{"id":469,"date":"2005-04-05T00:00:00","date_gmt":"2005-04-05T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=469"},"modified":"2005-04-05T00:00:00","modified_gmt":"2005-04-05T00:00:00","slug":"sia-o-papa-dos-esquecidos-e-oprimidos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/04\/mundo\/sia-o-papa-dos-esquecidos-e-oprimidos\/","title":{"rendered":"&Aacute;sia: O papa dos esquecidos e oprimidos"},"content":{"rendered":"<p>Nova D&eacute;lhi\/Bangcoc, 05\/04\/2005 &ndash; A Igreja Cat&oacute;lica conta na &Aacute;sia do Pac&iacute;fico com cerca de cem milh&otilde;es de fi&eacute;is. Este rebanhou cresceu durante o papado de Jo&atilde;o Paulo II, que dedicou &agrave; regi&atilde;o sete de suas 104 viagens pastorais e onde era considerado um defensor dos esquecidos. Sua figura era venerada n&atilde;o somente em pa&iacute;ses de maioria cat&oacute;lica, como Filipinas e Timor Leste, mas tamb&eacute;m naqueles onde o catolicismo enfrenta a hostilidade das autoridades, como na comunista China, ou na &Iacute;ndia, nos anos de governo nacionalista e hindu&iacute;sta. Em seus 26 anos de pontificado, Jo&atilde;o Paulo II visitou 16 pa&iacute;ses da regi&atilde;o. O atual governo indiano decretou luto oficial de tr&ecirc;s dias, um detalhe que vai muit&iacute;ssimo al&eacute;m do fato de a dirigente mais poderosa do oficialismo, Sonia Gandhi, ser uma cat&oacute;lica nascida na It&aacute;lia. Apenas 2% do um bilh&atilde;o de indianos s&atilde;o crist&atilde;os.<br \/> <!--more--> <br \/> Jo&atilde;o Paulo II visitou a &Iacute;ndia duas vezes, em 1986 e 1999. Na segunda viagem, o pa&iacute;s era governado pelo partido hindu&iacute;sta Bharatiya Janata, que freq&uuml;entemente incentivava violentas campanhas contra as &quot;convers&otilde;es induzidas&quot; que eram &quot;cometidas&quot; por igrejas crist&atilde;s. Em 1986, o papa visitou o mausol&eacute;u do her&oacute;i nacional e exemplo do pacifismo indiano, Mahatma Gandhi. Jo&atilde;o Paulo II estava t&atilde;o concentrado na ora&ccedil;&atilde;o que precisou ser tocado por seu secret&aacute;rio para continuar com a programa&ccedil;&atilde;o estabelecida. Em 1999, Bharatiya Janata chegou ao poder em uma campanha em que caracterizaram Sonia Gandhi como uma agente do Vaticano. Uma vez no governo, simpatizantes do partido hindu&iacute;sta lan&ccedil;aram violentos ataques contra institui&ccedil;&otilde;es crist&atilde;s e cat&oacute;licas.<\/p>\n<p> Foi ent&atilde;o que Jo&atilde;o Paulo II repetiu sua visita e enfatizou em sua mensagem pastoral que a evangeliza&ccedil;&atilde;o &eacute; um direito e um dever da Igreja Cat&oacute;lica. O papa assinou em Nova D&eacute;lhi sua exorta&ccedil;&atilde;o apost&oacute;lica &quot;Ecclesias in Asia&quot;, na qual conclama &quot;a fazer uma grande colheita de f&eacute; na &Aacute;sia no terceiro mil&ecirc;nio crist&atilde;o&quot;, o que foi considerado um tapa na cara do Bharatiya Janata. Jo&atilde;o Paulo II tamb&eacute;m ignorou os chamados hindus para que pedisse perd&atilde;o em nome da Igreja Cat&oacute;lica pelas atrocidades cometidas em nome da Inquisi&ccedil;&atilde;o pelos portugueses em sua col&ocirc;nia de Goa. Mas mais do que por suas peregrina&ccedil;&otilde;es, Jo&atilde;o Paulo II ser&aacute; melhor lembrado pela acelerada santifica&ccedil;&atilde;o de madre Teresa de Calcut&aacute;, fundadora das Mission&aacute;rias da Caridade, conhecidas por seu trabalho piedoso com os pobres de Kolkata (ex-Calcut&aacute;). O tortuoso processo demorou apenas seis anos.