{"id":4270,"date":"2008-09-04T17:58:25","date_gmt":"2008-09-04T17:58:25","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=4270"},"modified":"2008-09-04T17:58:25","modified_gmt":"2008-09-04T17:58:25","slug":"mineracao-namibia-futuro-incerto-para-a-industria-do-diamante","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2008\/09\/africa\/mineracao-namibia-futuro-incerto-para-a-industria-do-diamante\/","title":{"rendered":"MINER\u00c3\u00c7AO-NAM\u00cdBIA: Futuro incerto para a ind\u00fastria do diamante"},"content":{"rendered":"<p>Windhoek, 04\/09\/2008 &ndash; As ricas reservas de diamantes da Nam\u00edbia diminuem ap\u00f3s um s\u00e9culo de explora\u00e7\u00e3o. <!--more--> As empresas mineradoras s\u00e3o empurradas a explorar o mar, enquanto o jovem setor nacional de polimento e corte se contrai. O futuro \u00e9 uma inc\u00f3gnita. A ind\u00fastria do diamante na Nam\u00edbia \u00e9 a sexta do mundo e a coluna vertebral deste pa\u00eds do sudoeste africano. A gigante sul-africana De Beers domina o setor. A firma extraiu mais de dois milh\u00f5es de quilates (400 quilos) neste pa\u00eds no ano passado. O peso m\u00e9dio das pedras \u00e9 de 0,44 quilates (88 miligramas). De Beers faturou US$ 585 milh\u00f5es em 2007. \u201cN\u00e3o podemos garantir mais o fornecimento de gemas grandes \u00e0s empresas nacionais de polimento e corte porque nos \u00faltimos meses s\u00f3 recebemos diamantes pequenos\u201d, disse Shinhaleni Ndjaba, presidente da Nam\u00edbia Diamond Trading Company (NDTC), criada em janeiro do ano passado por acordo entre o governo e a De Beers. H\u00e1 cem anos, em abril de 1908, um trabalhador ferrovi\u00e1rio encontrou o primeiro diamante no deserto da Nam\u00edbia, perto do porto de L\u00fcderitz, e o mostrou a um superior.<\/p>\n<p>Este pa\u00eds, ent\u00e3o conhecido como \u00c1frica do Sudoeste Alem\u00e3o, foi col\u00f4nia europ\u00e9ia at\u00e9 a d\u00e9cada de 60. Muitos alem\u00e3es enriqueceram em poucos anos de febre do diamante, at\u00e9 que a Primeira Guerra Mundial (1914-1918) interrompeu a produ\u00e7\u00e3o. Ap\u00f3s a derrota da Alemanha, a \u00c1frica do Sudoeste foi ocupada pela vizinha \u00c1frica do Sul. As minas de diamante foram vendidas em 1920 a sir Ernest Oppenheimer, da companhia Anglo American, por 3,5 bilh\u00f5es de libras da \u00e9poca (cerca de US$ 6,4 bilh\u00f5es atuais).<\/p>\n<p>Alguns anos depois, a Anglo American garantiu para si a maioria das a\u00e7\u00f5es da De Beers, e foi a \u00fanica empresa de diamantes da Nam\u00edbia at\u00e9 que esta ficou independente da \u00c1frica do Sul em 1990. depois chegaram algumas outras companhias. O governo da Nam\u00edbia independente se prop\u00f4s envolver-se no setor de diamantes em 1992, assinou um acordo com a De Beers pelo qual foi formada a companhia extrativa Namdedb, da qual cada parte tem 50% das a\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>De Beers se beneficiou do monop\u00f3lio da extra\u00e7\u00e3o durante sete anos, mas n\u00e3o instalou empresas na Nam\u00edbia que deram \u00e0s gemas um valor agregado at\u00e9 2000, quando o governo a for\u00e7ou a criar uma f\u00e1brica de polimento e corte, a NamGem, 100% propriedade da Namdeb. Em 2001, as crescentes opera\u00e7\u00f5es de extra\u00e7\u00e3o de diamantes mar adentro fizeram necess\u00e1ria a cria\u00e7\u00e3o da De Beers Marine Nam\u00edbia (DBMN), com 70% do capital pertencente \u00e0 companhia sul-africana e 30% \u00e0 Namdeb.