{"id":466,"date":"2005-04-04T00:00:00","date_gmt":"2005-04-04T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=466"},"modified":"2005-04-04T00:00:00","modified_gmt":"2005-04-04T00:00:00","slug":"direitos-humanos-mulheres-palestinas-trs-vezes-vtimas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/04\/mundo\/direitos-humanos-mulheres-palestinas-trs-vezes-vtimas\/","title":{"rendered":"Direitos Humanos: Mulheres Palestinas, tr&ecirc;s vezes v&iacute;timas"},"content":{"rendered":"<p>Londres, 04\/04\/2005 &ndash; As mulheres palestinas s&atilde;o tr&ecirc;s vezes v&iacute;timas no conflito com Israel, porque suportam a pior parte dessa guerra, a ocupa&ccedil;&atilde;o e ainda o patriarcado, afirma um documento divulgado pela Anistia Internacional. Al&eacute;m de sofrerem abusos diretos por parte do ex&eacute;rcito israelense, padecem as conseq&uuml;&ecirc;ncias indiretas, como o aumento do desemprego e a pobreza, explicou Donatella Rovera, principal autora do relat&oacute;rio, em entrevista telef&ocirc;nica &agrave; IPS de Jerusal&eacute;m. As conseq&uuml;&ecirc;ncias do sistema patriarcal s&atilde;o menos evidentes, mas n&atilde;o por isso menos prejudiciais. &quot;Os fatores negativos que existiam na sociedade palestina antes do conflito se fortaleceram, e portanto a situa&ccedil;&atilde;o piorou para as mulheres&quot;, disse Rovera.<br \/> <!--more--> <br \/> O informe, divulgado na quinta-feira sob o t&iacute;tulo &quot;Israel e os Territ&oacute;rios Ocupados: As mulheres suportam a carga do conflito, da ocupa&ccedil;&atilde;o e do patriarcado&quot;, diz que as palestinas &quot;s&atilde;o v&iacute;timas de m&uacute;ltiplas viola&ccedil;&otilde;es derivadas das pol&iacute;ticas e restri&ccedil;&otilde;es impostas por Israel, e tamb&eacute;m de um sistema de normas, tradi&ccedil;&otilde;es e leis que n&atilde;o tratam as mulheres em condi&ccedil;&otilde;es de igualdade como membros da sociedade palestina&quot;. Centenas de mulheres perderam a vida em m&atilde;os de grupos armados palestinos e do ex&eacute;rcito israelense. Em outros casos, &quot;suas casas foram derrubadas e as severas restri&ccedil;&otilde;es impostas &agrave; liberdade de circula&ccedil;&atilde;o limitam o acesso das mulheres aos servi&ccedil;os m&eacute;dicos, &agrave; educa&ccedil;&atilde;o e ao emprego&quot;, diz o relat&oacute;rio.<\/p>\n<p> Al&eacute;m disso, &quot;a pobreza e o desemprego agravam os problemas existentes de desigualdade de g&ecirc;nero na sociedade palestina&quot;, enquanto a &quot;viol&ecirc;ncia na fam&iacute;lia aumenta, mas as leis e as pr&aacute;ticas discriminat&oacute;rias n&atilde;o oferecem prote&ccedil;&atilde;o &agrave;s mulheres&quot;, acrescenta o documento. &quot;As restri&ccedil;&otilde;es de movimento, a negativa ou demora em passar pelos postos de controle militar israelenses, os bloqueios e os toques de recolher causam m&uacute;ltiplas complica&ccedil;&otilde;es &agrave;s mulheres que precisam de cuidados m&eacute;dicos e, em alguns casos, provocam a morte de pacientes&quot;, afirma o documento. O relat&oacute;rio acrescenta que numerosas mulheres foram obrigadas a dar &agrave; luz nos postos de controle, ao lado da estrada, em certos casos seus beb&ecirc;s morreram porque os soldados israelenses as impediam de chegar a um hospital.<\/p>\n<p> Entretanto, estas s&atilde;o as conseq&uuml;&ecirc;ncias mais vis&iacute;veis do conflito. As mulheres est&atilde;o &quot;no extremo receptor das crescentes press&otilde;es e viol&ecirc;ncia na fam&iacute;lia e na sociedade&quot;, como resultado do &quot;dano causado ao tecido da sociedade palestina&quot;, diz o informe da Anistia, que tem sede em Londres. O mais grave &eacute; que nos &uacute;ltimos quatro anos e meio (desde que come&ccedil;ou a segunda intifada ou insurrei&ccedil;&atilde;o palestina) &quot;as mulheres est&atilde;o menos inclinadas a pedir ajuda ou se queixar&quot;, pois acreditam que &quot;devem deixar de lado seus problemas pessoais&quot;, disse Rovera.