{"id":4566,"date":"2008-12-02T12:25:24","date_gmt":"2008-12-02T12:25:24","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=4566"},"modified":"2008-12-02T12:25:24","modified_gmt":"2008-12-02T12:25:24","slug":"reportagem-cruzada-pessoal-pela-natureza","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2008\/12\/america-latina\/reportagem-cruzada-pessoal-pela-natureza\/","title":{"rendered":"REPORTAGEM: Cruzada pessoal pela natureza"},"content":{"rendered":"<p>SANTIAGO, 02\/12\/2008 &ndash; (Tierram\u00e9rica).- A trag\u00e9dia do meio ambiente comoveu de tal forma estas quatro pessoas que abra\u00e7aram sua defesa como uma cruzada pessoal. Terram\u00e9rica. Conta suas historias  <!--more--><br \/>\n <div id=\"attachment_4566\" style=\"width: 210px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/399_moni.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-4566\" class=\"size-medium wp-image-4566\" title=\"Elba Mu\u00f1oz trata com carinho os macacos resgatados - Daniela Estrada\/IPS\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/399_moni.jpg\" alt=\"Elba Mu\u00f1oz trata com carinho os macacos resgatados - Daniela Estrada\/IPS\" width=\"200\" height=\"150\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-4566\" class=\"wp-caption-text\">Elba Mu\u00f1oz trata com carinho os macacos resgatados - Daniela Estrada\/IPS<\/p><\/div>  A chilena Elba Mu\u00f1oz resgata e cuida de macacos maltratados, a peruana Trinidad Vela reviveu uma \u00e1rea seca que acabou salvando sua comunidade da seca, o argentino Rub\u00e9n Pablos h\u00e1 12 anos restaura a floresta nativa patag\u00f4nia e a cubana \u00c2ngela Corvea semeia consci\u00eancias. <\/p>\n<p>\u201cAlgumas pessoas me v\u00eaem como hero\u00edna e outras como uma louca\u201d, conta ao Terram\u00e9rica a parteira Elba Mu\u00f1oz, de 58 anos, fundadora do Centro de Resgate e Reabilita\u00e7\u00e3o de Primatas de Pe\u00f1aflor, 40 quil\u00f4metros a oeste da capital chilena.<\/p>\n<p>Dos US$ 6 mil que o Centro gasta mensalmente, 70% s\u00e3o desembolsados por Elba e sua fam\u00edlia. O restante \u00e9 doado por mais de 240 \u201cpadrinhos\u201d. Hoje abriga 145 macacos de dez esp\u00e9cies, a maioria v\u00edtima do tr\u00e1fico de animais, que chegam doentes e feridos. <\/p>\n<p>A hist\u00f3ria come\u00e7ou no dia 8 de dezembro de 1994, quando bateram \u00e0 sua porta oferecendo Crist\u00f3bal, um pequeno macaco barrigudo (Lagothrix lagotheicha). Ela comprou o animal e cuidou dele como se fosse um filho, sem imaginar que \u00e0 sua casa chegariam outros primatas resgatados do tr\u00e1fico e abandonados. Em 1996, criou o Centro, que acolhe macacos de circos, zool\u00f3gicos e inclusive de um laborat\u00f3rio de universidade.<\/p>\n<p>Estudou sobre primatas, visitou santu\u00e1rios, escreveu um livro, colaborou com publica\u00e7\u00f5es acad\u00eamicas e fez exposi\u00e7\u00f5es em semin\u00e1rios. Hoje busca patroc\u00ednio do governo para obter financiamento privado, conta esta mulher casada e m\u00e3e de quatro filhos. O Centro abriga a \u00fanica col\u00f4nia de macacos barrigudos que se reproduziram em cativeiro na Am\u00e9rica Latina. Elba acredita que sua obra serviu para sensibilizar a popula\u00e7\u00e3o sobre maus-tratos de animais. O tr\u00e1fico de macacos diminuiu muito, garante. Paradoxalmente, a meta do Centro \u00e9 desaparecer quando os animais morrerem de velhice. \u201cTodos os macacos em cativeiro est\u00e3o mal. O Centro \u00e9 uma pris\u00e3o, a melhor do Chile, mas uma pris\u00e3o\u201d, diz com tristeza.<\/p>\n<p>Certas pessoas tornam poss\u00edvel que no epicentro da destrui\u00e7\u00e3o surja a vida. No Peru, Trinidad Vela \u00e9 uma delas. Nasceu h\u00e1 72 anos no povoado amaz\u00f4nico de Juanju\u00ed, cortado pelo Rio Huallaga, que nos anos 80 se converteu em cemit\u00e9rio de v\u00edtimas do conflito interno, encurralado pelos narcotraficantes e pelo desmatamento. Ali, em uma \u00e1rea depredada por pastagens na regi\u00e3o de San Mart\u00edn, esta filha de agricultores com forma\u00e7\u00e3o escolar incompleta, plantou, h\u00e1 14 anos, uma floresta que conseguiu ressuscitar o caudal de um riacho seco. Em 2005, essa \u00e1gua salvou seus vizinhos agricultores da pior seca vivida pela Amaz\u00f4nia.<\/p>\n<p>\u201cNo come\u00e7o, todos pensavam que eu estava louca porque n\u00e3o queria cortar nem queimar o mato, e comecei a plantar esp\u00e9cies para recuperar o caudal de nosso riacho. Diziam \u2018como desperdi\u00e7a terreno e n\u00e3o trabalha a terra?