{"id":426,"date":"2005-03-21T00:00:00","date_gmt":"2005-03-21T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=426"},"modified":"2005-03-21T00:00:00","modified_gmt":"2005-03-21T00:00:00","slug":"frica-bob-geldof-e-a-economia-do-chiclete","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/03\/mundo\/frica-bob-geldof-e-a-economia-do-chiclete\/","title":{"rendered":"&Aacute;frica: Bob Geldof e a economia do chiclete"},"content":{"rendered":"<p>Londres, 21\/03\/2005 &ndash; Tudo o que se precisa para salvar a &Aacute;frica &eacute; o pre&ccedil;o de &quot;meio chiclete di&aacute;rio de cada um&quot; dos habitantes do mundo rico, segundo o astro do rock e ativista irland&ecirc;s Bob Geldof. Com esse chiclete se reuniria os US$ 25 bilh&otilde;es anuais que a Comiss&atilde;o para a &Aacute;frica, criada pelo governo da Gr&atilde;-Bretanha, recomendou que fossem distribu&iacute;dos como ajuda adicional ao continente at&eacute; 2010. Mas, o equivalente em dinheiro do chiclete ou outro sacrif&iacute;cio em mat&eacute;ria de consumo n&atilde;o teria por que ser necess&aacute;rio, disse o jornalista Robert Guest, da revista brit&acirc;nica The Economist. Guest respondia a Geldof e a centenas de ativistas reunidos em uma confer&ecirc;ncia de um dia organizada pela BBC em Londres para examinar o relat&oacute;rio da Comiss&atilde;o para a &Aacute;frica, apresentado no &uacute;ltimo dia 11.<br \/> <!--more--> <br \/> O jornalista convidou a refletir sobre os US$ 350 bilh&otilde;es ao ano que o Norte industrial paga em subs&iacute;dios agr&iacute;colas. Isso seria &quot;um pacote gigante de chicletes&quot;. E &quot;os &uacute;nicos perdedores seriam uma pequena quantidade de fazendeiros no mundo rico&quot;. As recomenda&ccedil;&otilde;es que a Comiss&atilde;o para a &Aacute;frica sobre o chiclete foram infrut&iacute;feras. Regras justas de com&eacute;rcio poderiam fazer pela &Aacute;frica, talvez, mais do que a doa&ccedil;&atilde;o extra que Geldof e A Comiss&atilde;o reclamaram com tanta paix&atilde;o. Entre as propostas da comiss&atilde;o apresentadas na semana passada pelo primeiro-ministro da Gr&atilde;-Bretanha, Tony Blair, figuram uma ajuda da comunidade internacional de US$ 25 bilh&otilde;es at&eacute; 2010 e o cancelamento de 100% da d&iacute;vida externa dos pa&iacute;ses africanos.<\/p>\n<p> Tamb&eacute;m sugere que os pa&iacute;ses ricos cumpram sua promessa de destinar 0,7% de seu produto interno bruto &agrave; assist&ecirc;ncia oficial ao desenvolvimento. O plano prev&ecirc;, ainda, uma ajuda extraordin&aacute;ria de mais US$ 25 bilh&otilde;es anuais at&eacute; 2015, sob a condi&ccedil;&atilde;o de que durante esse per&iacute;odo se constate uma &quot;boa governabilidade&quot;. Vocalista da extinta banda de rock The Boomtown Rats, ator principal do famoso filme The Wall e organizador, em 1985, dos shows Live Aid, em benef&iacute;cio da Eti&oacute;pia, Bob Geldof est&aacute; mais ligado &agrave; Comiss&atilde;o para a &Aacute;frica do que acredita a maioria dos brit&acirc;nicos. De fato, o pr&oacute;prio artista assegurou perante a confer&ecirc;ncia que foi o fact&oacute;tum da Comiss&atilde;o.<\/p>\n<p> Em recente visita &agrave; Eti&oacute;pia, Bob ficou alarmado pela exist&ecirc;ncia de &quot;bananas falsas&quot; penduradas em &aacute;rvores improdutivas para simular planta&ccedil;&otilde;es. Antes de voltar para a Gr&atilde;-Bretanha, telefonou ao primeiro-ministro em sua resid&ecirc;ncia do n&uacute;mero 10 da Dowuning Street. Blair o convidou para uma visita, e a reuni&atilde;o aconteceu pouco depois, e assim, segundo o cantor, nasceu a Comiss&atilde;o para a &Aacute;frica. O primeiro-ministro brit&acirc;nico, guitarrista amador nas horas vagas, recebeu com muito respeito as opini&otilde;es do m&uacute;sico. E sabe o que dele pode esperar. Em uma entrevista na televis&atilde;o, o vocalista da banda irland&ecirc;s U2, Bono, lembrou que em certa ocasi&atilde;o Bob parou Blair durante o recesso de uma confer&ecirc;ncia para question&aacute;-lo por n&atilde;o fazer o suficiente para cancelar a divida externa do Sul em desenvolvimento. O ent&atilde;o secret&aacute;rio de imprensa de Blair, Alistair Campbell, teve que insistir com o primeiro-ministro para que deixasse a conversa de lado e continuasse participando da confer&ecirc;ncia.