{"id":440,"date":"2005-03-24T00:00:00","date_gmt":"2005-03-24T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=440"},"modified":"2005-03-24T00:00:00","modified_gmt":"2005-03-24T00:00:00","slug":"ambiente-madeiras-proibidas-entram-na-europa-via-portugal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/03\/mundo\/ambiente-madeiras-proibidas-entram-na-europa-via-portugal\/","title":{"rendered":"Ambiente: Madeiras proibidas entram na Europa via Portugal"},"content":{"rendered":"<p>Lisboa, 24\/03\/2005 &ndash; O com&eacute;rcio ilegal de madeiras amaz&ocirc;nicas destinado aos ricos mercados da Uni&atilde;o Europ&eacute;ia acaba de sofrer um duro golpe no porto portugu&ecirc;s de Leix&otilde;es. A fatura do carregamento de madeiras da Amaz&ocirc;nia brasileira detectadas na ter&ccedil;a-feira no navio cipriota Skyman representa a quantia de US$ 253.760, relativamente modesta. Mas a organiza&ccedil;&atilde;o ambientalista Greenpeace e sua associada portuguesa Quercus &#8211; Associa&ccedil;&atilde;o Nacional de Conserva&ccedil;&atilde;o da Natureza &#8211; n&atilde;o perderam a oportunidade de explorar o incidente como um esc&acirc;ndalo do vasto neg&oacute;cio ilegal de madeiras ex&oacute;ticas para a UE atrav&eacute;s de Portugal. As duas organiza&ccedil;&otilde;es obrigaram o navio a descarregar em um molhe alternativo, mediante uma a&ccedil;&atilde;o espetacular de seis ativistas que se amarraram em uma ponte m&oacute;vel da entrada do porto.<br \/> <!--more--> <br \/> Os seis protagonistas do protesto, dois holand&ecirc;s, dois belgas, um brasileiro e um portugu&ecirc;s, foram detidos pela pol&iacute;cia mar&iacute;tima, sendo libertados menos de duas horas depois por determina&ccedil;&atilde;o de um juiz. As autoridades portuguesas mant&ecirc;m sil&ecirc;ncio sobre o incidente, que j&aacute; teve repercuss&atilde;o em meios de comunica&ccedil;&atilde;o da UE. Domingos Patacho, dirigente da Quercus, revelou &agrave; IPS que o presidente de sua organiza&ccedil;&atilde;o, H&eacute;lder Sp&iacute;nola, se reunir&aacute; esta semana com membros do Poder Executivo para sensibiliz&aacute;-los sobre a &quot;urgente necessidade de Portugal apoiar o processo do FLEGT, um conv&ecirc;nio europeu para evitar a compra de madeira ilegal.<\/p>\n<p> Apesar de em Portugal somente viverem 10,2 milh&otilde;es dos 480 milh&otilde;es de habitantes da UE, este pa&iacute;s &eacute; o quinto importador mundial de madeiras ex&oacute;ticas (cujo corte est&aacute; proibido ou limitado) e comprador de 15% do total deste produto dentro da Uni&atilde;o Europ&eacute;ia. Segundo Greenpeace e Quercus, Portugal n&atilde;o s&oacute; &eacute; um importante comprador destas madeiras brasileiras, mas tamb&eacute;m das procedentes de outras florestas ancestrais. Por&eacute;m &eacute; duvidoso o poder de compra de Portugal, um pa&iacute;s de modesta economia beneficiado por leis suaves sobre o controle do com&eacute;rcio ilegal de madeiras, &quot;o que poderia representar uma porta de entrada para pa&iacute;ses da UE maiores e ricos&quot;, disse Patacho &agrave; IPS.<\/p>\n<p> Estas d&uacute;vidas t&ecirc;m por base o fato de os maiores importadores europeus de madeira, como Alemanha, Gr&atilde;-Bretanha, Fran&ccedil;a e B&eacute;lgica, n&atilde;o conseguirem atender a demanda de seus mercados porque seus governos aplicam medidas r&iacute;gidas para combater as importa&ccedil;&otilde;es ilegais. Berlim, Londres, Paris e Bruxelas apoiaram a implementa&ccedil;&atilde;o do FLEGT (sigla em ingl&ecirc;s de Plano de A&ccedil;&atilde;o Relativo &agrave; Aplica&ccedil;&atilde;o de Legisla&ccedil;&atilde;o, Gerenciamento e Com&eacute;rcio no Setor Florestal). &quot;Portugal, por sua vez, n&atilde;o demonstra empenho em apoiar o FLEGT&quot;, criticou Patacho. Por isto, Greenpeace e Quercus desafiaram Lisboa a apoiar &quot;publicamente o plano europeu de combate a este com&eacute;rcio, bem como a legislar a proibi&ccedil;&atilde;o da importa&ccedil;&atilde;o de madeiras de origem ilegal&quot;, acrescentou.