<\/p>\n<p> Embora n&atilde;o existam estat&iacute;sticas confi&aacute;veis, os especialistas acreditam que as viol&ecirc;ncias dom&eacute;sticas, inclu&iacute;dos o abuso sexual e os chamados &quot;assassinatos de honra&quot;, aumentaram nos territ&oacute;rios ocupados desde setembro de 2000, sem que os respons&aacute;veis sejam levados aos tribunais, diz o relat&oacute;rio. Como os palestinos n&atilde;o podem se transformar em um Estado, desenvolveram m&eacute;todos tradicionais de justi&ccedil;a baseados em velhos sistemas tribais, comentou Rovera. Al&eacute;m disso, &quot;desde o final de 2000 o ex&eacute;rcito israelense destr&oacute;i postos policiais, pris&otilde;es, institui&ccedil;&otilde;es de seguran&ccedil;a&quot;, portanto, a pol&iacute;cia n&atilde;o pode funcionar e os ju&iacute;zes n&atilde;o podem chegar aos tribunais devido aos bloqueios vi&aacute;rios, acrescentou.<\/p>\n<p> &quot;Nesta situa&ccedil;&atilde;o, as mulheres s&oacute; podem resolver seus problemas atrav&eacute;s dos cl&atilde;s familiares, e estes sistemas patriarcais, para desvantagem das mulheres, n&atilde;o favorecem a participa&ccedil;&atilde;o feminina na sociedade&quot;, disse Rovera. A Anistia exortou tanto as autoridades israelenses quanto as palestinas a tomarem medidas para aliviar o sofrimento das mulheres palestinas. A Israel pedem que investigue toda den&uacute;ncia de viol&ecirc;ncia e viola&ccedil;&otilde;es dos direitos humanos contra as mulheres, que levem &agrave; justi&ccedil;a os respons&aacute;veis e que ponham fim ao regime de bloqueios e restri&ccedil;&otilde;es &agrave; liberdade de circula&ccedil;&atilde;o imposto aos palestinos nos Territ&oacute;rios Ocupados.<\/p>\n<p> A organiza&ccedil;&atilde;o humanit&aacute;ria tamb&eacute;m pede garantia para o acesso a centros m&eacute;dicos para mulheres gr&aacute;vidas e outras pessoas que precisem de cuidados m&eacute;dicos, e tamb&eacute;m que detenha a destrui&ccedil;&atilde;o de casas e bens palestinos. &Agrave; Autoridade Nacional Palestina, a Anistia pede que revogue ou modifique as leis que discriminam as mulheres, investigue a viol&ecirc;ncia familiar contra elas, adote medidas para erradicar a viol&ecirc;ncia e financie e ap&oacute;ie medidas para proteger os direitos das mulheres, entre elas a cria&ccedil;&atilde;o de abrigos ou outros servi&ccedil;os para mulheres que sobrevivem &agrave; viol&ecirc;ncia. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Londres, 04\/04\/2005 &ndash; As mulheres palestinas s&atilde;o tr&ecirc;s vezes v&iacute;timas no conflito com Israel, porque suportam a pior parte dessa guerra, a ocupa&ccedil;&atilde;o e ainda o patriarcado, afirma um documento divulgado pela Anistia Internacional. Al&eacute;m de sofrerem abusos diretos por parte do ex&eacute;rcito israelense, padecem as conseq&uuml;&ecirc;ncias indiretas, como o aumento do desemprego e a pobreza, explicou Donatella Rovera, principal autora do relat&oacute;rio, em entrevista telef&ocirc;nica &agrave; IPS de Jerusal&eacute;m. As conseq&uuml;&ecirc;ncias do sistema patriarcal s&atilde;o menos evidentes, mas n&atilde;o por isso menos prejudiciais. &quot;Os fatores negativos que existiam na sociedade palestina antes do conflito se fortaleceram, e portanto a situa&ccedil;&atilde;o piorou para as mulheres&quot;, disse Rovera.<br \/> <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/04\/mundo\/direitos-humanos-mulheres-palestinas-trs-vezes-vtimas\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":185,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[4],"tags":[],"class_list":["post-466","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-mundo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/466","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/185"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=466"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/466\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=466"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=466"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=466"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}