{"id":4546,"date":"2008-11-27T09:17:32","date_gmt":"2008-11-27T09:17:32","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=4546"},"modified":"2008-11-27T09:17:32","modified_gmt":"2008-11-27T09:17:32","slug":"agricultura-feiras-comerciais-de-meios-de-producao-agricola-na-suazilandia-desiludem","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2008\/11\/africa\/agricultura-feiras-comerciais-de-meios-de-producao-agricola-na-suazilandia-desiludem\/","title":{"rendered":"AGRICULTURA: Feiras Comerciais de Meios de Produ\u00e7\u00e3o Agr\u00edcola na Suazil\u00e2ndia Desiludem"},"content":{"rendered":"<p>MBABANE, 27\/11\/2008 &ndash; As experi\u00eancias dos agricultores suazis com os subs\u00eddios agr\u00edcolas revelam um grande contraste com as do Malawi. Cr\u00e9dito: Mantoe Phakathi\/IPS Mary Ntshangase est\u00e1 sentada debaixo de um grande guarda-sol \u2013 com um pacote de feij\u00f5es numa m\u00e3o e um pacote de amendoins na outra \u2013 atraindo clientes para a sua banca. <!--more--> \u00c9 uma das vendedoras que exp\u00f5em as suas mercadorias na feira comercial de meios de produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola em Matsanjeni, na regi\u00e3o do Lubombo, no leste da Suazil\u00e2ndia, devastada pela seca. <\/p>\n<p>Cerca de 30 bancas, vendendo sementes de amendoim, feij\u00e3o, ab\u00f3bora, feij\u00e3o mung, feij\u00e3o-frade, sorgo, caules de mandioca e folhas de batata doce, formam um c\u00edrculo em redor da arena. A maioria dos vendedores s\u00e3o mulheres, algumas com beb\u00e9s \u00e0s costas, gritando o mais alto poss\u00edvel para tentar atrair a aten\u00e7\u00e3o dos clientes. <\/p>\n<p>Consp\u00edcuas faixas publicit\u00e1rias apontam para os stands bem decorados de s\u00f3lidas companhias como a Pannar e a Farm Chemicals, que parecem atrair mais clientes. Estas companhias oferecem brindes como regadores e foices. As grandes companhias tamb\u00e9m vendem adubos, algo que os pequenos vendedores n\u00e3o t\u00eam.<\/p>\n<p>Os comerciantes de produtos necess\u00e1rios \u00e0 agricultura visitaram 24 comunidades em todo o pa\u00eds durante o m\u00eas de Outubro, vendendo os seus produtos a agricultores de subsist\u00eancia. Embora pare\u00e7a que o neg\u00f3cio corre muito bem aos vendedores na feira comercial, Ntshangase n\u00e3o est\u00e1 muito satisfeita com o neg\u00f3cio do dia. <\/p>\n<p>&#8220;Hoje o mercado n\u00e3o est\u00e1 grande coisa,&#8221; afirma Ntshangase, de 56 anos. &#8220;No ano passado, muitas pessoas compraram, o que n\u00e3o est\u00e1 a acontecer hoje.&#8221;<\/p>\n<p>No \u00faltimo ano, conseguiu um lucro de cerca de $1,666 a vender leguminosas e sementes de sorgo nas diferentes feiras comerciais que se realizam por todo o pa\u00eds. Este ano, afirma, n\u00e3o deve conseguir sequer metade daquele valor.<\/p>\n<p>&#8220;Tamb\u00e9m mais mulheres se aperceberam que existe a oportunidade de vender estes produtos, facto que tamb\u00e9m reduziu o mercado,&#8221; refere. &#8220;Mas estou feliz com o facto de as mulheres se autonomizarem economicamente atrav\u00e9s destas feiras comerciais.