{"id":4603,"date":"2008-12-15T14:30:45","date_gmt":"2008-12-15T14:30:45","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=4603"},"modified":"2008-12-15T14:30:45","modified_gmt":"2008-12-15T14:30:45","slug":"mudanca-climatica-tudo-acontece-mais-rapido-no-artico","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2008\/12\/mundo\/mudanca-climatica-tudo-acontece-mais-rapido-no-artico\/","title":{"rendered":"MUDAN\u00c7A CLIM\u00c1TICA: Tudo acontece mais r\u00e1pido no \u00c1rtico"},"content":{"rendered":"<p>Quebec, Canad\u00e1, 15\/12\/2008 &ndash; Dentro de apenas uns poucos ver\u00f5es o mar \u00c1rtico perder\u00e1 a cobertura gelada que o protege h\u00e1 um milh\u00e3o de anos, um cen\u00e1rio que n\u00e3o estava previsto para menos de 50 a 70 anos, no pior dos casos, afirmam especialistas. <!--more--> \u201cAs coisas est\u00e3o ocorrendo muito mais rapidamente do que no \u00c1rtico. Penso que ficar\u00e1 sem gelo no ver\u00e3o em 2015\u201d, disse David Barber, especialista em clima da Universidade de Manitoba especializado em temas do \u00c1rtico \u201cUma perda t\u00e3o dr\u00e1stica de gelo afetar\u00e1 todos no planeta\u201d, disse \u00e0 IPS Barber, que passou boa parte do \u00faltimo ver\u00e3o boreal no mar \u00c1rtico a bordo do navio quebra-gelo canadense Amundsen. Liderando um projeto de pesquisa que consumiu US$ 40 milh\u00f5es.<\/p>\n<p>Os cientistas esperavam que o Amundsen ficasse preso no gelo por muitos meses durante o duro inverno do \u00c1rtico, quando n\u00e3o h\u00e1 luz do sol e as temperaturas caem at\u00e9 50 graus negativos. Mas, o navio permaneceu em movimento enquanto a camada de gelo, formalmente impenetr\u00e1vel, se apresentava delgada e d\u00e9bil. \u201cO mar reteve muito calor desde o ver\u00e3o de 2007, quando o gelo alcan\u00e7ou seu recorde m\u00ednimo\u201d, explicou Barber. Esse calor adicional atrasou em dois meses a forma\u00e7\u00e3o de gelo de inverno em alguns lugares. Tamb\u00e9m causou mais tempestades, ventos e muito mais neve.<\/p>\n<p>Tudo isso sup\u00f5e condi\u00e7\u00f5es inteiramente novas para a regi\u00e3o, disse Barber, indicando que a neve adicional atua como isolante, mantendo o gelo mais quente, o que o impede de ficar mais grosso. E se a camada de gelo \u00e9 fina no inverno, ent\u00e3o derreter\u00e1 rapidamente e uma \u00e1rea maior no ver\u00e3o, deixando mais \u00e1gua exposta ao calor do sol, no que se chama \u201cefeito bucles\u201d (carac\u00f3is de retro-alimenta\u00e7\u00e3o positiva). Em maio passado este fen\u00f4meno foi verificado por muitas semanas mais do que o normal, expondo a \u00e1gua fria ao calor do sol mais cedo do que nunca, afirmou Barber.<\/p>\n<p>No ver\u00e3o de 2007, a cobertura polar perdeu entre 30% e 40% de seu gelo, o que equivale a menos 2,6 milh\u00f5es de quil\u00f4metros quadrados de gelo do que o m\u00ednimo m\u00e9dio no ver\u00e3o. A perda de gelo no ver\u00e3o deste ano n\u00e3o desafiou os registros de 2007, mas de todo modo foi muito menor do que a m\u00e9dia. Os cientistas acreditam que o gele remanescente foi mais delgado do que o normal, estabelecendo o cen\u00e1rio para outro importante derretimento em 2009. O gelo dominou o \u00c1rtico durante muito tempo, mas isso est\u00e1 mudando com a abertura de zonas oce\u00e2nicas que nunca foram expostas \u00e0 luz solar, disse Kevin Arrigo, bi\u00f3logo marinho da Universidade de Stanford (EUA).<\/p>\n<p>A luz do sol \u00e9 sin\u00f4nimo de vida, e Arrigo e seus colegas mediram um assombroso aumento de 300% no crescimento de Fitopl\u00e2ncton em algumas partes do mar \u00c1rtico. \u201cHouve uma grande mudan\u00e7a no ciclo de carbono, embora a maioria pensasse que o sistema do \u00c1rtico era muito limitado em mat\u00e9ria de nutrientes\u201d, disse Arrigo a Barber e aos demais participantes da confer\u00eancia internacional Mudan\u00e7a do \u00c1rtico, realizada de 9 a 12 deste m\u00eas na cidade canadense de Quebec. O fitopl\u00e2ncton s\u00e3o plantas microsc\u00f3picas verdes que operam nos 100 a 200 metros superiores do oceano e que necessitam de nutrientes como f\u00f3sforo, nitrog\u00eanio, ferro e sil\u00edcio na superf\u00edcie.<\/p>\n<p>Agora resulta que tudo o que o \u00c1rtico necessitava era mais luz solar para se converter em um mar mais produtivo. Este sistema de plantas tamb\u00e9m elimina grandes quantidades de carbono da parte superior do oceano. Arrigo estima que as maiores quantidades destas forma\u00e7\u00f5es possam retirar anualmente 14 gigatoneladas de carbono adicional do \u00c1rtico. \u201cSe a tend\u00eancia se mantiver, veremos mudan\u00e7as enormes no ecossistema do \u00c1rtico\u201d, afirmou. Ser\u00e1 de pouco beneficio quanto a reduzir os n\u00edveis de carbono atmosf\u00e9rico, j\u00e1 que \u00e9 menos de 1% das emiss\u00f5es anuais causadas pela queima de combust\u00edveis f\u00f3sseis.