{"id":4476,"date":"2008-11-07T14:32:50","date_gmt":"2008-11-07T14:32:50","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=4476"},"modified":"2008-11-07T14:32:50","modified_gmt":"2008-11-07T14:32:50","slug":"agricultura-brasil-precos-especulativos-travam-reforma-agraria","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2008\/11\/america-latina\/agricultura-brasil-precos-especulativos-travam-reforma-agraria\/","title":{"rendered":"AGRICULTURA-BRASIL: Pre\u00e7os especulativos travam reforma agr\u00e1ria"},"content":{"rendered":"<p>Rio de Janeiro, 07\/11\/2008 &ndash; A reforma agr\u00e1ria se tornou invi\u00e1vel no Brasil diante do aumento do pre\u00e7o da terra, provocado pela entrada de grandes capitais no setor e acentuada pela expans\u00e3o dos biocombust\u00edveis, afirma Jo\u00e3o Pedro St\u00e9dile, da organiza\u00e7\u00e3o Via Campesina. <!--more--> Assim, o programa brasileiro praticamente terminou, limitando-se a assentamentos \u201cassistenciais diante de conflitos pontuais\u201d, longe do objetivo de uma reforma para \u201cdemocratizar a terra\u201d, afirmou St\u00e9dile, um dos coordenadores do Movimento dos Sem-Terra (MST), principal integrante da Via Campesina no Brasil.<\/p>\n<p>O governo do presidente Luiz In\u00e1cio Lula da Silva, iniciado em 2003 com promessas de transforma\u00e7\u00e3o do campo, entregou terras a apenas 18.630 fam\u00edlias este ano, segundo estimativas de funcion\u00e1rios do Instituto Nacional de Coloniza\u00e7\u00e3o e Reforma Agr\u00e1ria, respons\u00e1vel pela quest\u00f5es agropecu\u00e1rias, informou St\u00e9dile em entrevista coletiva concedida ontem \u00e0 imprensa estrangeira. O dirigente afirmou que, segundo estat\u00edsticas \u201cinfladas artificialmente\u201d pelo governo, no ano passado foram assentadas 67.535 fam\u00edlias, um n\u00famero inferior inclusive \u00e0 meta oficial de cem mil. Al\u00e9m disso, dois ter\u00e7os dessas terras s\u00e3o na Amaz\u00f4nia, isto \u00e9, de propriedade estatal que n\u00e3o alteram o quadro de posse. Nos dois anos anteriores os n\u00fameros foram o dobro.<\/p>\n<p>Apesar destes dados governamentais, pesquisas recentes indicam que o Brasil vive um processo de concentra\u00e7\u00e3o da propriedade da terra, impulsionado pelo avan\u00e7o das monoculturas voltadas \u00e0 exporta\u00e7\u00e3o, como soja, cana-de-a\u00e7\u00facar, eucalipto e milho, acrescentou o dirigente do MST. No Brasil continuam acampadas \u00e0 espera de conseguir terra onde trabalhar cerca de 130 mil fam\u00edlias, quantidade em decr\u00e9scimo porque h\u00e1 des\u00e2nimo em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 reforma agr\u00e1ria, acrescentou. A crise financeira acentuou a tend\u00eancia, porque os grandes capitais passaram a proteger seu dinheiro comprando \u201cbens da natureza\u201d, como terras, madeira, centrais hidrel\u00e9tricas e minerais, avan\u00e7ando \u201ccom voracidade sobre a Amaz\u00f4nia\u201d, ressaltou St\u00e9dile.<\/p>\n<p>A alta dos alimentos faz parte desse processo e se deve fundamentalmente \u00e0 \u201ca\u00e7\u00e3o dos oligop\u00f3lios\u201d, j\u00e1 que \u201c10 a 15 multinacionais\u201d controlam a cadeia produtiva em n\u00edvel mundial, e \u00e0 especula\u00e7\u00e3o nas bolsas de mercadorias que provocam r\u00e1pidas oscila\u00e7\u00f5es de pre\u00e7os, disse o dirigente do MST. O pre\u00e7o j\u00e1 n\u00e3o responde ao custo de produ\u00e7\u00e3o nem \u00e0 rela\u00e7\u00e3o de oferta e procura, mas ao jogo dessas empresas e das bolsas de valores. St\u00e9dile, que \u00e9 economista, divulgou os resultados da V Confer\u00eancia Internacional da Via Campesina, que aconteceu em Maputo de 19 a 22 de outubro, com participa\u00e7\u00f5es de 600 delegados de cem pa\u00edses.