{"id":4448,"date":"2008-11-03T14:48:08","date_gmt":"2008-11-03T14:48:08","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=4448"},"modified":"2008-11-03T14:48:08","modified_gmt":"2008-11-03T14:48:08","slug":"iraque-eua-em-fim-de-governo-bush-aposta-alto","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2008\/11\/politica\/iraque-eua-em-fim-de-governo-bush-aposta-alto\/","title":{"rendered":"IRAQUE-EUA: Em fim de governo, Bush aposta alto"},"content":{"rendered":"<p>Washington, 03\/11\/2008 &ndash; A amea\u00e7a de retirar a assist\u00eancia econ\u00f4mica e militar que proporciona ao Iraque se esse pa\u00eds n\u00e3o aceitar a imunidade dos militares norte-americanos estacionados em seu territ\u00f3rio foi, para o governo de George W. Bush, uma alt\u00edssima aposta. <!--more--> A maioria dos pol\u00edticos iraquianos se op\u00f5e tanto a legitimar formalmente a presen\u00e7a militar dos Estados Unidos dentro de suas fronteiras \u2013 e em particular em dar extraterritorialidade legal a esses soldados \u2013 que \u00e9 improv\u00e1vel que mesmo essa amea\u00e7a salve o pacto. Para a maioria dos iraquianos o pacto lembrou muito ao desigual acordo que deu faculdades excepcionais \u00e0 Gr\u00e3-Bretanha sobre o Iraque entre 1930 e 1958.<\/p>\n<p>O paralelo hist\u00f3rico redunda em uma sensa\u00e7\u00e3o de dom\u00ednio imperialista. Aos dirigentes pol\u00edticos e legisladores \u00e9 perigoso avalizar um acordo que d\u00ea privil\u00e9gios especiais aos Estados Unidos. O general Ray Odierno, comandante das for\u00e7as dos Estados Unidos no Iraque, alertou as autoridades em Bagd\u00e1 que perderiam US$ 16 bilh\u00f5es em ajuda econ\u00f4mica, militar e de seguran\u00e7a caso o parlamento rejeite o acordo. A not\u00edcia, publicada pela rede norte-americana de jornais e publica\u00e7\u00f5es eletr\u00f4nicas McClatchy, deixa evidente o desespero que tomou conta de Washington diante da resist\u00eancia iraquiana ao acordo.<\/p>\n<p>A amea\u00e7a consta de um documento de tr\u00eas paginas em que s\u00e3o enumerados todos os projetos de assist\u00eancia que os Estados Unidos eliminariam em caso de rejei\u00e7\u00e3o ao pacto, informou desde Bagd\u00e1 a jornalista Leila Fadel, da rede McClatchy. O documento foi entregue na semana passada a altos funcion\u00e1rios iraquianos. O jornal USA Today informou em seguida que a lista inclui \u201cdezenas\u201d de atividades, com treinamento das for\u00e7as de seguran\u00e7a, patrulhas nas fronteiras e rios e o controle do tr\u00e1fico e a defesa a\u00e9rea. Tudo isso dever\u00e1 ser interrompido sem uma base legal para a presen\u00e7a militar dos Estados Unidos. Mas, nem a ajuda econ\u00f4mica nem as vendas de armas requerem algum acordo desse tipo.<\/p>\n<p>A amea\u00e7a de frear essa assist\u00eancia \u00e9 uma tentativa \u00f3bvia para pressionar todo o sistema pol\u00edtico iraquiano para que aceite o acordo. Evidentemente, a aposta de Washington se baseia na suposi\u00e7\u00e3o de que funcion\u00e1rios e parlamentares iraquianos se comover\u00e3o com a repentina perda da ajuda da qual tanto dependem. O vice-presidente do Iraque, Tariq al Hashimi, disse que o governo foi pego de surpresa. Mas diante do atual clima pol\u00edtico, a amea\u00e7a norte-americana parece fortalecer a determina\u00e7\u00e3o do primeiro-ministro, Nouri al-Maliki, de exigir mudan\u00e7as no \u201crascunho final\u201d do acordo, o qual o governo Bush j\u00e1 considerava acertado no come\u00e7o do m\u00eas. Washington se nega a emend\u00e1-lo.<\/p>\n<p>Segundo o jornal The Washington Post, os ministros iraquianos decidiram que o pacto deve dar \u00e0s autoridades nacionais mais autoridade legal sobre os soldados norte-americanos acusados de delitos. O rascunho atual limita a jurisdi\u00e7\u00e3o da policia e da justi\u00e7a iraquianas a crimes cometidos por militares dos Estados Unidos fora de suas bases e que n\u00e3o estejam em servi\u00e7o. Mas a Casa Branca considera que j\u00e1 cedeu mais autoridades aos tribunais iraquianos do que o previsto em qualquer acordo anterior.