{"id":4721,"date":"2009-01-30T14:16:47","date_gmt":"2009-01-30T14:16:47","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=4721"},"modified":"2009-01-30T14:16:47","modified_gmt":"2009-01-30T14:16:47","slug":"forum-social-mundial-midia-livre-crise-traz-esperanca","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2009\/01\/america-latina\/forum-social-mundial-midia-livre-crise-traz-esperanca\/","title":{"rendered":"F\u00d3RUM SOCIAL MUNDIAL: M\u00eddia Livre: Crise traz esperan\u00e7a"},"content":{"rendered":"<p>BEL\u00c9M, 30\/01\/2009 &ndash; -TerraViva.- Participantes do F\u00f3rum de M\u00eddia Livre, reunidos em Bel\u00e9m, apontaram os grandes meios como cumplices do modelo que levou \u00e0 crise econ\u00f4mica, e defendem a liberdade de produ\u00e7\u00e3o e difus\u00e3o de informa\u00e7\u00f5es, com participa\u00e7\u00e3o sa sociedade civil e de movimentos populares <!--more--> A crise econ\u00f4mica mundial desferiu um forte golpe nos meios de comunica\u00e7\u00e3o hegemonicos e, de certa forma, c\u00famplices do modelo econ\u00f4mico. Isto abriu espa\u00e7o para o crescimento de m\u00eddias livres, que n\u00e3o t\u00eam a ilus\u00e3o da objetividade, no entanto pretendem-se democr\u00e1ticas e representativas.<\/p>\n<p>Em contraste com o pessimismo de outras \u00e9pocas, a crise econ\u00f4mica renovou a esperan\u00e7a daqueles que h\u00e1 muito clamam contra a promiscuidade entre o jornalismo e as finan\u00e7as globais. Esta \u00e9 a conclus\u00e3o de ativistas e peritos em jornalismo que debateram o futuro da m\u00eddia livre durante o F\u00f3rum Social Mundial 2009 , em Bel\u00e9m, Brasil.<\/p>\n<p>\u201cO poder econ\u00f4mico e o midi\u00e1tico, que conjuntamente dominam a sociedade e controlam o poder pol\u00edtico, ficaram debilitados pela crise do neoliberalismo, que recebeu um golpe mortal,\u201d disse Ignacio Ramonet, diretor do Le Monde Diplomatique. \u201cA alian\u00e7a com os meios financeiros e a ado\u00e7\u00e3o dos seus m\u00e9todos por parte da m\u00eddia s\u00e3o a causa da decad\u00eancia da imprensa,\u201d disse o jornalista.<\/p>\n<p>Altamiro Borges, da Associa\u00e7\u00e3o Vermelho foi ainda mais longe e considerou \u201co grosso das corpora\u00e7\u00f5es medi\u00e1ticas como os maiores culpados pela crise, com a sua prega\u00e7\u00e3o pelo desmonte do Estado\u201d, avisando que n\u00e3o vale a pena manter a ilus\u00e3o em uma regenera\u00e7\u00e3o moral por parte da imprensa: \u201cJ\u00e1 est\u00e1 em curso uma nova interpreta\u00e7\u00e3o para justificar medidas de ajuste ainda mais duras,\u201d acusou.<\/p>\n<p>A linha de responsabiliza\u00e7\u00e3o dos jornalistas encontrou eco entre todos os participantes: Marcos Dantas, professor na Pontif\u00edcia Universidade Cat\u00f3lica do Rio de Janeiro atacou a palavra \u201cm\u00eddia\u201d, por esta institucionalizar o termo e ocultar responsabilidades. \u201cExistem donos, editores e jornalistas que n\u00e3o s\u00e3o pessoas mandadas, mas que disp\u00f5em-se \u00e0 manipula\u00e7\u00e3o.\u201d<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o se pode acreditar quando a m\u00eddia diz ter sido enganada, \u00e9 uma forma de apresentarem-se como v\u00edtimas e ocultar a pr\u00f3pria cumplicidade,\u201d confirmou Pascual Serrano, do jornal Rebeli\u00f3n. Serrano tamb\u00e9m se pronunciou contra do silenciamento de analistas e fontes cr\u00edticas do sistema econ\u00f4mico mundial antes da crise se tornar incontorn\u00e1vel.<\/p>\n<p>\u201cA crise em si n\u00e3o foi minimizada, no entanto, o formam suas causas e as responsabilidades,\u201d observou Joaquin Constanzo, diretor da Inter Press Service para a Am\u00e9rica Latina. Contudo, Constanzo insistiu que os anteriormente silenciados permanecem mudos: \u201cOs mesmos analistas neoliberais que n\u00e3o previram a crise continuam a aparecer dando solu\u00e7\u00f5es e citando a necessidade de pequenos ajustes.\u201d<\/p>\n<p>Se os respons\u00e1veis pela m\u00eddia parecem n\u00e3o aprender com os pr\u00f3prios erros, h\u00e1 quem diga que o mesmo n\u00e3o se aplica ao p\u00fablico. \u201cO jornalismo sofre duma crise de credibilidade, as pessoas na rua sabem que s\u00e3o enganadas pela m\u00eddia: o mito da objetividade caiu e com ele a credibilidade dos grandes meios de comunica\u00e7\u00e3o,\u201d indicou Serrano.