<\/p>\n<p>Os efeitos de que o ver\u00e3o esteja aquecendo grandes partes do \u00c1rtico, antes permanentemente gerado, sente-se inclusive 1.500 quil\u00f4metros terra adentro, segundo estudo liderado por David Lawrence, no Centro Nacional para as Pesquisas Atmosf\u00e9ricas em Boulder, no Estado do Colorado (EUA). Usando modelos informatizados, os cientistas descobriram que a r\u00e1pida perda de gelo no ver\u00e3o mostrava um aceleramento 3,5 vezes maior do que nas temperaturas da superf\u00edcie terrestre no \u00c1rtico ocidental, provavelmente disparando uma r\u00e1pida degrada\u00e7\u00e3o do permafrost.<\/p>\n<p>O permafrost consiste em \u00e1reas permanentemente congeladas que cobrem parte das regi\u00f5es setentrionais do Canad\u00e1, Alasca e da R\u00fassia e contem mais que o dobro do carv\u00e3o existente atualmente na atmosfera, segundo estudo publicado em setembro por Ted Schuur, ecologista da Universidade da Florida. A queima de combust\u00edveis f\u00f3sseis contribui com cerca de 8,5 bilh\u00f5es de toneladas de di\u00f3xido de carbono por ano, mas o permafrost ret\u00e9m mais de 1.670.000 milh\u00f5es de toneladas. \u201c\u00c9 maior do que pens\u00e1vamos\u201d, disse Schuur em um comunicado \u00e0 imprensa.<\/p>\n<p>Este especialista calcula que se o permafrost descongelasse poderia acrescentar entre 800 milh\u00f5es e 1,1 bilh\u00e3o de toneladas por ano no futuro, quase tanto quanto atualmente acrescenta o desmatamento. O carbono procedente do derretimento do permafrost n\u00e3o est\u00e1 inclu\u00eddo nos modelos clim\u00e1ticos. Agora existe uma rede de especialistas do \u00c1rtico que fazem um cuidadoso acompanhamento das temperaturas do permafrost, gra\u00e7as ao esfor\u00e7o de pesquisa do Ano Polar Internacional (2007-2008), disse no f\u00f3rum Nikolay Shiklomanov, da Universidade do Delaware (EUA).<\/p>\n<p>Centenas de buracos s\u00e3o perfurados nas regi\u00f5es cobertas por permafrost e em algumas ser\u00e3o instalados equipamentos para medira a temperatura, o que fornecer\u00e1 uma avalanche de dados. Infelizmente, em pa\u00edses como o Canad\u00e1 h\u00e1 poucos dados hist\u00f3ricos, e tampouco houve muitas esta\u00e7\u00f5es de medi\u00e7\u00e3o. A informa\u00e7\u00e3o procedente do Alasca e da Sib\u00e9ria tem mais de 20 anos, e ambas apresentavam grandes aumentos de temperatura nas partes meridionais de suas respectivas regi\u00f5es de permafrost. E o aquecimento foi medido a 30 ou 40 quil\u00f4metros de profundidade, disse Shiklomanov.<\/p>\n<p>\u00c9 prov\u00e1vel que o ecossistema do \u00c1rtico passe a um novo regime, disse o ocean\u00f3grafo Paul Vassmann, da Universidade Tromso (Noruega). \u201cOs dados do passado eram indicadores pouco confi\u00e1veis do que aconteceria no fulguro\u201d, afirmou. O ecossistema do \u00c1rtico nunca voltar\u00e1 a ser o que era. E isto \u00e9 verdade para todos os ecossistemas da Terra, acrescentou. \u201cA atividade humana pressiona o globo, e o faz com mais for\u00e7a sobre o Norte\u201d, disse Wassmann. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quebec, Canad\u00e1, 15\/12\/2008 &ndash; Dentro de apenas uns poucos ver\u00f5es o mar \u00c1rtico perder\u00e1 a cobertura gelada que o protege h\u00e1 um milh\u00e3o de anos, um cen\u00e1rio que n\u00e3o estava previsto para menos de 50 a 70 anos, no pior dos casos, afirmam especialistas. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2008\/12\/mundo\/mudanca-climatica-tudo-acontece-mais-rapido-no-artico\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":194,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[8,4],"tags":[14],"class_list":["post-4603","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-ambiente","category-mundo","tag-america-do-norte"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4603","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/194"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4603"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4603\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4603"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4603"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4603"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}