{"id":436,"date":"2005-03-23T00:00:00","date_gmt":"2005-03-23T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=436"},"modified":"2005-03-23T00:00:00","modified_gmt":"2005-03-23T00:00:00","slug":"gua-nem-segura-nem-barata-mas-privada","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/03\/mundo\/gua-nem-segura-nem-barata-mas-privada\/","title":{"rendered":"&Aacute;gua: Nem segura, nem barata, mas&#8230; privada"},"content":{"rendered":"<p>Penang,  Mal&aacute;sia, 23\/03\/2005 &ndash; Nenhuma empresa privada fornece &aacute;gua mais limpa, segura e barata &agrave;s comunidades que dela mais precisam. Entretanto, institui&ccedil;&otilde;es financeiras multilaterais e grupos industriais continuam impulsionando as privatiza&ccedil;&otilde;es. &quot;Se tivesse de mencionar algum acordo de privatiza&ccedil;&atilde;o da &aacute;gua que tenha dado bons resultados&#8230; n&atilde;o me ocorre nenhum&quot;, disse desde Manila a pesquisadora Mary Ann Manahan, do grupo de desenvolvimento Focus on the Global South, em conversa por telefone com a IPS. Por outro lado, o excelente desempenho de algumas empresas p&uacute;blicas na &Aacute;sia jogou por terra o argumento de que a participa&ccedil;&atilde;o do setor privado &eacute; a &uacute;nica forma de aumentar a efici&ecirc;ncia na gest&atilde;o da &aacute;gua.<br \/> <!--more--> <br \/> Grandes cidades como Osaka, Phnom Penh e Penang, onde a &aacute;gua &eacute; administrada pelo Estado, apresentaram desempenho muito melhor do que Jacarta e Manila, capitais da Indon&eacute;sia e das Filipinas, onde foram feitas maci&ccedil;as privatiza&ccedil;&otilde;es dos servi&ccedil;os em setores-chave. Em Osaka, por exemplo, o n&iacute;vel de &aacute;gua e de dinheiro perdido devido a vazamentos e &agrave; inadimpl&ecirc;ncia &eacute; de apenas 7%, em Penang de 19% e em Phnom Penh de 26%. Em contraste, esse n&iacute;vel chega a 51% em Jacarta e 62% em Manila. A brit&acirc;nica Thames Water Plc e a francesa Suez-Lyonnaise operam, respectivamente, as redes de &aacute;gua e saneamento dessas duas cidades, que experimentaram os maiores programas de privatiza&ccedil;&atilde;o de servi&ccedil;os de &aacute;gua do mundo.<\/p>\n<p> Entretanto, os programas de privatiza&ccedil;&atilde;o ainda s&atilde;o incentivados com vigor por institui&ccedil;&otilde;es financeiras internacionais como o Banco Mundial e o Banco Asi&aacute;tico de Desenvolvimento, junto com grupos de press&atilde;o como a Associa&ccedil;&atilde;o Mundial da &Aacute;gua e o Conselho Mundial da &Aacute;gua. Manahan estimou que o Banco Mundial aumentou seus cr&eacute;ditos para projetos h&iacute;dricos de US$ 546 milh&otilde;es em 2002 para US$ 3 bilh&otilde;es este ano. &quot;Por&eacute;m, n&atilde;o h&aacute; sinais de que isto tenha levado &aacute;gua mais limpa e acess&iacute;vel &agrave;s popula&ccedil;&otilde;es marginalizadas&quot;, afirmou. Al&eacute;m disso, a Uni&atilde;o Europ&eacute;ia apresentou iniciativas na Organiza&ccedil;&atilde;o Mundial do Com&eacute;rcio para abrir os servi&ccedil;os nacionais de &aacute;gua pot&aacute;vel e saneamento &agrave;s grandes empresas estrangeiras.<\/p>\n<p> De fato, desde meados dos anos 90, os pa&iacute;ses em desenvolvimento s&atilde;o pressionados a privatizarem seus servi&ccedil;os mediante &quot;associa&ccedil;&otilde;es p&uacute;blico-privadas&quot;. Mas, muitos destes programas resultam desastrosos: as tarifas aumentaram, os objetivos de obras e abastecimento n&atilde;o foram cumpridos e as perdas financeiras se acumularam. Em vista destes resultados, muitas multinacionais ocidentais que alguma vez desejaram projetos de privatiza&ccedil;&atilde;o tentam sair rapidamente de seus neg&oacute;cios em pa&iacute;ses asi&aacute;ticos em desenvolvimento. Agora, preferem se restringir a projetos e mercados mais &quot;seguros&quot;, por exemplo, no Jap&atilde;o e na Cor&eacute;ia do Sul. Os cr&iacute;ticos das privatiza&ccedil;&otilde;es da &aacute;gua dizem que as companhias privadas tendem a concentrar seus servi&ccedil;os nos consumidores urbanos, enquanto que as pessoas que mais precisam de &aacute;gua residem em &aacute;reas rurais.