{"id":4619,"date":"2008-12-19T15:20:15","date_gmt":"2008-12-19T15:20:15","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=4619"},"modified":"2008-12-19T15:20:15","modified_gmt":"2008-12-19T15:20:15","slug":"economia-america-latina-voando-sem-motor","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2008\/12\/america-latina\/economia-america-latina-voando-sem-motor\/","title":{"rendered":"ECONOM\u00cdA-AM\u00c9RICA LATINA: Voando sem motor"},"content":{"rendered":"<p>Santiago, 19\/12\/2008 &ndash; A regi\u00e3o da Am\u00e9rica Latina e do Caribe crescer\u00e1 apenas 1,9% em 2009, e a quantidade de desempregados poder\u00e1 aumentar de 16 milh\u00f5es para 17,8 milh\u00f5es de pessoas, devido \u00e0 crise financeira internacional, informou ontem a Comiss\u00e3o Econ\u00f4mica para a Am\u00e9rica Latina e o Caribe (Cepal). Latina e do Caribe 2008\u201d, apresentado na capital chilena pela secret\u00e1ria-executiva da Cepal, Alicia B\u00e1rcena. <!--more--> Apesar das turbul\u00eancias, em 2008 a economia da regi\u00e3o cresceu 4,6%, completando seis anos de crescimento consecutivo, afirma o \u201cBalan\u00e7o preliminar das economias da Am\u00e9rica Latina e do Caribe 2008\u201d, apresentado na capital chilena pela secret\u00e1ria-executiva da Cepal, Alicia B\u00e1rcena.<\/p>\n<p>A Cepal espera uma \u201cdesacelera\u00e7\u00e3o\u201d no primeiro semestre de 2009 e uma \u201cgradual recupera\u00e7\u00e3o\u201d nos seis meses seguintes, afirmou a representante desta ag\u00eancia da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas. Se isso n\u00e3o ocorrer, o produto interno bruto da regi\u00e3o \u201cpoder\u00e1 ter crescimento zero\u201d, o que implica n\u00e3o-crescimento, alertou B\u00e1rcena. A Am\u00e9rica do Sul cresceria 2,4%, a Am\u00e9rica Central 2,1% e o Caribe 1,9%. Lidera a lista o Peru, com crescimento estimado de 5%, seguido de Panam\u00e1 com 4,5%, Uruguai e Cuba com 4% cada, Venezuela e Bol\u00edvia com 3% cada. Mais abaixo est\u00e3o Argentina, com 2,6% e Brasil com 2,1%.<\/p>\n<p>A atividade econ\u00f4mica de Chile, Col\u00f4mbia, Equador, Nicar\u00e1gua, Honduras e Paraguai crescer\u00e1 2%, enquanto o M\u00e9xico encerra a lista com crescimento esperado de apenas 0,5%. O mais preocupante de 2009 ser\u00e1 o mercado de trabalho, disse B\u00e1rcena. A taxa de desemprego pode aumentar dos 7,5% atuais para 7,8% a 8,1%, somando entre um milh\u00e3o e 1,8 milh\u00e3o de novos desempregados. Tamb\u00e9m se espera aumento no emprego informa, mais prec\u00e1rio e pior pago.<\/p>\n<p>Em sua apresenta\u00e7\u00e3o, B\u00e1rcena comparou as economias da regi\u00e3o com um avi\u00e3o sem motor, que voa como um planado. Seu \u00fanico impulso \u00e9 o crescimento dos anos anteriores, explicou. Os motores do crescimento est\u00e3o se apagando \u201cum a um\u201d, tanto no \u201ccanal real\u201d quanto no \u201ccanal financeiro\u201d, disse. No primeiro, se destaca a desacelera\u00e7\u00e3o das exporta\u00e7\u00f5es, queda no pre\u00e7os dos bens prim\u00e1rios, redu\u00e7\u00e3o das remessas, menor renda com turismo e redu\u00e7\u00e3o dos fluxos de Investimento Estrangeiro Direto (IED).<\/p>\n<p>Em mat\u00e9ria financeira, aumentou o custo do cr\u00e9dito externo e diminuiu a disponibilidade de financiamento internacional. Segundo a Cepal, em 2008 a conta corrente da Am\u00e9rica Latina ter\u00e1 ligeiro d\u00e9ficit de 0,6% do PIB regional, enquanto em 2009 o d\u00e9ficit chegaria a 2,5%. No entanto, as contas p\u00fablicas anotar\u00e3o em 2008 super\u00e1vit de 0,3% do PIB regional, e d\u00e9ficit de 1,5% em 2009. B\u00e1rcena disse que as reservas internacionais da regi\u00e3o somaram US$ 510 bilh\u00f5es em 2008.