{"id":4245,"date":"2008-08-29T16:37:52","date_gmt":"2008-08-29T16:37:52","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=4245"},"modified":"2008-08-29T16:37:52","modified_gmt":"2008-08-29T16:37:52","slug":"georgia-aumenta-a-ameaca-de-guerra-fria","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2008\/08\/mundo\/georgia-aumenta-a-ameaca-de-guerra-fria\/","title":{"rendered":"GE\u00d3RGIA: Aumenta a amea\u00e7a de Guerra Fria"},"content":{"rendered":"<p>Na\u00e7\u00f5es Unidas, 29\/08\/2008 &ndash; O fantasma de uma nova Guerra Fria paira sobre a Europa desde a \u00faltima ter\u00e7a-feira, ap\u00f3s o reconhecimento formal pela R\u00fassia da independ\u00eancia das prov\u00edncias georgianas de Osetia do Sul e Abjasia.  <!--more--><br \/>\n <div id=\"attachment_4245\" style=\"width: 143px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/churkin_final.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-4245\" class=\"size-medium wp-image-4245\" title=\"Embajador de Rusia en la ONU, Vitaly Churkin - UN Photo\/Evan Schneider\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/churkin_final.jpg\" alt=\"Embajador de Rusia en la ONU, Vitaly Churkin - UN Photo\/Evan Schneider\" width=\"133\" height=\"200\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-4245\" class=\"wp-caption-text\">Embajador de Rusia en la ONU, Vitaly Churkin - UN Photo\/Evan Schneider<\/p><\/div>  Embora sem a vis\u00e3o ideol\u00f3gica da Guerra Fria, que parecia relegada ao esquecimento h\u00e1 uns poucos anos devido \u00e0 queda do Muro de Berlim, o decreto assinado pelo presidente russo, Dimitri Medvedev, tem um potencial explosivo. A Ge\u00f3rgia \u00e9 uma aliada-chave do Ocidente na regi\u00e3o do C\u00e1ucaso, zona de passagem de energia com destino \u00e0 Europa encruzilhada estrat\u00e9gica para o Oriente M\u00e9dio, Ir\u00e3, Afeganist\u00e3o, R\u00fassia e \u00c1sia Central.<\/p>\n<p>Por sua vez, o presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, qualificou o decreto russo de \u201cirrespons\u00e1vel\u201d e exigiu que Moscou respeite seus compromissos internacionais. \u201cEsta decis\u00e3o \u00e9 inconsistente com numerosas resolu\u00e7\u00f5es do Conselho de Seguran\u00e7a da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas que a R\u00fassia votou no passado. Tamb\u00e9m \u00e9 inconsistente com o acordo de cessar-fogo de seis pontos patrocinado pela Fran\u00e7a, que o pr\u00f3prio Medvedev assinou\u201d, no \u00faltimo dia 12, acrescentou Bush. \u201cAbjasia e Osetia do Sul est\u00e3o dentro das fronteiras internacionalmente reconhecidas da Ge\u00f3rgia, e assim devem continuar. A a\u00e7\u00e3o da R\u00fassia apenas exacerba as tens\u00f5es e complica as negocia\u00e7\u00f5es diplom\u00e1ticas. \u201cA Fran\u00e7a tamb\u00e9m deplorou a decis\u00e3o de Moscou reclamou uma solu\u00e7\u00e3o pol\u00edtica.<\/p>\n<p>O acordo assinado por Moscou e Tiflis imp\u00f5e a retirada das for\u00e7as georgianas das duas prov\u00edncias em conflito para onde se encontravam antes de come\u00e7arem as hostilidades, no \u00faltimo dia 8. Pelo texto assinado, a R\u00fassia tamb\u00e9m se retirou da Ge\u00f3rgia, mas n\u00e3o da Osetia do Sul e de Abjasia. Com o decreto de ter\u00e7a-feira, Moscou volta a exigir um acordo de seguran\u00e7a e estabilidade mais amplo na regi\u00e3o. Mas a Ge\u00f3rgia e seus poderosos aliados ocidentais insistem que a R\u00fassia tamb\u00e9m deve se retirar dos territ\u00f3rios em disputa. E o governo de Medvedev n\u00e3o est\u00e1 disposto a negociar isso. \u201cO povo de Osetia do Sul e Abjasia se pronunciaram em v\u00e1rias oportunidades com referendos a favor da independ\u00eancia\u201d, disse o presidente russo. \u201cT\u00eam direito a decidir seu destino por eles mesmos\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>O embaixador da R\u00fassia na ONU, Vitaly Churkin, disse em entrevista coletiva: \u201cN\u00e3o questionamos a soberania e a independ\u00eancia da Ge\u00f3rgia, mas Osetia do Sul e Abjasia t\u00eam direito \u00e0 autodetermina\u00e7\u00e3o, segundo a Carta das Na\u00e7\u00f5es Unidas e outros instrumentos internacionais\u201d. Churkin acusou o governo georgiano e seus aliados ocidentais, inclu\u00eddos os Estados Unidos, pelo bloqueio do di\u00e1logo diplom\u00e1tico. A Gr\u00e3-Bretanha criticou este enfoque. \u201cEst\u00e1vamos avan\u00e7ando, mas a integridade territorial da Ge\u00f3rgia era parte essencial\u201d do acordo, disse o embaixador brit\u00e2nico na ONU, John Sawers. Washington e seus aliados ocidentais exigem a retirada completa da R\u00fassia, pois que considera sua presen\u00e7a militar em Osetia do Sul e Abjasia em conson\u00e2ncia com os acordos internacioanis vigentes. Ap\u00f3s a desintegra\u00e7\u00e3o da Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica em 1991, Osetia do Sul e Abjasia ficaram inclu\u00eddas na Ge\u00f3rgia, embora na \u00e9poca se soubesse que os habitantes dos dois territ\u00f3rios pretendessem que fossem reconhecidos como Estados independentes.