{"id":428,"date":"2005-03-22T00:00:00","date_gmt":"2005-03-22T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=428"},"modified":"2005-03-22T00:00:00","modified_gmt":"2005-03-22T00:00:00","slug":"direitos-humanos-guerra-de-idias-nas-ruas-de-cuba","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/03\/mundo\/direitos-humanos-guerra-de-idias-nas-ruas-de-cuba\/","title":{"rendered":"Direitos Humanos: Guerra de id&eacute;ias nas ruas de Cuba"},"content":{"rendered":"<p>Havana, 22\/03\/2005 &ndash; O confronto entre partid&aacute;rios de Fidel Castro e representantes da oposi&ccedil;&atilde;o interna acrescenta um novo elemento na ofensiva diplom&aacute;tica impulsionada por Cuba na Comiss&atilde;o de Direitos Humanos da Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas, reunida em Genebra. Existe &quot;uma guerra em andamento&quot; entre o governo de George W. Bush, que promove a subvers&atilde;o interna em Cuba, e a &quot;imensa maioria&quot; da popula&ccedil;&atilde;o cubana que defende a revolu&ccedil;&atilde;o, assegurou nesta segunda-feira o chanceler cubano Felipe P&eacute;rez roque. O ministro das Rela&ccedil;&otilde;es Exteriores considerou &quot;leg&iacute;timo&quot; que &quot;o povo defenda suas ruas e se oponha aos que em Cuba trabalham para o governo dos Estados Unidos&quot; e, ao mesmo tempo, estimou que qualquer enfrentamento deve excluir &quot;os excessos&quot;.<br \/> <!--more--> <br \/> O velho lema de &quot;a rua &eacute; dos revolucion&aacute;rios&quot; foi resgatado no fim de semana passado durante uma manifesta&ccedil;&atilde;o de mais de cem mulheres contra uma caminhada de aproximadamente 30 Damas de Branco, esposas de alguns dos 75 dissidentes presos em abril de 2003. &quot;Ouve-se, sente-se, o povo est&aacute; presente&quot; gritavam em coro as integrantes da Federa&ccedil;&atilde;o de Mulheres Cubanas. Por sua vez, Bertha Soler, mulher do dissidente preso Angel Moya, reivindicou o direito de se expressarem como &quot;mulheres pac&iacute;ficas&quot;. Os incidentes aconteceram devido ao an&uacute;ncio de um pacote de medidas governamentais de amplo alcance, que incluem a distribui&ccedil;&atilde;o social de bens a pre&ccedil;os subsidiados e uma poss&iacute;vel alta salarial em determinados setores.<\/p>\n<p> A manifesta&ccedil;&atilde;o contra as Damas de Branco foi posterior &aacute; den&uacute;ncia do m&eacute;dico dissidente Darcy Ferrer Ram&iacute;rez, que garantiu ter apanhado no s&aacute;bado por ter colocado um mural em sua casa a favor da liberta&ccedil;&atilde;o de um grupo de presos pol&iacute;ticos. O governo cubano considera os opositores como &quot;mercen&aacute;rios&quot; a servi&ccedil;o dos Estados Unidos, cujo governo aprovou em 2004 um or&ccedil;amento de US$ 59 milh&otilde;es para apoiar mudan&ccedil;as pol&iacute;ticas na ilha. Justamente o &quot;uso de mercen&aacute;rios como meio de viola&ccedil;&atilde;o dos direitos humanos de outros povos&quot; ser&aacute; uma das nove resolu&ccedil;&otilde;es que Cuba promover&aacute; este ano na Comiss&atilde;o de Direitos Humanos da ONU.<\/p>\n<p> Havana &eacute; criticada pelos Estados Unidos e peal Uni&atilde;o Europ&eacute;ia, entre outros, por n&atilde;o garantir direitos humanos b&aacute;sicos como liberdade de express&atilde;o e associa&ccedil;&atilde;o. O governo de Cuba conta com apoio de outros pa&iacute;ses na Comiss&atilde;o, que defendem a necessidade de por um ponto final &aacute; politiza&ccedil;&atilde;o desse &oacute;rg&atilde;o especializado da ONU e a &quot;n&atilde;o singulariza&ccedil;&atilde;o&quot; de casos de pa&iacute;ses espec&iacute;ficos. Neste contexto, P&eacute;rez Roque considerou como uma mostra do &quot;fracasso&quot; de Washington que este tenha sido obrigado a apresentar uma proposta de resolu&ccedil;&atilde;o sobre Cuba perante a Comiss&atilde;o.<\/p>\n<p> &quot;Apesar de esfor&ccedil;os intensos&quot;, o governo norte-americano &quot;n&atilde;o p&ocirc;de encontrar um pa&iacute;s latino-americano ou da Europa do Leste para apresentar a resolu&ccedil;&atilde;o&quot;, como havia ocorrido nos &uacute;ltimos cinco anos, comentou o chanceler cubano. Desde 1990, como a &uacute;nica exce&ccedil;&atilde;o de 1998, todas as resolu&ccedil;&otilde;es sobre a situa&ccedil;&atilde;o dos direitos humanos em Cuba foram aprovadas em Genebra e, nos &uacute;ltimos anos, foram patrocinadas por diferentes pa&iacute;ses. O f&oacute;rum de Genebra atual com representa&ccedil;&atilde;o de 53 pa&iacute;ses periodicamente em rod&iacute;zio. Este ano, os 11 latino-americanos s&atilde;o Brasil, Argentina, Costa Rica, Cuba, Rep&uacute;blica Dominicana, Equador, Guatemala, Honduras, M&eacute;xico, Paraguai e Peru.