{"id":4741,"date":"2009-02-03T12:36:27","date_gmt":"2009-02-03T12:36:27","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=4741"},"modified":"2009-02-03T12:36:27","modified_gmt":"2009-02-03T12:36:27","slug":"russia-africa-comercio-de-armas-alimenta-conflitos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2009\/02\/africa\/russia-africa-comercio-de-armas-alimenta-conflitos\/","title":{"rendered":"R\u00daSSIA-\u00c1FRICA: Com\u00e9rcio de armas alimenta conflitos"},"content":{"rendered":"<p>Moscou, Rosoboronexport, 03\/02\/2009 &ndash; A firma estatal russa dedicada \u00e0 exporta\u00e7\u00e3o de armas, planeja aumentar nos pr\u00f3ximos quatro a cinco anos o volume de vendas de armamentos e equipamento militar para a \u00c1frica. <!--more--> A iniciativa surge em meio a acusa\u00e7\u00f5es de que Moscou fornece armas a contrabandistas, contribuindo, assim, com os conflitos no continente africano, devastado pelas guerras. \u201cRevivemos nossos contatos com todos os pa\u00edses africanos que costumam ser compradores tradicionais de armas sovi\u00e9ticas\u201d, disse em entrevista coletiva o diretor-geral da Rosoboronexport, Anatoly Isaykin. A R\u00fassia \u00e9 o segundo maior exportador de armas, depois dos Estados Unidos.<\/p>\n<p>\u201cNos \u00faltimos ficaram evidentes mudan\u00e7as positivas na coopera\u00e7\u00e3o militar e t\u00e9cnica da R\u00fassia com Estados africanos\u201d, disse \u00e0 IPS em entrevista o subdiretor da companhia, Viktor Komardin. \u201cApesar da intensa competi\u00e7\u00e3o no mercado, a exporta\u00e7\u00e3o de armas pela R\u00fassia desde 2001 atingiu um crescimento est\u00e1vel e em 2008 chegou a um volume elevado. A expans\u00e3o dos volumes de fornecimento se manifesta no crescimento de produtos russos em diferentes pa\u00edses e regi\u00f5es do continente\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>Bright Simons, pesquisador de assuntos russos e sino-africanos em Imani, organiza\u00e7\u00e3o de especialistas com sede em Accra que ap\u00f3ia uma economia de mercado, disse \u00e0 IPS que embora a maior parte das exporta\u00e7\u00f5es russa v\u00e1 para ex-aliados da Guerra Fria, na \u00c1frica s\u00e3o vendidos clandestinamente todo tipo de armas pequenas selecionadas mais acess\u00f3rios. \u201cO mais preocupante \u00e9 que Moscou parece estar vendendo cada vez mais armas fora dos canais oficiais para c\u00edrculos de contrabando, sustentando, assim, ferozes conflitos locais em todo o continente\u201d, afirmou Simons.<\/p>\n<p>\u201cO com\u00e9rcio ilegal de armas russas \u00e9, por defini\u00e7\u00e3o, imposs\u00edvel de capturar totalmente, mas deveria estar em torno de, pelo menos, 20% da cifra global, a julgar pela propor\u00e7\u00e3o de prolifera\u00e7\u00e3o de conflitos na \u00c1frica central\u201d, acrescentou o pesquisador. Entre 2000 e 2007, os Estados africanos compraram armas da R\u00fassia no valor de US$ 1,1 bilh\u00e3o. \u201cUma tend\u00eancia importante, entretanto, \u00e9 que a China parece estar suplantando a R\u00fassia com fornecedora de op\u00e7\u00f5es para pequenos vendedores de armas\u201d, afirmou Simons desde Accra.