{"id":47,"date":"2005-01-20T00:00:00","date_gmt":"2005-01-20T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=47"},"modified":"2005-01-20T00:00:00","modified_gmt":"2005-01-20T00:00:00","slug":"metano-a-estrela-de-mercado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/01\/mundo\/metano-a-estrela-de-mercado\/","title":{"rendered":"Metano: A estrela de mercado"},"content":{"rendered":"<p>PARIS, 20\/01\/2005 &ndash; Capturar metano, um dos gases respons&aacute;veis pelo aquecimento da Terra, parece ser um dos mais atraentes neg&oacute;cios ambientais para pa&iacute;ses em desenvolvimento e suas contrapartes na Am&eacute;rica Latina. Mas a tend&ecirc;ncia produz urtic&aacute;ria entre ativistas sociais e ecol&oacute;gicos. O Brasil j&aacute; inscreveu oficialmente em inst&acirc;ncias internacionais o primeiro projeto para capturar esse g&aacute;s, que responde por 20% das emiss&otilde;es que provocam o efeito estufa e alteram o clima, e us&aacute;-lo na produ&ccedil;&atilde;o de eletricidade. Pa&iacute;ses industrializados que ratificaram o Protocolo de Kyoto (1997) pagar&atilde;o pela implementa&ccedil;&atilde;o desses projetos para assim cobrirem parte da redu&ccedil;&atilde;o de gases que o tratado lhes imp&otilde;e.<br \/> <!--more--> <br \/> Atr&aacute;s do Brasil, outros pa&iacute;ses da regi&atilde;o tamb&eacute;m apostam na id&eacute;ia de conseguir financiamento para capturar o metano, um g&aacute;s que emana de lix&otilde;es, dejetos do gado e alguns vegetais, e cujas emiss&otilde;es na Am&eacute;rica Latina e no Caribe s&atilde;o 9,3% do total mundial, segundo o Programa das Na&ccedil;&otilde;es Unidas para o Meio Ambiente. Em outro impulso global ao uso deste g&aacute;s, os Estados Unidos assinaram em novembro um acordo que deu vida ao Cons&oacute;rcio para o Mercado de Metano, junto com Brasil, Argentina, Austr&aacute;lia, China, Col&ocirc;mbia, Gr&atilde;-Bretanha, &Iacute;ndia, It&aacute;lia, M&eacute;xico, Nig&eacute;ria, R&uacute;ssia e Ucr&acirc;nia. De acordo com seus s&oacute;cios, essa iniciativa poder&aacute; reduzir emiss&otilde;es de gases que causam o efeito estufa (medidas em unidades de di&oacute;xido de carbono) em uma quantidade equivalente &agrave; retirada, em um ano, de 33 milh&otilde;es de ve&iacute;culos das estradas do mundo todo.<\/p>\n<p> &quot;Vemos muito futuro no mercado de metano, que beneficia os pa&iacute;ses em desenvolvimento e os industrializados&quot;, disse ao Terram&eacute;rica Jorge Barrigh, coordenador do Programa Latino-Americano de Carbono da Corpora&ccedil;&atilde;o Andina de Fomento (CAF). Esse organismo regional e outros globais, como o Banco Mundial, trabalham para que o mundo em desenvolvimento aproveite a oferta de cr&eacute;ditos, e a ajuda tecnol&oacute;gica, na opini&atilde;o de Barrigh, abre o chamado Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL) previsto no Protocolo de Kyoto, que entrar&aacute; em vigor no dia 16 de fevereiro de 2005. O MDL foi projetado para ajudar os pa&iacute;ses industrializados a cumprirem at&eacute; 2012 a meta de baixar suas emiss&otilde;es de gases respons&aacute;veis pelo efeito estufa a n&iacute;veis 5,2% menores do que os registrados em 1990.<\/p>\n<p> Companhias do Norte podem ter acesso a &quot;cr&eacute;ditos de carbono&quot; para se aproximar dessa meta quando est&atilde;o investindo em projetos de redu&ccedil;&atilde;o de emiss&otilde;es em pa&iacute;ses em desenvolvimento. O Brasil registrou como MDL seu plano NovaGerar, que aproveitar&aacute; o metano extra&iacute;do do lix&atilde;o de Nova Igua&ccedil;u, munic&iacute;pio com um milh&atilde;o de habitantes na periferia da cidade do Rio de Janeiro. Participa desse projeto o Fundo Holand&ecirc;s de Desenvolvimento Limpo, vinculado com o Banco Mundial. Os cr&eacute;ditos via MDL incentivam os governos municipais a disporem melhor do lixo, j&aacute; que &quot;a possibilidade de uma renda e redu&ccedil;&atilde;o de custos estimulam a implanta&ccedil;&atilde;o de dep&oacute;sitos de lixo mais adequados&quot;, disse ao Terram&eacute;rica Ant&ocirc;nio Carlos Delbin, diretor t&eacute;cnico da Biog&aacute;s Energia Ambiental, a empresa que executa o projeto.