{"id":450,"date":"2005-03-30T00:00:00","date_gmt":"2005-03-30T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=450"},"modified":"2005-03-30T00:00:00","modified_gmt":"2005-03-30T00:00:00","slug":"poltica-o-pan-africanismo-est-de-volta","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/03\/mundo\/poltica-o-pan-africanismo-est-de-volta\/","title":{"rendered":"Pol&iacute;tica: O pan-africanismo est&aacute; de volta"},"content":{"rendered":"<p>Kingston, 30\/03\/2005 &ndash; Cada vez s&atilde;o mais os l&iacute;deres pol&iacute;ticos e personalidades p&uacute;blicas que vislumbram uma nova era de coopera&ccedil;&atilde;o entre &Aacute;frica, Caribe e Brasil. Um deles &eacute; Ralph Gonzalves, primeiro-ministro de San Vicente e Granadinas, que aspira um grande aumento das viagens e do com&eacute;rcio entre estas regi&otilde;es, bem como a coopera&ccedil;&atilde;o cultural, esportiva, educacional e sanit&aacute;ria. A concretiza&ccedil;&atilde;o desses objetivos, segundo este governante caribenho, poderia come&ccedil;ar pelo estabelecimento de &quot;uma comiss&atilde;o permanente entre &Aacute;frica, Caribe e Brasil. O momento &eacute; agora&quot;, disse. &quot;Temos novos l&iacute;deres na &Aacute;frica, e os do Caribe s&atilde;o muito receptivos a estas id&eacute;ias&quot;, prosseguiu, acrescentando que tamb&eacute;m conta a presen&ccedil;a de Luiz In&aacute;cio Lula da Silva &agrave; frente do governo do Brasil, onde est&aacute; radicada a maior comunidade negra fora da &Aacute;frica. &quot;As circunst&acirc;ncias internacionais s&atilde;o tais que necessitamos do espa&ccedil;o, como resposta de pessoas que s&atilde;o marginalizadas do sistema&quot;, afirmou Gonzalvez. <br \/> <!--more--> <br \/> Para o poeta e m&uacute;sico de reggae Mutabaruka, &eacute; &oacute;bvia a resposta &agrave; pergunta se o pan-africanismo mant&eacute;m sua validade na atualidade. &quot;A maioria da popula&ccedil;&atilde;o jamaicana &eacute; de origem africana, e nunca pudemos forjar o v&iacute;nculo entre o Caribe e a m&atilde;e-p&aacute;tria&quot;, disse o artista &agrave; IPS. &quot;Devemos nos decidir a desenvolver uma rela&ccedil;&atilde;o Sul-Sul, porque sempre estamos olhando para o Norte&quot;. Em sua acep&ccedil;&atilde;o mais usual, o pan-africanismo &eacute; um movimento pela unidade da pr&oacute;pria &Aacute;frica. Mas, em um sentido mais amplo, apela para o despertar da consci&ecirc;ncia de todos os povos e comunidades de origem africana.<\/p>\n<p> Muitos pan-africanistas colhem os ensinamentos do jamaicano Marcus Garvey, que no in&iacute;cio do s&eacute;culo XX promovia um estreitamento de v&iacute;nculos entre as comunidades negras da Am&eacute;rica e do Caribe com a &Aacute;frica. Sua mensagem de incentivo negro ao orgulho negro em um momento hist&oacute;rico de submiss&atilde;o e iniq&uuml;idade conseguiu a ades&atilde;o de milhares. &quot;Marcus Garvey, o pai do pan-africanismo, sempre tentou forjar o v&iacute;nculo. Por isso fundou a linha de navega&ccedil;&atilde;o Black Star&quot;, que levava negros norte-americanos para a &Aacute;frica, recordou Mutabaruka. &quot;Mas, os pol&iacute;ticos n&atilde;o v&ecirc;em a necessidade de fazer tratados co ma &Aacute;frica por acreditarem que n&atilde;o est&aacute; desenvolvida. Os rastafaris estamos sempre dizendo que &eacute; necess&aacute;rio olhar em dire&ccedil;&atilde;o &agrave; &Aacute;frica&quot;, enfatizou o m&uacute;sico e poeta.<\/p>\n<p> Nos &uacute;ltimos anos houve um renascimento da aten&ccedil;&atilde;o posta pelo mundo sobre o continente africano. A imprensa internacional, por exemplo, cobriu amplamente este m&ecirc;s as propostas da Comiss&atilde;o para a &Aacute;frica, criada pelo primeiro-ministro brit&acirc;nico, Tony Blair, e dedicada a melhorar a qualidade de vida da popula&ccedil;&atilde;o da regi&atilde;o. Mas, em uma escala muito menor, s&atilde;o tomados outros passos para fortalecer os v&iacute;nculo entre o continente e sua di&aacute;spora. Os pequenos pa&iacute;ses do Caribe se mostram agora muito dispostos a reanimar a rela&ccedil;&atilde;o hist&oacute;rica e cultural e a traduzi-la em coopera&ccedil;&atilde;o, nesta era hist&oacute;rica de alian&ccedil;as comerciais e desafios crescentes para o Sul em desenvolvimento.