{"id":441,"date":"2005-03-24T00:00:00","date_gmt":"2005-03-24T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=441"},"modified":"2005-03-24T00:00:00","modified_gmt":"2005-03-24T00:00:00","slug":"argentina-gua-com-urnio-legalmente-boa-para-se-beber","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/03\/mundo\/argentina-gua-com-urnio-legalmente-boa-para-se-beber\/","title":{"rendered":"Argentina: &Aacute;gua com ur&acirc;nio &eacute; legalmente boa para se beber"},"content":{"rendered":"<p>Buenos Aires, 24\/03\/2005 &ndash; Uma per&iacute;cia cient&iacute;fica encomendada pela Justi&ccedil;a argentina concluiu que a &aacute;gua consumida por quase um milh&atilde;o de habitantes pr&oacute;ximos de uma usina nuclear est&aacute; contaminada com ur&acirc;nio e n&atilde;o &eacute; &aacute;rea apta ao consumo humano. Mas tudo indica que os afetados ser&atilde;o derrotados em um processo judicial que j&aacute; dura cinco anos. Nesta quarta-feira, ecologistas do Greenpeace Argentina disfar&ccedil;ados de gar&ccedil;ons tentaram servir &aacute;gua mineral &quot;contaminada com ur&acirc;nio&quot; ao ministro Julio de Vido, em frente &agrave; sede de seu minist&eacute;rio de Planejamento Federal, Obras e Servi&ccedil;os P&uacute;blicos, que cuida das atividades nucleares no pa&iacute;s.<br \/> <!--more--> <br \/> A hist&oacute;ria remonta a 1958, quando o Centro At&ocirc;mico Ezeiza (CAE), localizado a 40 quil&ocirc;metros da capital da Argentina e vizinha ao aeroporto internacional de mesmo nome, come&ccedil;ou a enterrar res&iacute;duos radioativos, apesar de advert&ecirc;ncias de moradores que temiam a contamina&ccedil;&atilde;o do aq&uuml;&iacute;fero Puelches, onde se abastecem de &aacute;gua pot&aacute;vel. A Argentina tem duas centrais nucleares em pleno funcionamento, Atucha I e Embalse, sob coordena&ccedil;&atilde;o da Comiss&atilde;o Nacional de Energia At&ocirc;mica e entidades para o desenvolvimento de tecnologia nuclear aplicada &agrave; sa&uacute;de, &aacute; agricultura ou &agrave; ind&uacute;stria. O CAE &eacute; um desses centros.<\/p>\n<p> Apesar das constantes advert&ecirc;ncias, foi preciso esperar at&eacute; 2000 para que um promotor federal acolhesse o of&iacute;cio da den&uacute;ncia publicada na se&ccedil;&atilde;o de cartas de leitores de um jornal de Buenos Aires e iniciasse um processo penal no juizado federal do juiz Alberto Santamarina. A carta era de Valentin Stiglitz, presidente da Associa&ccedil;&atilde;o Contra a Contamina&ccedil;&atilde;o Ambiental do Distrito de Esteban Echeverr&iacute;a, que alertava uma vez mais para o risco de contamina&ccedil;&atilde;o com ur&acirc;nio da &aacute;gua de Puelches, pela coloca&ccedil;&atilde;o sob a terra de res&iacute;duos radioativos, que continuou quase at&eacute; o final dos anos 90.<\/p>\n<p> Esteban Echeverr&iacute;a, Ezeiza, Montegrande e La Matanza s&atilde;o alguns dos distritos mais povoados da prov&iacute;ncia de Buenos Aires afetados pela contamina&ccedil;&atilde;o. Um dos membros da associa&ccedil;&atilde;o, Cl&aacute;udio Carusso, disse &agrave; IPS que a popula&ccedil;&atilde;o afetada chega a um milh&atilde;o de pessoas. Depois de dois anos lidando com a falta de or&ccedil;amento para pagar um exame das &aacute;guas no exterior, o juiz ordenou uma per&iacute;cia ao ge&oacute;logo Fernando D&iacute;az, da Universidade de Buenos Aires, entregue no final de dezembro de 2004. Uma c&oacute;pia dessa an&aacute;lise de mais de 660 p&aacute;ginas foi deixada de forma an&ocirc;nima na lixeira da associa&ccedil;&atilde;o de Esteban Echeverr&iacute;a, segundo Carusso. Dessa maneira os moradores ficaram sabendo de seu conte&uacute;do.