<\/p>\n<p> Outro projeto que o Brasil inscrever&aacute; oficialmente como MDL no pr&oacute;ximo ano tamb&eacute;m busca gerar eletricidade usando metano, neste caso a partir do aterro sanit&aacute;rio Bandeirantes, na periferia da cidade de S&atilde;o Paulo. Este projeto j&aacute; funciona desde janeiro produzindo energia. A redu&ccedil;&atilde;o de emiss&otilde;es de metano nesse aterro alcan&ccedil;ar&aacute; 19 milh&otilde;es de toneladas equivalentes de carbono em 21 anos, informou ao Terram&eacute;rica Helv&eacute;cio Guimar&atilde;es, diretor t&eacute;cnico da Econergy Brasil, firma que presta servi&ccedil;os t&eacute;cnico-financeiros a projetos de tecnologia limpa. <\/p>\n<p> A Col&ocirc;mbia tem seu pr&oacute;prio plano de captura de metano, no Vale do Cauca, onde a empresa a&ccedil;ucareira Engenho do Cauca (Incauca) utilizar&aacute; res&iacute;duos de cana para substituir o carv&atilde;o como combust&iacute;vel. Com o dinheiro obtido por esse projeto no contexto do MDL, pretende-se criar um laborat&oacute;rio escolar-empresarial para 120 crian&ccedil;as e 240 pais de fam&iacute;lia, explicou ao Terram&eacute;rica Rub&eacute;n Uchima, chefe da usina de gera&ccedil;&atilde;o de energia da Incauca. <\/p>\n<p> No entanto, nem todos est&atilde;o de acordo com os benef&iacute;cios do MDL. Com este mecanismo, &quot;os pa&iacute;ses industrializados desviam seus compromissos de reduzir suas emiss&otilde;es de carbono e evitam investir em desenvolvimento de tecnologia realmente limpa&quot;, alegou a pesquisadora Nadia Martinez, do Instituto de Estudos Pol&iacute;ticos, com sede em Washington. O MDL &quot;parecia ser uma boa id&eacute;ia, mas se converteu em um esquema de transa&ccedil;&otilde;es comerciais que beneficia multinacionais com projetos n&atilde;o necessariamente adequados&quot;, afirmou. <\/p>\n<p> Em 2001, Washington retirou sua assinatura do Protocolo de Kyoto, alegando que era contr&aacute;rio ao interesse econ&ocirc;mico dos Estados Unidos, por&eacute;m, j&aacute; anunciou que destinar&aacute; US$ 53 milh&otilde;es nos pr&oacute;ximos cinco anos ao desenvolvimento do Cons&oacute;rcio de Mercado de Metano. Isso mostra o que e quem est&atilde;o realmente por tr&aacute;s do MDL, acrescentou Martinez. Segundo Mar&iacute;a Teresa Szauer, diretora de Meio Ambiente da CAF, &quot;o crescente interesse na captura de metano&quot; tem rela&ccedil;&atilde;o com o fato de as metodologias de medi&ccedil;&atilde;o e contabilidade desse g&aacute;s j&aacute; estarem definidas e desenvolvidas, &quot;o que facilita muito sua inclus&atilde;o no mercado&quot;.<\/p>\n<p> A respeito das cr&iacute;ticas dos ambientalistas, Szauer afirma que se trata de posturas &quot;um tanto intransigentes&quot;, que n&atilde;o levam em conta &quot;o valor agregado que esses projetos t&ecirc;m para nossos pa&iacute;ses&quot;. A CAF afirma que o MDL deve ser aproveitado, pois permite que os pa&iacute;ses em desenvolvimento tenham acesso a tecnologias rent&aacute;veis e sustent&aacute;veis, e por isso ajuda as na&ccedil;&otilde;es da Am&eacute;rica Latina e do Caribe a identificar oportunidades.<\/p>\n<p> * O autor &eacute; correspondente da IPS. Com colabora&ccedil;&atilde;o de Yadira Ferrer (Col&ocirc;mbia) e M&aacute;rio Osava (Brasil).<\/p>\n<p> Artigo produzido para o Terram&eacute;rica, projeto de comunica&ccedil;&atilde;o dos Programas das Na&ccedil;&otilde;es Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) e para o Desenvolvimento (Pnud), realizado pela Inter Press Service (IPS) e distribu&iacute;do pela Ag&ecirc;ncia Envolverde.<\/p>\n<p>Artigo produzido para o Terram&eacute;rica, projeto de comunica&ccedil;&atilde;o dos Programas das Na&ccedil;&otilde;es Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) e para o Desenvolvimento (Pnud), realizado pela Inter Press Service (IPS) e distribu&iacute;do pela Ag&ecirc;ncia Envolverde.<\/p>\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>PARIS, 20\/01\/2005 &ndash; Capturar metano, um dos gases respons&aacute;veis pelo aquecimento da Terra, parece ser um dos mais atraentes neg&oacute;cios ambientais para pa&iacute;ses em desenvolvimento e suas contrapartes na Am&eacute;rica Latina. 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Pa&iacute;ses industrializados que ratificaram o Protocolo de Kyoto (1997) pagar&atilde;o pela implementa&ccedil;&atilde;o desses projetos para assim cobrirem parte da redu&ccedil;&atilde;o de gases que o tratado lhes imp&otilde;e.<br \/> <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/01\/mundo\/metano-a-estrela-de-mercado\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":437,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[4],"tags":[],"class_list":["post-47","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-mundo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/47","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/437"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=47"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/47\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=47"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=47"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=47"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}