<\/p>\n<p> A id&eacute;ia predominante &eacute; aprofundar e fortalecer as &aacute;reas de colabora&ccedil;&atilde;o existentes, como as estabelecidas no grupo de ex-col&ocirc;nias da &Aacute;frica, do Caribe e do pac&iacute;fico (ACP) que negociam prefer&ecirc;ncias comerciais com suas antigas metr&oacute;poles da Uni&atilde;o Europ&eacute;ia. Uma recente confer&ecirc;ncia realizada em conjunto pela Uni&atilde;o Africana (que re&uacute;ne os 53 pa&iacute;ses do continente) e a Comunidade do Caribe (Caricom, com 15 membros plenos e cinco associados) recomendou que os dois blocos se concedessem reciprocamente o estatuto de observadores. Tamb&eacute;m propuseram que uma comiss&atilde;o africano-caribenha se encarregue de centralizar os passos para o fortalecimento do v&iacute;nculo.<\/p>\n<p> Mas, resulta vital considerar as quest&otilde;es comuns com um sentido pr&aacute;tico, afirmou o ministro de Arte e Cultura da &Aacute;frica do Sul, Zweledinga Pallo Jordan. &quot;&Eacute; muito f&aacute;cil nos deixarmos dominar pelo sentimentalismo e pela voluntariedade. Mas, os v&iacute;nculos dependem de muitos fatores pr&aacute;ticos&quot;, disse Jordan &agrave; IPS. &quot;N&atilde;o se estabelece facilmente v&iacute;nculos a&eacute;reos e de navega&ccedil;&atilde;o a menos que haja algo para ser transportado. N&atilde;o queremos avi&otilde;es vazios entre o Caribe e a &Aacute;frica&quot;, explicou. &quot;Na medida em que houver v&iacute;nculos comerciais, empresariais, esportivos, culturais, de comunica&ccedil;&otilde;es e tur&iacute;sticos entre &Aacute;frica e Caribe, os transportes a&eacute;reo e mar&iacute;timo crescer&atilde;o organicamente&quot;, ressaltou o ministro sul-africano.<\/p>\n<p> Ao mesmo tempo, as correntes predominantes do com&eacute;rcio internacional, que empobrecem muitos pa&iacute;ses em desenvolvimento, aumentam a import&acirc;ncia da coopera&ccedil;&atilde;o Sul-Sul, acrescentou Jordan. O desejo de um aprofundamento do v&iacute;nculo com a &Aacute;frica por parte da di&aacute;spora implica uma identifica&ccedil;&atilde;o que ficou demonstrada com o passar dos anos. &quot;N&atilde;o houve uma s&oacute; na&ccedil;&atilde;o ou pa&iacute;s com descendentes africanos que n&atilde;o tenha comemorado a investidura presidencial de Nelson Mandela na &Aacute;frica do Sul, e isso aconteceu porque existe uma forte identifica&ccedil;&atilde;o&quot;, afirmou o ministro. &quot;Mas, n&atilde;o se tratou apenas de identifica&ccedil;&atilde;o. Tamb&eacute;m aconteceu porque na comunidade africana do outro lado do Atl&acirc;ntico todos participaram, de uma maneira ou de outra, muito ou pouco, para que isso ocorresse. Todos deram sua contribui&ccedil;&atilde;o, e por isso sentiram a posse de Mandela como uma vit&oacute;ria&quot;. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Kingston, 30\/03\/2005 &ndash; Cada vez s&atilde;o mais os l&iacute;deres pol&iacute;ticos e personalidades p&uacute;blicas que vislumbram uma nova era de coopera&ccedil;&atilde;o entre &Aacute;frica, Caribe e Brasil. Um deles &eacute; Ralph Gonzalves, primeiro-ministro de San Vicente e Granadinas, que aspira um grande aumento das viagens e do com&eacute;rcio entre estas regi&otilde;es, bem como a coopera&ccedil;&atilde;o cultural, esportiva, educacional e sanit&aacute;ria. A concretiza&ccedil;&atilde;o desses objetivos, segundo este governante caribenho, poderia come&ccedil;ar pelo estabelecimento de &quot;uma comiss&atilde;o permanente entre &Aacute;frica, Caribe e Brasil. O momento &eacute; agora&quot;, disse. &quot;Temos novos l&iacute;deres na &Aacute;frica, e os do Caribe s&atilde;o muito receptivos a estas id&eacute;ias&quot;, prosseguiu, acrescentando que tamb&eacute;m conta a presen&ccedil;a de Luiz In&aacute;cio Lula da Silva &agrave; frente do governo do Brasil, onde est&aacute; radicada a maior comunidade negra fora da &Aacute;frica. &quot;As circunst&acirc;ncias internacionais s&atilde;o tais que necessitamos do espa&ccedil;o, como resposta de pessoas que s&atilde;o marginalizadas do sistema&quot;, afirmou Gonzalvez. <br \/> <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/03\/mundo\/poltica-o-pan-africanismo-est-de-volta\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":421,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[4],"tags":[],"class_list":["post-450","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-mundo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/450","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/421"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=450"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/450\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=450"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=450"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=450"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}