{"id":446,"date":"2005-03-29T00:00:00","date_gmt":"2005-03-29T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=446"},"modified":"2005-03-29T00:00:00","modified_gmt":"2005-03-29T00:00:00","slug":"darfur-os-estados-unidos-na-encruzilhada-do-tribunal-penal-internacional","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/03\/mundo\/darfur-os-estados-unidos-na-encruzilhada-do-tribunal-penal-internacional\/","title":{"rendered":"Darfur: Os Estados Unidos na encruzilhada do Tribunal Penal Internacional"},"content":{"rendered":"<p>Nova York, 29\/03\/2005 &ndash; Os Estados Unidos, inflex&iacute;vel opositor do Tribunal Penal Internacional (TPI), deve decidir esta semana se exerce, ou n&atilde;o, seu poder de veto no Conselho de Seguran&ccedil;a da Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas, diante da proposta francesa de encomendar a esse tribunal o julgamento de crimes de guerra no Sud&atilde;o. A mo&ccedil;&atilde;o da Fran&ccedil;a, apresentada formalmente esta semana, coloca &agrave; prova a vontade proclamada por Washington, depois da reelei&ccedil;&atilde;o do presidente George W. Bush em novembro, de retomar o caminho do multilateralismo e melhorar a coopera&ccedil;&atilde;o com seus tradicionais aliados europeus, que criticaram duramente sua pol&iacute;tica unilateral na quest&atilde;o iraquiana e em rela&ccedil;&atilde;o a v&aacute;rios tratados internacionais.<br \/> <!--more--> <br \/> &quot;Seria uma vergonha os Estados Unidos se oporem a esta resolu&ccedil;&atilde;o&quot;, afirmou Richard Dicker, da organiza&ccedil;&atilde;o humanit&aacute;ria Human Rights Watch, um grupo norte-americano que trabalhou intensamente pela cria&ccedil;&atilde;o do TPI, criado em 1998 para julgar crimes de guerra, genoc&iacute;dios e outros crimes contra a humanidade. &quot;O TPI &eacute; o &uacute;nico tribunal que pode levar adiante processos com credibilidade, em benef&iacute;cio do povo de Darfur&quot;, a regi&atilde;o sudanesa afetada h&aacute; mais de dois anos por uma guerra civil, afirmou Dicker. Darfur foi um reino independente at&eacute; ser anexado pelo Sud&atilde;o em 1970. Os antecedentes da atual crise remontam a disputas por terras de pastagem nos anos 70, entre comunidades isl&acirc;micas de n&ocirc;mades &aacute;rabes e de agricultores negros.<\/p>\n<p> A viol&ecirc;ncia intensificou desde fevereiro de 2003, quando guerrilheiros negros come&ccedil;aram a responder com viol&ecirc;ncia &agrave;s hostilidades das mil&iacute;cias &aacute;rabes Janjaweed, e calcula-se que desde ent&atilde;o o conflito j&aacute; causou a morte de 300 mil a 400 mil pessoas e deixou 1,6 milh&atilde;o de refugiados. Os janjaweed s&atilde;o acusados de levar adiante uma campanha de limpeza &eacute;tnica, com apoio ou toler&acirc;ncia de Cartum, contra tr&ecirc;s tribos negras que ap&oacute;iam as organiza&ccedil;&otilde;es guerrilheiras Ex&eacute;rcito para a Liberta&ccedil;&atilde;o do Sud&atilde;o e Movimento pela Justi&ccedil;a e a Igualdade. Mais de 200 mil moradores de Darfur fugiram para acampamento de refugiados na fronteira com o Chade, mas, ainda s&atilde;o vulner&aacute;veis aos ataques.<\/p>\n<p> Estava previsto que o Conselho de Seguran&ccedil;a votaria a mo&ccedil;&atilde;o da Fran&ccedil;a na tarde de quinta-feira, mas, poucas horas antes da sess&atilde;o come&ccedil;ar, o embaixador franc&ecirc;s, Jean-Marc de la Sabliere, anunciou que havia aceito um adiamento a pedido de &quot;alguns delegados&quot; que necessitavam &quot;refletir sobre o assunto e pedir instru&ccedil;&otilde;es&quot; aos seus governos. Espera-se que a quest&atilde;o seja resolvida esta semana, de uma ou outra maneira. Observadores pr&oacute;ximos da negocia&ccedil;&atilde;o destacam que Washington est&aacute; diante de um dilema, ap&oacute;s liderar os esfor&ccedil;os internacionais para por fim &agrave; viol&ecirc;ncia em Darfur, j&aacute; que a diplomacia norte-americana qualifica a matan&ccedil;a nessa regi&atilde;o de genoc&iacute;dio, mas, n&atilde;o reconhece o TPI e realiza uma campanha diplom&aacute;tica mundial, atrav&eacute;s de tratados bilaterais, para proteger seus cidad&atilde;os de julgamentos por essa corte.