&#8221;<\/p>\n<p>Centenas de agricultures de Matsanjeni e zonas circundantes fazem fila nas diferentes bancas para comprarem sementes e adubos. No total, 564 agricultores pobres t\u00eam uma senha no valor de $72 cada um para comprar estes meios de produ\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Mas, al\u00e9m dos compradores, tamb\u00e9m existem dezenas de pessoas carrancudas que est\u00e3o paradas com os olhos fixos no ch\u00e3o como se o mundo as tivesse encurralado. Estes espectadores s\u00e3o agricultores que este ano ficaram de fora da feira devido a cortes de financiamento.<\/p>\n<p>Ntshangase est\u00e1 preocupada com a dr\u00e1stica redu\u00e7\u00e3o do n\u00famero de benefici\u00e1rios das feiras comerciais de meios de produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola por parte da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas para a Alimenta\u00e7\u00e3o e Agricultura (FAO). A FAO patrocina agricultures pobres de subsist\u00eancia nas zonas rurais mediante esse tipo de produtos para tentar lutar contra a fome no pa\u00eds.<\/p>\n<p>No ano passado, de acordo com o representante nacional da FAO, Khanyisile Mabuza, 50.000 agricultores beneficiaram do programa; este ano, apenas 4.888 ir\u00e3o receber as cobi\u00e7adas senhas. Mabuza afirma que este ano a FAO n\u00e3o conseguiu atrair o apoio de doadores para o programa, for\u00e7ando a organiza\u00e7\u00e3o a procurar $500.000 ao seu pr\u00f3prio bolso. Este \u00e9 um valor bem distante dos 3 milh\u00f5es de d\u00f3lares gastos no ano passado \u2013 tendo a Comiss\u00e3o da Uni\u00e3o Europeia para a Ajuda Humanit\u00e1ria contribu\u00eddo $1.5 milh\u00f5es e sendo a outra metade proveniente do Fundo de Emerg\u00eancia Central das Na\u00e7\u00f5es Unidas.<\/p>\n<p>O financiamento cont\u00ednuo deste programa continua a ser incerto.<\/p>\n<p>&#8220;Este programa existe h\u00e1 cinco anos e os patrocinadores acham que, por esta altura, os agricultures deviam ser capazes de se sustentarem,&#8221; declara Mabuza.<\/p>\n<p>Contudo, n\u00e3o parece que os agricultores de subsist\u00eancia suazis consigam sobreviver sem necessidade de ajuda dentro em breve. A maioria dos agricultores neste programa n\u00e3o tem nada a mostrar por serem benefici\u00e1rios dos meios de produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola ao longo dos anos. Segundo o principal representante da zona, Bomber Dlamini, continuam t\u00e3o vulner\u00e1veis como antes porque vendem ou consomem esses produtos.<\/p>\n<p>Por causa da inseguran\u00e7a alimentar prevalecente no pa\u00eds, onde 260.000 pessoas dependem da ajuda alimentar, a maioria das pessoas quer aux\u00edlio imediato para a fome. Algumas pessoas chegam ao ponto de remover os qu\u00edmicos de sementes tratadas por meio de lavagem para as poderem cozinhar.<\/p>\n<p>A Dr\u00aa. Nomcebo Simelane, leitora e investigadora do departamento de geografia, ci\u00eancias do ambiente e planeamento da Universidade da Suazil\u00e2ndia, alerta contra o considerar como agricultores todos quantos vivem nas zonas rurais. Algumas pessoas que residem nas zonas rurais nem sequer vivem da agricultura mas est\u00e3o empregadas ou s\u00e3o dependentes de familiares que est\u00e3o a trabalhar.<\/p>\n<p>&#8220;\u00c9 apenas o destino que dita que elas vivam nas zonas rurais e sejam pobres,&#8221; afirma a Dr\u00aa. Simelane. &#8220;A maioria dos pobres trabalha nas f\u00e1bricas nas cidades e depois sustenta as fam\u00edlias em casa.&#8221;<\/p>\n<p>A Dr\u00aa. Simelane refere que a falta de identifica\u00e7\u00e3o de pessoas realmente interessadas na agricultura pode ser o motivo pelo qual alguns destes produtos v\u00e3o parar \u00e0 panela.