{"id":4545,"date":"2008-11-27T09:14:57","date_gmt":"2008-11-27T09:14:57","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=4545"},"modified":"2008-11-27T09:14:57","modified_gmt":"2008-11-27T09:14:57","slug":"republica-democratica-do-congo-o-custo-da-guerra","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2008\/11\/africa\/republica-democratica-do-congo-o-custo-da-guerra\/","title":{"rendered":"REP\u00daBLICA DEMOCR\u00c1TICA DO CONGO: O Custo da Guerra"},"content":{"rendered":"<p>KIGALI, 27\/11\/2008 &ndash; Cem mil pessoas fugiram de casa no Norte de Kivu nas \u00faltimas tr\u00eas semanas. Cr\u00e9dito: Eddy Isango\/IRIN \u00c9 dispendioso fazer guerra. Os custos envolvidos incluem n\u00e3o s\u00f3 os milh\u00f5es de d\u00f3lares gastos em equipamento militar e em manter um ex\u00e9rcito, mas tamb\u00e9m o seu impacto financeiro e psicol\u00f3gico sobre as vidas das pessoas apanhadas no fogo cruzado. <!--more--> Quando os combates ocorrem em s\u00edtios onde vivem civis, como acontece na regi\u00e3o oriental da Rep\u00fablica Democr\u00e1tica do Congo, a agricultura, a habita\u00e7\u00e3o, os cuidados de sa\u00fade, os neg\u00f3cios e a educa\u00e7\u00e3o s\u00e3o interrompidos no conflito armado, e os efeitos a longo prazo na regi\u00e3o do Norte de Kivu t\u00eam sido devastadores.<\/p>\n<p>Immacule, de dez anos, chegou ao campo de refugiados de Kibati, a 12 quil\u00f3metros a norte de Goma, no dia 27 de Outubro, depois da sua fam\u00edlia ter fugido da aldeia com receio de ataques dos rebeldes liderados por Tutsis.<\/p>\n<p>Diz que sente a falta da escola. &#8220;Quero que o governo nos traga a paz para n\u00f3s para que eu possa regressar a casa e voltar para a escola&#8221;.<\/p>\n<p>Desde que os combates recome\u00e7aram em Agosto entre o Congresso Nacional para Defesa das Popula\u00e7\u00f5es (CNDP) e o ex\u00e9rcito congol\u00eas, 250.000 pessoas ficaram deslocadas na regi\u00e3o do Norte do Kivu.<\/p>\n<p>Nas \u00faltimas tr\u00eas semanas, 100.000 pessoas foram for\u00e7adas a abandonar as suas casas, 60 por cento das quais crian\u00e7as, de acordo com um comunicado de imprensa da UNICEF.<\/p>\n<p>As crian\u00e7as enfrentam problemas imediatos a n\u00edvel de sa\u00fade e seguran\u00e7a, como subnutri\u00e7\u00e3o, mal\u00e1ria e c\u00f3lera. Est\u00e3o em risco de viol\u00eancia sexual, abuso e recrutamento nos grupos armados, problemas com que as crian\u00e7as se deparam em crises semelhantes.<\/p>\n<p>E tamb\u00e9m est\u00e3o a perder uma educa\u00e7\u00e3o est\u00e1vel. &#8220;O ano lectivo acabou de come\u00e7ar\u2026 Esta situa\u00e7\u00e3o est\u00e1 a interromper a educa\u00e7\u00e3o de milhares de crian\u00e7as. N\u00e3o conseguem crescer e desenvolver as suas capacidades intelectuais por causa do conflito,&#8221; declarou Jaya Murthy, porta-voz da UNICEF.<\/p>\n<p>Os novos combates no Norte de Kivu tamb\u00e9m impedem que a ajuda humanit\u00e1ria chegue \u00e0queles que dela precisam.<\/p>\n<p>Fugindo de casa com apenas aquilo que podem transportar, os refugiados n\u00e3o t\u00eam comida, \u00e1gua e material m\u00e9dico adequado.<\/p>\n<p>O Dr. Jo Lusi trabalha num hospital em Goma. Afirma que \u00e9 dif\u00edcil prestar cuidados m\u00e9dicos e de sa\u00fade apropriados a popula\u00e7\u00f5es passageiras em situa\u00e7\u00e3o de seguran\u00e7a fr\u00e1gil.<\/p>\n<p>&#8220;Esta semana, um m\u00e9dico encontrava-se num campo a realizar uma cesariana numa mulher gr\u00e1vida. No meio da opera\u00e7\u00e3o, um rebelde matou-o a tiro. A mulher, com a barriga meia aberta, foi levada a toda a pressa para o hospital, onde tive de continuar a opera\u00e7\u00e3o. Estas n\u00e3o s\u00e3o condi\u00e7\u00f5es em que se possa tratar as pessoas.&#8221;<\/p>\n<p>Justine Mesika \u00e9 uma activista dos direitos das mulheres na Synergies des Femmes, organiza\u00e7\u00e3o vocacionada para os direitos das mulheres sediada em Goma. Afirma que as mulheres sofrem o maior impacto do conflito armado visto que, para al\u00e9m do perigo de serem mortas ou feridas nos combates, tamb\u00e9m correm o risco de serem violadas e submetidas a viol\u00eancia sexual.<\/p>\n<p>&#8220;Desde o in\u00edcio destas hostilidades, as mulheres t\u00eam sido as mais afectadas. S\u00e3o torturadas pelo trauma psicol\u00f3gico daquilo que lhes aconteceu muito depois de ter passado a situa\u00e7\u00e3o.&#8221;<\/p>\n<p>A actividade di\u00e1ria comercial tamb\u00e9m p\u00e1ra abruptamente, j\u00e1 que os propriet\u00e1rios das lojas e os clientes t\u00eam medo de sair de casa. Mama Bahati, m\u00e3e de sete filhos, possui uma loja de roupa em Goma com o marido. &#8220;Temos um grave problema para vender as nossas mercadorias. N\u00e3o tem havido clientes desde a \u00faltima semana porque toda a popula\u00e7\u00e3o tem medo de ir \u00e0 rua.&#8221;<\/p>\n<p>Bahati exige que o governo leve todas as partes envolvidas no conflito \u00e0 mesa das negocia\u00e7\u00f5es para que possa continuar a explorar a sua loja.<\/p>\n<p>Um fr\u00e1gil cessar-fogo que se manteve apenas durante uma semana entre os rebeldes e o governo eclodiu em novos confrontos, levando milhares de refugiados a fugir para o campo de Kibati.<\/p>\n<p>O conflito fez deslocar mais de um milh\u00e3o de pessoas desde o fim das duras guerras civis no Congo em 2003. Acredita-se que ambos os lados estejam a financiar os seus soldados explorando ilegalmente as vastas riquezas minerais do pa\u00eds, o que n\u00e3o lhes d\u00e1 qualquer incentivo financeiro para suspender os combates.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>KIGALI, 27\/11\/2008 &ndash; Cem mil pessoas fugiram de casa no Norte de Kivu nas \u00faltimas tr\u00eas semanas. 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