\u201d, conta Vela ao Terram\u00e9rica. Enquanto outros plantavam coca ou laranja, ela plantava \u00e1rvores de mogno e cedro para que as \u00e1guas e as aves, mam\u00edferos e insetos que alguma vez sa\u00edram do lugar voltassem para seu h\u00e1bitat. <\/p>\n<p>Construiu seu sonho acompanhada da filha Karina, com perseveran\u00e7a e poucos recursos, at\u00e9 convert\u00ea-lo na \u00fanica experi\u00eancia registrada de restaura\u00e7\u00e3o de paisagem em uma \u00e1rea de pastagens. Hoje o lugar \u00e9 a primeira \u00e1rea de conserva\u00e7\u00e3o privada da regi\u00e3o e tem o nome da ressuscitado riacho: Pucunucho. \u201cDepois daqueles dias sem \u00e1gua, as pessoas come\u00e7aram a compreender a import\u00e2ncia das florestas, que s\u00e3o necess\u00e1rias para nossas vidas\u201d, afirma Vela.<\/p>\n<p>Na Argentina, Rub\u00e9n Pablos lidera, desde 1996, um projeto de reflorestamento da floresta nativa na cidade de San Carlos de Bariloche. Os inc\u00eandios, que na d\u00e9cada de 90 arrasavam dez mil hectares por ano do Parque Nacional Nahuel Huap\u00ed, sacudiram sua consci\u00eancia. Pablos nasceu no sub\u00farbio de Buenos Aires. Em 1982 combateu na guerra contra a Gr\u00e3-Bretanha pelas Ilhas Malvinas\/Falkland Islands e em 1990, sem emprego nem profiss\u00e3o, foi trabalhar como artes\u00e3o em Bariloche. \u201cSempre me interessei pela natureza, mas em Bariloche me preocupava com a floresta que se degradava\u201d, conta ao Terram\u00e9rica.<\/p>\n<p>Inicialmente canalizou sua inquieta\u00e7\u00e3o como bombeiro florestal volunt\u00e1rio. Essa experi\u00eancia lhe permitiu ver que nenhum \u00f3rg\u00e3o trabalhava para recuperar o que o fogo destru\u00eda. Assim, nasceu o Projeto de Restaura\u00e7\u00e3o da Floresta Nativa Andino-Patag\u00f4nia. A iniciativa inclui o Viveiro Florestal Bariloche, que produz 50 mil mudas de diversas esp\u00e9cies para reflorestamento. \u201cFazemos palestras em escolas sobre as fun\u00e7\u00f5es da floresta e levamos duas mil crian\u00e7as por ano para plantar \u00e1rvores em \u00e1reas afetadas pelos inc\u00eandios\u201d, disse Pablos, que se define como \u201cautodidata\u201d e agora dirige a Associa\u00e7\u00e3o Civil Semear.<\/p>\n<p>Em 2004, conseguiu criar o Dia da Floresta Nativa. Desde ent\u00e3o, por determina\u00e7\u00e3o municipal, no segundo domingo de maio acontece em Bariloche uma campanha de reflorestamento. A iniciativa foi copiada por outros munic\u00edpios patag\u00f4nios. Atualmente, o Parlamento argentino estuda um projeto para que a data seja comemorada em todo o pa\u00eds.<\/p>\n<p>Em Cuba, \u00c2ngela Corvea, de 59 anos, semeia conscientiza\u00e7\u00e3o. Bi\u00f3loga marinha aposentada, com duas d\u00e9cadas trabalhando com educa\u00e7\u00e3o ambiental, Corvea divide seu tempo entre palestras e trabalhos pr\u00e1ticos em escolas e outros locais, a coordena\u00e7\u00e3o em seu munic\u00edpio da campanha internacional \u201cLimpando o mundo\u201d, e o Acualina, seu projeto l\u00edder, criado em 2003. Tudo isto sem descuidar de sua filha Elisa, de 24 anos, que sofre seq\u00fcelas de uma paralisia cerebral infantil. Sua mensagem \u00e9 dirigida \u00e0s crian\u00e7as. \u201cS\u00e3o como esponjas, recebem tudo o que se coloca em suas mentes. Minha inten\u00e7\u00e3o \u00e9 alert\u00e1-los e preocup\u00e1-los, e tamb\u00e9m ocup\u00e1-los\u201d, disse ao Terram\u00e9rica. <\/p>\n<p>Com Acualina, uma personagem que a televis\u00e3o estatal difunde em seus canais educativos, p\u00f4de levar suas id\u00e9ias a todo o pa\u00eds. Trata-se de uma menina fil\u00f3sofa que, vestida \u00e0 moda da antiga Gr\u00e9cia e com as cores da bandeira de Cuba, ensina e aconselha sobre o que fazer para preservar o meio ambiente. Essa musa ambiental tamb\u00e9m est\u00e1 em cartazes, caixas de f\u00f3sforos, almanaques, cart\u00f5es telef\u00f4nicos pr\u00e9-pagos, em uma p\u00e1gina da internet e em dois livros, \u201cAcualina 1\u201d e \u201cAcualina 2\u201d. Atualmente, cuida dos detalhes finais de um or\u00e7amento para poder enviar \u00e0 gr\u00e1fica o \u201cAcualina 3\u201d, enquanto alguns amigos redesenham o site.<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 uma atividade que possa ser quantificada, nem tampouco aumenta sua pens\u00e3o de aposentada. Por\u00e9m, Corvea considera que o mais importante \u00e9 ir criando consci\u00eancia entre os cidad\u00e3os, somar e multiplicar esfor\u00e7os, porque amanh\u00e3 poder\u00e1 ser tarde.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>SANTIAGO, 02\/12\/2008 &ndash; (Tierram\u00e9rica).- A trag\u00e9dia do meio ambiente comoveu de tal forma estas quatro pessoas que abra\u00e7aram sua defesa como uma cruzada pessoal. Terram\u00e9rica. 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