{"id":443,"date":"2005-03-28T00:00:00","date_gmt":"2005-03-28T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=443"},"modified":"2005-03-28T00:00:00","modified_gmt":"2005-03-28T00:00:00","slug":"trabalho-ultimato-da-oit-ao-regime-da-birmnia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/03\/mundo\/trabalho-ultimato-da-oit-ao-regime-da-birmnia\/","title":{"rendered":"Trabalho: Ultimato da OIT ao regime da Birm&acirc;nia"},"content":{"rendered":"<p>Bangcoc, 28\/03\/2005 &ndash; Um m&ecirc;s depois de receber com a porta no nariz por parte do regime militar birman&ecirc;s, a Organiza&ccedil;&atilde;o Internacional do Trabalho recomendou formalmente a imposi&ccedil;&atilde;o de san&ccedil;&otilde;es a esse pa&iacute;s asi&aacute;tico por praticar o trabalho for&ccedil;ado. A OIT advertiu a Birm&acirc;nia que tem prazo at&eacute; junho para evitar as san&ccedil;&otilde;es. Para isso, dever&aacute; por fim &agrave;s viola&ccedil;&otilde;es de princ&iacute;pios mundialmente reconhecidos do direito trabalhista. &quot;A atitude de esperar e ver que prevaleceu desde 2001 n&atilde;o pode continuar&quot;, disse na &uacute;ltima sexta-feira esta ag&ecirc;ncia da Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas, em comunicado divulgado ap&oacute;s tr&ecirc;s semanas de sess&atilde;o em Genebra de seu principal &oacute;rg&atilde;o, o Conselho de Administra&ccedil;&atilde;o.<br \/> <!--more--> <br \/> O Conselho de Administra&ccedil;&atilde;o da OIT, integrado por delegados governamentais, trabalhadores e empresas, concluiu que a Birm&acirc;nia &#8211; pa&iacute;s que a junta militar no governo desde 1961 denomina de Myanmar &#8211; n&atilde;o cumprir suas promessas na mat&eacute;ria. &quot;A avalia&ccedil;&atilde;o geral da situa&ccedil;&atilde;o n&atilde;o responde &agrave;s nossas expectativas&quot;, diz o comunicado. &quot;Muitos delegados compartilharam&quot; durante as sess&otilde;es uma sensa&ccedil;&atilde;o de &quot;condena&ccedil;&atilde;o pela incapacidade das mais altas autoridades de Myanmar em aproveitar a &uacute;nica oportunidade oferecida pela presen&ccedil;a da miss&atilde;o de muito alto n&iacute;vel para retomar um di&aacute;logo digno de cr&eacute;dito&quot;, acrescenta o documento.<\/p>\n<p> Por unanimidade, o Conselho decidiu exortar &quot;governos, empregadores e trabalhadores, bem como ag&ecirc;ncias internacionais&quot; a reverem suas rela&ccedil;&otilde;es com a Birm&acirc;nia e a ado&ccedil;&atilde;o das &quot;a&ccedil;&otilde;es que considerarem necess&aacute;rias&quot; para punir o regime por suas viola&ccedil;&otilde;es dos direitos humanos nesse pa&iacute;s, que atribuem &aacute; junta militar cerca sensibilidade diante dos gestos da OIT que n&atilde;o possui em rela&ccedil;&atilde;o a outras ag&ecirc;ncias da ONU.<\/p>\n<p> &quot;As interven&ccedil;&otilde;es da ONU na Birm&acirc;nia t&ecirc;m sido muito ineficazes, exceto as da OIT, que conseguiu algumas mudan&ccedil;as atrav&eacute;s da amea&ccedil;a de san&ccedil;&otilde;es&quot;, disse &agrave; IPS Aung Naing Oo, da The Burma Fund, organiza&ccedil;&atilde;o de direitos humanos radicada em Washington. &quot;O governo militar n&atilde;o poder&aacute; ignorar o chamado &agrave;s san&ccedil;&otilde;es feito pela OIT&quot;, acrescentou. A pr&oacute;pria junta abriu caminho para as san&ccedil;&otilde;es econ&ocirc;micas quando o homem forte da Birm&acirc;nia, general Than Shwe, evitou, em fevereiro, reunir-se com uma miss&atilde;o de alto n&iacute;vel da OIT de visita a Rangun.<\/p>\n<p> Em resposta, a delega&ccedil;&atilde;o, encabe&ccedil;ada por Ninian Stephen, ex-governador-geral da Austr&aacute;lia, encurtou a visita por falta de coopera&ccedil;&atilde;o. Mas, antes, a miss&atilde;o estabeleceu um plano de a&ccedil;&atilde;o para uma reforma trabalhista no pa&iacute;s. Os funcion&aacute;rios internacionais exortaram a junta a deter o uso de trabalho for&ccedil;ado por parte do ex&eacute;rcito, a desenvolver uma campanha p&uacute;blica efetiva contra essa pr&aacute;tica e renovar seus compromissos de erradic&aacute;-la. Tamb&eacute;m reclamaram da ditadura garantias de liberdade de movimentos para os integrantes da miss&atilde;o &#8211; pois haviam sofrido restri&ccedil;&otilde;es &#8211; e a anistia para tr&ecirc;s cidad&atilde;os birmaneses condenados por &quot;alta trai&ccedil;&atilde;o&quot; por terem mantido contato com funcion&aacute;rios da OIT.