{"id":4678,"date":"2009-01-21T17:45:59","date_gmt":"2009-01-21T17:45:59","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=4678"},"modified":"2009-01-21T17:45:59","modified_gmt":"2009-01-21T17:45:59","slug":"forum-social-mundial-crise-abre-brechas-para-mudancas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2009\/01\/america-latina\/forum-social-mundial-crise-abre-brechas-para-mudancas\/","title":{"rendered":"F\u00d3RUM SOCIAL MUNDIAL: Crise abre brechas para mudan\u00e7as"},"content":{"rendered":"<p>Rio de Janeiro, 21\/01\/2009 &ndash; Um F\u00f3rum Social Mundial revitalizado pela crise global, que desperta nova aten\u00e7\u00e3o \u00e0s propostas de \u201coutro mundo poss\u00edvel\u201d tornando-as menos ut\u00f3picas ou mais necess\u00e1rias, ter\u00e1 sua nova edi\u00e7\u00e3o entre 27 deste m\u00eas e 1\u00ba de fevereiro em Bel\u00e9m. A economia mundial ferida promover\u00e1 na capital paraense um debate mais concretosobre \u201co car\u00e1ter da crise\u201d e o modelo de desenvolvimento, disse C\u00e2ndido Grzybowski, diretor do Instituto Brasileiro de An\u00e1lises Sociais e Econ\u00f4micas (Ibase), e um dos primeiros organizadores do FSM. <!--more--> A decis\u00e3o do presidente Luiz In\u00e1cio Lula da Silva de ir a Bel\u00e9m nos dias 29 e 30 deste m\u00eas, deixando de lado do F\u00f3rum Econ\u00f4mico Mundial de Davos, na Su\u00ed\u00e7a, reflete uma mudan\u00e7a na correla\u00e7\u00e3o. Em janeiro de 2007, Lula preferiu estar em Davos e n\u00e3o na s\u00e9tima edi\u00e7\u00e3o do FSM, em Nair\u00f3bi. Era \u00e9poca das vacas gordas, forte crescimento econ\u00f4mico mundial, pre\u00e7os de mat\u00e9rias-primas no auge e tamb\u00e9m os investimentos estrangeiros no Brasil. O capital prometia prosperidade a todos. Agora, evidenciada a crise econ\u00f4mica, energ\u00e9tica, ambiental e alimentar, as id\u00e9ias do FSM parecem mais interessantes, menos fora da realidade.<\/p>\n<p>A escolha de Bel\u00e9m, na Amaz\u00f4nia, faz prever uma \u00eanfase na quest\u00e3o ambiental e clim\u00e1tica, al\u00e9m de social, com a participa\u00e7\u00e3o de popula\u00e7\u00f5es pobres e diversificadas que vivem na maior reserva florestal e h\u00eddrica dos tr\u00f3picos. A crise financeira que est\u00e1 generalizando a retra\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica d\u00e1 a esta nona edi\u00e7\u00e3o do FSM uma nova dimens\u00e3o. O F\u00f3rum surgiu em 2001 de uma iniciativa \u201ccontra a globaliza\u00e7\u00e3o que agora est\u00e1 em crise\u201d, disse Grzybowski \u00e0 IPS. \u201cUma agenda mais clara\u201d sobre alternativas de desenvolvimento deve surgir desse encontro de Bel\u00e9m, afirmou. Isso significa maior \u201cconverg\u00eancia nos debates\u201d de um f\u00f3rum que h\u00e1 anos tenta superar a excessiva fragmenta\u00e7\u00e3o de id\u00e9ias e atividades.<\/p>\n<p>Em Bel\u00e9m espera-se a participa\u00e7\u00e3o demais de cem mil pessoas em cerca de 2.600 atividades, entre semin\u00e1rios, confer\u00eancias, assembl\u00e9ias, atos culturais, marchas e outras formas de debate e manifesta\u00e7\u00e3o, al\u00e9m de reuni\u00f5es paralelas, como as de autoridades locais e as do Acampamento Intercontinental da Juventude. O f\u00f3rum termina com o \u201cDia das Alian\u00e7as\u201d, dedicado a assembl\u00e9ias de coaliz\u00f5es e redes para aprovar a\u00e7\u00f5es conjuntas. Este mecanismo pretende estimular aglutina\u00e7\u00f5es que avan\u00e7aram pouco em edi\u00e7\u00f5es anteriores, reconheceu o diretor do Ibase.<\/p>\n<p>Esta edi\u00e7\u00e3o do FSM \u00e9 uma novidade pelo simples fato de acontecer na Amaz\u00f4nia. Al\u00e9m da quest\u00e3o ambiental, de proje\u00e7\u00e3o global por se tratar da maior reserva de florestas tropicais, \u00e1gua doce e biodiversidade, ser\u00e1 a oportunidade de dar voz aos ind\u00edgenas, ribeirinhos, extratores e outros povos da Amaz\u00f4nia. Ser\u00e1, provavelmente, o encontro mais popular, em termos de presen\u00e7a de comunidades de base, disse Grzybowski, cujo instituto cient\u00edfico identificou uma maioria de graduados universit\u00e1rios e jovens nas edi\u00e7\u00f5es anteriores.