{"id":4376,"date":"2008-10-08T18:16:06","date_gmt":"2008-10-08T18:16:06","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=4376"},"modified":"2008-10-08T18:16:06","modified_gmt":"2008-10-08T18:16:06","slug":"europa-limpeza-ambiental-diante-de-um-possivel-retrocesso","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2008\/10\/ambiente\/europa-limpeza-ambiental-diante-de-um-possivel-retrocesso\/","title":{"rendered":"EUROPA: Limpeza ambiental diante de um poss\u00edvel retrocesso"},"content":{"rendered":"<p>Bruxelas, 08\/10\/2008 &ndash; A Uni\u00e3o Europ\u00e9ia parece ter encontrado um mecanismo para descumprir a promessa de reduzir em 20% suas emiss\u00f5es de gases causadores do efeito at\u00e9 2010. <!--more--> O Parlamento Europeu analisa a partir de hoje a poss\u00edvel transfer\u00eancia desta meta para projetos \u201cverdes\u201d em pa\u00edses pobres. Os presidentes e primeiros-ministros da UE assumiram no ano passado essa meda de redu\u00e7\u00e3o nas emiss\u00f5es de di\u00f3xido de carbono e outros gases respons\u00e1veis pelo aquecimento global, em rela\u00e7\u00e3o aos \u00edndices de 1999, no prazo de 13 anos.<\/p>\n<p>Jos\u00e9 Manuel Barroso, presidente da Comiss\u00e3o Europ\u00e9ia \u2013 bra\u00e7o executivo do bloco \u2013 disse na oportunidade que o continente deveria se transformar em uma economia de reduzidas emiss\u00f5es de carbono. Mas, em lugar de exigir que as redu\u00e7\u00f5es sejam obtidas dentro da UE, uma proposta mais recente permitiria aos pa\u00edses-membros comprar \u201ccr\u00e9ditos externos\u201d para que at\u00e9 8% das redu\u00e7\u00f5es aconte\u00e7am mediante o Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL) em pa\u00edses mais pobres.<\/p>\n<p>Previsto no Protocolo de Kyoto, o MDL permite que governos e empresas das na\u00e7\u00f5es industriais obrigadas a reduzir suas emiss\u00f5es cumpram em parte investindo em projetos limpos em pa\u00edses em desenvolvimento, para obter redu\u00e7\u00f5es certificadas de emiss\u00f5es a custos menores. Alguns ambientalistas acreditam que se o comit\u00ea aceitar esta iniciativa e alguns outros esfor\u00e7os para enfraquecer um \u201cpacote de clima e energia\u201d, a reputa\u00e7\u00e3o da Uni\u00e3o Europ\u00e9ia como auto-proclamada campe\u00e3o do meio ambiente ser\u00e1 afetada.<\/p>\n<p>O n\u00e3o-governamental Fundo Mundial para a Natureza (WWF) disse que a vota\u00e7\u00e3o representar\u00e1 o maior esfor\u00e7o legislativo para enfrentar a mudan\u00e7a clim\u00e1tica que o mundo j\u00e1 viu. Segundo a organiza\u00e7\u00e3o, a UE deve situar-se em um espa\u00e7o que lhe permita cobrar de outros contaminadores que assumam suas responsabilidades nas conversa\u00e7\u00f5es internacionais sobre mudan\u00e7a clim\u00e1tica que acontecer\u00e1 em dezembro na cidade polonesa de Poznan e no pr\u00f3ximo ano em Copenhague.<\/p>\n<p>As discuss\u00f5es mundiais est\u00e3o projetadas para servirem de contexto a um tratado que avence em rela\u00e7\u00e3o ao Protocolo de Kyoto (assinado em 1997 e em vigor desde 2005), que estabelece objetivos de redu\u00e7\u00e3o nas emiss\u00f5es para um per\u00edodo que terminar\u00e1 em 2012. Delia Villagrasa, assessora de pol\u00edticas do WWF, disse que a UE deveria se concentrar em garantir que a \u201cvasta maioria\u201d de suas redu\u00e7\u00f5es ocorra dentro de seu pr\u00f3prio territ\u00f3rio. \u201cA Uni\u00e3o Europ\u00e9ia ter\u00e1 de ser l\u00edder nas negocia\u00e7\u00f5es globais se quisermos um tratado global. Que a UE seja vista enfraquecendo seu pacote clim\u00e1tico realmente prejudica sua credibilidade nas negocia\u00e7\u00f5es internacionais\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>Nas \u00faltimas semanas houve intensas negocia\u00e7\u00f5es ap\u00f3s embates entre europarlamentares especialistas em meio ambiente e ind\u00fastria. Muitos integrantes dos principais partidos do Parlamento Europeu, os centro-direitistas do Grupo Popular e os centro-esquerdistas socialistas, pedem urg\u00eancia para que as medidas acordadas n\u00e3o punam as empresas europ\u00e9ias. O Parlamento \u00e9 pressionado para encerrar suas delibera\u00e7\u00f5es sobre o pacote clim\u00e1tico com rapidez. A Fran\u00e7a, atualmente na presid\u00eancia do bloco, \u00e9 categ\u00f3rica quanto ao trabalho sobre o informe estar completado at\u00e9 o final deste ano.