{"id":4671,"date":"2009-01-20T17:48:54","date_gmt":"2009-01-20T17:48:54","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=4671"},"modified":"2009-01-20T17:48:54","modified_gmt":"2009-01-20T17:48:54","slug":"africa-oriental-falta-de-peixes-excesso-de-pescadores","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2009\/01\/africa\/africa-oriental-falta-de-peixes-excesso-de-pescadores\/","title":{"rendered":"\u00c1FRICA ORIENTAL: Falta de peixes, excesso de pescadores"},"content":{"rendered":"<p>Jinga, Uganda, 20\/01\/2009 &ndash; A pesca excessiva no lago Victoria e o com\u00e9rcio ilegal levou \u00e0 escassez de peixes em Uganda, Tanz\u00e2nia e Qu\u00eania. As grandes quantidades de esp\u00e9cies sem processar traficadas, especialmente til\u00e1pia e perca do Nilo, podem acabar nos mercados europeus. O esgotamento da esp\u00e9cie mais capturada no lago, a perca do Nilo, tamb\u00e9m faz subir seu pre\u00e7o localmente, o que coloca em risco a subsist\u00eancia de aproximadamente 40 milh\u00f5es de pessoas na \u00c1frica oriental. Este peixe, muito predador, foi introduzido no lago Victoria pelos colonos brit\u00e2nicos nos anos 50 com a inten\u00e7\u00e3o repovoa-lo e, desde entoa, desbaratou o ecossistema em preju\u00edzo das esp\u00e9cies aut\u00f3ctones. <!--more--> Qu\u00eania, Tanz\u00e2nia e Uganda exportam toneladas de perca do Nilo para a Europa. As exporta\u00e7\u00f5es de pescado superam a renda obtida com cultivos como caf\u00e9 e algod\u00e3o. A captura excessiva desse peixe \u00e9 considerada respons\u00e1vel pela presen\u00e7a de in\u00fameros barcos no lago bem como pescadores que n\u00e3o empregam bons m\u00e9todos. Em Uganda h\u00e1 mais de 20 unidades de processamento, que exportam mais de 30 mil toneladas de pescado ao ano. A ind\u00fastria gera a atraente soma de US$ 150 milh\u00f5es anuais. Mas, teve sua contrapartida negativa, pois o excesso de captura levou \u00e0 escassez do recurso e \u00e0 alta de seu pre\u00e7o no mercado local.<\/p>\n<p>Mais de processadoras da regi\u00e3o tiveram de fechar e as demais 25 trabalham abaixo de sua capacidade, segundo a Organiza\u00e7\u00e3o de Pesca do Lago Victoria, com sede em Jinja (Uganda). A OPLV foi criada por uma conven\u00e7\u00e3o subscrita por Qu\u00eania, Tanz\u00e2nia e Uganda em 1994 no contexto da Comunidade da \u00c1frica Oriental a fim de gerir os recursos do lago. \u201cA quantidade de barcos pesqueiros registrados no Lago Victoria aumentou 16% desde dezembro de 2005\u201d, disse \u00e0 IPS o secret\u00e1rio-executivo da organiza\u00e7\u00e3o, Dickson Nyeko. \u201cAs embarca\u00e7\u00f5es navegam mais e empregam aparatos de pesca ilegais na tentativa de cobrir as necessidades das unidades processadoras que restam na regi\u00e3o\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>Os pol\u00edticos devem cuidar, e conservar, das reservas do lago em todos os \u00e2mbitos da Comunidade da \u00c1frica Oriental porque est\u00e3o em perigo, disse Nyeko. A perca do Nilo acusa o golpe da pesca descontrolada, segundo o secret\u00e1rio-executivo da OPLV. Esse peixe \u201c\u00e9 um produto muito vendido no mundo. Sua redu\u00e7\u00e3o apresenta um problema especial para a sobreviv\u00eancia de milh\u00f5es de pessoas do entorno do lago e que vivem na regi\u00e3o\u201d, ressaltou Nyeko.<\/p>\n<p>O comiss\u00e1rio do Departamento de Pesca de Uganda, Wilson Mwanza, afirmou que ano ap\u00f3s ano a renda com a pesca diminui: caiu de US$ 19,4 milh\u00f5es para 17,3 milh\u00f5es em 2007. Essa redu\u00e7\u00e3o pode superar os US$ 60 milh\u00f5es no ano fiscal 2008\/09, em rela\u00e7\u00e3o a 2005, segundo estimativas oficiais. As unidades processadoras \u201ctrabalham com 30% a 50% de sua capacidade quando o custo do frete e do combust\u00edvel aumenta\u201d, disse Mwanza. J\u00e1 existe uma crise alimentar em raz\u00e3o da alta de pre\u00e7os, inacess\u00edveis para muitas pessoas.<\/p>\n<p>Em Kampala, o quilo da perca do Nilo custava US$ 0,50 e agora subiu para US$ 3,50. muitos optaram por comer cabe\u00e7a de pescado, que conseguem nas processadoras depois que os animais s\u00e3o filetados para exporta\u00e7\u00e3o \u00e0 Europa. Mas agora at\u00e9 a pele, os ossos e a cabe\u00e7a est\u00e3o escassos porque os comerciantes encontraram novos mercados na Rep\u00fablica Democr\u00e1tica do Congo, Rep\u00fablica Centro-africana e Sud\u00e3o do Sul. O porta-voz do mercado e zona de desembarque de Gaba, Mugisha Kanywani, reconheceu que o mercado desses produtos floresce nos pa\u00edses vizinhos e que a popula\u00e7\u00e3o local n\u00e3o tem acesso a eles por serem caros. \u201cInclusive a pelo atende aos congolanos e pessoas do Chade. Agora temos dinheiro. N\u00e3o v\u00ea como desenvolvemos esta \u00e1rea?