{"id":4561,"date":"2008-12-02T11:59:08","date_gmt":"2008-12-02T11:59:08","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=4561"},"modified":"2008-12-02T11:59:08","modified_gmt":"2008-12-02T11:59:08","slug":"indigenas-america-latina-um-jornalismo-que-ainda-nao-e","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2008\/12\/america-latina\/indigenas-america-latina-um-jornalismo-que-ainda-nao-e\/","title":{"rendered":"IND\u00cdGENAS-AM\u00c9RICA LATINA: Um jornalismo que ainda n\u00e3o \u00e9"},"content":{"rendered":"<p>La Paz, 02\/12\/2008 &ndash; O jornalismo ind\u00edgena parece estar em um etapa an\u00e1loga \u00e0 vivida d\u00e9cadas atr\u00e1s pelo jornalismo ambiental: nascido na necessidade e na den\u00fancia, expressa a constante tens\u00e3o entre ativismo e exerc\u00edcio profissional.  <!--more--><br \/>\n <div id=\"attachment_4561\" style=\"width: 210px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/Bolivia_taller_periodistas_indigenas_037_DianaCariboni1.JPG\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-4561\" class=\"size-medium wp-image-4561\" title=\" - Diana Cariboni\/IPS\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/Bolivia_taller_periodistas_indigenas_037_DianaCariboni1.JPG\" alt=\" - Diana Cariboni\/IPS\" width=\"200\" height=\"150\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-4561\" class=\"wp-caption-text\"> - Diana Cariboni\/IPS<\/p><\/div>  O problema \u00e9 que \u201csomos fonte e somos meio\u201d ao mesmo tempo, disse a kankuama Silsa Arias, respons\u00e1vel de comunica\u00e7\u00e3o da Organiza\u00e7\u00e3o Nacional Ind\u00edgena da Col\u00f4mbia (Onic), quando discut\u00edamos na semana passada, em La Paz, como executar o trabalho de produ\u00e7\u00e3o, pesquisa e reda\u00e7\u00e3o no painel \u201cMinga jornal\u00edstica: constru\u00e7\u00e3o de reportagens ind\u00edgenas na Am\u00e9rica Latina\u201d.<\/p>\n<p>Arias \u00e9 uma l\u00edder do movimento abor\u00edgine de seu pa\u00eds, mas tamb\u00e9m estudou jornalismo e \u00e9 respons\u00e1vel pelas not\u00edcias do site da Onic e de sua r\u00e1dio virtual Dachibedea (Nossa Voz). Dessa constata\u00e7\u00e3o fizeram eco v\u00e1rios participantes do painel, patrocinado pelo Fundo Internacional de Desenvolvimento Agr\u00edcola (Fida), do qual participaram abor\u00edgines de Bol\u00edvia, Col\u00f4mbia, Equador, Guatemala, Peru e Venezuela que assumiram a tarefa de informar, educar ou denunciar em r\u00e1dios comunit\u00e1rias, meios alternativos ou locais e organiza\u00e7\u00f5es sociais, com diferentes prop\u00f3sitos reivindicat\u00f3rios ou de forma\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Dois jornalistas da Nicar\u00e1gua n\u00e3o puderam participar. Um porque foi hospitalizado de urg\u00eancia ap\u00f3s contrair mal\u00e1ria, e outro n\u00e3o conseguiu convencer a empresa a\u00e9rea de que n\u00e3o precisava de visto para entrar na Bol\u00edvia. Seus casos ilustram o tipo de dificuldades que surgem a cada passo desde que a ag\u00eancia IPS me encarregou da tarefa de identificar colegas dedicados a temas ind\u00edgenas, trein\u00e1-los e public\u00e1-los em nosso servi\u00e7o mundial de not\u00edcias. Nas zonas habitadas por povos originais da Am\u00e9rica Latina, a brecha digital \u201c\u00e9 um abismo\u201d, afirmaram v\u00e1rios.<\/p>\n<p>Alguns apenas t\u00eam acesso ao email uma vez por semana ou a cada 15 dias. Isso acontece com o venezuelano Jorge Montiel, do povo wayuu, que espera conseguir um computador pessoal dentro de alguns meses, quando conseguir juntar US$ 500 ou US% 600 para comprar um usado. No entanto, a viagem por rio que o colombiano Milton Piranga quer fazer para escrever sobre um povo amaz\u00f4nico em vias de extin\u00e7\u00e3o custa US$ 1.500,mais caro do que uma passagem de avi\u00e3o para a Europa. Piranga \u00e9 de outro povo vulner\u00e1vel, o koreguaje, concentrado no departamento do Caquet\u00e1 e reduzido a cerca de 3.500 pessoas. Seu pai, um cacique importante de sua comunidade, foi morto pela guerrilha quando ele tinha 10 anos.<\/p>\n<p>O idioma espanhol trazido pelos conquistadores ficou exposto tamb\u00e9m como mat\u00e9ria de tens\u00f5es. Obrigados a domin\u00e1-lo para se comunicarem entre si e com o resto da sociedade, os ind\u00edgenas \u00e0s vezes o usam a contragosto. Era interessante ver os convidados chegados de outros pa\u00edses entrevistando camponeses ayumaras nas montanhas de Loripata, a 300 quil\u00f4metros de La Paz. Dona Teodora explicava impass\u00edvel em sua l\u00edngua como havia constru\u00eddo em 25 dias, e com ajuda de seus vizinhos, o terra\u00e7o onde plantou nabos, at\u00e9 que uma colombiana se impacientou: \u201cFale-me em espanhol, assim n\u00e3o nos entenderemos\u201d. Diante da insist\u00eancia, Teodora concordou em intercalar em sua fala algumas palavras em castelhano.