<\/p>\n<p>A FAO diz que as pessoas que beneficiam dos produtos necess\u00e1rios \u00e0 agricultura s\u00e3o seleccionadas atrav\u00e9s de dirigentes comunit\u00e1rios que olham para a sua vulnerabilidade e o &#8220;seu interesse na agricultura.&#8221; Diz que a maioria dos benefici\u00e1rios \u00e9 do sexo feminino porque constituem um elevado n\u00famero dos pobres nas zonas rurais.<\/p>\n<p>Embora o milho n\u00e3o se desenvolva bem em alturas de seca, a maior parte dos agricultures continua a insistir que quer cultivar milho.<\/p>\n<p>Mas o secret\u00e1rio principal no Minist\u00e9rio da Agricultura e Cooperativas avisa firmemente os agricultores da regi\u00e3o do Lubombo, devastada pela seca, que n\u00e3o adiram ao alimento b\u00e1sico do pa\u00eds.<\/p>\n<p>O Dr. Robert Thwala diz que o sorgo \u00e9 a cultura ideal para zonas secas e insta os agricultures a utilizarem as suas senhas prudentemente investindo, numa cultura que lhes traga elevados rendimentos.<\/p>\n<p>Este ano a FAO acredita ter encontrado uma solu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&#8220;Dissemos a todos os comerciantes que n\u00e3o trouxessem milho para esta feira comercial,&#8221; conta Mabuza<\/p>\n<p>Mas n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o simples.<\/p>\n<p>Embora se diga aos agricultures que devem plantar culturas que toleram a seca prevalecente na regi\u00e3o do Lubombo, estas culturas por vezes tamb\u00e9m n\u00e3o medram. O calor t\u00f3rrido, segundo Cedusizi Ndlovu, deputado da zona, destr\u00f3i at\u00e9 as culturas mais resistentes como sorgo e leguminosas.<\/p>\n<p>&#8220;Na aus\u00eancia de humidade, nada pode germinar,&#8221; aponta Ndlovu. &#8220;A \u00fanica solu\u00e7\u00e3o para este problema \u00e9 a constru\u00e7\u00e3o de barragens para armazenar \u00e1gua dos rios para que as pessoas possam irrigar as suas culturas.&#8221; Minah Mbuli (62), benefici\u00e1ria deste programa, partilha dos mesmos sentimentos de Ndlovu, defendendo que \u00e9 demasiado cedo para pensar que tem sorte depois de obter a senha antes de a chuva decidir a sua sorte.<\/p>\n<p>&#8220;No ano passado plantei sorgo e batata doce e n\u00e3o obtive qualquer rendimento porque estava demasiado quente \u2013 foi tudo destru\u00eddo pelo sol,&#8221; conta Mbuli.<\/p>\n<p>O programa das feiras comerciais de produtos agr\u00edcolas n\u00e3o oferece uma solu\u00e7\u00e3o hol\u00edstica aos problemas enfrentados pelos agricultores de subsist\u00eancia rural, a quem faltam at\u00e9 os meios de amanho da terra associados \u00e0 agricultura. \u00c9 dispendioso alugar tractores, ao passo que os pre\u00e7os dos meios de produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola subiram em flecha, deixando os agricultores sem dinheiro para comprar adubos e ferramentas. Um saco de 50 kg de adubo custa $65 na feira comercial, enquanto cada agricultor recebe apenas $72. O resto do dinheiro n\u00e3o \u00e9 suficiente para comprar sementes e pesticidas.<\/p>\n<p>\u00c9 assim que a maior parte dos agricultures regressa \u00e0 estaca zero.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>MBABANE, 27\/11\/2008 &ndash; As experi\u00eancias dos agricultores suazis com os subs\u00eddios agr\u00edcolas revelam um grande contraste com as do Malawi. 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