{"id":4499,"date":"2008-11-14T13:58:51","date_gmt":"2008-11-14T13:58:51","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=4499"},"modified":"2008-11-14T13:58:51","modified_gmt":"2008-11-14T13:58:51","slug":"biodiversidade-oceanos-debaixo-de-lupa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2008\/11\/mundo\/biodiversidade-oceanos-debaixo-de-lupa\/","title":{"rendered":"BIODIVERSIDADE: Oceanos debaixo de lupa"},"content":{"rendered":"<p>Uxbridge, Canad\u00e1, 14\/11\/2008 &ndash; Mil pontos de luz iluminam as profundezas dos oceanos. Unidos h\u00e1 oito anos por esta rede brilhante, mais de dois mil cientistas de 82 pa\u00edses completar\u00e3o em 2010 a pesquisa do Censo da Vida Marinha  <!--more--><br \/>\n <div id=\"attachment_4499\" style=\"width: 210px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/Ballena_NOAAPhotoLibrary.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-4499\" class=\"size-medium wp-image-4499\" title=\" - NOAA\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/Ballena_NOAAPhotoLibrary.jpg\" alt=\" - NOAA\" width=\"200\" height=\"150\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-4499\" class=\"wp-caption-text\"> - NOAA<\/p><\/div>  \u201cTem sido um per\u00edodo extraordin\u00e1rio, de novas e excitantes descobertas e atemorizantes revela\u00e7\u00f5es sobre o modo como os oceanos mudam\u201d, disse o bi\u00f3logo marinho canadense Paul Snelgrove, diretor da equipe que compila as conclus\u00f5es dos 17 projetos do Censo. \u201cEspantamos-nos ao descobrir pequenos crust\u00e1ceos jamais vistos pelos cientistas a 500 metros de profundidade, no golfo do M\u00e9xico\u201d, disse Snelgrove \u00e0 IPS.<\/p>\n<p>O Censo documentou que mais de 90% dos maiores predadores marinhos \u2013 grandes tubar\u00f5es, atum peixe-espada, bacalhau e outros \u2013 desapareceram e que as esp\u00e9cies sobreviventes est\u00e3o em s\u00e9rios problemas. \u201cTamb\u00e9m observamos evid\u00eancias da mudan\u00e7a clim\u00e1tica em varia\u00e7\u00f5es da distribui\u00e7\u00e3o das esp\u00e9cies\u201d, acrescentou o bi\u00f3logo. Igualmente importante \u00e9 a colabora\u00e7\u00e3o de cientistas do Norte industrial e do Sul em desenvolvimento, segundo o informe 2008 sobre o Censo, apresentado esta semana na Confer\u00eancia Mundial sobre Biodiversidade Marinha em Val\u00eancia, na Espanha. Antes do Censo, os especialistas se concentravam em quest\u00f5es nacionais ou regionais. Portanto, os mesmos bancos de peixes eram contados duas ou tr\u00eas vezes, na medida em que cruzavam de uma jurisdi\u00e7\u00e3o marinha nacional para outra, por isso as popula\u00e7\u00f5es eram subestimadas.<\/p>\n<p>O trabalho conjunto de cientistas de pa\u00edses do Norte e do Sul ser\u00e1 um dos grandes legados do Censo, vital para as pesquisas e o manejo futuro dos oceanos, disse Snelgrove. \u201cA difus\u00e3o do primeiro Censo em 2010 ser\u00e1 um marco para a ci\u00eancia, um \u00eaxito de propor\u00e7\u00f5es hist\u00f3ricas\u201d, afirmou Ian Poiner, presidente do Comit\u00ea Internacional de Dire\u00e7\u00e3o Cient\u00edfica do projeto e diretor do Instituto Australiano de Ci\u00eancias Marinhas. \u201cA dedica\u00e7\u00e3o e a coopera\u00e7\u00e3o est\u00e3o permitindo que o mais complexo programa sobre biologia marinha jamais realizado cumpra seu cronograma e alcance seus objetivos. Quando tudo come\u00e7ou, muitos observadores n\u00e3o consideravam que isto tudo