<\/p>\n<p> De certo modo, Geldof tem alguma influ&ecirc;ncia sobre Blair. Quando foi apresentado o relat&oacute;rio da Comiss&atilde;o para a &Aacute;frica na semana passada, o cantor qualificou o presidente do Zimb&aacute;bue, Robert Mugabe, de &quot;velho r&eacute;ptil&quot;. Tamb&eacute;m condenou o presidente de Uganda, Yoweri Museveni, por sua suposta inten&ccedil;&atilde;o de se perpetuar no poder. Depois, blair apoiou Geldof em seu discurso, em uma atitude que ultrapassou os limites da ret&oacute;rica diplom&aacute;tica. O m&uacute;sico e o governante estiveram em estreito contato para afinar a iniciativa africana. Geldof disse no &uacute;ltimo dia 11 que Blair havia assumido as recomenda&ccedil;&otilde;es da Comiss&atilde;o como pol&iacute;tica do governo brit&acirc;nico. Esse foi, disse, &quot;um momento de incr&iacute;vel influ&ecirc;ncia pol&iacute;tica&quot;. Tudo o que &#8211; segundo Geldof &#8211; deveriam fazer os sete pa&iacute;ses mais ricos do mundo (Alemanha, Estados Unidos, Canad&aacute;, Fran&ccedil;a, Gr&atilde;-Bretanha, It&aacute;lia e Jap&atilde;o) &eacute; destinar outro 0,1% do produto interno bruto &agrave; ajuda para a &Aacute;frica.<\/p>\n<p> O ministro brit&acirc;nico das Finan&ccedil;as, Gordon Brown, al&eacute;m disso, idealizou a Facilidade Financeira Internacional (IFF) para arrecadar mais dinheiro destinado &agrave; assist&ecirc;ncia. &quot;Se &eacute; t&atilde;o f&aacute;cil faz&ecirc;-lo, por que n&atilde;o faz&ecirc;-lo?&quot;, perguntou Geldof. F&aacute;cil ou dif&iacute;cil, e qualquer que seja a raz&atilde;o, a confer&ecirc;ncia organizada pela BBC serviu para destacar a pouca aten&ccedil;&atilde;o que o resto do mundo industrial dava ao que sa&iacute;a dos c&eacute;rebros de Blair e Geldof. Entre outros funcion&aacute;rios que participaram da reuni&atilde;o de Londres, o comiss&aacute;rio de Com&eacute;rcio da Uni&atilde;o Europ&eacute;ia, Peter Mandelson, advertiu que Estados Unidos, Canad&aacute; e Jap&atilde;o n&atilde;o pareciam muito interessados na Comiss&atilde;o para a &Aacute;frica ou no IFF de Brown, &quot;Espero que a UE assuma dianteira&quot;, afirmou.<\/p>\n<p> Por&eacute;m, nenhum dos demais membros europeus do Grupo dos Sete pa&iacute;ses mais ricos (Alemanha, Fran&ccedil;a e It&aacute;lia) aderiu at&eacute; agora &agrave; iniciativa de Brown nem &agrave;s recomenda&ccedil;&otilde;es feitas pela Comiss&atilde;o para a &Aacute;frica. Esse detalhe deixa a Gr&atilde;-Bretanha sozinha. Entretanto, uma importante organiza&ccedil;&atilde;o humanit&aacute;ria, a War on Want, recordou que Londres n&atilde;o pratica o que prega a Comiss&atilde;o. No final das contas, na confer&ecirc;ncia ressaltou a id&eacute;ia de que o mais importante ser&aacute; o que a &Aacute;frica conquistar por si s&oacute;. &quot;A &Aacute;frica n&atilde;o enriquecer&aacute; com a caridade&quot;, acrescentou o jornalista Guest. Mas, para as c&acirc;meras da BBC, Bob Geldof era a not&iacute;cia. A economia do chiclete &eacute; mais televisiva. A &Aacute;frica n&atilde;o importa tanto. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Londres, 21\/03\/2005 &ndash; Tudo o que se precisa para salvar a &Aacute;frica &eacute; o pre&ccedil;o de &quot;meio chiclete di&aacute;rio de cada um&quot; dos habitantes do mundo rico, segundo o astro do rock e ativista irland&ecirc;s Bob Geldof. Com esse chiclete se reuniria os US$ 25 bilh&otilde;es anuais que a Comiss&atilde;o para a &Aacute;frica, criada pelo governo da Gr&atilde;-Bretanha, recomendou que fossem distribu&iacute;dos como ajuda adicional ao continente at&eacute; 2010. Mas, o equivalente em dinheiro do chiclete ou outro sacrif&iacute;cio em mat&eacute;ria de consumo n&atilde;o teria por que ser necess&aacute;rio, disse o jornalista Robert Guest, da revista brit&acirc;nica The Economist. Guest respondia a Geldof e a centenas de ativistas reunidos em uma confer&ecirc;ncia de um dia organizada pela BBC em Londres para examinar o relat&oacute;rio da Comiss&atilde;o para a &Aacute;frica, apresentado no &uacute;ltimo dia 11.<br \/> <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/03\/mundo\/frica-bob-geldof-e-a-economia-do-chiclete\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":185,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[4],"tags":[],"class_list":["post-426","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-mundo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/426","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/185"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=426"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/426\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=426"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=426"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=426"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}