{"id":4456,"date":"2008-11-04T12:11:34","date_gmt":"2008-11-04T12:11:34","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=4456"},"modified":"2008-11-04T12:11:34","modified_gmt":"2008-11-04T12:11:34","slug":"biodiversidade-um-mapa-sobre-as-viagens-do-salmao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2008\/11\/mundo\/biodiversidade-um-mapa-sobre-as-viagens-do-salmao\/","title":{"rendered":"BIODIVERSIDADE: Um mapa sobre as viagens do salm\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>Uxbridge, Canad\u00e1,, 04\/11\/2008 &ndash; Diminutos exemplares de salm\u00e3o jovem foram rastreados eletronicamente pela primeira vez desde seus rios natais nas montanhas Rochosas at\u00e9 2.500 quil\u00f4metros mais ao norte, no Alasca. <!--more--> \u201cEstamos acendendo as luzes nos oceanos\u201d, disse entusiasmado Jim Bolger, bi\u00f3logo marinho do Aqu\u00e1rio de Vancouver. \u201c\u00c9 muito emocionante. Com esta nova tecnologia, os cientistas finalmente pode ver como as mudan\u00e7as nos oceanos afetam os peixes e outras esp\u00e9cies\u201d, disse Bolger \u00e0 IPS.<\/p>\n<p>A nova tecnologia consiste em uma serie de receptores ac\u00fasticos eletr\u00f4nicos instalados ao longo do fundo do oceano, estendendo-se por 1.750 quil\u00f4metros deste o Estado norte-americano do Oregon, atrav\u00e9s da prov\u00edncia canadense de Columbia Brit\u00e2nica, em dire\u00e7\u00e3o ao norte, at\u00e9 o Alasca. Os peixes e outras esp\u00e9cies t\u00eam transmissores implantados, e os receptores captam seus sinais individuais durante o trajeto. Os transmissores s\u00e3o do tamanho de uma am\u00eandoa, e podem ser implantados cirurgicamente em salm\u00f5es jovens medindo menos de 14 cent\u00edmetros de comprimento. Na medida em que se aproximam, os receptores registram o n\u00famero de serie que identifica os transmissores \u2013 que \u00e9 \u00fanico \u2013 bem como data e hora.<\/p>\n<p>Os padr\u00f5es de movimento dos animais individualmente, incluindo dire\u00e7\u00e3o e velocidade, podem ser reconstru\u00eddos usando a hora de registro em diferentes receptores e outras cortinas de escuta eletr\u00f4nica. \u201cV\u00e1rios mist\u00e9rios da migra\u00e7\u00e3o e sobreviv\u00eancia de peixes podem come\u00e7ar a ser revelados em breve\u201d, disse Bolger, diretor-executivo do Projeto de Rastreamento na Plataforma do Oceano Pacifico (Post), que \u00e9 parte do internacional Censo da Vida Marinha. Um desses mist\u00e9rios \u00e9 para onde vai o salm\u00e3o ap\u00f3s abandonar os rios onde nasce.<\/p>\n<p>Para tentar responder essa pergunta, em 2006 os pesquisadores implantaram transmissores em mil exemplares jovens de salm\u00e3o Chinook (Oncorhynchus gorbuscha) e acompanharam suas viagens pelos rios Columbia e Fraser usando os receptores do Post. Entre os muitos estudados, dois sobreviveram a um trajeto de 2.500 quil\u00f4metros que demorou mais de tr\u00eas meses, desde a parte superior do rio Snake (tribut\u00e1rio do rio Columbia) no Estado norte-americano de Idaho, em dire\u00e7\u00e3o ao mar e depois com rumo norte, ao longo da plataforma continental, at\u00e9 o Alasca. \u00c9 o que estabelece um estudo publicado na semana passada na revista Public Library of Science Biology.<\/p>\n<p>Segundo Bolger, o mais surpreendente de tudo foi que os salm\u00f5es procedentes do rio Fraser, cujas \u00e1guas fluem livremente, sem represas, no Canad\u00e1, sofreram os mesmos elevados n\u00edveis de mortalidade que aqueles que seguiram atrav\u00e9s das oito represas do sistema do rio Columbia. De fato, no Columbia sobreviveram mais, considerando distancia e tempo do trajeto. E a sobreviv\u00eancia foi maior durante a migra\u00e7\u00e3o dentro do sistema hidrel\u00e9trico do que no setor das represas. \u201cIsto sugere a pergunta sobre fatores desconhecidos no sistema Fraser que podem ter impacto nos exemplares juvenis\u201d, disse Bolger, co-autor do estudo.<\/p>\n<p>Os resultados de pesquisas anteriores sobre o esturj\u00e3o branco (Acipenser transmontanus) tamb\u00e9m surpreenderam os cientistas, que dessa forma ficaram sabendo que os peixes grandes, que obt\u00eam seu alimento no fundo do mar, migravam desde o rio Sacramento (no Estado norte-americano da Calif\u00f3rnia) para o Fraser, quase mil quil\u00f4metros ao norte, no Canad\u00e1. \u201cPens\u00e1vamos que o esturj\u00e3o do Fraser era local e que n\u00e3o havia problema em pesc\u00e1-lo\u201d, explicou Bolger. Nos Estados Unidos, esta esp\u00e9cie \u00e9 cuidadosamente regulada, mas ningu\u00e9m sabia que migrava para o Canad\u00e1.