{"id":4761,"date":"2009-02-05T15:06:36","date_gmt":"2009-02-05T15:06:36","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=4761"},"modified":"2009-02-05T15:06:36","modified_gmt":"2009-02-05T15:06:36","slug":"pesca-nenhum-pais-e-inocente-pelo-colapso","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2009\/02\/mundo\/pesca-nenhum-pais-e-inocente-pelo-colapso\/","title":{"rendered":"PESCA: Nenhum pa\u00eds \u00e9 inocente pelo colapso"},"content":{"rendered":"<p>San Diego, Estados Unidos, 05\/02\/2009 &ndash; A mudan\u00e7a clim\u00e1tica, a contamina\u00e7\u00e3o e a pesca em excesso agravam o estado cr\u00edtico dos oceanos. <!--more--> Especialistas alertam que os 53 pa\u00edses que contam com frota pesqueira nacional manejam os recursos com irresponsabilidade. Um informe cient\u00edfico divulgado esta semana indica que todas essas na\u00e7\u00f5es, que concentram 96% da pesca mundial, descumpriram o C\u00f3digo de conduta para a Pesca Respons\u00e1vel da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas para a Alimenta\u00e7\u00e3o e a Agricultura (FAO). Atrav\u00e9s desse convenio aprovado em 1995 os 53 pa\u00edses se comprometem a tomar medidas para resgatar os bancos de pesca. Mas, de fato, nenhum as cumpre, segundo a an\u00e1lise divulgada ontem pela revista cient\u00edfica Nature.<\/p>\n<p>As na\u00e7\u00f5es que atuam com mais responsabilidade, como Noruega, Estados Unidos, Canad\u00e1, Austr\u00e1lia e Isl\u00e2ndia, alcan\u00e7aram apenas a qualifica\u00e7\u00e3o \u201cboa\u201d, com o cumprimento de 55% a 60% do convenio em quatro anos de recopila\u00e7\u00e3o de dados e an\u00e1lises. Trinta e oito na\u00e7\u00f5es que concentram 40% da pesca mundial, a maioria em desenvolvimento, s\u00e3o grandes descumpridoras do tratado, segundo o estudo. Mas, alguns pa\u00edses da Uni\u00e3o Europ\u00e9ia, que contam com mais conhecimentos e recursos,tiveram um rendimento pouqu\u00edssima coisa melhor do que esses 38, disse um dos coautores do informe, Tony Pitcher, da Universidade da Col\u00fambia Brit\u00e2nica, em Vancouver (Canad\u00e1).<\/p>\n<p>\u201cO n\u00e3o-cumprimento por parte de europeus s\u00e3o muito desanimadores\u201d, afirmou Pitcher. \u201cA Pol\u00edtica Comum de Pesca da UE \u00e9 um fracasso\u201d, acrescentou. As na\u00e7\u00f5es pesqueiras do bloco n\u00e3o controlam sua frota, n\u00e3o respeitam as cotas de captura recomendadas pelos cientistas, n\u00e3o controlam a atividade ilegal e contam com pouqu\u00edssimas \u00e1reas protegidas. \u201cEspero que esta an\u00e1lise obrigue a UE a limpar seu expediente\u201d, disse Pitcher. O car\u00e1ter volunt\u00e1rio do c\u00f3digo foi crucial para conseguir um acordo un\u00e2nime em 1995, mas Pitcher e os outros autores do informe consideram que \u201cchegou o momento de um instrumento legal integrado\u201d e, portanto, obrigat\u00f3rio, \u201cque cubra todos os aspectos do manejo pesqueiro. Com a mudan\u00e7a clim\u00e1tica alterando os oceanos, tomar a\u00e7\u00f5es \u00e9 uma necessidade muito urgente\u201d, disse o especialista.<\/p>\n<p>Esta crise vai acabar com o negocio da ind\u00fastria pesqueira, alerta Jeremy Jackson, diretor do Centro para a Biodiversidade Marinha e a Conserva\u00e7\u00e3o, do Instituto Scripps de Oceanografia em San Diego. Jackson fez esta avalia\u00e7\u00e3o na confer\u00eancia internacional Seafood Summit, que terminou ter\u00e7a-feira na cidade norte-americana de San Diego. Na confer\u00eancia, empresas de navega\u00e7\u00e3o e produ\u00e7\u00e3o de alimentos, organiza\u00e7\u00f5es de consumidores e conservacionistas e cientistas buscaram acordos para a sustentabilidade da atividade pesqueira e prote\u00e7\u00e3o dos mares.