<\/p>\n<p>O movimento campesino mundial considera a crise atual, \u201cde alimentos, energia, clim\u00e1tica e de finan\u00e7as\u201d um produto do \u201csistema capitalista e do neoliberalismo\u201d, que apenas se soluciona com soberania alimentar baseada na agricultura em m\u00e3os de camponeses, e n\u00e3o com o livre com\u00e9rcio de sementes geneticamente modificadas como prop\u00f5em os poderosos. A recess\u00e3o econ\u00f4mica nos pa\u00edses ricos aumentar\u00e1 a xenofobia, o racismo e a repress\u00e3o contra os trabalhadores e imigrantes, mas gera \u201coportunidades\u201d tanto para que o capitalismo \u201cse reinvente\u201d como para os movimentos sociais, destaca a chamada \u201cCarta de Maputo\u201d.<\/p>\n<p>A luta camponesa no Brasil se modificou porque \u201cmudou o inimigo principal\u201d, que agora s\u00e3o as empresas transnacionais que dominam o mercado de alimentos e sementes, com Syngenta, Monsanto e Cargill, afirmou St\u00e9dile. O MST continuar\u00e1 ocupando latif\u00fandios improdutivos e esquecidos, com os que continuam usando m\u00e3o-de-obra em condi\u00e7\u00f5es de escravid\u00e3o, mas seu alvo priorit\u00e1rio agora s\u00e3o as companhias multinacionais. Este ano o movimento celebra como grande triunfo a decis\u00e3o da Syngenta de doar ao governo do Paran\u00e1 uma fazenda onde plantava sementes transg\u00eanicas experimentais.<\/p>\n<p>\u00c9 que o MST ocupou essa propriedade tr\u00eas vezes desde 2006 para denunciar a irregularidade de cultivar milho transg\u00eanico n\u00e3o autorizado no Brasil e em \u00e1rea proibida, muito perto de um parque nacional. Agora essa fazenda se transformar\u00e1 em um centro de produ\u00e7\u00e3o de sementes convencionais, voltado \u00e0 agroecologia, com o nome de um, ativista do MST, Valmir de Oliveira, assassinado por seguran\u00e7as particulares a servi\u00e7o da Syngenta. Depender de sementes de multinacionais como Monsanto e Syngenta, o que j\u00e1 ocorre com o milho no M\u00e9xico e a soja na Argentina, \u00e9 fatal para os pequenos agricultores, que t\u00eam de pagar direitos a essas empresas mesmo sobre os cultivos que eles mesmos reproduzem disse o coordenador do MST.<\/p>\n<p>Entretanto, St\u00e9dile reconheceu alguns avan\u00e7os no campo brasileiro, pela dinamiza\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica de pequenos munic\u00edpios, devido principalmente \u00e0 previs\u00e3o rural e ao aumento do sal\u00e1rio m\u00ednimo principalmente em localidades de algumas \u00e1reas rurais pobres. O governo Lula tamb\u00e9m ampliou muito o cr\u00e9dito para a agricultura familiar, mas \u00e9 um est\u00edmulo limitado a \u201cum quarto\u201d dos quatro milh\u00f5es de produtores brasileiros de pequena escala, justamente os que est\u00e3o em melhores condi\u00e7\u00f5es. Os mais pobres n\u00e3o se beneficiam desse empr\u00e9stimo, disse St\u00e9dile. Outras pol\u00edticas do governo, como o Programa de Aquisi\u00e7\u00e3o de Alimentos, pelo qual o Estado compra produtos da agricultura familiar, est\u00e3o em bom caminho, mas alcan\u00e7am apenas milhares de fam\u00edlias, e n\u00e3o os milh\u00f5es necess\u00e1rios, concluiu. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Rio de Janeiro, 07\/11\/2008 &ndash; A reforma agr\u00e1ria se tornou invi\u00e1vel no Brasil diante do aumento do pre\u00e7o da terra, provocado pela entrada de grandes capitais no setor e acentuada pela expans\u00e3o dos biocombust\u00edveis, afirma Jo\u00e3o Pedro St\u00e9dile, da organiza\u00e7\u00e3o Via Campesina. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2008\/11\/america-latina\/agricultura-brasil-precos-especulativos-travam-reforma-agraria\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":131,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2,5,11],"tags":[],"class_list":["post-4476","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-america-latina","category-economia","category-politica"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4476","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/131"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4476"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4476\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4476"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4476"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4476"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}