<\/p>\n<p> O estudo determinou &quot;a exist&ecirc;ncia de uma importante contamina&ccedil;&atilde;o proveniente das atividades do Centro At&ocirc;mico Ezeiza, que afetaram as &aacute;guas subterr&acirc;neas da regi&atilde;o em um n&iacute;vel que impede seu uso como bebida humana&quot;. O ge&oacute;logo D&iacute;az afirmou que em 74% dos 46 po&ccedil;os analisados foi encontrada &aacute;gua n&atilde;o-pot&aacute;vel, com concentra&ccedil;&otilde;es de ur&acirc;nio entre 50 e 80 microgramas por litro e em superf&iacute;cies de at&eacute; 2.500 hectares do aq&uuml;&iacute;fero. Tamb&eacute;m foram detectados outros materiais radioativos, rad&ocirc;nio e estr&ocirc;ncio, e volumes de nitratos muito superiores aos permitidos para consumo humano.<\/p>\n<p> A divulga&ccedil;&atilde;o deste estudo causou rea&ccedil;&atilde;o por parte da Autoridade Regulat&oacute;ria Nuclear (ARN), encarregada de controlar as atividades at&ocirc;micas. Uma declara&ccedil;&atilde;o desse organismo garantiu o cumprimento de revis&otilde;es peri&oacute;dicas na zona pr&oacute;xima do centro at&ocirc;mico, cujos resultados &quot;atendem &aacute; norma argentina na mat&eacute;ria&quot;. A ARN afirmou ainda que a propor&ccedil;&atilde;o de ur&acirc;nio na &aacute;gua tamb&eacute;m &quot;atende &agrave;s recomenda&ccedil;&otilde;es da Organiza&ccedil;&atilde;o Mundial da Sa&uacute;de (OMS), sendo a &aacute;gua pot&aacute;vel da regi&atilde;o radiologicamente apta para o consumo humano&quot;. &Eacute; nesse ponto que est&aacute; o n&oacute; da quest&atilde;o, observou Carusso.<\/p>\n<p> A OMS estabelece 15 microgramas de ur&acirc;nio por litro de &aacute;gua como m&aacute;ximo permitido para que o l&iacute;quido possa ser destinado ao consumo humano. Mas a lei de res&iacute;duos perigosos da Argentina coloca esse n&iacute;vel em 100 microgramas por litro. &quot;A ARN se ampara no fato de estar dentro da lei, apesar dos valores da OMS e de muitos outros pa&iacute;ses que como m&aacute;ximo aceitam de 20 a 25 microgramas por litro&quot;, disse Carusso. &quot;Obviamente, o que devemos mudar &eacute; a lei&quot;, acrescentou. Os moradores tamb&eacute;m protestam porque, com os resultados &agrave; vista, o juiz n&atilde;o adotou medidas de precau&ccedil;&atilde;o. &quot;Pelo contr&aacute;rio, parece que fizeram o poss&iacute;vel para que o estudo n&atilde;o fosse conhecido&quot;, afirmou Carusso.<\/p>\n<p> O secret&aacute;rio do juiz Santamarina, Guillermo Gonz&aacute;lez, disse &agrave; IPS que &quot;foram determinadas medidas preventivas&quot;. Mas n&atilde;o explicou quais e remeteu &agrave; uma minuta de uma p&aacute;gina elaborada pelo juizado e destinada &aacute; imprensa, na qual tampouco s&atilde;o detalhadas as medidas, segundo o pr&oacute;prio Gonz&aacute;lez reconheceu. O documento diz que &quot;a per&iacute;cia que d&aacute; conta da presen&ccedil;a de elementos radioativos na &aacute;gua subterr&acirc;nea &eacute; preliminar&quot;, e foram solicitadas &quot;medidas complementares&quot; a um corpo de especialistas de diferentes disciplinas, que deveriam preparar um contra-relat&oacute;rio. Al&eacute;m disso, o juizado derivou o estudo de D&iacute;az ao Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de da Na&ccedil;&atilde;o (do qual depende a Secretaria de Meio Ambiente e Recursos Naturais) e a posta hom&oacute;loga da prov&iacute;ncia de Buenos Aires, &quot;para os fins sanit&aacute;rios que eventualmente pudessem corresponder&quot;.