<\/p>\n<p> Pior ainda, muitas empresas desviam recursos h&iacute;dricos do campo para as cidades, afirmou o economista Charles Santiago, coordenador do grupo Monitoring Sustainability of Globalization, de Kuala Lumpur. &quot;Fazem isso de duas formas: canalizando &aacute;gua de zonas rurais e urbanas e extraindo &aacute;gua mineral de &aacute;reas rurais para produzir &aacute;gua engarrafada, consumida principalmente nas cidades&quot;, disse &agrave; IPS. Al&eacute;m disso, a experi&ecirc;ncia em cidades da &Aacute;sia e de outras regi&otilde;es indica que quando as empresas multinacionais entram em cena as tarifas invariavelmente s&atilde;o reajustadas. Em Manila, por exemplo, o governo promoveu a privatiza&ccedil;&atilde;o como a solu&ccedil;&atilde;o para a cr&iacute;tica situa&ccedil;&atilde;o h&iacute;drica da capital e prometeu que durante cinco anos n&atilde;o haveria aumentos, recordou Manahan.<\/p>\n<p> Mas, entre 1Mas, entre 1997 e 2003, Mayniland Water Services, concession&aacute;ria da zona oeste de Manila, aumentou suas tarifas em 400%, enquanto a Manila Water Company, concession&aacute;ria da zona leste, reajustou as suas em 700% no mesmo per&iacute;odo. A &quot;solu&ccedil;&atilde;o&quot; do governo filipino diante do fracasso dos acordos de privatiza&ccedil;&atilde;o foi a &quot;reabilita&ccedil;&atilde;o&quot;. Mas, Manahan prefere chamar as coisas por seus nomes. &quot;Foi um resgate financeiro&quot;, afirmou. Grupos da sociedade civil se rebelaram contra esta situa&ccedil;&atilde;o e iniciaram uma a&ccedil;&atilde;o judicial para frear a &quot;reabilita&ccedil;&atilde;o&quot; em curso, com o argumento de que contraria o interesse p&uacute;blico e representa uma carga para consumidores e contribuintes.<\/p>\n<p> Na Tail&acirc;ndia e na Mal&aacute;sia, coaliz&otilde;es da sociedade civil lan&ccedil;aram campanhas contra os planos governamentais de privatiza&ccedil;&atilde;o. Manahan tem sua pr&oacute;pria solu&ccedil;&atilde;o para o dilema que muitos governos asi&aacute;ticos enfrentam, inspirada no exemplo da capital do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, que recuperou os servi&ccedil;os de &aacute;gua que estavam em m&atilde;os privadas em um processo participativo, melhorando notavelmente a gest&atilde;o desse recurso. &quot;Deve-se democratizar o processo de decis&otilde;es sobre a administra&ccedil;&atilde;o da &aacute;gua na comunidade. A &aacute;gua &eacute; uma necessidade b&aacute;sica e deve permanecer em m&atilde;os p&uacute;blicas&quot;, insistiu Manahan. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Penang,  Mal&aacute;sia, 23\/03\/2005 &ndash; Nenhuma empresa privada fornece &aacute;gua mais limpa, segura e barata &agrave;s comunidades que dela mais precisam. Entretanto, institui&ccedil;&otilde;es financeiras multilaterais e grupos industriais continuam impulsionando as privatiza&ccedil;&otilde;es. &quot;Se tivesse de mencionar algum acordo de privatiza&ccedil;&atilde;o da &aacute;gua que tenha dado bons resultados&#8230; n&atilde;o me ocorre nenhum&quot;, disse desde Manila a pesquisadora Mary Ann Manahan, do grupo de desenvolvimento Focus on the Global South, em conversa por telefone com a IPS. Por outro lado, o excelente desempenho de algumas empresas p&uacute;blicas na &Aacute;sia jogou por terra o argumento de que a participa&ccedil;&atilde;o do setor privado &eacute; a &uacute;nica forma de aumentar a efici&ecirc;ncia na gest&atilde;o da &aacute;gua.<br \/> <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/03\/mundo\/gua-nem-segura-nem-barata-mas-privada\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":533,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[4],"tags":[],"class_list":["post-436","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-mundo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/436","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/533"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=436"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/436\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=436"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=436"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=436"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}