{"id":4286,"date":"2008-09-09T17:52:45","date_gmt":"2008-09-09T17:52:45","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=4286"},"modified":"2008-09-09T17:52:45","modified_gmt":"2008-09-09T17:52:45","slug":"onu-ventos-da-guerra-fria-no-conselho-de-seguranca","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2008\/09\/mundo\/onu-ventos-da-guerra-fria-no-conselho-de-seguranca\/","title":{"rendered":"ONU: Ventos da Guerra Fria no Conselho de Seguran\u00e7a"},"content":{"rendered":"<p>Na\u00e7\u00f5es Unidas, 09\/09\/2008 &ndash; O ponto morto em que ficou o Conselho de Seguran\u00e7a ao analisar v\u00e1rias crises internacionais leva os analistas a se perguntarem se n\u00e3o voltou a soprar o vento da Guerra Fria, que muitos guardaram no ba\u00fa da hist\u00f3ria ap\u00f3s a dissolu\u00e7\u00e3o da Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica em 1991.  <!--more--><br \/>\n <div id=\"attachment_4286\" style=\"width: 210px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/ConsejoSeguridad_DPI.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-4286\" class=\"size-medium wp-image-4286\" title=\" - DPI Photo\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/ConsejoSeguridad_DPI.jpg\" alt=\" - DPI Photo\" width=\"200\" height=\"133\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-4286\" class=\"wp-caption-text\"> - DPI Photo<\/p><\/div>  As especula\u00e7\u00f5es s\u00e3o alimentadas pelo fato de que quando este \u00f3rg\u00e3o da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas debateu nos \u00faltimos tempos diversas crises, como as do Ir\u00e3, Zimb\u00e1bue, Birm\u00e2nia e Ge\u00f3rgia, se viu paralisado pela colis\u00e3o entre os representantes das potencias ocidentais e os embaixadores da R\u00fassia e da China.<\/p>\n<p>O Conselho de Seguran\u00e7a, recordam os analistas, foi cen\u00e1rio de batalhas verbais \u00e9picas entre os diplomatas dos Estados Unidos e da URSS na d\u00e9cada de 60, especialmente durante a crise gerada pela instala\u00e7\u00e3o de m\u00edsseis nucleares sovi\u00e9ticos em Cuba em 1961. Em um desses debates, o representante de Washington, Adlai Stevenson, por muitos considerado figura \u201clegend\u00e1ria\u201d, pressionou seu colega sovi\u00e9tico, Valerikan Zorin, para obter uma confirma\u00e7\u00e3o sobre a instala\u00e7\u00e3o de m\u00edsseis na ilha. \u201cSim, ou n\u00e3o?\u201d, perguntou Stevenson, acrescentando imediatamente: \u201cE n\u00e3o espere pela tradu\u00e7\u00e3o para me dar a resposta\u201d.<\/p>\n<p>Zorin respondeu, atrav\u00e9s de um tradutor: \u201cN\u00e3o estou diante de um tribunal norte-americano e n\u00e3o penso em responder a uma pergunta que me foi feita ao estilo utilizado por um promotor\u201d. Stevenson replicou que aguardaria uma resposta \u201cat\u00e9 que o inferno congelasse\u201d. Os confrontos e alinhamentos do passado voltaram a se manifestar. Em janeiro de 207, uma iniciativa das pot\u00eancias ocidentais para punir a ditadura militar da Birm\u00e2nia por suas viola\u00e7\u00f5es dos direitos humanos enfrentou um pouco comum duplo veto de China e R\u00fassia, que t\u00eam esse privil\u00e9gio juntamente com Estados Unidos, Fran\u00e7a e Gr\u00e3-Bretanha.<\/p>\n<p>A hist\u00f3ria se repetiu no m\u00eas passado, quando Pequim e Moscou bloquearam medidas contra o regime autorit\u00e1rio de Robert Mugabe, presidente do Zimb\u00e1bue, por sua persegui\u00e7\u00e3o a membros da oposi\u00e7\u00e3o, que chegou ao assassinato de ativistas e seus familiares. A disputa entre Estados Unidos e R\u00fassia se intensificou a partir de agosto, ap\u00f3s a invas\u00e3o da Ge\u00f3rgia por tropas russas e pelo reconhecimento por Moscou da independ\u00eancia da Oss\u00e9tia do Sul e de Abj\u00e1sia, duas regi\u00f5es separatistas dessa na\u00e7\u00e3o do C\u00e1ucaso, uma rep\u00fablica que fez parte da URSS.<\/p>\n<p>Quando o embaixador norte-americano, Zalmay Khalilzad, tentou que seu colega russo dissesse se seu pa\u00eds tinha a inten\u00e7\u00e3o de violar a soberania e integridade territorial da Ge\u00f3rgia, Vitaly Churkin respondeu que j\u00e1 havia dado uma resposta a essa quest\u00e3o. E acrescentou, sarcasticamente, que Khalilzad \u201cn\u00e3o talvez tenha colocado os fones quando\u201d o fez. E quando representantes de Washington dispararam contra Moscou por suas viola\u00e7\u00f5es ao direito internacional e \u00e0 Carta da ONU ao invadir a Ge\u00f3rgia, Churkin perguntou: \u201cJ\u00e1 encontraram armas de destrui\u00e7\u00e3o em massa no Iraque ou ainda est\u00e3o procurando?\u201d.<\/p>\n<p>\u201cA ONU se encaminha para uma nova Guerra Fria\u201d, afirmou Phyllis Bennis, diretora do Projeto Novo Internacionalismo do Instituto para Estudos de Pol\u00edticas, com sede em Washington, e autora de v\u00e1rias pesquisas sobre as Na\u00e7\u00f5es Unidas. Na medida em que os poderes econ\u00f4mico, pol\u00edtico e diplom\u00e1tico dos Estados Unidos se v\u00ea corro\u00eddo em todo o mundo, a for\u00e7a militar se converte em um fator cada vez mais dominante como ferramenta para manter a hegemonia, explicou.