{"id":4491,"date":"2008-11-12T13:03:32","date_gmt":"2008-11-12T13:03:32","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=4491"},"modified":"2008-11-12T13:03:32","modified_gmt":"2008-11-12T13:03:32","slug":"eua-bush-prepara-o-mundo-para-obama","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2008\/11\/mundo\/eua-bush-prepara-o-mundo-para-obama\/","title":{"rendered":"EUA: Bush prepara o mundo para Obama"},"content":{"rendered":"<p>Washington, 12\/11\/2008 &ndash; A continuidade da pol\u00edtica externa a ser seguida pelo presidente eleito dos Estados Unidos, Barack Obama, com a do atual, George W. Bush, poder\u00e1 surpreender os simpatizantes do l\u00edder democrata e o resto do mundo. <!--more--> Essa continuidade se ver\u00e1 refor\u00e7ada se, tal como se espera, o atual secret\u00e1rio de Defesa, Robert Gates, receber o pedido para permanecer no cargo ap\u00f3s 20 de janeiro, data da posse de Obama. Os pontos em comum entre as duas pol\u00edticas n\u00e3o se devem a uma falta de apego de Obama por seus compromissos de campanha, mas \u2013 muito pelo contr\u00e1rio \u2013 ao fato de Bush ter feito, sem alarde, algumas corre\u00e7\u00f5es de rumo em dire\u00e7\u00e3o compat\u00edvel com as id\u00e9ias de seu sucessor.<\/p>\n<p>Sem d\u00favida, Obama far\u00e1, antes ou pouco depois de assumir, an\u00fancios que ratificar\u00e3o o multilateralismo e a estrat\u00e9gia de a\u00e7\u00e3o diplom\u00e1tica, que contrastam com o uso do poder militar e o unilateralismo caracter\u00edsticos da gest\u00e3o Bush. Provavelmente, incluir\u00e1 nesses an\u00fancios uma imediata proibi\u00e7\u00e3o da tortura e a promessa de fechar, no curto prazo, o centro de reclus\u00e3o de prisioneiros na \u201cguerra contra o terror\u201d declarada por Bush e instalada na base naval norte-americana de Guant\u00e2namo, em Cuba. Al\u00e9m disso, \u00e9 muito prov\u00e1vel que Obama atue com rapidez para melhorar as rela\u00e7\u00f5es com dois pa\u00edses com os quais Bush mostrou uma incr\u00edvel hostilidade: Cuba e S\u00edria.<\/p>\n<p>Espera-se que o presidente eleito levante as restri\u00e7\u00f5es \u00e0 liberdade dos cubanos que vivem nos Estados Unidos, ou seus descendentes, para visitar a ilha e enviarem dinheiro aos seus parentes. Analistas consideram que no futuro avan\u00e7ar\u00e1 para a normaliza\u00e7\u00e3o do v\u00ednculo. J\u00e1 a S\u00edria enviar\u00e1 um embaixador como sinal de interesse em renovar a coopera\u00e7\u00e3o contra o extremismo violento e estimular o rein\u00edcio do di\u00e1logo de paz entre esse pa\u00eds e Israel, co a media\u00e7\u00e3o da Turquia, ou inclusive um processo de maiores alcances. Tamb\u00e9m espera-se que Obama anuncie a ades\u00e3o plena ao regime que substituir\u00e1 o Protocolo de Kyoto contra a mudan\u00e7a clim\u00e1tica, do qual Bush retirou a assinatura norte-americana logo ap\u00f3s assumir seu primeiro mandato, em 2001.<\/p>\n<p>Observadores dizem que Washington adotaria redu\u00e7\u00f5es de cumprimento obrigat\u00f3rio na emiss\u00e3o de gases causadores do efeito estufa, aos quais a maioria dos cientistas atribui grande parte do atual ciclo de aquecimento global. Al\u00e9m disso, Obama poderia promover a ratifica\u00e7\u00e3o no Senado do tratado de proibi\u00e7\u00e3o de testes com armas nucleares, bem com como aos quais Bush se opunha, como as conven\u00e7\u00f5es da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas sobre direitos das crian\u00e7as e elimina\u00e7\u00e3o de todas as formas de discrimina\u00e7\u00e3o contra a mulher.<\/p>\n<p>Obama tamb\u00e9m se mostraria disposto a negociar um redesenho da arquitetura financeira internacional, tal como prop\u00f5em aliados europeus dos Estados Unidos, para fortalecer os organismos de controle financeiro e incrementar significativamente o voto das economias emergentes no Fundo Monet\u00e1rio Internacional, Banco Mundial e outros \u00f3rg\u00e3os dominados pelos pa\u00edses ricos. Estes passos, al\u00e9m de gerar uma corrente de simpatia no exterior, servir\u00e3o a Obama para acentuar o contraste com Bush, cujo unilateralismo e imagem de caub\u00f3i levou a imagem dos Estados Unidos entre os cidad\u00e3os de outros pa\u00edses ao seu n\u00edvel hist\u00f3rico mais baixo.