{"id":475,"date":"2005-04-06T00:00:00","date_gmt":"2005-04-06T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=475"},"modified":"2005-04-06T00:00:00","modified_gmt":"2005-04-06T00:00:00","slug":"desenvolvimento-brasil-o-sonho-de-completar-os-200-anos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/04\/mundo\/desenvolvimento-brasil-o-sonho-de-completar-os-200-anos\/","title":{"rendered":"Desenvolvimento: Brasil, o sonho de completar os 200 anos"},"content":{"rendered":"<p>Rio de Janeiro, 06\/04\/2005 &ndash; O Brasil conta com &quot;perspectivas excepcionais&quot; de desenvolvimento nas pr&oacute;ximas duas d&eacute;cadas quando, provavelmente, dever&aacute; se consolidar a integra&ccedil;&atilde;o dos &quot;Estados Unidos da Am&eacute;rica do Sul&quot;, segundo o economista Carlos Lessa. O sonho do libertador americano Simon Bol&iacute;var de unir a regi&atilde;o se tornar&aacute; realidade porque &quot;o Primeiro mundo n&atilde;o nos prop&otilde;e nenhum destino, (e por isso) temos de buscar nosso pr&oacute;prio destino para escapar do destino da &Aacute;frica, onde se comete um genoc&iacute;dio por omiss&atilde;o&quot;, comentou Lessa em conversa com a IPS. O ex-presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econ&ocirc;mico e Social (BNDES) &eacute; um dos oradores do Semin&aacute;rio &quot;Brasil, cen&aacute;rio global de desenvolvimento em 2022&quot;, que o Centro Brasileiro de Estudos Latino-americanos (Cebela) organiza nesta quarta-feira, em Bras&iacute;lia.<br \/> <!--more--> <br \/> O debate entre intelectuais inaugura um ciclo de 15 f&oacute;runs quinzenais que, sob o t&iacute;tulo geral &quot;Pensar Brasil 2022&quot;, pretende criar &quot;um projeto de pa&iacute;s&quot; para orientar o desenvolvimento nos pr&oacute;ximos 17 anos, com explicou Roberto Amaral, ex-ministro da Ci&ecirc;ncia e Tecnologia e fundador do Cebela. 2022 foi escolhido como refer&ecirc;ncia porque nesse ano ser&aacute; celebrado o bicenten&aacute;rio da independ&ecirc;ncia, uma data de grande peso simb&oacute;lico. Lessa come&ccedil;ou a entrevista dizendo que n&atilde;o se pode fazer previs&otilde;es para &quot;um horizonte t&atilde;o longo&quot;, salvo em aspectos demogr&aacute;ficos, como quanto ao envelhecimento da popula&ccedil;&atilde;o brasileira, exigindo mudan&ccedil;as em pol&iacute;ticas sociais, com &quot;menos escolas e mais asilos para idosos&quot;, e na medicina, com maior aten&ccedil;&atilde;o para as doen&ccedil;as degenerativas, atrav&eacute;s da biotecnologia.<\/p>\n<p> Mas em seguida destacou &quot;o futuro brilhante&quot; que ter&aacute; o Brasil pela &quot;vantagem colossal&quot; de seus recursos energ&eacute;ticos. Dois ter&ccedil;os do potencial hidrel&eacute;trico do pa&iacute;s ainda est&atilde;o para serem explorados e as fontes renov&aacute;veis &quot;gigantescas&quot; apenas come&ccedil;am a ser aproveitadas. Desenvolvimento &eacute; &quot;o homem mais a energia dispon&iacute;vel&quot;, definiu, para real&ccedil;ar as boas perspectivas do Pa&iacute;s, junto com uma Am&eacute;rica do Sul &quot;aben&ccedil;oada por Deus&quot; em termos de recursos naturais. O obst&aacute;culo &eacute; &quot;a elite pouco comprometida com os interesses nacionais&quot;, admitiu. Compartilha dessa cr&iacute;tica Theotonio dos Santos, soci&oacute;logo e professor de economia internacional na Universidade Federal Fluminense, para quem a &quot;insensibilidade da classe dominante&quot; brasileira impede uma melhor distribui&ccedil;&atilde;o da renda.<\/p>\n<p> Em sua opini&atilde;o, o Brasil pode obter um forte crescimento econ&ocirc;mico nos pr&oacute;ximos 15 a 20 anos, favorecido pela tend&ecirc;ncia de expans&atilde;o mundial, mas n&atilde;o haver&aacute; mudan&ccedil;as substanciais na desigualdade social &quot;se n&atilde;o houver uma revolu&ccedil;&atilde;o ou fatos traum&aacute;ticos que obriguem a isso. Esse futuro depende da consolida&ccedil;&atilde;o de uma &quot;frente pol&iacute;tica&quot; que re&uacute;ne o movimento sindical, partidos de esquerda e um empresariado que se oponha ao dom&iacute;nio do setor financeiro na economia. Esse bloco surgiu nas elei&ccedil;&otilde;es de 2002, quando Luiz In&aacute;cio Lula da Silva foi eleito presidente, fortalecido na oposi&ccedil;&atilde;o ao governo de Fernando Henrique Cardoso (1995-2002).<\/p>\n<p> Lula tinha inclusive o apoio dos militares, com os quais concordava em uma pol&iacute;tica nacionalista, e da Igreja Cat&oacute;lica em favor dos programas sociais. Mas essa frente se dividiu diante das op&ccedil;&otilde;es econ&ocirc;micas do governo Lula, lamentou dos Santos. &quot;Reagrupar essas for&ccedil;as para construir um programa nacionalista, democr&aacute;tico&quot;, &eacute; indispens&aacute;vel para um crescimento econ&ocirc;mico sustentado que possa reduzir um pouco as desigualdades, atrav&eacute;s da retirada do peso do setor financeiro que concentra a riqueza nacional &quot;ao ganhar 12% do PIB&quot; apenas com altos juros sobre a d&iacute;vida p&uacute;blica. Esse crescimento econ&ocirc;mico tem de ser obtido nos pr&oacute;ximos 15 a 20 anos, no qual permanecer&aacute; um quadro internacional favor&aacute;vel, de com&eacute;rcio de expans&atilde;o, advertiu.