<\/p>\n<p> Na China, os meios de comunica&ccedil;&atilde;o estatais apenas publicaram alguns detalhes sobre a morte do papa. Este pa&iacute;s, de governo comunista, permite aos seus cat&oacute;licos que realizem reuni&otilde;es religiosas somente em grupos oficialmente autorizados e sem v&iacute;nculos com o Vaticano. Ao informar sobre a morte do pont&iacute;fice, a ag&ecirc;ncia nacional de not&iacute;cias Xinhua disse que o Col&eacute;gio de Bispos Cat&oacute;licos e a Associa&ccedil;&atilde;o patri&oacute;tica Cat&oacute;lica do pa&iacute;s enviaram um telegrama de condol&ecirc;ncias ao Vaticano. &quot;Soubemos com muita pena que o papa Jo&atilde;o Paulo II foi chamado por Deus para descansar no Senhor. &Eacute; uma grande perda para o trabalho pastoral e evang&eacute;lico da igreja universal&quot;, dizia o telegrama, segundo Xinhua.<\/p>\n<p> As autoridades chinesas, que tomaram o poder depois que o governo nacionalista fugiu para Taiwan em 1949, expulsaram em 1951 o n&uacute;ncio apost&oacute;lico, arcebispo Antonio Riberi, e cortaram rela&ccedil;&otilde;es com a Igreja Cat&oacute;lica. A nunciatura apost&oacute;lica na China est&aacute;, desde os tempos de Riberi, em Taiwan, cujas autoridades o Vaticano considera o governo da China. Nos anos seguintes &agrave; Revolu&ccedil;&atilde;o Chinesa, liderada pelo patriarca comunista Mao Zedong, os cat&oacute;licos foram condenados como &quot;anti-revolucion&aacute;rios&quot;. Grande n&uacute;mero de padres, bispos e fi&eacute;is foram presos.<\/p>\n<p> Em contrapartida, em Timor Leste, o pa&iacute;s mais flamante do mundo, o papa era uma figura amada e lembrada por ter plantado a semente das manifesta&ccedil;&otilde;es de massa contra a outrora pot&ecirc;ncia ocupante, a Indon&eacute;sia. O primeiro-ministro, Mari Alkatiri, declarou luto de tr&ecirc;s dias neste pa&iacute;s onde 90% de seus 600 mil habitantes s&atilde;o cat&oacute;licos. Os sinos tocaram quando se soube da morte de Jo&atilde;o Paulo II. &quot;Para o povo timorense, &eacute; um her&oacute;i. Em outubro de 1989, quando est&aacute;vamos oprimidos pelo indon&eacute;sios, visitou o pa&iacute;s. A juventude assumiu a visita como uma oportunidade de protesto contra a ocupa&ccedil;&atilde;o. Esse foi o in&iacute;cio das manifesta&ccedil;&otilde;es organizadas pelo movimento clandestino&quot;, disse &agrave; IPS o jornalista timorense Antonio Belo.<\/p>\n<p> Em maio de 2002, Timor Leste se converteu em na&ccedil;&atilde;o independente depois de dois anos sob administra&ccedil;&atilde;o da Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas, ap&oacute;s o esmagador resultado do plebiscito de 1999. Na predominantemente cat&oacute;lica Filipinas, Jo&atilde;o Paulo II tamb&eacute;m tem lugar especial no cora&ccedil;&atilde;o dos habitantes. Muitos atribuem ao papa a inspira&ccedil;&atilde;o da revolta do Poder Popular, lan&ccedil;ada contra o governo ditatorial de Ferdinando Marcos. O jornalista filipino Ahmed Toledo lembrou que o apoio dado pelo papa ao sindicato polon&ecirc;s Solidariedade na &eacute;poca do bloco pr&oacute;-sovi&eacute;tico marcou o caminho dos opositores de Marcos. &quot;Dessa forma, o papa nos fez saber que uma na&ccedil;&atilde;o cat&oacute;lica pode remover os ditadores&quot;, afirmou Toledo. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nova D&eacute;lhi\/Bangcoc, 05\/04\/2005 &ndash; A Igreja Cat&oacute;lica conta na &Aacute;sia do Pac&iacute;fico com cerca de cem milh&otilde;es de fi&eacute;is. Este rebanhou cresceu durante o papado de Jo&atilde;o Paulo II, que dedicou &agrave; regi&atilde;o sete de suas 104 viagens pastorais e onde era considerado um defensor dos esquecidos. Sua figura era venerada n&atilde;o somente em pa&iacute;ses de maioria cat&oacute;lica, como Filipinas e Timor Leste, mas tamb&eacute;m naqueles onde o catolicismo enfrenta a hostilidade das autoridades, como na comunista China, ou na &Iacute;ndia, nos anos de governo nacionalista e hindu&iacute;sta. Em seus 26 anos de pontificado, Jo&atilde;o Paulo II visitou 16 pa&iacute;ses da regi&atilde;o. O atual governo indiano decretou luto oficial de tr&ecirc;s dias, um detalhe que vai muit&iacute;ssimo al&eacute;m do fato de a dirigente mais poderosa do oficialismo, Sonia Gandhi, ser uma cat&oacute;lica nascida na It&aacute;lia. 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