{"id":4378,"date":"2008-10-08T18:23:50","date_gmt":"2008-10-08T18:23:50","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=4378"},"modified":"2008-10-08T18:23:50","modified_gmt":"2008-10-08T18:23:50","slug":"mudanca-climatica-america-latina-acoes-para-evitar-crises-financeiras","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2008\/10\/america-latina\/mudanca-climatica-america-latina-acoes-para-evitar-crises-financeiras\/","title":{"rendered":"MUDAN\u00c7A CLIM\u00c1TICA-AM\u00c9RICA LATINA: A\u00e7\u00f5es para evitar crises financeiras"},"content":{"rendered":"<p>Barcelona, 08\/10\/2008 &ndash; Com a crise financeira internacional, ser\u00e3o deixadas de lado as medidas para minimizar a mudan\u00e7a clim\u00e1tica? Pamela Cox, vice-presidente do Banco Mundial para a Am\u00e9rica Latina e o Caribe, acredita que n\u00e3o. <!--more--> \u201cSou otimista\u201d, afirmou. a crise n\u00e3o deixar\u00e1 de lado a a\u00e7\u00e3o contra a mudan\u00e7a clim\u00e1tica. O dinheiro que j\u00e1 est\u00e1 na mesa ser\u00e1 usado para investimento em tecnologias limpas para os pa\u00edses que delas necessitam, acrescentou. Cox apresentou no Congresso Mundial da Natureza, que acontece em Barcelona, o mais recente informe do Banco Mundial sobre mudan\u00e7a clim\u00e1tica na Am\u00e9rica Latina.<\/p>\n<p>Os principais pa\u00edses industrializados comprometeram mais de US$ 6 bilh\u00f5es h\u00e1 cinco semanas para os Fundos de Investimento Clim\u00e1tico (CIF) que o conselho de diretores executivos do Banco Mundial aprovou em julho. Os CIF s\u00e3o instrumentos internacionais de investimento criados para proporcionar tecnologias limpas ao mundo em desenvolvimento e por \u00e0 prova enfoques inovadores diante da mudan\u00e7a clim\u00e1tica. Outra raz\u00e3o para seu otimismo, disse Cox, \u00e9 o pedido do presidente do Banco, Robert B. Zoellick, para que seja implementado um mecanismo exaustivo do sistema multilateral.<\/p>\n<p>Zoellick afirmou na segunda-feira (6) que \u00e9 necess\u00e1rio reconsiderar os mecanismos para que o mundo solucione seus problemas econ\u00f4micos, em meio \u00e0 atual crise. Em um discurso no Instituto Peterson para a Economia Internacional, em Washington, afirmou: \u201cO Grupo dos Sete [pa\u00edses mais industrializados] n\u00e3o est\u00e1 funcionando. Precisamos de um grupo melhor para uma \u00e9poca diferente. Para a coopera\u00e7\u00e3o financeira e econ\u00f4mica dever\u00edamos considerar um novo grupo diretor que tamb\u00e9m inclua Brasil, China, \u00cdndia, M\u00e9xico, R\u00fassia, Ar\u00e1bia Saudita e \u00c1frica do Sul\u201d. O G-7 \u00e9 integrado atualmente por Alemanha, Canad\u00e1, Estados Unidos, Fran\u00e7a, Gr\u00e3-Bretanha, It\u00e1lia e Jap\u00e3o.<\/p>\n<p>Ao apresentar uma antecipa\u00e7\u00e3o do informe do Banco na Confer\u00eancia de Barcelona, organizada pela Uni\u00e3o Internacional para a Conserva\u00e7\u00e3o da Natureza (UICN), Cox disse que a Am\u00e9rica Latina n\u00e3o \u00e9 respons\u00e1vel pela crise financeira nem figura entre os principais respons\u00e1veis pela mudan\u00e7a clim\u00e1tica. Mas, acrescentou: os efeitos desses dois fen\u00f4menos s\u00e3o sentidos em pa\u00edses de toda a regi\u00e3o. \u201cPara essas na\u00e7\u00f5es, trabalhar junto com o Banco Mundial se tornou parte da solu\u00e7\u00e3o para combater a mudan\u00e7a clim\u00e1tica e ao mesmo tempo fomentar o crescimento econ\u00f4mico\u201d, disse Cox \u00e0 IPS\/TerraViva.<\/p>\n<p>Cox acrescentou que compartilha da frustra\u00e7\u00e3o de muitos governos latino-americanos pelo caos financeiro, mas enfatizou que a regi\u00e3o est\u00e1 melhor preparada para enfrent\u00e1-lo gra\u00e7as \u00e0s suas rela\u00e7\u00f5es comerciais diversificadas, sua fortalecida situa\u00e7\u00e3o fiscal e seu crescimento econ\u00f4mico, est\u00e1vel nos \u00faltimos anos. \u201cA regi\u00e3o produz apenas 6% das emiss\u00f5es globais de gases, e apenas acima de 10% se incluirmos o desmatamento. Mas, j\u00e1 est\u00e1 sofrendo enormes perdas econ\u00f4micas por causa da mudan\u00e7a clim\u00e1tica\u201d, ressaltou.