<\/p>\n<p>Os movimentos e as organiza\u00e7\u00f5es sociais da Amaz\u00f4nia querem discutir modelos de desenvolvimento e alternativas locais, como \u201cprotagonistas\u201d e n\u00e3o apenas como anfitri\u00f5es do f\u00f3rum, disse \u00e0 IPS Gra\u00e7a Costa, Assessora Nacional de G\u00eanero da organiza\u00e7\u00e3o n\u00e3o-governamental Fase e uma das organizadoras do FSM em Bel\u00e9m. Nesse sentido, ser\u00e1 importante a voz dos \u201cpovos origin\u00e1rios\u201d, com os ind\u00edgenas, e questionar as centrais hidrel\u00e9tricas que causam grande impacto ambiental e social na Amaz\u00f4nia, mas sua energia vai para fora e n\u00e3o atende as popula\u00e7\u00f5es locais, afirmou.<\/p>\n<p>Em julgamento estar\u00e1 a gigante da minera\u00e7\u00e3o, Vale, que simboliza \u201co modelo que n\u00e3o queremos\u201d, acrescentou Gra\u00e7a. Por\u00e9m, seu peso na economia nacional e do Estado do Par\u00e1 torna \u201cmuito complexa\u201d uma discuss\u00e3o sobre sua reestatiza\u00e7\u00e3o pretendida por v\u00e1rios movimentos. A Vale, privatizada em 1997 quando se chamava Vale do Rio Doce, exporta enormes quantidades de min\u00e9rio de ferro extra\u00eddo no Par\u00e1 e abastece muitas sider\u00fargicas acusadas de causarem o desmatamento da Amaz\u00f4nia oriental e explorar trabalho escravo na produ\u00e7\u00e3o de carv\u00e3o vegeta.<\/p>\n<p>Uma assembl\u00e9ia no FSM de Bel\u00e9m vai discutir a\u00e7\u00f5es contra a Vale, que expandiu suas atividades para a produ\u00e7\u00e3o de alum\u00ednio e como fonte de energia pretende construir uma central termoel\u00e9trica a carv\u00e3o mineral no Par\u00e1. Em Bel\u00e9m, tamb\u00e9m se promover\u00e1 a reativa\u00e7\u00e3o do F\u00f3rum Social Pan-Amaz\u00f4nico, interrompido desde sua quarta edi\u00e7\u00e3o em 2005. O dia 28 ser\u00e1 totalmente dedicado \u00e0 regi\u00e3o, seus movimentos e organiza\u00e7\u00f5es sociais. \u00c9 a incorpora\u00e7\u00e3o da tem\u00e1tica e do processo regional no encontro mundial, destacou Salete Valesan Camba, organizadora e representante do Instituto Paulo Freire.<\/p>\n<p>Desta vez FSM utilizar\u00e1 mais intensamente os meios de comunica\u00e7\u00e3o na \u201cBel\u00e9m expandida\u201d, um mecanismo de participa\u00e7\u00e3o virtual dos grupos que n\u00e3o puderem ir at\u00e9 essa cidade. Ser\u00e1 um processo \u201cde fora para dentro e vice-versa\u201d, com difus\u00e3o das atividades em Bel\u00e9m e recep\u00e7\u00e3o de informa\u00e7\u00e3o sobre eventos em curso em todo o mundo, disse Camba.<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o h\u00e1 sinais de que a crise econ\u00f4mica esteja afetando a presen\u00e7a de ativistas em Bel\u00e9m\u201d, afirmou Camba. Em sua opini\u00e3o, a crise tirou credibilidade de Davos e cria \u201cum momento prop\u00edcio para por em pr\u00e1tica propostas alternativas\u201d, mas o mundo ainda n\u00e3o mudou e a sociedade civil \u201cn\u00e3o \u00e9 t\u00e3o forte para superar os males do capitalismo\u201d, disse. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n<p>PAra mais informa\u00e7\u00f5es sobre o FSM, acesse: http:\/\/www.forumsocialmundial.org.br<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Rio de Janeiro, 21\/01\/2009 &ndash; Um F\u00f3rum Social Mundial revitalizado pela crise global, que desperta nova aten\u00e7\u00e3o \u00e0s propostas de \u201coutro mundo poss\u00edvel\u201d tornando-as menos ut\u00f3picas ou mais necess\u00e1rias, ter\u00e1 sua nova edi\u00e7\u00e3o entre 27 deste m\u00eas e 1\u00ba de fevereiro em Bel\u00e9m. 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