<\/p>\n<p> O navio Skyman transportava uma carga vendida por quatro empresas j&aacute; condenadas no Brasil por com&eacute;rcio ilegal de madeira. Uma delas, a Milton Schnorr, foi multada em 2001, 2002 e 2004 por corte ilegal de &aacute;rvores, enquanto Moair Cisco, propriet&aacute;rio da fazenda Rancho da Cabocla, foi detido em dezembro devido &agrave; participa&ccedil;&atilde;o de sua empresa no corte n&atilde;o autorizado em terras p&uacute;blicas. A Amaz&ocirc;nia brasileira &eacute; v&iacute;tima de uma das maiores a&ccedil;&otilde;es de destrui&ccedil;&atilde;o florestal do planeta. Em 2003, foram desmatados 24 mil quil&ocirc;metros quadrados de territ&oacute;rio amaz&ocirc;nico brasileiro. Um ter&ccedil;o do total da &aacute;rea destru&iacute;da durante quatro d&eacute;cadas correspondente ao Estado do Par&aacute;.<\/p>\n<p> As raz&otilde;es s&atilde;o tanto o corte ilegal quanto o desmatamento provocado pelo avan&ccedil;o da fronteira agropecu&aacute;ria. O ambientalista Marcelo Marquesini, do Greenpeace, disse na ter&ccedil;a-feira em Leix&otilde;es que &quot;o com&eacute;rcio de madeira amaz&ocirc;nica proveniente do corte ilegal e destrutivo est&aacute; relacionado com a corrup&ccedil;&atilde;o, o roubo de terras p&uacute;blicas, a viol&ecirc;ncia contra as comunidades locais e, em alguns casos, com homic&iacute;dios&quot;. De acordo com o ativista respons&aacute;vel pela campanha Amazonas da organiza&ccedil;&atilde;o, deixando de tomar medidas para controlar este problema, &quot;Portugal pode ser considerado c&uacute;mplice destes crimes&quot;.<\/p>\n<p> O presidente do Quercus, Sp&iacute;nola, afirmou que &quot;&eacute; tempo de Portugal assumir sua responsabilidade e n&atilde;o fechar os olhos &agrave;s atividades ilegais que ocorrem nos pa&iacute;ses produtores. Desafiamos publicamente o novo governo (do socialista Jos&eacute; S&oacute;crates, que assumiu na semana passada) a demonstrar suas preocupa&ccedil;&otilde;es ambientais apoiando o combate ao com&eacute;rcio de madeira ilegal&quot;, acrescentou Sp&iacute;nola. No final de 2004, Greenpeace e Quercus exortaram os importadores portugueses de madeira a apoiarem o processo FLEGT. Mas somente duas empresas, Sardinha e Leite e Sonae Ind&uacute;stria, responderam positivamente.<\/p>\n<p> As duas organiza&ccedil;&otilde;es exortaram os importadores a negociarem somente com exportadores de madeira certificada pelo Forest Stewardship Council (FSC), que estabelece e certifica procedimentos de explora&ccedil;&atilde;o sustent&aacute;vel de florestas, e n&atilde;o com companhias com longos prontu&aacute;rios de corte ilegal. Quercus recorda que a madeira certificada pelo FSC oferece uma garantia independente de que a origem da madeira &eacute; uma floresta administrada sobre exigentes normas sociais e ambientais. O Greenpeace ressaltou o sucesso da a&ccedil;&atilde;o de ter&ccedil;a-feira, pois conseguiu denunciar o papel de Portugal como &quot;port&atilde;o de entrada europeu para as madeiras ilegais das florestas ancestrais de todo o mundo&quot;. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Lisboa, 24\/03\/2005 &ndash; O com&eacute;rcio ilegal de madeiras amaz&ocirc;nicas destinado aos ricos mercados da Uni&atilde;o Europ&eacute;ia acaba de sofrer um duro golpe no porto portugu&ecirc;s de Leix&otilde;es. A fatura do carregamento de madeiras da Amaz&ocirc;nia brasileira detectadas na ter&ccedil;a-feira no navio cipriota Skyman representa a quantia de US$ 253.760, relativamente modesta. Mas a organiza&ccedil;&atilde;o ambientalista Greenpeace e sua associada portuguesa Quercus &#8211; Associa&ccedil;&atilde;o Nacional de Conserva&ccedil;&atilde;o da Natureza &#8211; n&atilde;o perderam a oportunidade de explorar o incidente como um esc&acirc;ndalo do vasto neg&oacute;cio ilegal de madeiras ex&oacute;ticas para a UE atrav&eacute;s de Portugal. 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