{"id":46,"date":"2005-01-20T00:00:00","date_gmt":"2005-01-20T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=46"},"modified":"2005-01-20T00:00:00","modified_gmt":"2005-01-20T00:00:00","slug":"campons-e-ecologista-preso","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/01\/mundo\/campons-e-ecologista-preso\/","title":{"rendered":"Campon&ecirc;s e ecologista: preso"},"content":{"rendered":"<p>PARIS, 20\/01\/2005 &ndash; Ser campon&ecirc;s pobre e opor-se ao desmatamento no M&eacute;xico podem ser raz&otilde;es suficientes para se acabar na pris&atilde;o. Assim indicam cinco casos desde 1999. O &uacute;ltimo &eacute; o de Felipe Arriaga, detido em novembro, acusado de assassinato. Logo outros 13 poder&atilde;o somar-se a ele. &quot;Meu problema se deve ao fato de defender as florestas. N&atilde;o em v&atilde;o meu acusador &eacute; um madeireiro&quot;, disse Arriaga ao Terram&eacute;rica, de uma pris&atilde;o em Guerrero, Estado do sudeste mexicano onde colabora com a Organiza&ccedil;&atilde;o Camponeses Ecologistas da Serra de Petatl&aacute;n e Coyuca de Catal&aacute;n. <br \/> <!--more--> <br \/> O testemunho de Arriaga &eacute; uma c&oacute;pia quase id&ecirc;ntica dos apresentados em seu momento por outros quatro camponeses ambientalistas, pobres e semi-analfabetos. Nesses casos, os acusados denunciaram que por combaterem o desmatamento foram v&iacute;timas de provas fabricadas e torturas por parte de autoridades. Organiza&ccedil;&otilde;es de direitos humanos locais e internacionais os consideraram presos de consci&ecirc;ncia. Posteriormente foram libertados. <\/p>\n<p> No M&eacute;xico, &quot;usa-se o sistema judicial para silenciar ou desanimar as vozes dissidentes e a oposi&ccedil;&atilde;o da sociedade civil, recorrendo a acusa&ccedil;&otilde;es falsas ou sem fundamento&quot;, afirmou a Anistia Internacional, com sede em Londres, a prop&oacute;sito dos reiterados depoimentos de camponeses presos. <\/p>\n<p> Rodolfo Montiel e Teodoro Cabrera, companheiros de Arriaga na Organiza&ccedil;&atilde;o de Camponeses Ecol&oacute;gicos de Guerrero, deixaram a pris&atilde;o em 2001 por interven&ccedil;&atilde;o do presidente Vicente Fox que, alegando problema de sa&uacute;de de ambos, ordenou o perd&atilde;o de suas penas de at&eacute; dez anos de pris&atilde;o e o encerramento do processo contra eles. Montiel e Cabrera, detidos em 1999 sob acusa&ccedil;&atilde;o de posse de armas e cultivo de maconha, processaram o Estado mexicano no Tribunal Interamericano de Direitos Humanos, pedindo repara&ccedil;&atilde;o de danos, puni&ccedil;&atilde;o dos militares que os detiveram e torturaram, e ainda uma declara&ccedil;&atilde;o plena de inoc&ecirc;ncia. Hoje, ambos vivem semiclandestinamente e longe de Guerrero, pois temem atentados por parte dos respons&aacute;veis pelo corte de &aacute;rvores que combateram. <\/p>\n<p> &quot;O caso de Arriaga &eacute; muito semelhante ao de Montiel e Cabrera. Trata-se de acusa&ccedil;&otilde;es suspeitas, dirigidas contra quem se op&otilde;e ao desmatamento&quot;, disse ao Terram&eacute;rica Mario Patr&oacute;n, coordenador jur&iacute;dico da Tlachinollan, uma organiza&ccedil;&atilde;o de direitos humanos de Guerrero. Patr&oacute;n foi um dos advogados de Montiel e Cabrera e &eacute; poss&iacute;vel que assuma o caso de Arriaga, acusado de participa&ccedil;&atilde;o no assassinato, em 1998, de um filho de Bernardino Batista, l&iacute;der de organiza&ccedil;&otilde;es de cortadores de &aacute;rvores. Por esse crime est&atilde;o pendentes 13 ordens de pris&atilde;o, todas contra camponeses contr&aacute;rios ao desmatamento em Guerrero. &quot;Vou ser claro com voc&ecirc;, algu&eacute;m se intromete em certos interesses e esse &eacute; o problema, por isso estou aqui (na pris&atilde;o). Mas tenho a certeza de que ter&atilde;o de me libertar por que n&atilde;o fiz nada, assim como meus compadres Montiel e Cabrera, que j&aacute; est&atilde;o livres&quot;, disse Arriaga.