuperam facilmente e n\u00e3o integrem a lista vermelha\u201d.<\/p>\n<p>A tend\u00eancia generalizada da medicina atual \u00e9 recomendar um alto consumo de pescado, sem discriminar quais. A ativista considera \u201cbom que os m\u00e9dicos se preocupem com a sa\u00fade das pessoas, mas n\u00f3s nos preocupamos com a sa\u00fade dos oceanos\u201d. Colmenarejo tamb\u00e9m chamou a aten\u00e7\u00e3o para os direitos humanos, \u201cque s\u00e3o sempre uma preocupa\u00e7\u00e3o do Greenpeace\u201d, em especial quando na Am\u00e9rica Latina estes \u201cs\u00e3o sistematicamente violados nas zonas de megaprojetos camaroeiros, tur\u00edsticos e industriais na regi\u00e3o do ecossistema de mangues e outros ecossistemas marinho-costeiros\u201d. A den\u00fancia inclui as zonas de mangue de Brasil, Col\u00f4mbia, Equador, El Salvador, Guatemala, Honduras, M\u00e9xico, Nicar\u00e1gua, Peru e Venezuela.<\/p>\n<p>A ativista espanhola concluiu recomendando uma leitura atenta da pagina na internet da Rede Mangue Internacional (http:\/\/www.redmanglar.org), onde s\u00e3o denunciados \u201cassassinatos, torturas, desaparecimentos, restri\u00e7\u00f5es ao acesso aos recursos, deslocamentos, despojo e amea\u00e7as\u201d contra as comunidades locais. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Lisboa, 26\/08\/2008 &ndash; \u00c9 necess\u00e1rio realizar mudan\u00e7as profundas na gest\u00e3o dos oceanos para garantir que as atividades humanas sejam sustent\u00e1veis tanto para as gera\u00e7\u00f5es atuais quanto para as futuras, sem causar danos ao meio ambiente. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2008\/08\/mundo\/ambiente-nao-morda-o-anzol\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":256,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[8,5,4,11],"tags":[18],"class_list":["post-4238","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-ambiente","category-economia","category-mundo","category-politica","tag-europa"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4238","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/256"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4238"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4238\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4238"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4238"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4238"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}