<\/p>\n<p>Jackson alertou que a pesca em excesso dizima muitas esp\u00e9cies de peixes e acaba com os arrecifes de coral, que a pesca de arrast\u00e3o destr\u00f3i habitats marinhos e que as zonas oce\u00e2nicas mortas aumentam, bem como as mar\u00e9s vermelhas t\u00f3xicas. A mudan\u00e7a clim\u00e1tica aquece as \u00e1guas e empurra a vida oce\u00e2nica para os p\u00f3los, enquanto as emiss\u00f5es de di\u00f3xido de carbono deixam os mares mais \u00e1cidos, o que reduz a forma\u00e7\u00e3o de organismos e a sobreviv\u00eancia de numerosas esp\u00e9cies, afirmou o especialista. \u201cOs oceanos sofrem uma mudan\u00e7a de habitat extrema\u201d, ressaltou. Para acabar com estes fen\u00f4menos, a humanidade dever\u00e1 frear, nos pr\u00f3ximos 20 a 320 anos, a emiss\u00e3o de di\u00f3xido de carbono, o lan\u00e7amento de dejetos de fertilizantes nos oceanos e a pesca em excesso, recomendou Jackson.<\/p>\n<p>A captura dever\u00e1 ser proibida em um ter\u00e7o das \u00e1guas oce\u00e2nicas, prosseguiu Jackson. \u201cO primeiro passo deveria ser impor por lei medidas de prote\u00e7\u00e3o\u201d, afirmou. O especialista assegurou que nenhum dado anuncia para longo prazo a sustentabilidade dos bancos de pesca, exceto no caso de umas poucas esp\u00e9cies de sardinha e anchova. O futuro da alimenta\u00e7\u00e3o de origem marinha ser\u00e1 a aquicultura e somente se desenvolvida corretamente. \u201cO cultivo de salm\u00e3o \u00e9 uma cat\u00e1strofe\u201d, ressaltou. A aquicultura dever\u00e1 depender do uso de esp\u00e9cies nativas em \u00e1guas oce\u00e2nicas abertas, mas seu desenvolvimento deveria ser precedido de muita pesquisa, disse Jackson.<\/p>\n<p>A confer\u00eancia de San Diego delineou um futuro de opera\u00e7\u00f5es de aq\u00fcicultura em \u00e1guas oce\u00e2nicas abertas, de modo a minimizar as possibilidades de contamina\u00e7\u00e3o e doen\u00e7as das esp\u00e9cies marinhas. Ainda mas prometedor seria, para os especialistas, um enfoque que inclua o cultivo simult\u00e2neo e no mesmo habitat de diferentes esp\u00e9cies \u2013 salm\u00e3o, mariscos e algas, por exemplo \u2013 para que os dejetos de uma se convertam em alimento das outras. \u201cOs oceanos est\u00e3o em crise, mas estes tamb\u00e9m s\u00e3o tempos de grandes oportunidades\u201d, concluiu Jackson. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>San Diego, Estados Unidos, 05\/02\/2009 &ndash; A mudan\u00e7a clim\u00e1tica, a contamina\u00e7\u00e3o e a pesca em excesso agravam o estado cr\u00edtico dos oceanos. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2009\/02\/mundo\/pesca-nenhum-pais-e-inocente-pelo-colapso\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":194,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[8,12,5,4],"tags":[21],"class_list":["post-4761","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-ambiente","category-desenvolvimento","category-economia","category-mundo","tag-metas-do-milenio"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4761","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/194"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4761"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4761\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4761"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4761"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4761"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}