<\/p>\n<p> Com menos de 28% de seu territ&oacute;rio coberto por florestas, o M&eacute;xico perde a cada ano mais de 500 mil hectares de &aacute;rvores. Grande parte dessa destrui&ccedil;&atilde;o se d&aacute; por m&atilde;os de grupos ligados ao crime organizado. Na pris&atilde;o, Montiel e Cabrera receberam de organiza&ccedil;&otilde;es norte-americanas o pr&ecirc;mio Goldman, considerado o Nobel da ecologia. no valor de US$ 125 mil, e tamb&eacute;m o pr&ecirc;mio Chico Mendes, criado em mem&oacute;ria do campon&ecirc;s, sindicalista e ambientalista brasileiro assassinado em 1988. Patr&oacute;n afirma que a destrui&ccedil;&atilde;o da floresta nas serras de Guerrero parou quando seus clientes estavam presos, mas recome&ccedil;ou nos &uacute;ltimos dois anos. <\/p>\n<p> Cerca de 40% da mata das serras de Petetl&aacute;n e Coyuca de Catal&aacute;n, em Guerrero, onde Montiel e Cabrera viviam, foi destru&iacute;do entre 1992 e 2000, afirma a organiza&ccedil;&atilde;o ambientalista Greenpeace. Imagens obtidas por sat&eacute;lite provam que em oito anos se perderam 86 mil dos 226.203 hectares de florestas existentes nessas regi&otilde;es. Semelhante destrui&ccedil;&atilde;o se registra em Coloradas de la Vigen, zona de mais de 50 mil hectares localizada no Estado de Chihuahua, local ancestral dos ind&iacute;genas Rar&aacute;muris, onde vivem cerca de 360 fam&iacute;lias. <\/p>\n<p> Dessa localidade s&atilde;o Isidro Baldenegro e Hermenegildo Rivas, ind&iacute;genas que tamb&eacute;m combatem o desmatamento. Libertados em junho por decis&atilde;o judicial, permaneceram pouco mais de dois anos presos acusados de posse de armas e drogas. &quot;Me comprometi a continuar com a luta e agora me sinto ainda mais comprometido, pois muitas pessoas e organiza&ccedil;&otilde;es apoiaram minha liberdade&quot;, disse Baldenegro ao Terram&eacute;rica, por telefone de sua comunidade em Sierra Tarahumara. Baldenegro, filho de um dirigente rural assassinado em 1986, aparentemente por enfrentar cortadores de &aacute;rvores, conta com prote&ccedil;&atilde;o policial, pois teme ser assassinado. &quot;No momento n&atilde;o sinto muito pr&oacute;ximo o perigo nem as amea&ccedil;as. Mas se finalmente conseguirmos nos tribunais o fim do desmatamento, creio que a&iacute; sim se sentir&atilde;o muito ofendidos (os grupos que cortam &aacute;rvores) e tratariam de eliminar algumas pessoas&quot;, disse o campon&ecirc;s. <\/p>\n<p> Segundo se soube durante o processo contra Baldenegro e Rivas, as acusa&ccedil;&otilde;es eram infundadas e v&aacute;rios policiais plantaram provas contra eles. Apesar disso, os culpados por esses crimes, bem como os militares que os torturaram e acusaram Montiel e Cabrera, est&atilde;o livres e nunca foram punidos.<\/p>\n<p> * O autor &eacute; correspondente da IPS.<\/p>\n<p> Artigo produzido para o Terram&eacute;rica, projeto de comunica&ccedil;&atilde;o dos Programas das Na&ccedil;&otilde;es Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) e para o Desenvolvimento (Pnud), realizado pela Inter Press Service (IPS) e distribu&iacute;do pela Ag&ecirc;ncia Envolverde.<\/p>\n<p>Artigo produzido para o Terram&eacute;rica, projeto de comunica&ccedil;&atilde;o dos Programas das Na&ccedil;&otilde;es Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) e para o Desenvolvimento (Pnud), realizado pela Inter Press Service (IPS) e distribu&iacute;do pela Ag&ecirc;ncia Envolverde.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>PARIS, 20\/01\/2005 &ndash; Ser campon&ecirc;s pobre e opor-se ao desmatamento no M&eacute;xico podem ser raz&otilde;es suficientes para se acabar na pris&atilde;o. 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N&atilde;o em v&atilde;o meu acusador &eacute; um madeireiro&quot;, disse Arriaga ao Terram&eacute;rica, de uma pris&atilde;o em Guerrero, Estado do sudeste mexicano onde colabora com a Organiza&ccedil;&atilde;o Camponeses Ecologistas da Serra de Petatl&aacute;n e Coyuca de Catal&aacute;n. <br \/> <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/01\/mundo\/campons-e-ecologista-preso\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":437,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[4],"tags":[],"class_list":["post-46","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-mundo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/46","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/437"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=46"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/46\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=46"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=46"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=46"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}