<\/p>\n<p>A crescente abertura do p\u00fablico a novas formas de comunica\u00e7\u00e3o alternativas pode ser uma das armas contra-hegem\u00f4nicas no futuro, aproveitando as brechas tecnol\u00f3gicas ainda por ocupar e democratizando o acesso \u00e0s tecnologias de informa\u00e7\u00e3o, concordaram os membros dos pain\u00e9is.<\/p>\n<p>Blogs, p\u00e1ginas de grupos de direitos humanos ou grupos de discuss\u00e3o podem contrariar a crescente concentra\u00e7\u00e3o global dos meios de comunica\u00e7\u00e3o social. \u201cAs estruturas existentes n\u00e3o se podem democratizar porque os pr\u00f3prios profissionais n\u00e3o querem, estas t\u00eam de ser desmontadas para construir outros canais de comunica\u00e7\u00e3o,\u201d concluiu Dantas.<\/p>\n<p>O desafio foi lan\u00e7ado por Jonas Valente da Intervozes: \u201cA democratiza\u00e7\u00e3o do debate p\u00fablico sobre novas formas de comunica\u00e7\u00e3o vai contra os interesses dos grandes meios, mas a popula\u00e7\u00e3o tem que responder com um grito ensurdecedor.\u201d<\/p>\n<p>Com a internet chegando ao exorbitante n\u00famero de 1 bilh\u00e3o de usu\u00e1rios, Sergio Amadeu, Professor da Faculdade Casper Libero apontou &#8211; entre muitas outras gesticula\u00e7\u00f5es &#8211; que o projeto da internet ainda \u201cn\u00e3o est\u00e1 acabado nem est\u00e1 sob controle\u201d . A \u201cempolgada\u201d interven\u00e7\u00e3o de Amadeu mostrou que a dificuldade n\u00e3o est\u00e1 \u201cem falar, mas em ser ouvido, e para isso necessitamos de criar clusters de ativistas.\u201d<\/p>\n<p>Mas, como garantir a sobreviv\u00eancia das mid\u00edas alternativas num mundo informativo dominado pela l\u00f3gica do lucro e da verticaliza\u00e7\u00e3o? \u201cA horizontaliza\u00e7\u00e3o dos meios de informa\u00e7\u00e3o requer que estes sejam de fins n\u00e3o lucrativos, com uma gest\u00e3o coletiva, participativa, e com um esfor\u00e7o por estimular a autoestima da comunidade valorizando a sua identidade cultural,\u201d notou Jos\u00e9 Soter da Abra\u00e7o.<\/p>\n<p>A inevit\u00e1vel quest\u00e3o dum financiamento que n\u00e3o comprometa a independ\u00eancia informativa levou a uma discuss\u00e3o animada, prevalecendo as posi\u00e7\u00f5es a favor do financiamento misto, sem renunciar \u00e0 interven\u00e7\u00e3o do Estado: \u201cAbdicar dos recursos do Estado, isto \u00e9 da riqueza produzida pela popula\u00e7\u00e3o, significa deixar estes recursos nas m\u00e3os dos conglomerados,\u201d disse Valente.<\/p>\n<p>A acusa\u00e7\u00e3o da excessiva depend\u00eancia do Estado por parte da midia alternativa foi rejeitada categoricamente por Renato Rovai da Revista Forum. \u201cE todos os que est\u00e3o produzindo m\u00eddia de gra\u00e7a? Os grandes conglomerados n\u00e3o sobreviviriam um m\u00eas sem o Estado. Na Fran\u00e7a disponibilizaram-se 600 milh\u00f5es de Euros para ajudar o setor da imprensa, imaginem o que 6 milh\u00f5es de reais fariam para as m\u00eddias livres,\u201d contra-atacou.<\/p>\n<p>\u00c9 na Am\u00e9rica Latina que se come\u00e7am a sentir os primeiros sinais de apoio \u00e0s m\u00eddias alternativas e a participa\u00e7\u00e3o p\u00fablica. Maria Pia Matta da AMARC deu o exemplo do Uruguai que \u201cacaba de reconhecer os mesmos direitos \u00e0s midias p\u00fablicas, privadas e associativas,\u201d acrescentando que o direito \u00e0 comunica\u00e7\u00e3o \u00e9 um \u201cdireito humano que envolve todos os outros e sobre o qual n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel avan\u00e7ar sem um trabalho direto com os governos.\u201d<\/p>\n<p>No meio do entusiasmo generalizado, houve quem manifestou cautela, apontando para a necessidade de profissionalizar o setor: \u201cSem uma base de jornalistas profissionais que saibam processar o conte\u00fado das not\u00edcias, o sucesso das m\u00eddias alternativas \u00e9 imposs\u00edvel.,\u201d disse Constanzo.