<\/p>\n<p>The Washington Post informou que o governo iraquiano tamb\u00e9m procurava confirmar para 2011 a retirada total das tropas norte-americanas, bem como proibir explicitamente qualquer ataque contra pa\u00edses vizinhos a partir de bases instaladas em seu territ\u00f3rio. Este ponto diz respeito \u00e0 opera\u00e7\u00e3o-comando dos Estados Unidos na qual foram mortos oito supostos combatentes da rede extremista Al Qaeda em territ\u00f3rio su\u00ed\u00e7o, lan\u00e7ada a partir do Iraque no \u00faltimo fim de semana.<\/p>\n<p>Os que acreditam na inefic\u00e1cia da t\u00e1tica negociadora de Bush prev\u00eaem que o governo do Iraque vai esperar o pr\u00f3ximo per\u00edodo de governo norte-americano, possivelmente liderado pelo senador de oposi\u00e7\u00e3o Barack Obama, que manteria uma postura menos agressiva. O legislador xiita Ali al-Adeeb, pr\u00f3ximo de Maliki, disse na semana passada que o primeiro-ministro n\u00e3o se intimida com as amea\u00e7as norte-americanas porque acredita que poder\u00e1 negociar com um novo governo a partir de 20 de janeiro, quando Bush deixar\u00e1 a Casa Branca. Por\u00e9m, mais importante \u00e9 a percep\u00e7\u00e3o do p\u00fablico iraquiano sobre as semelhan\u00e7as entre o acordo proposto e o desigual v\u00ednculo militar que uniu o pa\u00eds \u00e0 Gr\u00e3-Bretanha durante d\u00e9cadas.<\/p>\n<p>Enquanto preparam a campanha eleitoral do pr\u00f3ximo ano, os dirigentes pol\u00edticos do Iraque temem que a assinatura de um acordo como o proposto pelos Estados Unidos reduza suas chances. Quem aceitar o acordo \u201cser\u00e1 considerado agente dos Estados Unidos\u201d, disse o vice-presidente do partido xiita Conselho Isl\u00e2mico Supremo do Iraque, Jalal al Din al Sagheer. Maliki e outros dirigentes de todos os partidos recordam muito bem o pre\u00e7o que seus antecessores pagaram por n\u00e3o cederem \u00e0 press\u00e3o nacionalista para revisar o tratado anglo-iraquiano de 1930, que deu privil\u00e9gios militares \u00e0 antiga metr\u00f3pole em troca de uma independ\u00eancia limitada.<\/p>\n<p>Quando foi revisado o tratado em 1948, com vistas a prorrog\u00e1-lo por mais 20 anos, os brit\u00e2nicos acordaram evacuar suas bases, mas ser reservaram o direito de regressar diante de uma eventual guerra. O pacto gerou protestos maci\u00e7os em Bagd\u00e1. A pol\u00edcia matou 400 pessoas na repress\u00e3o. O primeiro-ministro Salih Jaber foi obrigado a renunciar. Em 1955, diante da press\u00e3o do presidente norte-americano Dwight Eisenhower, o primeiro-ministro Nuri al-Said concordou em entrar em um acordo de defesa liderado pela Gr\u00e3-Bretanha e tamb\u00e9m integrado por Turquia, Ir\u00e3 e Paquist\u00e3o, que na \u00e9poca enfrentavam a extinta Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica. Tr\u00eas anos depois, militares nacionalistas deram um golpe de Estado contra al-Said, o mataram e puseram fim ao regime mon\u00e1rquico.<\/p>\n<p>* Gareth Porter \u00e9 historiador e especialista em pol\u00edticas de seguran\u00e7a dos Estados Unidos. \u201cPerigo de Dom\u00ednio: desequil\u00edbrio de poder e o caminho para a guerra no Vietn\u00e3\u201d, seu \u00faltimo livro, foi publicado em junho de 2005 e reeditado no ano seguinte.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Washington, 03\/11\/2008 &ndash; A amea\u00e7a de retirar a assist\u00eancia econ\u00f4mica e militar que proporciona ao Iraque se esse pa\u00eds n\u00e3o aceitar a imunidade dos militares norte-americanos estacionados em seu territ\u00f3rio foi, para o governo de George W. 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