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, essa imagem de Bush agora \u00e9 um pouco antiquada. Embora a tenha ganhado justamente durante seu primeiro mandato (2001-2005), quando os neoconservadores ditavam a pol\u00edtica externa de Washington, foi modificando-a nos \u00faltimos dois anos. Escaldado pelo curso que tomou a invas\u00e3o do Iraque, Bush foi guiado pelos representantes da chamada escola \u201crealista\u201d, essencialmente a secret\u00e1ria de Estado, Condoleezza Rice, Gates e os m\u00e1ximos chefes militares, para estabelecer as bases do \u201cnovo amanhecer\u201d ao qual Obama faz referencia, especialmente em \u00e1reas-chave em crise.<\/p>\n<p>Por exemplo, apesar dos protestos dos \u201cfalc\u00f5es\u201d que rodeavam o vice-presidente, Dick Cheney, Bush seguiu os conselhos de Rice e fez concess\u00f5es \u00e0 Cor\u00e9ia do Norte para manter viva as negocia\u00e7\u00f5es destinadas a \u201cdesnuclearizar\u201d essa na\u00e7\u00e3o asi\u00e1tica. Da mesma forma, Bush levantou seu embargo diplom\u00e1tico contra o Ir\u00e3, enviando o subsecret\u00e1rio de Estado, William Burns, para conversar com seu colega iraniano, em um encontro que incluiu outros membros permanentes do Conselho de Seguran\u00e7a da ONU mais a Alemanha. Significativamente, Burns ser\u00e1 a principal liga\u00e7\u00e3o do Departamento de Estado com a equipe de transi\u00e7\u00e3o de Obama.<\/p>\n<p>O governo atual tamb\u00e9m parece estar pr\u00f3ximo de anunciar que abrir\u00e1 um escrit\u00f3rio de interesses em Teer\u00e3, o que implica o rein\u00edcio das rela\u00e7\u00f5es diplom\u00e1ticas interrompidas h\u00e1 29 anos. E o far\u00e1 antes da posse de Obama. Esse passo tornar\u00e1 mais simples para o novo presidente iniciar um di\u00e1logo de alto n\u00edvel com o Ir\u00e3, sem pr\u00e9-condi\u00e7\u00f5es, no momento em que desejar. Isso ser\u00e1, possivelmente, logo ap\u00f3s as elei\u00e7\u00f5es presidenciais de junho nesse pa\u00eds, para n\u00e3o aumentar as chances de reelei\u00e7\u00e3o de Mahmoud Ahmadinejad. Al\u00e9m disso, ap\u00f3s ignorar durante quase sete anos o conflito entre israelenses e palestinos, Bush relan\u00e7ou as negocia\u00e7\u00f5es de paz em novembro, na c\u00fapula de Annapolis. N\u00e3o houve grandes avan\u00e7os, por causa das elei\u00e7\u00f5es de fevereiro em Israel, e n\u00e3o existir\u00e3o at\u00e9 o final de seu mandato. Obama herdar\u00e1 um processo que poderia empregar para concretizar sua promessa de chegar a uma solu\u00e7\u00e3o baseada na exist\u00eancia de dois Estados independentes.<\/p>\n<p>Inclusive no Afeganist\u00e3o e Iraque, Bush ajudou a preparar o terreno para os planos de seu sucessor de acelerar a retirada de mais tropas de combate no primeiro pa\u00eds e retir\u00e1-las do segundo. Obama argumenta, h\u00e1 muito tempo, que o Afeganist\u00e3o \u00e9 \u201ca principal frente da guerra contra o terrorrismo\u201d. Bush inclusive aceitou uma retirada de todas as for\u00e7as norte-americanas do Iraque at\u00e9 2012, n\u00e3o apenas as unidades de combate, que Obama prometeu repatriar em meados de 2010.<\/p>\n<p>Quanto \u00e0 R\u00fassia, cuja invas\u00e3o da Ge\u00f3rgia em agosto levou as rela\u00e7\u00f5es bilaterais ao ponto de m\u00e1xima tens\u00e3o desde a Guerra Fria, tanto Bush quanto Obama agiram com relativa modera\u00e7\u00e3o. Embora a insist\u00eancia de Bush em instalar sistemas de m\u00edsseis na Europa central e oriental seja mais provocativa do que a amb\u00edgua posi\u00e7\u00e3o de Obama a respeito, levou em conta nos \u00faltimos dias as preocupa\u00e7\u00f5es de Moscou e sentou as bases para chegar a um acordo que reduza significativamente os arsenais nucleares das duas pot\u00eancias. Estima-se que este ponto ser\u00e1 uma prioridade de Obama no come\u00e7o de seu governo.<\/p>\n<p>Em outras \u00e1reas, a estrat\u00e9gia de di\u00e1logo do presidente eleito poder\u00e1 avan\u00e7ar sobre \u00eaxitos de Bush que n\u00e3o receberam tanta aten\u00e7\u00e3o como os fracassos de sua \u201cguerra contra o terrorismo\u201d. Entre eles a melhoria das rela\u00e7\u00f5es com a China, apesar da oposi\u00e7\u00e3o dos \u201cfalc\u00f5es\u201d; com a \u00cdndia, atrav\u00e9s de um acordo de coopera\u00e7\u00e3o nuclear que coroou um v\u00ednculo estrat\u00e9gico em r\u00e1pido crescimento, e com a \u00c1frica, onde o plano de US$ 15 bilh\u00f5es para combater o HIV\/Aids, fortemente apoiado por Obama, converteu esse continente na regi\u00e3o onde Bush conta com melhor imagem, segundo as pesquisas. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Washington, 12\/11\/2008 &ndash; A continuidade da pol\u00edtica externa a ser seguida pelo presidente eleito dos Estados Unidos, Barack Obama, com a do atual, George W. 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