<\/p>\n<p>\u201cLevem aonde levarem as futuras pesquisas sobre estas perguntas, a tecnologia eletr\u00f4nica e ac\u00fastica demonstrou ser uma ferramenta \u00fatil para obter dados cient\u00edficos \u00fanicos, de import\u00e2ncia em v\u00e1rios terrenos nas pol\u00edticas p\u00fablicas\u201d, disse David Welch, da Kintama Research, em Nanaimo (Columbia Brit\u00e2nica), que liderou os estudos sobre o salm\u00e3o. Ainda este ano ser\u00e3o implementadas continuas de escuta eletr\u00f4nica semelhantes ao longo da costa nordeste. Tamb\u00e9m est\u00e3o em estudos outras duas entre Florida e Cuba e uma entre a mexicana pen\u00ednsula de Yucat\u00e1n e Cuba. A esperan\u00e7a \u00e9 cobrir boa parte da plataforma continental do mudo em um dia, disse Jess\u00e9 Ausubel, da Universidade Rockfeller, que integra o conselho administrativo do Post.<\/p>\n<p>\u201cTemos uma tecnologia de trabalho e \u00e9 economicamente acess\u00edvel. A esperan\u00e7a \u00e9 ter um sistema de controle em todo o mundo\u201d, disse Ausubel \u00e0 IPS. Esse tipo de rede de rastreamento pode revelar os mist\u00e9rios sobre o lugar para onde v\u00e3o os peixes e quantos podem sobreviver nos oceanos, e pode ajudar no manejo de pescas e nos esfor\u00e7os de conserva\u00e7\u00e3o. Existem enormes controv\u00e9rsias ao longo das zonas costeiras da \u00c1frica e de outros lugares sobre qual pa\u00eds \u00e9 \u201cdono\u201d de certas reservas pesqueiras, acrescento. \u201cSaber para onde os peixes v\u00e3o \u00e9 uma pergunta-chave que necessita de resposta\u201d, enfatizou Ausubel.<\/p>\n<p>Saber para onde migram as esp\u00e9cies, onde se alimentam e se reproduzem \u00e9 vital para os esfor\u00e7os de conserva\u00e7\u00e3o e manejo. Ausubel espera que na pr\u00f3xima d\u00e9cada exista uma Rede de Rastreamento Eletr\u00f4nico que cubra plataformas continentais, bem como o oceano aberto. \u00c9 preciso um aparelho de rastreamento diferente para peixes como o tubar\u00e3o, que atravessam oceanos inteiros. O transmissor em oceano aberto \u00e9 como um cart\u00e3o pessoal: n\u00e3o s\u00f3 identifica o peixe especifico como tamb\u00e9m registra todo tipo de dados sobre onde esteve, bem como dados de qualquer outro peixe com transmissor que tenha circulado por perto. Desse modo, quando qualquer peixe estiver suficientemente pr\u00f3ximo de um receptor flutuante, toda esta informa\u00e7\u00e3o ser\u00e1 descarregada. Para as esp\u00e9cies que sobem \u00e0 superf\u00edcie, os dados ser\u00e3o transferidos via sat\u00e9lite.<\/p>\n<p>O primeiro destes novos transmissores ser\u00e1 implantado em tubar\u00f5es-salm\u00e3o (Lamma ditropis) no pr\u00f3ximo ano, perto do Hava\u00ed. Se tudo correr bem, os cientistas poder\u00e3o determinar sua rota de migra\u00e7\u00e3o para o golfo do Alasca. Com os salm\u00f5es tamb\u00e9m portando transmissores, ser\u00e1 poss\u00edvel realizar o primeiro estudo em tempo real das intera\u00e7\u00f5es entre predador e presa, explicou Ausubel. \u201cEstes resultados da Am\u00e9rica do Norte t\u00eam implica\u00e7\u00f5es globais, e ser\u00e3o de interesse de Chile, R\u00fassia, Jap\u00e3o, \u00cdndia e Irlanda, isto \u00e9, em cada na\u00e7\u00e3o onde os peixes migram de \u00e1gua doce para \u00e1gua salgada\u201d, concluiu V\u00edctor Gallardo, vice-presidente do Censo da Vida Marinha. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uxbridge, Canad\u00e1,, 04\/11\/2008 &ndash; Diminutos exemplares de salm\u00e3o jovem foram rastreados eletronicamente pela primeira vez desde seus rios natais nas montanhas Rochosas at\u00e9 2.500 quil\u00f4metros mais ao norte, no Alasca. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2008\/11\/mundo\/biodiversidade-um-mapa-sobre-as-viagens-do-salmao\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":194,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[8,4],"tags":[14,21],"class_list":["post-4456","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-ambiente","category-mundo","tag-america-do-norte","tag-metas-do-milenio"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4456","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/194"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4456"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4456\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4456"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4456"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4456"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}