<\/p>\n<p>A tradu\u00e7\u00e3o simult\u00e2nea, a cargo de um t\u00e9cnico da Fida, soava muito sint\u00e9tica e pouco nos agradou. Ent\u00e3o, os entrevistadores decidiram gravar a entrevistada em sua l\u00edngua e pedir mais tarde uma tradu\u00e7\u00e3o do registro ao correspondente da IPS na Bol\u00edvia, Franz Ch\u00e1vez, que domina a l\u00edngua aymara. Em Loripata, 50 fam\u00edlias de tr\u00eas comunidades sobrevivem lutando contra a eros\u00e3o de suas terras, pequenas \u00e1reas empinadas em ladeiras, cujos solos e adubos s\u00e3o levados pela \u00e1gua cada vez que chove.<\/p>\n<p>Um programa financiado pelo Fida os ajuda com fundos e conhecimento t\u00e9cnico para recuperar antigas pr\u00e1ticas de cultivo como os terra\u00e7os, que impedem a eros\u00e3o, e para plantar \u00e1rvores. Cultivam batata, milho, algumas hortali\u00e7as, criam galinhas,. Mas, nada basta para superar a desnutri\u00e7\u00e3o. Por\u00e9m, nos receberam com um banquete: batatas de diversas variedades, cozidas ou assadas, mandioca, tortillas de ovos criollos, frango assado e at\u00e9 salada, uma excentricidade apenas presente para receber os visitantes.<\/p>\n<p>Enquanto desc\u00edamos pelo caminho das terra\u00e7as at\u00e9 a aldeia, a peruana Milza Hinostroza, de 23 anos, formada em jornalismo e parte do programa de r\u00e1dio \u201cEl Cafetalero\u201d, passou de entrevistadora a fonte, quando come\u00e7ou a contar as realidades dos pequenos produtores de caf\u00e9 de seu pa\u00eds, um tema dominante. No painel houve perguntas que eram desafios. \u201cPor que temos de consultar como fonte empresas denunciadas por contaminarem ou saquearem nossas terras ou os governos, se j\u00e1 aprecem todos os dias nos jornais ou na televis\u00e3o? Por que temos de seguir os princ\u00edpios de imparcialidade, veracidade, multiplicidade de fontes, se os grandes meios n\u00e3o o fazem quando informam sobre n\u00f3s?\u201d. As respostas foram por aproxima\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p> Porque uma mat\u00e9ria jornal\u00edstica feita com rigor pode chegar a um p\u00fablico mais amplo do que uma declara\u00e7\u00e3o de den\u00fancia, pode comover mais pessoas, pode expor os problemas de uma maneira mais forte. Al\u00e9m disso, o jornalismo \u00e9 uma ferramenta maravilhosa para obter uma perspectiva ampla da realidade, para aprender a armar o quebra-cabe\u00e7as dos problemas cotidianos, para ver as liga\u00e7\u00f5es ocultas dos fatos e para notar os matizes. Os homens e as mulheres que se reuniram na semana passada em La Paz chegaram ao jornalismo por necessidade, movidos por uma urg\u00eancia anterior: denunciar o que acontece aos povos origin\u00e1rios da Am\u00e9rica Latina. Agradeceram a possibilidade do encontro, do di\u00e1logo e de receber um pouco de ajuda t\u00e9cnica. O tempo dir\u00e1 se seguir\u00e3o, ou n\u00e3o, neste of\u00edcio. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>La Paz, 02\/12\/2008 &ndash; O jornalismo ind\u00edgena parece estar em um etapa an\u00e1loga \u00e0 vivida d\u00e9cadas atr\u00e1s pelo jornalismo ambiental: nascido na necessidade e na den\u00fancia, expressa a constante tens\u00e3o entre ativismo e exerc\u00edcio profissional. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2008\/12\/america-latina\/indigenas-america-latina-um-jornalismo-que-ainda-nao-e\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":57,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2,11],"tags":[19],"class_list":["post-4561","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-america-latina","category-politica","tag-arte-y-cultura"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4561","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/57"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4561"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4561\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4561"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4561"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4561"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}