<\/p>\n<p> O secret&aacute;rio de Meio Ambiente, At&iacute;lio Savino, disse estar &quot;tranq&uuml;ilo&quot; porque a ARN &quot; considerou a den&uacute;ncia&quot;. Dezenas de organiza&ccedil;&otilde;es ecologistas ap&oacute;iam a campanha dos moradores de Esteban Echeverr&iacute;a, e no dia 1&ordm; de abril participar&atilde;o de uma jornada de divulga&ccedil;&atilde;o e pedido de medidas para proteger a popula&ccedil;&atilde;o da contamina&ccedil;&atilde;o. Juan Carlos Villalonga, diretor de campanhas do Greenpeace Argentina, disse &agrave; IPS que &quot;a luta entre a sa&uacute;de da popula&ccedil;&atilde;o e a ind&uacute;stria nucelar est&aacute; muito desigual&quot; neste pa&iacute;s, e admitiu temer que o processo judicial termine com uma senten&ccedil;a desfavor&aacute;vel aos moradores.<\/p>\n<p> Villalonga afirmou que, mesmo ignorando as concentra&ccedil;&otilde;es de ur&acirc;nio, se est&aacute; na presen&ccedil;a de uma &aacute;gua de alta toxidade, prejudicial &agrave; sa&uacute;de de todas as formas. Quando a Argentina fixou em 100 miligramas o m&aacute;ximo aceit&aacute;vel de ur&acirc;nio para um litro de &aacute;gua tomou por base a legisla&ccedil;&atilde;o do Canad&aacute;, pa&iacute;s com importantes jazidas naturais desse metal pesado, segundo Villalonga. No entanto o Canad&aacute; logo baixou o limite para 20 microgramas, enquanto a Argentina os manteve em cem. &quot;A lei argentina &eacute; anacr&ocirc;nica e est&aacute; feita de modo a amparar uma ind&uacute;stria suja&quot;, assegurou. Mas sua vig&ecirc;ncia pode determinar a derrota dos que s&atilde;o prejudicados. (IPS\/Envolverde) <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Buenos Aires, 24\/03\/2005 &ndash; Uma per&iacute;cia cient&iacute;fica encomendada pela Justi&ccedil;a argentina concluiu que a &aacute;gua consumida por quase um milh&atilde;o de habitantes pr&oacute;ximos de uma usina nuclear est&aacute; contaminada com ur&acirc;nio e n&atilde;o &eacute; &aacute;rea apta ao consumo humano. Mas tudo indica que os afetados ser&atilde;o derrotados em um processo judicial que j&aacute; dura cinco anos. Nesta quarta-feira, ecologistas do Greenpeace Argentina disfar&ccedil;ados de gar&ccedil;ons tentaram servir &aacute;gua mineral &quot;contaminada com ur&acirc;nio&quot; ao ministro Julio de Vido, em frente &agrave; sede de seu minist&eacute;rio de Planejamento Federal, Obras e Servi&ccedil;os P&uacute;blicos, que cuida das atividades nucleares no pa&iacute;s.<br \/> <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/03\/mundo\/argentina-gua-com-urnio-legalmente-boa-para-se-beber\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":129,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[4],"tags":[],"class_list":["post-441","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-mundo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/441","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/129"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=441"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/441\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=441"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=441"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=441"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}