<\/p>\n<p>Entre as quest\u00f5es mais pol\u00eamicas figura quais regras deveriam ser aplicadas ao Sistema de Com\u00e9rcio de Emiss\u00f5es do bloco, que fixa um limite geral sobre a quantidade de di\u00f3xido de carbono que as empresas podem liberar e que depois lhes permite adquirir permiss\u00f5es para suas emiss\u00f5es. Embora os ecologistas insistam que essas autoriza\u00e7\u00f5es deveriam ser vendidas e o dinheiro usado para combater a pobreza e proteger o meio ambiente, algumas companhias que consomem grande quantidade de energia alerta que ficar\u00e3o em desvantagem competitiva caso n\u00e3o recebam gratuitamente essas autoriza\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Fabricantes de produtos qu\u00edmicos, metal, papel, e cimento insinuaram que ter\u00e3o de abandonar a Europa para se instalar em pa\u00edses com padr\u00f5es ambientais mais baixos se o Sistema de Com\u00e9rcio Exterior lhes for muito caro. Mas, um novo estudo feito pelo centro de pesquisas Climate Strategies indica que os riscos de recoloca\u00e7\u00e3o s\u00e3o exagerados, estipulando ser improv\u00e1vel que as empresas dedicadas ao a\u00e7o embalem seu maquin\u00e1rio e abandonem \u00e1reas onde t\u00eam grandes investimentos de capital. E tamb\u00e9m, que outros fatores al\u00e9m das leis ambientais t\u00eam mais probabilidades de determinar onde uma empresa opera.<\/p>\n<p>Karim Harris da organiza\u00e7\u00e3o Climate Action Network-Europe, disse que alguns lobistas industriais recorrem ao alarmismo. \u201cSe algu\u00e9m se fixar nas raz\u00f5es pelas quais diferentes empresas abandonaram a Europa no passado ver\u00e1 que n\u00e3o foi por causa de medidas ambientais. Habitualmente isto tem a ver com m\u00e3o-de-obra mais barata\u201d, ressaltou. Mas, Robert Jeekel, da Eurometaux, que representa os fabricantes de alum\u00ednio e outros metais, descreveu o argumento de alarmista como \u201crid\u00edculo\u201d.<\/p>\n<p>Jeekel prev\u00ea que o aumento dos custos para a ind\u00fastria levar\u00e1 as empresas do ramo do alum\u00ednio se instalarem na China, que est\u00e1 expandindo seu uso de carv\u00e3o, uma das fontes de energia mais prejudiciais para a ecologia. O efeito ser\u00e1 de perda total, tanto para a ind\u00fastria europ\u00e9ia quanto para o meio ambiente, acrescentou. No entanto, a Fran\u00e7a apresentou uma nova proposta para adiar a implementa\u00e7\u00e3o de novas normas sobre as emiss\u00f5es de di\u00f3xido de carbono procedentes dos autom\u00f3veis.<\/p>\n<p>Enquanto o ve\u00edculo m\u00e9dio na UE emite atualmente 158 gramas de di\u00f3xido de carbono por quil\u00f4metros. A Comiss\u00e3o Europ\u00e9ia quer que isto caia para 130 gramas\/Km at\u00e9 2015. Ap\u00f3s a feroz press\u00e3o exercida pelas montadoras de ve\u00edculos pesados, a Fran\u00e7a recomendou na semana passada que o objetivo fique suspenso at\u00e9 2015 para dar \u00e0 ind\u00fastria mais tempo de se adequar. O Greenpeace reagiu com indigna\u00e7\u00e3o a esse plano.<\/p>\n<p>\u201cO presidente franc\u00eas, Nicolas Sarkozy, n\u00e3o pode ignorar o cont\u00ednuo aumento das emiss\u00f5es do transporte se quer ajudar a Europa a atingir seus objetivos clim\u00e1ticos. Esse acordo ser\u00e1 uma not\u00edcia ruim para os consumidores europeus e para o meio ambiente\u201d, disse a especialista em transporte do Greenpeace, Franziska Achterberg. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Bruxelas, 08\/10\/2008 &ndash; A Uni\u00e3o Europ\u00e9ia parece ter encontrado um mecanismo para descumprir a promessa de reduzir em 20% suas emiss\u00f5es de gases causadores do efeito at\u00e9 2010. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2008\/10\/ambiente\/europa-limpeza-ambiental-diante-de-um-possivel-retrocesso\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":438,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[8,11],"tags":[18,21],"class_list":["post-4376","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-ambiente","category-politica","tag-europa","tag-metas-do-milenio"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4376","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/438"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4376"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4376\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4376"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4376"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4376"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}