seria poss\u00edvel\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>Os cientistas conheceram em Val\u00eancia a descoberta de um novo predador, que vive a mais de 7.200 metros de profundidade em \u00e1guas do estreito japon\u00eas de Ryukyu, que era considerado deserto: uma esp\u00e9cie de medusa que \u201cvoa como um caranguejo com duas caudas\u201d. Entre os maiores esfor\u00e7os de explora\u00e7\u00e3o atualmente em curso dentro do Censo se encontram 18 cruzeiros cient\u00edficos no oceano Ant\u00e1rtico, como parte do Ano Polar Internacional. \u201cNada do que est\u00e1 sendo feito jamais foi realizado\u201d, disse \u00e0 IPS Ron O\u2019Dor, especialista em lulas que participa do Censo. Os cientistas chegaram \u00e0 conclus\u00e3o de que o ancestral comum a todos os polvos de \u00e1guas profundas do mundo ainda vivem nos mares austrais, acrescentou.<\/p>\n<p>Quando o Censo foi lan\u00e7ado em 2000, os cientistas sabiam que fariam muitas descobertas. De todo modo, foram surpreendidos pela velocidade com que foi desenvolvida nova tecnologia para explorar os oceanos. \u201cJamais imaginei que ter\u00edamos um barco de onde pud\u00e9ssemos avistar um camar\u00e3o a tr\u00eas mil metros de profundidade no meio do Atl\u00e2ntico\u201d, afirmou O\u2019Dor. Dispositivos de rastreamento em miniatura e redes eletr\u00f4nicas submarinas come\u00e7am a revelar \u201co panorama global do movimento dos animais, seja girando em redemoinhos do tamanho da Irlanda ou viajando oito mil quil\u00f4metros atrav\u00e9s das bacias oce\u00e2nicas\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>Em 2010 o Censo produzir\u00e1 mapas globais da riqueza de esp\u00e9cies dos oceanos. Tamb\u00e9m oferecer\u00e1 uma completa lista das esp\u00e9cies marinhas conhecidas, que se situariam entre 230 mil e 250 mil, e novas estimativas sobre o que ainda est\u00e1 por ser descoberto. Al\u00e9m disso, haver\u00e1 paginas na Internet para a grande maioria das esp\u00e9cies conhecidas, compiladas em coopera\u00e7\u00e3o com a Enciclop\u00e9dia da Vida, bem com identificadores de DNA de muitas delas para facilitar as futuras descobertas. O m\u00e1ximo legado do Censo \u00e9 ter conseguido que muitos fa\u00e7am nadar sua aten\u00e7\u00e3o e imagina\u00e7\u00e3o pelos oceanos, menos conhecidos ainda do que a superf\u00edcie da lua.<\/p>\n<p>O projeto \u201cinspirou muitos cientistas de todo o mundo a realizar este tipo de tarefa\u201d, disse Snelgrove. Esta detalhada vis\u00e3o dos oceanos tamb\u00e9m revela a urgente necessidade de cuidar melhor deles. Tanto O\u2019Dor quanto Snelgrove disseram que falta algum tipo de prote\u00e7\u00e3o e governabilidade. Snelgrove tentar\u00e1 sintetizar os 10 anos de pesquisas e produzir, at\u00e9 2010, pelo menos tr\u00eas livros: um estudo sobre a vida marinha, outro com cap\u00edtulos dedicados a cada grupo de trabalho e um terceiro sobre a biodiversidade. Um dos projetos mais fascinantes do Censo \u00e9 a reconstru\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica dos oceanos no passado recente (cerca de 500 anos) e uma proje\u00e7\u00e3o de como poder\u00e3o ser no futuro. \u201cIsso ser\u00e1 um trabalho-chave, talvez o mais importante\u201d, afirmou Snelgrove. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uxbridge, Canad\u00e1, 14\/11\/2008 &ndash; Mil pontos de luz iluminam as profundezas dos oceanos. 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