<\/p>\n<p>Komardin reconheceu que a \u00c1frica \u00e9 uma regi\u00e3o de hostilidades. O confronto passou \u00e0 esfera dos dep\u00f3sitos minerais e entre os principais antagonistas est\u00e3o Ocidente e China, afirmou. Moscou tem seus pr\u00f3prios recursos naturais e n\u00e3o precisa participar dessa \u201cbusca ao tesouro\u201d, ressaltou. Por\u00e9m, Isaykin disse que a R\u00fassia est\u00e1 pronta para oferecer aos potenciais clientes na \u00c1frica formas de pagamento \u201calternativas e flex\u00edveis\u201d para compra de equipamento militar.<\/p>\n<p>Isto inclui a cria\u00e7\u00e3o de empresas de risco compartilhado nas ind\u00fastrias pesqueira, mineira e petroleira, direitos exclusivos para explora\u00e7\u00e3o de recursos naturais em pa\u00edses africanos e entregas de produtos tradicionais como diamantes, algod\u00e3o e caf\u00e9. \u201cEstes oferecimentos d\u00e3o aos nossos clientes africanos oportunidades adicionais para adquirir equipamento militar russo\u201d, acrescentou Isaykin. A maior dificuldade em regi\u00f5es t\u00e3o sens\u00edveis \u00e9 que o exportador de armas deveria seguir o crit\u00e9rio de \u201cevitar o dano\u201d. \u201c\u00c9 por isso que damos tanta aten\u00e7\u00e3o \u00e0 pol\u00edtica de Estado dentro do contexto da coopera\u00e7\u00e3o t\u00e9cnico-militar\u201d, afirmou Komardin. \u201cNosso armamento \u00e9 fornecido de modo a evitar alterar o prec\u00e1rio equil\u00edbrio militar e pol\u00edtico nas regi\u00f5es\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p> A Rosoboronexport tamb\u00e9m est\u00e1 construindo suas rela\u00e7\u00f5es com a Uni\u00e3o Africana, com base no equipamento e treinamento das for\u00e7as de consolida\u00e7\u00e3o de paz. Os helic\u00f3pteros, ve\u00edculos de combate mecanizados e armas pequenas procedentes da R\u00fassia s\u00e3o \u00fateis para desafiar as condi\u00e7\u00f5es africanas. Desde o colapso sovi\u00e9tico (1991), a influ\u00eancia de Moscou diminuiu consideravelmente, mas, ao analisar a situa\u00e7\u00e3o de modo objetivo, \u201ca R\u00fassia continua tendo um papel significativo na resolu\u00e7\u00e3o de conflitos e na aplica\u00e7\u00e3o da paz no continente\u201d, disse \u00e0 IPS Dmitry Bondarenko, subdiretor do Instituto de Estudos Africanos da Academia Russa de Ci\u00eancias, em Moscou. Como contraponto \u00e0 posi\u00e7\u00e3o de que especialmente o com\u00e9rcio de armas pequenas alimenta as v\u00e1rias guerras civis na \u00c1frica, Bondarenko alegou que, \u201cal\u00e9m da R\u00fassia, a maioria dos pa\u00edses ocidentais e Brasil e China est\u00e3o envolvidos\u201d nessa pr\u00e1tica.<\/p>\n<p>\u201cCreio que se a R\u00fassia, ou qualquer outro pa\u00eds, deixar vender armas \u00e0 \u00c1frica, nisto n\u00e3o resultar\u00e1 em um fim imediato dos conflitos, como alguns afirmam. As partes envolvidas nestes conflitos intermin\u00e1veis na \u00c1frica facilmente encontrar\u00e3o outras fontes para comprar armas\u201d, afirmou Bondarenko. \u201cEstou certo de que o com\u00e9rcio de armas aprofunda mais os conflitos, mas, de modo algum, \u00e9 a causa principal\u201d, acrescentou. Os conflitos s\u00e3o resultado de uma combina\u00e7\u00e3o de problemas internos da sociedade da \u00c1frica \u2013 diferen\u00e7as \u00e9tnicas e religiosas, luta pelo poder e economia fraca \u2013 com os interesses de corpora\u00e7\u00f5es ocidentais, ressaltou.