<\/p>\n<p> Nove dos 15 integrantes atuais do Conselho de Seguran&ccedil;a est&atilde;o entre os 98 pa&iacute;ses que j&aacute; ratificaram o Tratado de Roma, que cria o TPI, e n&atilde;o votar&atilde;o contra a mo&ccedil;&atilde;o francesa, disse &aacute; IPS um diplomata latino-americano, pedindo para ficar no anonimato. Um desses pa&iacute;ses &eacute; a Gr&atilde;-Bretanha, o aliado mais firme dos Estados Unidos, e o embaixador brit&acirc;nico Emyr Jones Perry adiantou que estava disposto a votar a mo&ccedil;&atilde;o francesa esta semana. Essa iniciativa &quot;n&atilde;o est&aacute; voltada, em absoluto, contra os Estados Unidos, mas busca fazer justi&ccedil;a ao povo de Darfur&quot;, enfatizou. Os Estados Unidos s&atilde;o um dos cinco integrantes permanentes e com direito a veto do Conselho, junto com China, Fran&ccedil;a, Gr&atilde;-Bretanha e R&uacute;ssia.<\/p>\n<p> O projeto de resolu&ccedil;&atilde;o foi apresentado tr&ecirc;s meses depois de uma comiss&atilde;o criada pelo pr&oacute;prio Conselho de Seguran&ccedil;a, ap&oacute;s um debate patrocinado por Washington, para analisar a quest&atilde;o de Darfur ter recomendando levar a quest&atilde;o ao TPI, por entender que se trata &quot;do melhor mecanismo&quot; e o &quot;&uacute;nico modo cr&iacute;vel&quot; de fazer justi&ccedil;a. Em lugar de aceitar essa recomenda&ccedil;&atilde;o, o governo norte-americano fez circular um rascunho com alternativas, que n&atilde;o se op&otilde;e explicitamente &aacute; interven&ccedil;&atilde;o do TPI, mas reitera propostas anteriores para que os casos de Darfur sejam julgados na Tanz&acirc;nia por um tribunal independente, segundo havia sido sugerido pelos Estados Unidos, ou, ent&atilde;o, por um painel africano de &quot;justi&ccedil;a e reconcilia&ccedil;&atilde;o&quot;, como havia sido recomendado pela Nig&eacute;ria.<\/p>\n<p> Os que defendem fortes a&ccedil;&otilde;es contra Cartum dizem que um veto norte-americano &aacute; mo&ccedil;&atilde;o da Fran&ccedil;a ser&aacute; interpretado como uma garantia de impunidade para os que cometem ou ap&oacute;iam atrocidades em Darfur. &quot;Enquanto o Conselho de Seguran&ccedil;a tarde, a situa&ccedil;&atilde;o em Darfur piora. O povo de Darfur necessita uma grande for&ccedil;a protetora, mas, enquanto isso n&atilde;o &eacute; implementado, as san&ccedil;&otilde;es seletivas e a justi&ccedil;a poderiam ter um impacto imediato&quot;, argumentou Peter Takirambudde, diretor da Divis&atilde;o &Aacute;frica da Human Rights Watch. Quanto &agrave; quest&atilde;o das san&ccedil;&otilde;es, o Conselho est&aacute; dividido, com Estados Unidos a favor e a oposi&ccedil;&atilde;o de R&uacute;ssia e China, que t&ecirc;m vitais interesses econ&ocirc;micos na regi&atilde;o. Acima de suas discrep&acirc;ncias, os 15 integrantes do Conselho de Seguran&ccedil;a aprovaram na &uacute;ltima quinta-feira uma mo&ccedil;&atilde;o apresentada por Washington para enviar ao Sud&atilde;o uma for&ccedil;a de manuten&ccedil;&atilde;o da paz com 10 mil soldados. Mas, os cr&iacute;ticos dizem que est&aacute; previsto enviar essa for&ccedil;a para &aacute;reas do norte e sul do Sud&atilde;o, para garantir o fim negociado de outro conflito sudan&ecirc;s, e n&atilde;o para Darfur, onde existe um desastre humanit&aacute;rio. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nova York, 29\/03\/2005 &ndash; Os Estados Unidos, inflex&iacute;vel opositor do Tribunal Penal Internacional (TPI), deve decidir esta semana se exerce, ou n&atilde;o, seu poder de veto no Conselho de Seguran&ccedil;a da Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas, diante da proposta francesa de encomendar a esse tribunal o julgamento de crimes de guerra no Sud&atilde;o. A mo&ccedil;&atilde;o da Fran&ccedil;a, apresentada formalmente esta semana, coloca &agrave; prova a vontade proclamada por Washington, depois da reelei&ccedil;&atilde;o do presidente George W. Bush em novembro, de retomar o caminho do multilateralismo e melhorar a coopera&ccedil;&atilde;o com seus tradicionais aliados europeus, que criticaram duramente sua pol&iacute;tica unilateral na quest&atilde;o iraquiana e em rela&ccedil;&atilde;o a v&aacute;rios tratados internacionais.<br \/> <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/03\/mundo\/darfur-os-estados-unidos-na-encruzilhada-do-tribunal-penal-internacional\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":87,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[4],"tags":[],"class_list":["post-446","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-mundo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/446","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/87"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=446"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/446\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=446"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=446"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=446"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}