<\/p>\n<p>Isso aumentou a produ\u00e7\u00e3o de diamantes da Namdeb de 1,3 milh\u00e3o de quilates (260 quilos) ao ano para pouco mais de dois milh\u00f5es nos \u00faltimos dois anos. Os diamantes representam 35% da renda com exporta\u00e7\u00f5es do pa\u00eds e 10% do produto interno bruto, embora a Namdeb e outras firmas com participa\u00e7\u00e3o da De Beers apenas produzam uma fra\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o anual total da companhia sul-africana, de 49 milh\u00f5es de quilates (9,8 toneladas).<\/p>\n<p>A vizinha Botswana \u00e9 a j\u00f3ia da coroa da De Beers, com uma produ\u00e7\u00e3o de 31 milh\u00f5es de quilates anuais (6,2 toneladas). A licen\u00e7a da De Berrs para explorar minas terrestres e marinhas na Nam\u00edbia vencer\u00e1 em 2020. Com a cria\u00e7\u00e3o da NDTC em janeiro de 2007, polidores e cortadores nam\u00edbios puderam comprar pela primeira vez diamantes extra\u00eddos neste pa\u00eds. At\u00e9 ent\u00e3o, as empresas nacionais tinham de comprar na filial da De Beers em Londres pacotes de diamantes procedentes de v\u00e1rios pa\u00edses e de diversas fontes. A empresa sul-africana n\u00e3o permitia a venda direta neste pa\u00eds.<\/p>\n<p>A NDTC ordena, avalia, comercializa e vende diamantes da Namdeb e deve cobrir 16% de sua produ\u00e7\u00e3o anua, cerca de 320 mil quilates (64 quilos) extra\u00eddos no \u00e2mbito local, al\u00e9m de uma \u201cmistura agregada\u201d de pedras precedentes da Diamond Trading Company DTC), filial da De Beers encarregada de comercializar pedras desde Londres. O ministro de Minera\u00e7\u00e3o, Erkki, Nghimtina, aplaudiu o conv\u00eanio de 2007 e o considerou um \u201cacordo hist\u00f3rico\u201d. Mas, h\u00e1 dois dias congelou a entrega de licen\u00e7as para polir e cortar diamantes, j\u00e1 em m\u00e3os de 11 empresas locais, para garantir o fornecimento por parte da NDTC. \u201cInfelizmente, a quantidade de diamantes dispon\u00edveis para assegurar que o setor seja vi\u00e1vel e sustent\u00e1vel \u00e9 uma limita\u00e7\u00e3o\u201d, disse o ministro. A morat\u00f3ria da concess\u00e3o de licen\u00e7as de polimento e corte continua vigente.<\/p>\n<p>As vendas de diamantes da NDTC no \u00e2mbito nacional chegaram a US$ 156 milh\u00f5es em junho, quantidade considerada pequena. N\u00e3o foram revelados detalhes sobre as cotas concedidas aos compradores locais. A sele\u00e7\u00e3o gerou questionamentos porque oito dos 11 benefici\u00e1rios pertencem tamb\u00e9m ao exclusivo \u201cclube\u201d de Londres de cortadores e polidores De Beers\/DTC. O acordo da NDTC dever\u00e1 ser revisado em 2013.<\/p>\n<p>Por outro lado, em 2004, o magnata russo-israelense Lev Levive, arqui-rival da De Beers, criou sua pr\u00f3pria f\u00e1brica, que emprega 500 nam\u00edbios, e obteve licen\u00e7as de opera\u00e7\u00e3o marinha para a Namco, uma companhia liquidada. Agora chamada Saakawse, 8% das qual s\u00e3o propriedades do governo, extraiu mais de 145 mil quilates (29 quilos) no ano passado. Essa quantidade \u00e9 insuficiente para abastecer a f\u00e1brica na Nam\u00edbia. \u201cPoder\u00edamos cortar e polir 25 mil quilates (cinco quilos) por m\u00eas, o que exigiria 300 mil quilates ao ano, que j\u00e1 \u00e9 o m\u00e1ximo do que a NDTC pode vender localmente\u201d, disse Kombadayedu Kapwanga, gerente da Lev Leviev Diamonds (LLD) Nam\u00edbia.