<\/p>\n<p> Segundo o ministro cubano, &quot;murchou a teoria sobre a preocupa&ccedil;&atilde;o da comunidade internacional&quot; pelas viola&ccedil;&otilde;es de direitos humanos em Cuba, Estados Unidos &quot;temem ser derrotados este ano na Comiss&atilde;o&quot;. P&eacute;rez Roque assegurou que a proposta que circula em Genebra n&atilde;o condena a ilha por situa&ccedil;&otilde;es espec&iacute;ficas, mas que reconhece ter como principal objetivo manter viva a quest&atilde;o cubana na agenda da Comiss&atilde;o at&eacute; a pr&oacute;xima sess&atilde;o. Para o chanceler, manter o caso cubano na agenda responde &aacute; necessidade de Washington em justificar sua pol&iacute;tica de san&ccedil;&otilde;es econ&ocirc;micas decretadas contra Havana h&aacute; mais de 40 anos e que se tornaram mais r&iacute;gidas na d&eacute;cada passada.<\/p>\n<p> Ao contr&aacute;rio de anos anteriores, o chanceler evitou se referir &aacute; posi&ccedil;&atilde;o espec&iacute;fica dos pa&iacute;ses latino-americanos integrantes da Comiss&atilde;o e considerou que, em alguns casos, a absten&ccedil;&atilde;o seria &quot;um gesto her&oacute;ico&quot;. Ao mesmo tempo, afirmou que os governos da Uni&atilde;o Europ&eacute;ia votar&atilde;o a favor da resolu&ccedil;&atilde;o norte-americana porque &quot;n&atilde;o podem se afastar&quot; de tal posi&ccedil;&atilde;o. &quot;Privilegiam sua rela&ccedil;&atilde;o com o poderoso e votam a favor dele&quot;, afirmou. Depois de uma crise de mais de uma no e meio entre Cuba e a UE, P&eacute;rez Roque garantiu que Cuba prop&ocirc;s um caminho no contexto atual das rela&ccedil;&otilde;es bilaterais que inclui um acordo sobre direitos humanos &quot;mutuamente aceit&aacute;vel&quot;.<\/p>\n<p> O chanceler cubano considerou como principais obst&aacute;culos a esta iniciativa o voto da UE em Genebra e a manuten&ccedil;&atilde;o da &quot;posi&ccedil;&atilde;o comum&quot; sobre Cuba, que condiciona qualquer acordo do bloco europeu a mudan&ccedil;as pol&iacute;ticas na ilha. No entanto, assegurou que n&atilde;o dava import&acirc;ncia alguma &agrave; realiza&ccedil;&atilde;o nesta segunda-feira em Havana de um encontro entre representantes da oposi&ccedil;&atilde;o interna e diplomatas dos pa&iacute;ses da UE. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Havana, 22\/03\/2005 &ndash; O confronto entre partid&aacute;rios de Fidel Castro e representantes da oposi&ccedil;&atilde;o interna acrescenta um novo elemento na ofensiva diplom&aacute;tica impulsionada por Cuba na Comiss&atilde;o de Direitos Humanos da Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas, reunida em Genebra. Existe &quot;uma guerra em andamento&quot; entre o governo de George W. Bush, que promove a subvers&atilde;o interna em Cuba, e a &quot;imensa maioria&quot; da popula&ccedil;&atilde;o cubana que defende a revolu&ccedil;&atilde;o, assegurou nesta segunda-feira o chanceler cubano Felipe P&eacute;rez roque. O ministro das Rela&ccedil;&otilde;es Exteriores considerou &quot;leg&iacute;timo&quot; que &quot;o povo defenda suas ruas e se oponha aos que em Cuba trabalham para o governo dos Estados Unidos&quot; e, ao mesmo tempo, estimou que qualquer enfrentamento deve excluir &quot;os excessos&quot;.<br \/> <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/03\/mundo\/direitos-humanos-guerra-de-idias-nas-ruas-de-cuba\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":47,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[4],"tags":[],"class_list":["post-428","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-mundo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/428","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/47"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=428"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/428\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=428"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=428"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=428"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}