<\/p>\n<p>Mas, entre os fatores que contribu\u00edram para seu aumento est\u00e3o as entradas de capital financeiro. \u201cEsta caracter\u00edstica d\u00e1 alguma dose de fragilidade ao estoque de reservas, especialmente em alguns pa\u00edses da regi\u00e3o, tendo em conta a volatilidade que caracteriza esse tipo de recurso\u201d, diz o documento de mais de 90 paginas. Ao contr\u00e1rio de outras crises, o setor privado \u00e9 o mais exposto nestes momentos. No Chile, por exemplo a d\u00edvida externa privada representa 9% do PIBV, enquanto a p\u00fablica \u00e9 de 2%.<\/p>\n<p>A boa not\u00edcia \u00e9 que a infla\u00e7\u00e3o baixaria de 8,5% em 2008 para 6% em 2009. Embora B\u00e1rcena reconhe\u00e7a que vivemos \u201cuma crise econ\u00f4mica in\u00e9dita, desde a Grande Depress\u00e3o de 1929\u201d e que o cen\u00e1rio projetado para a regi\u00e3o no curto prazo \u00e9 preocupante, mostrou-se relativamente otimista diante do futuro, gra\u00e7as aos \u00faltimos sinais dados pelos governantes latino-americanos. Em particular, se referiu \u00e0s quatro c\u00fapulas simult\u00e2neas mantidas esta semana pelos 33 pa\u00edses da regi\u00e3o na Costa do Sau\u00edpe, na Bahia.<\/p>\n<p>\u201cVejo o futuro com um otimismo cuidadoso porque a regi\u00e3o est\u00e1 se fortalecendo muito. Sem esta crise, talvez n\u00e3o tiv\u00e9ssemos todos os chefes de Estado na mesma sintonia, preocupados com as mesmas coisas\u201d, disse B\u00e1rcena \u00e0 IPS. \u201cIndependente das cores pol\u00edticas, estamos conseguindo na regi\u00e3o uma converg\u00eancia de inten\u00e7\u00f5es, de dizer vamos todos colocar em pr\u00e1tica pol\u00edticas sociais, vamos aprender uns com os outros\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>\u201cH\u00e1 uma enorme avidez por entender o que cada pa\u00eds est\u00e1 fazendo, como podem se combinar, como podem fazer mais esfor\u00e7os de coopera\u00e7\u00e3o\u201d, acrescentou B\u00e1rcena. A seu ver, a regi\u00e3o aprendeu algumas li\u00e7\u00f5es do passado, entre elas a implementa\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas contra-c\u00edclicas que promovem a demanda no momento em que esta se contrai, por meio do aumento no gasto p\u00fablico. B\u00e1rcena exortou os pa\u00edses a impedirem que a crise aumente a desigualdade, que preservem o gasto social, apostem no investimento em infra-estrutura e evitem o protecionismo.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, os convidou a buscarem solu\u00e7\u00f5es conjuntas, promovendo a integra\u00e7\u00e3o regional, coordenando pol\u00edticas macroecon\u00f4micas, aprofundando o com\u00e9rcio intra-regional e fortalecendo a institucionalidade da regi\u00e3o. Por fim, B\u00e1rcena disse que a crise abre uma porta para pensar em um novo papel para o Estado e para reabrir a discuss\u00e3o sobre os modelos do desenvolvimento econ\u00f4mico dominantes. Neste \u00faltimo sentido, disse \u00e0 IPS que os pa\u00edses j\u00e1 est\u00e3o convergindo em duas id\u00e9ias principais: evitar tend\u00eancias de desigualdade nas medidas do Estado e avan\u00e7ar em \u201cmaior regulamenta\u00e7\u00e3o e supervis\u00e3o\u201d, mas sem cair nos excessos, concluiu. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Santiago, 19\/12\/2008 &ndash; A regi\u00e3o da Am\u00e9rica Latina e do Caribe crescer\u00e1 apenas 1,9% em 2009, e a quantidade de desempregados poder\u00e1 aumentar de 16 milh\u00f5es para 17,8 milh\u00f5es de pessoas, devido \u00e0 crise financeira internacional, informou ontem a Comiss\u00e3o Econ\u00f4mica para a Am\u00e9rica Latina e o Caribe (Cepal). 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