<\/p>\n<p>Os custos de extra\u00e7\u00e3o aumentam e as jazidas de diamantes diminuem, o que obriga a remover cerca de 100 toneladas de terra para obter um quilate (203 gramas) de gemas. A Namdeb ainda n\u00e3o anunciou que planos tem para quando acabar a febre do diamante. \u201cA respeito das opera\u00e7\u00f5es terrestres, buscamos o tempo todo novas formas de otimizar a gest\u00e3o da mina e tentamos explorar outro minerais fora de nossa \u00e1reas tradicional\u201d, disse Inge Zaamwani, gerente da Namdeb. \u201cTemos um avan\u00e7ado programa de explora\u00e7\u00e3o de kimberlita no nordeste da Nam\u00edbia\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>\u201cUm desafio mais especifico para a Namdeb \u00e9 a redu\u00e7\u00e3o das reservas terrestres, devido aos investimentos necess\u00e1rios para chegar a outros dep\u00f3sitos mais dif\u00edceis de escavar do ponto de vista f\u00edsico, ambiental, tecnol\u00f3gico e econ\u00f4mico\u201d, disse Zaamwani. J\u00e1 o economista Emile van Zyl acredita que a redu\u00e7\u00e3o das reservas de diamantes da Nam\u00edbia pode ser compensada por outras atividades mineiras. \u201cA extra\u00e7\u00e3o de ur\u00e2nio pode compensar a perda de renda com os diamantes. Tamb\u00e9m h\u00e1 carv\u00e3o sem explorar e reservas de cobre no sul. Embora preferisse que a economia n\u00e3o dependesse tanto do setor mineiro. O turismo, um setor de crescimento r\u00e1pido na Nam\u00edbia, talvez possa tornar-se mais importante, inclusive tanto quanto a minera\u00e7\u00e3o\u201d, disse \u00e0 IPS.<\/p>\n<p>\u201cO Minist\u00e9rio da Minera\u00e7\u00e3o come\u00e7ou h\u00e1 pouco tempo a cobrar royalties por minerais que n\u00e3o s\u00e3o diamantes, pois \u00e9 um recurso que diminui\u201d, disse \u00e0 IPS o funcion\u00e1rio dessa pasta Kennedy Hamutenya. \u201cLogo se cobrar\u00e1 por todos os minerais, como o ur\u00e2nio, que tem um grande futuro na Nam\u00edbia. O dinheiro ser\u00e1 usado para desenvolver outros setores\u201d, disse. \u201cNa localidade mineira de Oranjemund, o turismo desempenhar\u00e1 um papel importante. Quando estiver desenvolvido o projeto gas\u00edfero de Kudu, 140 quil\u00f4metros a oeste mar adentro, o povo ter\u00e1 um futuro promissor\u201d, acrescentou. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Windhoek, 04\/09\/2008 &ndash; As ricas reservas de diamantes da Nam\u00edbia diminuem ap\u00f3s um s\u00e9culo de explora\u00e7\u00e3o. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2008\/09\/africa\/mineracao-namibia-futuro-incerto-para-a-industria-do-diamante\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":566,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[3,12,5],"tags":[],"class_list":["post-4270","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-africa","category-desenvolvimento","category-economia"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4270","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/566"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4270"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4270\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4270"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4270"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4270"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}