<\/p>\n<p>Uma cr\u00edtica que Sandra Russo, do di\u00e1rio P\u00e1gina 12, explicitou: \u201cA comunica\u00e7\u00e3o gerada pelos meios sociais \u00e9 geralmente chata e s\u00f3 convence os que j\u00e1 foram convencidos. O grande inimigo agora \u00e9 a frase feita, o lugar-comum, que \u00e9 entendido como transmitindo ideologia.\u201d Isso talvez em refer\u00eancia a uma participante que acusou os organizadores do F\u00f3rum de \u201cburgueses\u201d devido \u00e0s muitas perguntas que lhe colocaram ap\u00f3s pedir acredita\u00e7\u00e3o jornal\u00edstica. Afinal, l\u00e1 estava ela, acreditada.<\/p>\n<p>Boas inten\u00e7\u00f5es, poucas medidas<\/p>\n<p>A crise econ\u00f4mica e da ideologia neoliberal, a crescente democratiza\u00e7\u00e3o dos meios de comunica\u00e7\u00e3o na Am\u00e9rica Latina e o decl\u00ednio dos meios dominantes proporcionam uma oportunidade \u00fanica para a propaga\u00e7\u00e3o dos meios de informa\u00e7\u00e3o alternativa, diz a declara\u00e7\u00e3o final dos participantes no F\u00f3rum da M\u00eddia Livre, que foi objeto de cr\u00edticas pela falta de propostas concretas.<\/p>\n<p>S\u00f3 quando a m\u00eddia livre lute de igual para igual contra os grandes conglomerados haver\u00e1 uma verdadeira liberdade de express\u00e3o, devendo-se para isso apostar de forma incondicional na profissionaliza\u00e7\u00e3o e na articula\u00e7\u00e3o internacional dos movimentos sociais, concordaram os participantes.<\/p>\n<p>Nesse sentido surgiu a sugest\u00e3o de estabelecer um instituto de forma\u00e7\u00e3o jornal\u00edstica e de tomar medidas que levem a experi\u00eancia da m\u00eddia livre \u00e0s camadas jovens. Insistindo na condi\u00e7\u00e3o de virtuais produtores de m\u00eddia de todos os indiv\u00edduos, os membros do f\u00f3rum apelaram \u00e0 amplia\u00e7\u00e3o da m\u00eddia livre como afirma\u00e7\u00e3o do direito universal \u00e0 comunica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Os redatores do texto tamb\u00e9m chamaram a aten\u00e7\u00e3o para a obrigatoriedade de promover uma comunica\u00e7\u00e3o participativa e horizontal que escape \u00e0 linguagem da m\u00eddia comercial e \u00e0 sua l\u00f3gica de lucro, sem deixar de apontar ao financiamento auto-sustent\u00e1vel e p\u00fablico como os mais desej\u00e1veis.<\/p>\n<p>Apesar da un\u00e2nime exig\u00eancia de democratiza\u00e7\u00e3o dos fundos p\u00fablicos, e o apelo para os governos apoiarem a difus\u00e3o das tecnologias de informa\u00e7\u00e3o, e que assegurem constitucionalmente o direito \u00e0 comunica\u00e7\u00e3o, o papel do Estado tornou a ser controverso com alguns elementos do f\u00f3rum a notar o risco de cair na depend\u00eancia do paternalismo estatal.<\/p>\n<p>A pr\u00f3pria declara\u00e7\u00e3o foi criticada por uma ex-jornalista e escritora que manifestou a sua indigna\u00e7\u00e3o pela \u201cfalta de instrumentos de a\u00e7\u00e3o com um calend\u00e1rio claro,\u201d virando costas ao painel que tentava dirigir-se a ela. (IPS\/TerraViva)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>BEL\u00c9M, 30\/01\/2009 &ndash; -TerraViva.- Participantes do F\u00f3rum de M\u00eddia Livre, reunidos em Bel\u00e9m, apontaram os grandes meios como cumplices do modelo que levou \u00e0 crise econ\u00f4mica, e defendem a liberdade de produ\u00e7\u00e3o e difus\u00e3o de informa\u00e7\u00f5es, com participa\u00e7\u00e3o sa sociedade civil e de movimentos populares <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2009\/01\/america-latina\/forum-social-mundial-midia-livre-crise-traz-esperanca\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":218,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2,5,4],"tags":[],"class_list":["post-4721","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-america-latina","category-economia","category-mundo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4721","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/218"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4721"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4721\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4721"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4721"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4721"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}