<\/p>\n<p>Cox lembrou que a regi\u00e3o inclui cinco dos 10 pa\u00edses mais biodiversos do mundo (Brasil, Col\u00f4mbia, Equador, M\u00e9xico e Peru) e a \u00e1rea mais biodiversa por si s\u00f3, a ladeira oriental da cordilheira dos Antes. Mais de 50% das florestas tropicais do mundo est\u00e3o na Am\u00e9rica Latina, junto com 65% da biomassa de florestas tropicais. \u201cConservar estas matas \u00e9 cr\u00edtico n\u00e3o apenas para proteger a biodiversidade, mas tamb\u00e9m para capturar carbono e minimizar a mudan\u00e7a clim\u00e1tica\u201d, disse a vice-presidente do Banco Mundial para a Am\u00e9rica Latina e o Caribe.<\/p>\n<p>O informe do Banco Mundial retrata alguns cen\u00e1rios sombrios como resultado dos efeitos da mudan\u00e7a clim\u00e1tica global na Am\u00e9rica Latina e no Caribe:<\/p>\n<p>&#8211; Redu\u00e7\u00e3o de geleiras: muitas geleiras andinas est\u00e3o diminuindo, e algumas podem desaparecer completamente nos pr\u00f3ximos 10 a 20 anos se n\u00e3o for adotada uma a\u00e7\u00e3o adequada. Na Bol\u00edvia, no Equador e Peru, este fen\u00f4meno pode afetar seriamente os fluxos estacionais de \u00e1gua.<\/p>\n<p>&#8211; Morte de selvas tropicais: a floresta amaz\u00f4nica pode perder de 20% a 80% devido aos aumentos de dois a tr\u00eas graus na temperatura da bacia. Isto pode desatar a desertifica\u00e7\u00e3o em vastas \u00e1reas da Am\u00e9rica do Sul e, inclusive, afetar a Am\u00e9rica do Norte.<\/p>\n<p>&#8211; Aumento de doen\u00e7as: os casos de mal\u00e1ria na Col\u00f4mbia duplicar\u00e3o de aproximadamente 400 para cada cem mil habitantes nos anos 70 para 800\/100.000 na d\u00e9cada de 90. Um aumento da popula\u00e7\u00e3o em risco de contrair a dengue tamb\u00e9m \u00e9 temido no Brasil, M\u00e9xico, Peru e Equador. H\u00e1, ainda, o risco de doen\u00e7as infecciosas se propagarem na Bol\u00edvia e no Panam\u00e1.<\/p>\n<p>&#8211; Diminui\u00e7\u00e3o dos arrecifes de coral: a descoloriza\u00e7\u00e3o causada pelo aumento das temperaturas marinhas devasta as economias das ilhas caribenhas, pois tem impacto nas reservas pesqueiras e no turismo.<\/p>\n<p>O estudo destaca que j\u00e1 h\u00e1 registro na regi\u00e3o de redu\u00e7\u00e3o das chuvas e aumento nas temperaturas por causa da mudan\u00e7a clim\u00e1tica, e que s\u00e3o necess\u00e1rias medidas urgentes para reduzir os impactos negativos sobre a economia, particularmente no setor agr\u00edcola. O informe aplaude os pa\u00edses da regi\u00e3o por n\u00e3o cruzarem os bra\u00e7os e combaterem o aquecimento global por meio de um desenvolvimento econ\u00f4mico \u201cverde\u201d e de estrat\u00e9gias de mitiga\u00e7\u00e3o e adapta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cA Am\u00e9rica Latina combina energias limpas mais do que outras regi\u00f5es do mundo, com abundante produ\u00e7\u00e3o hidrel\u00e9trica e uma depend\u00eancia relativamente baixa do carbono. A regi\u00e3o \u00e9 l\u00edder mundial em transporte sustent\u00e1vel\u201d, diz o estudo. O etanol brasileiro feito a partir da cana-de-a\u00e7\u00facar \u00e9 o biocombustivel mais competitivo do mundo, afirmou Cox. Isto por reduzir em 90% as emiss\u00f5es de gases causadores do efeito estufa ao substituir a gasolina. E, ainda, tem um impacto limitado nos pre\u00e7os dos alimentos. Am\u00e9rica Latina e Caribe tamb\u00e9m t\u00eam v\u00e1rios programas de efici\u00eancia energ\u00e9tica que podem ser ampliados, disse Cox, mencionando, em particular, programas com resultados positivos no Brasil e M\u00e9xico. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n<p> (Envolverde\/IPS\/TerraViva)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Barcelona, 08\/10\/2008 &ndash; Com a crise financeira internacional, ser\u00e3o deixadas de lado as medidas para minimizar a mudan\u00e7a clim\u00e1tica? 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