<\/p>\n<p>H\u00e1 exemplos vividos de conflitos centrados em torno da extra\u00e7\u00e3o de diamantes e outros minerais da \u00c1frica ocidental e austral. A ex-Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica forneceu armas a muitos pa\u00edses africanos sobre uma base ideol\u00f3gica em seu enfrentamento com o Ocidente, mas agora a R\u00fassia busca a venda de armas como um exerc\u00edcio comercial. Os importadores tradicionais de armas russas da Rosoboronexport incluem Arg\u00e9lia, Angola, Botswana, Burkina Faso, Eti\u00f3pia, L\u00edbia, Marrocos, Mo\u00e7ambique, Nam\u00edbia, \u00c1frica do Sul e Uganda. Os tipos mais populares de armas compradas da R\u00fassia s\u00e3o avi\u00f5es de combate Sukhoi e MiG, sistemas de defesa a\u00e9rea, helic\u00f3pteros, tanques de batalha, ve\u00edculos blindados e de combate para infantaria.<\/p>\n<p>A R\u00fassia tamb\u00e9m mant\u00e9m posi\u00e7\u00f5es tradicionalmente fortes nas vendas de armas pequenas e leves, e sistemas de m\u00edsseis antitanques e terra-ar. Os pa\u00edses africanos s\u00e3o atra\u00eddos pela \u201cconfiabilidade e pelos pre\u00e7os competitivos\u201d das armas russas. Os helic\u00f3pteros russos tradicionalmente t\u00eam alta demanda na \u00c1frica. Segundo v\u00e1rias fontes, a R\u00fassia forneceu a pa\u00edses africanos cerca de 700 helic\u00f3pteros, entre eles os de ataque Mi-24\/25 Hind. \u201cEstamos oferecendo uma variedade de servi\u00e7os de p\u00f3s-venda aos nossos clientes tradicionais, priorizando servi\u00e7os de reparos em helic\u00f3pteros, bem como nos avi\u00f5es de combate MiG 23 MiG 27, MiG 29 e Su 24, e tamb\u00e9m treinamento de pilotos\u201d, disse Isaykin.<\/p>\n<p>Nos \u00faltimos anos, a R\u00fassia se esfor\u00e7ou para recuperar sua vantagem competitiva no com\u00e9rcio mundial de armas. Em 2007 vendeu US$ 7,4 bilh\u00f5es e se disp\u00f4s a impulsionar suas exporta\u00e7\u00f5es nesta \u00e1rea a US$ 89 bilh\u00f5es at\u00e9 o final de 2008. Com vistas a expandir suas vendas, a R\u00fassia fechou acordos intergovernamentais sobre coopera\u00e7\u00e3o t\u00e9cnico-militar com a maioria dos Estados africanos e estabeleceu comiss\u00f5es bilaterais, intergovernamentais e interdepartamentais, com parte da coopera\u00e7\u00e3o. Agora, o objetivo \u00e9 garantir a efetividade destes mecanismos e enriquecer as declara\u00e7\u00f5es de inten\u00e7\u00e3o com programas de coopera\u00e7\u00e3o de longo e m\u00e9dio prazos. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Moscou, Rosoboronexport, 03\/02\/2009 &ndash; A firma estatal russa dedicada \u00e0 exporta\u00e7\u00e3o de armas, planeja aumentar nos pr\u00f3ximos quatro a cinco anos o volume de vendas de armamentos e equipamento militar para a \u00c1frica. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2009\/02\/africa\/russia-africa-comercio-de-armas-alimenta-conflitos\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":114,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[3,5,11],"tags":[17],"class_list":["post-4741","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-africa","category-economia","category-politica","tag-asia-e-pacifico"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4741","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/114"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4741"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4741\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4741"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4741"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4741"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}