<\/p>\n<p>\u201cA amea\u00e7a do uso unilateral do poder militar por parte da Casa Branca continua aumentando, n\u00e3o apenas no Afeganist\u00e3o e Iraque, mas com mais bases norte-americanas em todo o mundo, bem como com poss\u00edveis novas interven\u00e7\u00f5es na Ge\u00f3rgia, Ir\u00e3, Paquist\u00e3o e, talvez, em outros pa\u00edses\u201d, disse Bennis \u00e0 IPS. Em parte como conseq\u00fc\u00eancia do crescente militarismo, e em parte pelo h\u00e1bito, os governos do mundo continuam tratando os Estados Unidos como se fosse a superpot\u00eancia que n\u00e3o se pode desafiar, acrescentou. \u201cNa ONU, isto significa permitir que Washington continue levantando sua voz\u201d, ressaltou Bennis.<\/p>\n<p>\u201cUm retorno \u00e0 Guerra Fria? N\u00e3o estou certo se podemos caracterizar a situa\u00e7\u00e3o dessa forma\u201d, disse \u00e0 IPS um diplomata asi\u00e1tico que acompanha de perto a atividade do Conselho de Seguran\u00e7a e pediu para n\u00e3o ter seu nome divulgado. Esse \u00f3rg\u00e3o, o mais poderoso das Na\u00e7\u00f5es Unidas, com capacidade para impor san\u00e7\u00f5es e declarar a guerra, n\u00e3o vem funcionando adequadamente nos \u00faltimos anos, acrescentou. \u201cA meu ver, a \u00faltima vez que operou de forma eficiente foi na etapa pr\u00e9via e durante a Guerra do Golfo de 1991\u201d, quando o governo do presidente George Bush (1989-1993) \u201ctrabalhou duramente para montar uma coaliz\u00e3o internacional contra o Iraque\u201d, por sua invas\u00e3o do Kuwait, disse o diplomata.<\/p>\n<p>Talvez porque os Estados Unidos acabavam de triunfar na Guerra Fria e consideravam que poderiam ser \u201cmagn\u00e2nimos\u201d, sem agir unilateralmente, ou, provavelmente, viram a oportunidade de demonstrar sua lideran\u00e7a e preservar um sistema internacional que o tinha no \u00e1pice, acrescentou o diplomata. Mas, especialmente nos \u00faltimos oito anos. \u201cOs Estados Unidos se tornaram extremamente ideologizados e unilaterais em seu enfoque. Sempre negro, sem tons cinzas\u201d, ressaltou. A seu ver, isto foi evidente nos meses anteriores \u00e0 invas\u00e3o do Iraque em 2003. \u201cEssa atitude contaminou o planejamento e a estrat\u00e9gia, pensaram que seriam recebidos em Bagd\u00e1 como libertadores\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>Mouin Rabbani, editor-associado da publica\u00e7\u00e3o Middle East Report, editado em Washington, disse \u00e0 IPS que desde 1990 a ONU, e especialmente o Conselho de Seguran\u00e7a, esteve sob o dom\u00ednio, ou a \u201cpropriedade\u201d dos Estados Unidos, convertendo-se em um instrumento para ignorar o direito internacional. Para o diplomata asi\u00e1tico, esse zelo ideol\u00f3gico dos Estados Unidos e de seus aliados se manifesta na \u201cperturbadora\u201d tend\u00eancia de ampliar a defini\u00e7\u00e3o do que constitui uma \u201camea\u00e7a \u00e0 paz e \u00e0 seguran\u00e7a internacionais\u2019. Argumentou que a Carta da ONU deixa certa margem para a interpreta\u00e7\u00e3o, e que essa defini\u00e7\u00e3o de \u201camea\u00e7a\u201d esteve geralmente confinada \u00e0 viol\u00eancia ou \u00e0 guerra.<\/p>\n<p>\u201cCada vez com maior freq\u00fc\u00eancia, vemos tentativas do Ocidente de incluir todo tipo de transgress\u00f5es com poss\u00edveis motivos que justifiquem a interven\u00e7\u00e3o do Conselho de Seguran\u00e7a\u201d, disse Rabbani, e deu com exemplo os casos de repress\u00e3o interna, assassinatos e viola\u00e7\u00e3o de direitos humanos cometidos pelos regimes da Birm\u00e2nia e do Zimb\u00e1bue. O desafio continua sendo se o Conselho de Seguran\u00e7a \u00e9 capaz de reformar-se para se converter em uma organiza\u00e7\u00e3o internacional eficiente.\u201d (IPS\/ Envolverde)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Na\u00e7\u00f5es Unidas, 09\/09\/2008 &ndash; O ponto morto em que ficou o Conselho de Seguran\u00e7a ao analisar v\u00e1rias crises internacionais leva os analistas a se perguntarem se n\u00e3o voltou a soprar o vento da Guerra Fria, que muitos guardaram no ba\u00fa da hist\u00f3ria ap\u00f3s a dissolu\u00e7\u00e3o da Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica em 1991. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2008\/09\/mundo\/onu-ventos-da-guerra-fria-no-conselho-de-seguranca\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":202,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[4,11],"tags":[14],"class_list":["post-4286","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-mundo","category-politica","tag-america-do-norte"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4286","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/202"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4286"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4286\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4286"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4286"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4286"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}