<\/p>\n<p>A R\u00fassia criou for\u00e7as de manuten\u00e7\u00e3o da paz nas duas regi\u00f5es em 1992 e em 1994, depois de ocorrerem incurs\u00f5es militares ordenadas por Tiflis sob o lema \u201cGe\u00f3rgia para os georgianos\u201d. Moscou afirma que procurou preservar a unidade da Ge\u00f3rgia por 17 anos, mas que foi obrigada a mudar a sua postura ap\u00f3s o governo georgiano haver lan\u00e7ado uma opera\u00e7\u00e3o militar maci\u00e7a em Osetia do Sul, no dia 8 deste m\u00eas, que teve como conseq\u00fc\u00eancia o deslocamento de centenas de milhares de pessoas e a morte de centenas.<\/p>\n<p>Funcion\u00e1rios do governo russo compararam o reconhecimento da independ\u00eancia da Osetia do Sul e de Abjasia com a da prov\u00edncia s\u00e9rvia de Kosovo, que declarou a sua no dia 17 de fevereiro deste ano com o aval de numerosos pa\u00edses ocidentais. J\u00e1 o parlamento da Ge\u00f3rgia advertiu que a R\u00fassia procurava \u201calterar as fronteiras da Europa pela for\u00e7a\u201d. O presidente georgiano Mikhail Saakashvili afirmou que a medida russa carece de \u201c base legal\u201d. O embaixador russo junto \u00e0 Organiza\u00e7\u00e3o do Tratado do Atl\u00e2ntico Norte (Otan), Dimitri Rogozin, demonstrou ansiedade a respeito das possibilidades que se abrem para o futuro.<\/p>\n<p>Rogozin comparou a atual tens\u00e3o entre R\u00fassia e Ocidente com a que prevaleceu \u00e0s v\u00e9speras da Primeira Guerra Mundial (1914-1918), e disse que um novo congelamento das rela\u00e7\u00f5es parecia inevit\u00e1vel. \u201cA atmosfera atual me recorda a situa\u00e7\u00e3o que se vivia na Europa em 1914, quando por causa de um terrorista as principais pot\u00eancias do mundo se enfrentaram\u201d, disse o embaixador ao jornal empresarial russo RBK, segundo The Guardian. \u201cEspero que Saakashvili n\u00e3o passe para a hist\u00f3ria como um novo Gravilo Princip\u201d, o s\u00e9rvio-b\u00f3snio que, ao assassinar em 1914, em Sarajevo, o arquiduque austro-h\u00fangaro Franz Ferdinand deu origem \u00e0 Primeira Guerra Mundial, afirmou Rogozin.<\/p>\n<p>Das brasas mal apagadas dessa conflagra\u00e7\u00e3o, que terminou em 1918, surgiu a Segunda Guerra Mundial (1939-1945), seguida, por sua vez, de quatro d\u00e9cadas de Guerra Fria entre os blocos ideol\u00f3gicos liderados por Estados Unidos, de um lado, e Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica, por outro. \u201cO que podemos estar presenciando n\u00e3o \u00e9 apenas o fim da Guerra Fria, ou a passagem de um per\u00edodo particular da hist\u00f3ria do p\u00f3s-guerra, mas o fim da hist\u00f3ria como tal\u201d, escreveu ap\u00f3s a dissolu\u00e7\u00e3o da URSS e do campo comunista o fil\u00f3sofo norte-americano Francis Fukuyama em seu ensaio \u201cThe end of History and the last man\u201d (O fim da Hist\u00f3ria e o \u00faltimo homem). Segundo Fukuyama, a humanidade talvez assistisse, ent\u00e3o, \u201co ponto final da evolu\u00e7\u00e3o ideol\u00f3gica da humanidade e a universaliza\u00e7\u00e3o da democracia liberal ocidental como a forma final de governo humano\u201d.<\/p>\n<p>Entretanto, o episodio georgiano pode resultar de uma reedi\u00e7\u00e3o da Guerra Fria, embora n\u00e3o nos modes da anterior, como observou o ex-ministro das Rela\u00e7\u00f5es Exteriores da Alemanha Joschka Fischer em uma coluna publicada no seman\u00e1rio Die Zeit. A atual pode ser uma conflagra\u00e7\u00e3o entre a \u00fanica superpot\u00eancia, Estados Unidos, e uma R\u00fassia que fortalece suas for\u00e7as armadas com o dinheiro de suas enormes reservas de petr\u00f3leo e g\u00e1s. Se trataria, nesta ocasi\u00e3o, de um conflito dirigido por Moscou para ampliar sua esfera de influ\u00eancia e contrapor-se \u00e0 estrat\u00e9gia da Otan, sob o controle dos Estados Unidos, de isolar a R\u00fassia com radares e m\u00edsseis da \u201cnova Europa\u201d, isto \u00e9, os pa\u00edses que antes estiveram sob dom\u00ednio sovi\u00e9tico. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Na\u00e7\u00f5es Unidas, 29\/08\/2008 &ndash; O fantasma de uma nova Guerra Fria paira sobre a Europa desde a \u00faltima ter\u00e7a-feira, ap\u00f3s o reconhecimento formal pela R\u00fassia da independ\u00eancia das prov\u00edncias georgianas de Osetia do Sul e Abjasia. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2008\/08\/mundo\/georgia-aumenta-a-ameaca-de-guerra-fria\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":202,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[4,11],"tags":[18],"class_list":["post-4245","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-mundo","category-politica","tag-europa"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4245","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/202"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4245"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4245\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4245"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4245"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4245"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}