<\/p>\n<p> Depois desse per&iacute;odo, o especialista prev&ecirc; que o esgotamento deste ciclo, com o d&oacute;lar perdendo for&ccedil;a e reduzindo a &quot;moeda regional&quot; e o capitalismo &quot;pela primeira vez sem uma hegemonia definida. Se o Brasil n&atilde;o crescer nestes 15 anos, n&atilde;o ser&aacute; nada, e enfrentar&aacute; uma crise colossal&quot;, com os problemas sociais, hoje refletidos na viol&ecirc;ncia urbana, convertendo-se em &quot;confronta&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica&quot;, previu. A aproxima&ccedil;&atilde;o com a &Aacute;sia e a &Aacute;frica, promovida pela diplomacia atual &eacute; positiva, com a China impulsionando as exporta&ccedil;&otilde;es brasileiras. Agora o Brasil desenvolve &quot;uma vis&atilde;o mundial&quot; e o exemplo asi&aacute;tico pode incentivar a necess&aacute;ria prioridade &aacute; educa&ccedil;&atilde;o, outro ator indispens&aacute;vel ao crescimento econ&ocirc;mico, conclui dos Santos.<\/p>\n<p> Ampliar os investimentos em educa&ccedil;&atilde;o, ci&ecirc;ncia e tecnologia &eacute; a chave do desenvolvimento no futuro pr&oacute;ximo, destacou tamb&eacute;m Amaral. O Estado, atrav&eacute;s das universidades, &quot;produz ci&ecirc;ncia&quot;, mas a tecnologia &eacute; tarefa do setor privado, que n&atilde;o investir&aacute; recursos em seu desenvolvimento sen&atilde;o houver perspectivas de crescimento econ&ocirc;mico&quot;, advertiu. &quot;Nenhum pa&iacute;s do mundo se desenvolveu sem um projeto nacional&quot;, tampouco sem &quot;investimentos sistem&aacute;ticos em conhecimento&quot;, acrescentou para em seguida explicar o objetivo principal dos semin&aacute;rios que coordena. O projeto parte de pelo menos dois consensos: a democracia e a busca de uma &quot;sociedade menos injusta&quot;.<\/p>\n<p> &Eacute; &quot;insuport&aacute;vel&quot; saber que o Brasil, uma das 12 maiores economias do mundo est&aacute; em 85&ordm; lugar quanto &agrave; renda per capita e entre as de maior desigualdade, ressaltou. Como se trata de um pa&iacute;s muito extenso e de grande diversidade, tamb&eacute;m ter&aacute; de avan&ccedil;ar em &quot;diversidade ideol&oacute;gica?, desde a moderna inform&aacute;tica &agrave;s tradicionais j&aacute; implantadas que oferecem muitos empregos, &quot;sem abrir m&atilde;o de nenhuma que aumente a competitividade do pa&iacute;s&quot;, afirmou. Entre os expositores do semin&aacute;rio Brasil, Cen&aacute;rio Global de Desenvolvimento em 2022 tamb&eacute;m estar&atilde;o Renato Janine Ribeiro, um fil&oacute;sofo da Universidade de S&atilde;o Paulo que destacar&aacute; a import&acirc;ncia da cultura, e o te&oacute;logo cat&oacute;lico Leonardo Boff, que falar&aacute; sobre quest&otilde;es ambientais e &eacute;ticas. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Rio de Janeiro, 06\/04\/2005 &ndash; O Brasil conta com &quot;perspectivas excepcionais&quot; de desenvolvimento nas pr&oacute;ximas duas d&eacute;cadas quando, provavelmente, dever&aacute; se consolidar a integra&ccedil;&atilde;o dos &quot;Estados Unidos da Am&eacute;rica do Sul&quot;, segundo o economista Carlos Lessa. O sonho do libertador americano Simon Bol&iacute;var de unir a regi&atilde;o se tornar&aacute; realidade porque &quot;o Primeiro mundo n&atilde;o nos prop&otilde;e nenhum destino, (e por isso) temos de buscar nosso pr&oacute;prio destino para escapar do destino da &Aacute;frica, onde se comete um genoc&iacute;dio por omiss&atilde;o&quot;, comentou Lessa em conversa com a IPS. O ex-presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econ&ocirc;mico e Social (BNDES) &eacute; um dos oradores do Semin&aacute;rio &quot;Brasil, cen&aacute;rio global de desenvolvimento em 2022&quot;, que o Centro Brasileiro de Estudos Latino-americanos (Cebela) organiza nesta quarta-feira, em Bras&iacute;lia.<br \/> <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/04\/mundo\/desenvolvimento-brasil-o-sonho-de-completar-os-200-anos\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":421,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[4],"tags":[],"class_list":["post-475","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-mundo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/475","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/421"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=475"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/475\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=475"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=475"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=475"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}