<\/p>\n<p> &quot;Embora o governo de Myanmar tenha declarado vontade pol&iacute;tica para atender o trabalho for&ccedil;ado, o Conselho de Administra&ccedil;&atilde;o da OIT expressou grandes d&uacute;vidas sobre a credibilidade dessa declara&ccedil;&atilde;o, devido &agrave; atitude das autoridades&quot; para com a miss&atilde;o, diz o comunicado divulgado na sexta-feira. O representante de Myanmar junto aos organismos internacionais com sede em Genebra, Hyunt Maung Shein, havia dito na quinta-feira perante o Conselho que as autoridades de seu pa&iacute;s n&atilde;o puderam receber a miss&atilde;o porque estavam &quot;completamente ocupadas com a Conven&ccedil;&atilde;o Nacional&quot; constituinte em curso. &quot;Myanmar cumpriu suas obriga&ccedil;&otilde;es at&eacute; onde p&ocirc;de. Nos &uacute;ltimos anos, lamentamos dizer, a OIT foi cada vez mais usada por algumas na&ccedil;&otilde;es poderosas e influentes como ferramenta pol&iacute;tica para pressionar Myanmar. N&atilde;o podemos aceitar isso, e n&atilde;o aceitaremos&quot;, acrescentou o diplomata. <\/p>\n<p> Shein assegurou que as den&uacute;ncias sobre trabalho for&ccedil;ado se baseiam em &quot;informa&ccedil;&atilde;o falsa, distorcida e exagerada fornecida por dissidentes fora do pa&iacute;s&quot; que s&atilde;o &quot;financiados por elementos opositores para cometerem atos terroristas em Myanmar&quot;. Quase todo o gabinete birman&ecirc;s participou no dia 15 deste m&ecirc;s da uma entrevista coletiva em Rangun para advertir que &quot;grandes na&ccedil;&otilde;es do bloco ocidental usam a OIT para pressionar Myanmar a fim de instalar no pa&iacute;s um governo t&iacute;tere&quot;. A da semana passada foi a primeira gest&atilde;o pol&iacute;tica da OIT para por fim ao trabalho for&ccedil;ado. Tamb&eacute;m em 2000 se decidiu prever san&ccedil;&otilde;es caso a situa&ccedil;&atilde;o n&atilde;o melhorasse, entre as quais se recomendava a retirada de investimentos e proibi&ccedil;&atilde;o de sindicatos, ag&ecirc;ncias da ONU e pa&iacute;ses de comercializarem com a Birm&acirc;nia. <\/p>\n<p> Por&eacute;m, o Conselho para a Paz e o Desenvolvimento do Estado, como se autodenomina a junta militar, respondeu &aacute;s amea&ccedil;as atrav&eacute;s de uma lei que proibia o trabalho for&ccedil;ado e um conv&ecirc;nio com a OIT para a elabora&ccedil;&atilde;o de uma reforma do regime trabalhista. Mas, as viola&ccedil;&otilde;es dos direitos trabalhistas continuaram, e o maior empregador de trabalho for&ccedil;ado continuou sendo o poderoso ex&eacute;rcito, que domina todas as esferas da atividade nacional desde o golpe de Estado de 1962. o ex&eacute;rcito birman&ecirc;s &eacute; hoje o segundo da &Aacute;sia, com pelo menos 400 mil homens, e fica com a metade do or&ccedil;amento nacional. A OIT calculou que mais de 800 mil pessoas s&atilde;o v&iacute;timas de trabalho for&ccedil;ado na Birm&acirc;nia, em tarefas como limpeza de estradas, transporte manual de cargas pesadas, constru&ccedil;&atilde;o de quart&eacute;is e projetos de infra-estrutura.<\/p>\n<p> &quot;Os militares est&atilde;o presos em sua pr&oacute;pria pol&iacute;tica, pois necessitam do trabalho for&ccedil;ado para sobreviver&quot;, explicou Aung Naing Oo. &quot;Seus pr&oacute;prios neg&oacute;cios, que s&atilde;o muitos, ser&atilde;o afetados&quot;, acrescentou. A Confedera&ccedil;&atilde;o Internacional de Organiza&ccedil;&otilde;es Sindicais Livres (CIOSL) informou que a Lei de Empresas P&uacute;blicas de 1989 atribuiu &agrave; junta o controle de 12 &aacute;reas-chave, como reflorestamento, petr&oacute;leo e g&aacute;s, transporte, bancos e seguros. &quot;Than Shwe sabe o que a OIT pode fazer, e ningu&eacute;m mais do que ele tem a autoridade para ordenar ao ex&eacute;rcito que pare&quot;, concluiu Aung Naing Oo. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Bangcoc, 28\/03\/2005 &ndash; Um m&ecirc;s depois de receber com a porta no nariz por parte do regime militar birman&ecirc;s, a Organiza&ccedil;&atilde;o Internacional do Trabalho recomendou formalmente a imposi&ccedil;&atilde;o de san&ccedil;&otilde;es a esse pa&iacute;s asi&aacute;tico por praticar o trabalho for&ccedil;ado. A OIT advertiu a Birm&acirc;nia que tem prazo at&eacute; junho para evitar as san&ccedil;&otilde;es. Para isso, dever&aacute; por fim &agrave;s viola&ccedil;&otilde;es de princ&iacute;pios mundialmente reconhecidos do direito trabalhista. &quot;A atitude de esperar e ver que prevaleceu desde 2001 n&atilde;o pode continuar&quot;, disse na &uacute;ltima sexta-feira esta ag&ecirc;ncia da Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas, em comunicado divulgado ap&oacute;s tr&ecirc;s semanas de sess&atilde;o em Genebra de seu principal &oacute;rg&atilde;o, o Conselho de Administra&ccedil;&atilde;o.<br \/> <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/03\/mundo\/trabalho-ultimato-da-oit-ao-regime-da-birmnia\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":133,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[4],"tags":[],"class_list":["post-443","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-mundo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/443","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/133"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=443"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/443\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=443"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=443"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=443"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}