\u201d, disse.<\/p>\n<p>O porta-voz da unidade de gest\u00e3o das praias de Gaba, Dirisa Walusimbi, disse \u00e0 IPS que, \u201ch\u00e1 10 anos, um pescador com 50 redes podia capturar pelo menos cem quilos de perca do Nilo por dia. Agora, com a mesma quantidade, consegue apenas entre 20 e 30 quilos\u201d. As mulheres sobrevivem da venda de pescado na \u00e1rea de desembarque de Gaba. Mas a redu\u00e7\u00e3o do recurso as afeta diretamente. Algumas tiveram de se dedicar \u00e0 venda de lenha, que cortam nas ilhas do Lago Victoria. Sa\u00fada Namwanje, uma das vendedoras de lenha e carv\u00e3o, disse \u00e0 IPS que o dinheiro j\u00e1 n\u00e3o d\u00e1 para manter o negocio de venda de pescado e que precisou mudar de ramo. A escassez de peixes atingiu uma dimens\u00e3o regional que pode se converter em fonte de conflito.<\/p>\n<p>Os pescadores cruzam os limites fronteiri\u00e7os em busca de maior quantidade de pescado. Alguns quenianos foram detidos e mantidos presos neste pa\u00eds. Estima-se que mais de 300 deles invadem todos os dias as \u00e1guas territoriais de Uganda, pa\u00eds ao qual cabem 43% do lago Victoria. \u00c0 Tanz\u00e2nia correspondem 52%. Uganda enviou navios para patrulhar o lago ap\u00f3s acusar o Qu\u00eania e a Tanz\u00e2nia de n\u00e3o cumprirem os acordos sobre compartilhamento do uso do recurso. Um informe do Projeto de Pesquisa Pesqueira do Lago Victoria indicou que v\u00e1rias leis e acordos relativos ao seu uso estavam sendo ignorados.<\/p>\n<p>A captura excessiva das \u00e1guas territoriais do Qu\u00eania faz com que os pescadores passem para as de seus vizinhos, segundo o documento, que acrescenta que, \u201cembora a esse pa\u00eds correspondam apenas 6% do lago, tem mais barcos e pescadores\u201d do que os outros. O assunto foi discutido pelo conselho de ministros da OPLV em outubro, que pediu urg\u00eancia aos Estados-membros na cria\u00e7\u00e3o de mecanismos para resolver os conflitos pesqueiros, lutar contra as pr\u00e1ticas ilegais e destinar recursos econ\u00f4micos adequados para as atividades pesqueiras. Tamb\u00e9m pediram que certas zonas do lago fossem designadas como \u00e1reas protegidas onde n\u00e3o se possa pescar, a fim de permitir a correta reprodu\u00e7\u00e3o de peixes. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Jinga, Uganda, 20\/01\/2009 &ndash; A pesca excessiva no lago Victoria e o com\u00e9rcio ilegal levou \u00e0 escassez de peixes em Uganda, Tanz\u00e2nia e Qu\u00eania. As grandes quantidades de esp\u00e9cies sem processar traficadas, especialmente til\u00e1pia e perca do Nilo, podem acabar nos mercados europeus. O esgotamento da esp\u00e9cie mais capturada no lago, a perca do Nilo, tamb\u00e9m faz subir seu pre\u00e7o localmente, o que coloca em risco a subsist\u00eancia de aproximadamente 40 milh\u00f5es de pessoas na \u00c1frica oriental. Este peixe, muito predador, foi introduzido no lago Victoria pelos colonos brit\u00e2nicos nos anos 50 com a inten\u00e7\u00e3o repovoa-lo e, desde entoa, desbaratou o ecossistema em preju\u00edzo das esp\u00e9cies aut\u00f3ctones. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2009\/01\/africa\/africa-oriental-falta-de-peixes-excesso-de-pescadores\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":209,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[3,8,6],"tags":[],"class_list":["post-4671","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-africa","category-ambiente","category-direitos-humanos"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4671","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/209"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4671"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4671\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4671"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4671"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4671"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}